Aprendendo a Amar
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 10
Dias atuais.
Washington; Novembro,2015
Bella.
—Bella... Amor... Acorda, vai se atrasar. – o sussurro no meu ouvido me irritou, mesmo que tenha provocado arrepios pelo meu pescoço.
—Já vou. -sussurrei com o travesseiro abafando a minha voz. A risada que recebi de volta era rouca.
—Toda a vez que me convenço quando você diz isso, saio e você se atrasa. Vamos logo, você tem que receber aquele diplomata Russo não é?
Diplomata Russo.
Diplomata Russo.
Aquelas palavras ficaram se repetindo na minha cabeça até que fizeram sentido e eu pulei da cama.
—Porra Jacob! Eu deveria estar acordada desde as seis da manhã!
Comecei a correr pelo quarto procurando meu celular. O idiota ria.
—Linda, eu estou tentando te acordar desde as seis da manhã.
—Se de fato estivesse eu já estaria de pé a tempos!
—Está aqui. — Ele me estendeu o aparelho. Depois o recolheu escondendo de mim. – Não ganho nem mesmo um beijo?
—Não tenho tempo para essas palhaçadas!
—Um beijo. – ele repetiu e fez bico parecendo um idiota. Suspirei rendida, eu adorava sua cara de idiota.
Selei nossos lábios e seus braços me envolveram me puxando de volta a cama.
—Jacob! – gritei porem logo ri. Eu não podia ficar verdadeiramente chateada naquela situação.
—Se arrume logo que eu preparo seu café. – ele sussurrou com seus olhos escuros presos aos meus. Seu sorriso era algo que eu só podia descrever como ‘’fofo’’.
—Ok. – sussurrei meio sem fôlego por causa do seu abraço apertado. Corri para o banho, eu tinha exata uma hora para estar no hotel Plaza junto com outros chefes de estado, e tentando controlar a imprensa. Bem vindos a minha vida de relações internacionais.
(...)
—Te vejo a noite? – ele perguntou na frente da limusine que me levaria ao Hotel.
—Sim, marquei com Jane na Paradise.
Ele fechou a cara.
—Achei que seria algo entre nós dois apenas.
Coloquei dois dedos em seus lábios que se formavam em um biquinho.
—Jane é como minha irmã, e não temos tanto tempo juntas! Temos que aproveitar quando da.
—Na noite que eu queria que fosse apenas nossa?
—Jacob não seja difícil! – implorei. Ele riu e me abraçou.
—Tudo bem. Só não reclame por eu dizer o que direi na frente de sua amiga.
—O que?
—Não... Agora será surpresa para as duas. Até mais! – ele me beijou rápido e correu pela calçada, de volta ao meu prédio para pegar sua moto no estacionamento.
—Podemos ir Senhorita Swan? – O motorista perguntou. Fiquei olhando a figura morena e alta de Jacob sumir pelo hall me perguntando o que ele estaria aprontando.
—Vamos Carlos. – entrei no carro tentando manter a pose no meu vestido preto, e saltos altos. Aproveitei o percurso para checar em meu tablete as atividades do dia com os diplomatas.
—Champanhe senhorita?- uma voz sarcástica soou atrás de mim.
Virei-me sorrindo porque sabia exatamente a quem pertencia.
—Tyler. – prolonguei as sílabas do seu nome.
—Isabella. – ele me abraçou.
—Não esperava te ver por aqui tão cedo! – continuei em seus braços.
—Estou resolvendo uns negócios com uns clientes de Edward...
O nome fez meu estômago gelar.
—E por que ele mesmo não veio? – perguntei como quem não quer nada, mas na verdade eu queria tudo.
Edward Cullen.
Onde mora?
O que come?
Com quem sai?
Com quem trabalha?
Quando visitas os pais?
Por que eu nunca o encontro na nossa cidade natal?
E o mais importante; por que me evita?
—Ele chegou de uma viagem em Sidney e nosso chefe o mandou descansar. O cara fica indo e vindo, lidando com os contratos em cidades e em países diferente sem nunca reclamar! Nosso chefe percebeu que ele precisa de um pouco de estabilidade.
—Ah. – foi tudo que respondi. Fazia exatos nove anos que eu não o via. Uma ligação aqui, outra ali... E mais nada. Todas as vezes que eu ia passar Natal em Forks, ele não dizia que não poderia ir, e então aparecia lá para passar o ano novo, e quando eu ia para o ano novo ele passava o natal. Sendo assim, criamos uma rotina anual, onde sem nem ao menos combinarmos, conseguíamos não nos cruzar quando íamos a nossa cidade. Eramos amigos no FaceBook pelo menos, assim eu sabia algumas coisas básicas. Como mulheres diversas o marcando como namorado a cada três meses.
E suas fotos de viagens.
—Bella? – Tyler me chamou.
—Desculpe Tyler. O que você disse?
—Que Jane e eu esperamos que você e Edward seja nosso casal de padrinhos de casamento.
