Aprendendo a Amar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 1
Nove anos atrás.
O barulho dos talheres entrando em contato com os pratos era ensurdecedor devido ao silêncio pétreo entre o casal que jantava.
Casados há mais de quinze anos e grandes amigos, o silêncio não era algo comum na vida do casal de meia idade. A tensão entre eles era devido ao fato de que estavam na casa dos quarenta anos e ambos queriam um filho, um herdeiro. E qual o empecilho nisso? Tinham uma condição de vida estável, eram professores renomados da faculdade de Harvard, ele focado na área de direito e ela na área de relações internacionais. Estavam em um momento tranquilo da vida, a hipoteca da casa fora paga, tinham dois carros, viajavam nos fins de semana e férias, conheciam muitos países... O que faltava? Apenas se tornarem pais. Por que não?
Carmen, a esposa estava com um envelhecimento precoce dos ovários, e esses não estavam produzindo óvulos ‘’saudáveis’’ para simplificar, e ela estava entrando na menopausa cedo, aos quarenta e dois anos.
Eleazar e Carmen se sentiam culpados pelos pensamentos que circulava a mente de ambas, e eles não verbalizavam; eles derem prioridade à vida profissional em detrimento de constituírem uma família, e a decisão de deixar filhos para ‘’depois’’ parecia completamente equivocada agora, já que poderia ser tarde de mais.
Voltando ao silêncio pesada na mesa do jantar, ele na verdade era provocado por uma ideia que passará pela cabeça de ambos e nenhum deles tinha coragem de verbalizar.
—Coloque para fora, Carmen. – Eleazar exigiu. A esposa levantou os olhos do prato levemente tocado por ela, sobressaltada com a quebra do silêncio.
—Como?- questionou.
—Sei que algo a está incomodando.
—O fato de que não sou fértil? – ela disse ácida tomando outro gole de sua taça de vinho.
Eleazar respirou fundo não querendo começar uma briga.
—Você ouviu a medica; você pode gerar filhos.
—Mas não meus! – ela perdeu a compostura.
—Será gerado dentro de você...
—Ainda assim, irá se parecer com você e outra pessoa!
—Querida. – Eleazar segurou as mãos da esposa em cima da mesa. Ao seu toque ela se acalmou, sempre era assim, ele tinha um efeito calmante sobre ela.
—Eu quero ter esse filho com você. Muito. Porém também é de mais para mim, ter uma criança minha e de outra mulher. Se não pode ser cem por cento sua, também não quero que seja minha e de outra mulher.
O marido se inclinou na direção da esposa e beijou sua mão. Ela fechou os olhos deixando que uma lágrima escorresse pelo seu rosto. Amava aquele homem mais do que a si própria. Confiando que ele se sentia da mesma forma sobre ela, Carmen olhou bem no fundo dos olhos castanhos do homem que amava e soltou o que havia pensando durante aquela semana enquanto ministrava sua aula de política, especificamente a cada vez em que Isabella Swan da turma de formandos, mostrava-se inteirada do assunto da aula. Carmen tinha um carinho especial por aquela aluna desde seu primeiro dia na universidade há quatro anos, a caloura era diferente dos demais, questionadora, argumentadora, não aceitava uma não como resposta, sempre que a nota não a agradava tentava persuadir os professores a verem da forma como ela via para dar aquela resposta, até que eles reviam sua nota e a subiam, e claro, Isabella era ''sedenta'' por conhecimento o que fascinava a professora, e a fazia se ver na jovem.
Carmen se sentia grata por ter acompanhado a jornada da jovem pela faculdade.
A jovem senhora estava decidida, se para ter um filho, esse filho deveria vir do óvulo de outra mulher, precisava que essa mulher fosse Isabella Swan.
Quando a mulher terminou de expor seus sentimentos, seu marido e melhor amigo, respirou aliviado. A esposa não havia pensando muito diferente dele próprio.
Se para Carmen havia uma Isabella, para Eleazar havia um Edward Cullen.
Eleazar não estava mais feliz do que a mulher em não poder ter seu filho de sangue, se a mulher precisava de uma doadora, nada mais justo que ele também tivesse um, e esse homem deveria ser Edward Cullen, seu aluno.
O jovem Cullen, futuro advogado, que ele teve a satisfação de ser professor nos últimos anos, era implacável, audacioso, determinado e tinha um carisma nato. Era amada em cada canto de Harvard, e apesar de todas as características que o definiriam como um excelente advogado, Edward tinha muita compaixão em seu intimo, e honra. Quando olhava para o jovem, Eleazar imaginava que seu filho deveria ter essas qualidades.
Após o desabafo, ambos mergulharam em um silencio profundo outra vez.
Carmen foi quem o rompeu.
—Então... Como faremos?
—Faremos o que? – o marido a questionou.
—Como pegaremos o óvulo de Isabella e o sêmen de Edward?