Oh.
—Nossa! Isso será uma honra. – quem diria que Jane e Tyler ainda estariam juntos mesmo após nove anos do começo do ‘’rolo’’ dos dois? Aquilo me parecia meio maluco, os dois não ligavam para nomear o relacionamento, e depois da faculdade, mesmo com toda a distancia (Tyler morava em Nova York, e ainda mora) e Jane aqui em Washington, ele sempre vinha a visitar e vise e versa. A diferença era que; ela não se referia a ele como namorado e ele tal pouco referia a ela dessa forma.
—Bella? Você esta fazendo de novo! – ele riu
—Desculpa mesmo! É só...
Ele pousou uma mão em meu braço.
—Sei que o relacionamento a distancia mexe com você.
Sorri duro.
—Não Tyler. Fico feliz sobre você e Jane. Só acho que você deveria escolher outro padrinho já que Edward Cullen não frequenta os mesmos ambientes que eu. Acredita que ele não foi ao aniversario da mãe por que eu estava lá?
Aquilo ainda me fervia.
—Não foi assim! Realmente ele não pode ir.
—Por causa de alguma piranha? Vick? Alma? Esquece. Seu amigo se tornou o símbolo da irresponsabilidade.
—Não julgue o Edward Bella. Você não sabe...
—Que foi difícil para ele a distancia entre nós? Veja você e Jane, nem namoravam, mas deram um jeito!
—Você o ama? – ele soltou arqueando uma sobrancelha. Senti meu rosto corar.
—Isso não esta em questão. –respondi olhando para todos os lados, menos para ele.
—Só a sua cara me responde tudo.
—Senhorita Swan? – a assistente do diplomata me chamou.
—O trabalho me chama Tyler. Te encontro a noite?
—Com certeza. Seu namorado Índio Grandão vai estar lá?
Tyler e Jacob não se davam muito bem.
—Pode apostar. – respondi entre dentes e ele riu.
Jacob fora um acaso gostoso no meu caminho. Eu já morava em Washington DC há quatro anos quando o conheci na minha cafeteria preferida. Ele tomava o café da manhã lá todos os sábados, assim como eu. Depois de muitas trocas de sorriso eu criei coragem e me apresentei. Graças aos céus ele era muito fácil de conversar, porque eu não sabia como manter uma conversa. Nossos encontros ficaram durante um bom tempo resumido ao café, até que ele me chamou para uma noitada. Cinco anos. Estamos juntos há cinco anos.
E para ser sincera, faz cinco anos que não recebo uma mensagem de Edward e nenhum telefonema.
Ele deveria passar o ano novo aqui comigo. Ele não apareceu. Recebi um bilhete de desculpas e só. Nunca mais o vi.
Se nossas famílias não fossem amigas suspeito que eu nunca mais teria noticias dele.
Voltei a trabalho com um sorriso forçado, minha mente cheia de Edward Cullen.
(...)
—Estou falando com você Jane; Jacob está estranho. – repeti com o telefone no viva voz enquanto terminava de passar a chapinha no cabelo.
Ela riu.
—Tyler estava estranho quando me pediu em casamento.
—aiaiaia será que é isso?!
—Talvez. – eu podia vê-la com clareza dando de ombros do outro lado da linha. Quando voltou a falar seu tom estava mais serio. – Ficou sabendo o que aconteceu com nossos professores da universidade? Carmen e Eleazar?
Os nomes acenderam coisas em minha mente. Eram um casal maravilhoso, e mentes muito sabias.
—Não.
—O pessoal que estudou com a gente na faculdade não fala de outra coisa! Não abriu seu Face hoje?
—Na verdade não tive tempo.
—Para uma pessoa que precisa estar antenada nos assuntos do mundo, você é bem desligada.
—Assuntos do mundo não inclui necessariamente fofocas de FaceBook.
—Mas isso é importante. Deu no jornal.
—O que houve?- larguei a prancha no balcão do banheiro.
—Abre seu face. Não sou boa para falar.
—Jane...
—Por favor.
Fiz o que ela pediu, pegando meu celular, e logo que abri vi ao o que ela se referia.
—Meu Deus. – meus olhos se encheram de agua com as palavras que a própria reitoria havia postada na pagina oficial da universidade.
É com grande pesar que informamos o falecimento de dois dos grandes nomes dessa universidade; Carmen e Eleazar Santiago. Um acidente de carro na nessa madrugada, dia dezesseis de novembro quando eles voltavam para a cidade após comemoraram o aniversario da filha Vanessa Santiago de nove anos, tirou a vida dos dois. Vanessa está internada no hospital e seu estado de saúde ainda não foi divulgado.
—Oh Deus. – repeti e as lágrimas caíram.
—Bella?!
—Porra Jane! Você poderia ter me dito! Eles estão mortos! Meu Deus! Isso é horrível!
—Eu sei! Também estou triste.
—Aqui não fala sobre o estado de saúde da filha deles.
—Pois é. Tão nova e já perdeu os pais. Vamos ao enterro?
—É o mínimo que podemos fazer. – sussurrei. – Edward sabe?
—Deve saber. Ele foi um dos que curtiu o poste.
—Eu... Nossa estou totalmente sem clima para sair agora.
—Mas temos que ir lindinha. Os meninos nos esperam.
—Só Jacob me chama assim. – resmunguei tentando limpar os olhos.
—Hum exclusividade. Entendo. – rimos.
—Vou terminar aqui. Te encontro as oito?
—Sim. Tyler e eu já estamos saindo.
—Até.
—Beijo.
Desliguei e continuei o processo de me arrumar muito menos animada agora. Carmen Santiago significava muito para mim, e Eleazar Santiago muito para Edward? Como ele estava?
Plip.
Peguei o celular.
Tudo bem com você?
A mensagem era de Edward. Eu tinha certeza, pois tinha seu numero salvo, apesar de nunca discá-lo.
Não muito... Já sabe de Eleazar e Carmen?
A resposta não demorou.
Sim. Pretendo ir ao enterro.
Também. Com será que está à filha deles? Ela só tem nove anos!
Um amigo me garantiu que ela está bem, sofreu poucos danos. Um braço deslocado e alguns hematomas.
Ela perdeu os pais Edward. Isso... É horrível. Será que têm parentes?
Não sei.
Eu não sabia o que dizer. Fui para a garagem pegar meu carro. Quando estava saindo com o carro outra mensagem dele.
Isso me fez pensar no tempo que a gente perde com besteiras. A vida é muito curta. Desculpe pelo tempo sem falar com você. Pensei em você todos os dias.
Meu coração pareceu despertar com essas palavras. De repente eu estava super consciente dele batendo em meu peito.
Não há o que desculpar. Também senti sua falta.
Sua resposta foi uma carinha feliz e um coração.
Que porra! Dirigi até a boate com um sorriso ridículo no rosto por que Edward Cullen havia me mandado uma carinha feliz e um coração.
Nova York, Novembro 2015
Edward.
Tyler ficaria orgulhoso de mim. Eu havia dado o primeiro passo e falado com Isabella Swan depois de cinco anos.
Cinco malditos anos.
Eu me lembrava com exatidão do ano novo. Eu havia chegado mais cedo, de manhã bem cedo. Minha entrada já estava na liberada na portaria do prédio de Jane e Bella. Eu tinha comprado um maldito buquê de flores. Eu iria ser romântico, quatro anos mantendo contato com Bella e vendo Tyler e Jane fazendo um namoro a distancia dar certo, eu estava cheio de esperanças de que daria certo.
Batia a porta.
E não foi Jane ou Bella quem abriu.
Foi um Índio Grandão.
—Posso ajudar? – ele estava sem camisa, e eu me senti amaldiçoado por ter saído da academia.
—Bella ou Jane estão? – falei com a voz forte.
—Bella está dormindo e Jane eu não sei.
Pronto. Esse cara não estava aqui acompanhando Jane.
—Você é... – ele me olhava de cima a baixo me medindo.
—Edward Cullen. Amigo das duas.
—Ah... Eu vou chamar Bella. Entra cara, ela pode demorar a acordar, ela é uma gatinha manhosa pela manhã. –ele piscou para mim.
Aquilo me deu vontade de vomitar.
—Não precisa. Eu tenho umas coisas para resolver... Queria fazer uma surpresa para ela e Jane. À noite as encontro juntas. Não comenta que apareci. Você é...
—Jacob Black. Namorado de Bella. – ele sorriu todo orgulho e estendeu a mão. A mão que ele deveria ter passado pelo corpo dela. Engoli em seco. Recusei seu comprimento.
—Eu já vou. Não comente que eu estive aqui, se não vai estragar a surpresa.
—Tudo bem... – ele coçou a cabeça sem graça.
Sai dali segurando a vontade de vomitar. Na recepção deixei um bilhete.
Bella,
Desculpe não deu para chegar. Haverá outras oportunidades. Me desculpe mesmo, tudo de bom.
Feliz ano novo.
Vida nova, né?
Sai do prédio jogando o buquê de flores no primeiro latão de lixo que encontrei, comprei as passagens para Seattle, eu passaria a ano novo em Forks com minha família.
Isabella Swan era minha fraqueza. Eu havia passado os últimos quatro anos esperando o momento certo para voltar a namorar com ela, sem sequer beijar outra mulher. Apenas conversando com ela pelo celular. A vendo pela tela do computador.
E na primeira oportunidade ela arrumar um namorado?
Quando isso aconteceu?
Eu me sentia traído, por mais que soubesse que não podia exigir nada dela.
Agora com a morte dos nossos professores eu via como eu era idiota. Estava perdendo o meu tempo por mantê-la longe. Pelo menos sua amizade eu poderia ter, certo?
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