O homem engasgou.
—Não podemos roubar o código genético de alguém!
—Podemos convencer!
—Como? Eles se formam daqui a seis meses! – Eleazar estava ficando preocupado com a esposa, estaria ela louca?
—Então temos pouco tempo. Ouvi dizer que o irmão mais velho do Cullen, é um frequentador assíduo do banco de sêmen da cidade.
—Como sabe disso?! – ele a questionou
—Não sou surda às fofocas dos meus alunos. – ela resmungou ficando levemente corada sobre a pele morena.
—Isso parece loucura. – o marido disso. A esposa segurou forte nas mãos dele.
—Temos que pelo menos tentar.
E naquele momento o homem percebeu; faria o que fosse para ver a mulher feliz.
Edward
—Tanya, as coisas não se resolvem assim! – eu explodi jogando as mãos para o alto. A loira a minha frente apenas cruzou os braços seria. Parecia a dona da razão, mas não era mesmo.
—Eu já tomei minha decisão, Edward. Meu corpo, minhas regras!
—Foda-se! É o meu bebê ai dentro que estamos falando!
—É um feto! Uma combinação genética nossa, apenas! Ainda não é um bebê! Por isso tenho que tira-lo o quanto antes!
—Não pode matar uma criança! – gritei.
—Fala baixo, porra! Quer que alguém nos ouça?!
Tentei me acalmar. Estávamos no meu dormitório na faculdade, e apesar de ser fim de semana, e estar quase vazia, alguém poderia nos ouvir. Tentei falar baixo e de vagar, quem sabe assim ela me daria ouvidos?
—Tanya, não pode fazer um aborto.
—Edward. – ela espelhou meu tom. – Eu não quero gerar essa criança. Preciso do meu corpo perfeito nos próximos meses. Não é nada pessoal, serio. É apenas racionalidade.
—Estamos falando de uma criança! – não aguentei e de novo explodi.
—Estamos falando do meu corpo! Eu já decidi, você nem mesmo saberia disso se eu não precisasse do dinheiro.
—Como? – a olhei bobo.
Ela ficou exasperada.
—Não será o primeiro aborto na minha vida, ok? Mas espero que seja o ultimo. Parece que tenho uma estranha facilidade de engravidar.
—Muitas mulheres dariam tudo por essa facilidade.
—E eu doaria para elas de bom grado. Edward, lindinho, eu gosto muito de você. Porem você não esta vendo com a razão. Eu fui contratada pela Victoria’ Secrets! Você estará se formando nos próximos meses, e não tem onde cair morto. Um bebê... Seria uma tragédia.
—Daríamos um jeito. – resmunguei não querendo ceder. Ela colocou uma mão no meu rosto, vendo meu olhar de raiva recuou.
—Edward, por ‘’dar um jeito’’ você quer dizer voltar para Washington e trabalhar no mercadinho do seu pai? E seu sonho de ser um grande advogado? Um juiz?
—Não preciso desistir disso. – sublinhei.
—Precisará. Um bebê requer muita responsabilidade e nem eu nem você podemos arcar com elas. Eu era garçonete até poucos dias atrás, meus pais ainda não falam comigo depois que perdi no ultimo ano de faculdade, e agora tenho uma grande chance como modelo, e não irei recusar. Talvez até possa me tornar uma estilista um dia.
—Tanya, é o seu filho ai dentro.
—Para mim é apenas nosso material genético tentando criar um novo ser. Ainda não é uma criança, ainda não sente dor. Eu teria acabado com isso, mas a clínica cobra caro e eu dei todas as minhas economias para a agência de modelos. Preciso que você me de esse dinheiro.
—Eu não tenho esse dinheiro. O estagio que estou fazendo não é remunerado, e não tenho trabalhado em festas.
—Dê um jeito de conseguir. Ou teremos problemas. – ela pegou a bolsa e iria sair do dormitório.
—Tanya... – tentei pegar seu braço.
—Eu estou tentando te fazer um favor. Você não quer uma criança dependendo de você. Arrume o dinheiro, já liguei para clínica e marquei para sexta.
—Tenho cinco dias?
—Tempo mais que o necessário. – e ela saiu batendo a porta.
Onde eu estava com a cabeça quando me envolvi com ela há cinco meses?
Tanya era garçonete da cafeteria do outro lado da rua, próximo ao campus, ela estava um ano na frente na faculdade quando eu era um calouro, nunca me deu bola, claro, era a popular, os pais eram ricos, e ela quase nunca assistia as aulas. Só que quando os amigos se formaram, e ela não, os pais descobriram como ela passou os quatro anos da faculdade, e a deixaram de lado. Ela ficou, e fez amizade com alguns amigos meus. Tínhamos um ‘’quase’’ namoro.
Eu não era bobo, sabia que ela já havia feito pelo menos dois abortos durante a faculdade, as fofocas rolam, mas nunca me imaginei passando por isso.
Eu não era burro, sabia que ter um filho agora, com uma mulher que não me amava, e eu não a amava, seria uma loucura, mas matar a criança? Isso não era certo. Devíamos, ela e eu, arcar com as consequências do nosso ato, e dar o nosso melhor para criar esse bebê.
Aborto? Se minha mãe ou meu pai ouvissem essa palavra, morreriam de vergonha de mim.
O que eu poderia fazer? O bebê estava dentro dela afinal. Eu não tinha como contraria-la, até por que não tinha condições financeiras de fazê-la mudar de ideia sobre a Victoria’Secrets.
Passei o resto da tarde de sábado trancado no dormitório, aproveitando que meu companheiro de quarto, Jasper Swan estava na casa da namorada, Maria em outro estado. Meu domingo não foi muito melhor. Eu tinha cinco dias para arrumar esse dinheiro e não fazia ideia de como.
Minha manhã de domingo foi interrompida por uma Isabella Swan bêbada tentando arrombar a porta do meu quarto. Abria antes que a porta viesse a baixo.
— Isabella? – ela me olhou confusa. Os olhos pequenos estreitos pelo álcool.
—Ed! – ela me reconheceu. – onde está meu irmão?
—Na casa da Maria. – respondi tentando não chutá-la para fora. Isabella Swan era o símbolo da ''zuação'' nessa faculdade. Se bem que... Eu também era.
—É verdade... Por que você não foi á festa do pessoal de engenharia? – ela entrou no quarto tirando a blusa. Respirei fundo. Seria uma manhã de domingo complicada.
—Estava com trabalhos acumulados. – respondi. Ela começou a tirar a calça jeans e riu.
—Você? Trabalhos acumulados? Faça me rir! Você faz tudo durante a semana para no fim de semana curtir! Por falar em curtir... Onde está Tanya?
—Por ai. Por quê?
—Queria que ela arrumasse um bagulho para mim. – ela deu de ombros se jogando apenas de calcinha e sutiã na cama do irmão.
Bella e Jasper eram irmãos gêmeos. E nada idênticos. Em absolutamente nada.
Fiquei olhando seu conjuntinho de lingerie de algodão, com corujinhas. A imagem da fofura.
—Você não acha que esta na hora de pegar leve?
Ela abriu um olho.
—Edward, daqui a seis meses iremos nos formar. E trabalhar no mundo real. Acredite, depois do dia de formatura meu sobrenome será ‘’Bella Swan Pegando Leve''.
—É um belo nome. – sorri. Ela fez língua para mim.
Eu conhecia Isabella e Jasper toda a minha vida. Nossos pais cresceram juntos em Forks, e nós também. Porem minha interação com Bella não era muito grande, era melhor amigo do seu irmão, e ela nunca foi muito de brincar com nós dois, sempre envolta as amigas Ângela e Jessica. Isso mudou quando viemos para Harverd, nenhum de suas amigas passaram para cá. E eu gostaria de ressaltar que tanto eu, quando ela e seu irmão éramos bolsistas, por isso estudávamos como loucos. Nossos pais nunca poderiam pagar essa faculdade para nós.
O pai deles era o chefe de policia da pequena cidade de Forks, e a mãe professora do jardim de infância.
Minha mãe e meu pai tinham um pequeno mercado na cidade. Não tínhamos muito, mas vivíamos confortavelmente.
Meu irmão mais velho, Emmett era mecânico. Morava em Seattle e sempre que podia me mandava algum dinheiro. E vinha até aqui, para ‘’se divertir’’. Emmett já era conhecido pelas pessoas da faculdade.
Meus pais sempre queriam me ajudar, mas eu não permitia. Não era certo eles gastarem comigo, eu já tinha vinte dois anos. Claro que eles não aceitavam e acabavam me ajudando. E eu aceitava todo sem graça.
—Terra para Edward. –Isabella bateu palmas.
—Isabella, o que você quer?
—Não me chama assim. – ela fez uma careta. Ela odiava que eu a chamasse assim.
—Bella. – falei.
—Bem melhor. — Ela sorriu. Virou para parede me deixando com a visão da sua bunda branca.
—O que faz aqui?
—Perdi as chaves do meu quarto. E Jane não está no campus, se eu arrombar de novo ela irá me matar. Tenho que esperar ela chegar, abrir e fazer outra copia da chave dela.
—Já tentou ligar?
—Sim... Ela está com aquele namoradinho emo dela. – eu podia imaginar que ela fazia uma careta.
—Vou te fazer companhia. – disse e bocejou.
Grande companhia. Pensei. Não demoraria muito para ela estar dormindo.
E foi exatamente isso o que aconteceu.
Passei o domingo no meu dormitório, com Isabella Swan dormindo na cama do irmão, e me perguntando o que faria para conseguir o dinheiro para Tanya.
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