Aprendendo a Amar
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo 25
Dias atuais.
Washigton, D.C.
6:30am
Bella.
Abri os olhos para encarar o mesmo teto do quarto onde meu pesadelo havia começado.
Nada bom.
— Bella? – Reconheci a voz da minha mãe.
— Mãe. – Tentei falar, mas nem eu mesma ouvi minha voz.
Meu coração já acelerava, meu estômago revirava sinalizando que eu iria vomitar. O que eu já não sabia o porquê, pois havia muito desde que eu comera. Inclinei a cabeça para fora da cama e vomitei.
— Isso querida, coloque para fora. – Acariciou minhas costas.
— Esse vômito deve ser nervosismo. – Alice disse não de muito longe.
Renée me passou uma pequena toalha que usei para secar a boca.
— Desculpem por isso. – Me joguei de volta aos travesseiros, sem forças.
— Não há nada a desculpar. – Garantiu com um sorriso fraco.
— Edward... – Olhei ao redor o procurando. E num rompante lembrei-me da minha filha. Ela havia sumido.
As lágrimas inundaram meus olhos sem permissão.
— Lá em baixo com a polícia. Eles irão encontrá-la, querida, ela não pode ter ido longe.
— Não sabemos a hora que ela saiu. Eu tenho que... – Tentei me levantar, porém uma forte vertigem me atingiu e voltei para a cama, colocando a mão imediatamente sobre a cabeça.
— Fique onde está, Bella! – A voz de mamãe era autoritária – Eles estão vendo as imagens de segurança da casa para tentar localizá-la. – Não tive outra alternativa a não ser obedecê-la.
— Isso é tudo culpa minha! Eu deveria ter conversado com ela logo que descobri tudo! – O choro queimava em minha garganta.
— Bella, meu amor, você não é vidente. – Os olhos de azuis de Renée estavam marejados. Ela pegou minhas mãos entre as suas as beijando.
— Vamos encontrar minha neta, ela não deve ter ido longe. – A certeza em sua voz deveria me tranquilizar, mas não teve o efeito desejado. Eu só ficaria tranquila novamente quando estivesse com Vanessa em meus braços.
— Já coloquei alguns dos meus amigos nisso, Bella. – Alice piscou para mim. –Vou chamar alguém para limpar essa bagunça. – Levantou-se saindo do quarto em seguida, me deixando a sós com Renée.
— Mãe...
— Se vai começar um discurso de culpa se poupe e me poupe. Tudo o que aconteceu... – Balançou a cabeça – Eu não concordo com o que você fez. Doar óvulos, Bella? E ainda por cima por dinheiro? Eu me sentiria melhor em saber que doou diretamente para essa mulher, sem ganhar nada em troca, só para realizar o desejo dela de ser mãe. Estou um pouco decepcionada com você por isso, mas mantenho em minha mente que os temos são outros. – Terminou seu discurso me fitando duramente nos olhos.
— É minha filha, mãe. Minha e de Edward e eu nunca a teria conhecido – Lamentei fungando.
— Bella... apenas pare com isso. – Ela me olhou séria. – Seria a sua filha e de um homem qualquer, de qualquer parte do mundo. Mas o destino quis que fosse exatamente desse jeito, e nós a temos aqui, e se os pais dela não tivessem morrido, nós nunca iriamos conhece-la e estaria tudo bem também. Porque não sentimos falta daquilo que não conhecemos. Agora para com a auto piedade, deixe que alma desse casal descanse em paz, e vamos para o que interessa: achar essa criança que deve estar muito confusa. – Me olhou uma última vez antes de sair do quarto batendo a porta.
Suspirei chateada.
Fiquei sentada na beira da cama por um tempo, até que meu equilíbrio não me enganasse mais, e rumei para o banheiro. Eu ainda tinha o vestido de festa no corpo. Precisava ir para casa tomar um banho.
— Bella? – Jane bateu a porta. – Trouxe uma muda de roupa pra você. – Avisou com a voz abafada do outro lado.
Abri a porta, observando-a. Com uma blusa de mangas brancas e uma calça jeans justa, tênis all star, Jane parecia pequena e pálida. Ela trazia uma muda de roupas na mão.
— É da mãe do Tyler, ela acha que irão caber. A calcinha é do meu guarda roupa para a viajem de lua de mel. Parabéns! Usará antes de mim. – Sorriu forçado.
Sai do banheiro, abraçando-a fortemente.
— Oh, sua boba! Eu te amo, ok? – Sussurrou contra meu pescoço.
— Ela deve estar tão assustada. – Choraminguei em seus braços;
— Vamos achá-la, Bella. – Jane me olhou séria. – Por que não me contou que ela era sua filha?
Me afastei dela para tirar o vestido.
—Eu estava digerindo isso ainda. Você não sente como se... fosse uma espécie de armação por parte deles? – Olhei-a hesitante, expondo minha indignação.
— Carmen e Eleazar? – Perguntou confusa.
— Sim! – Exclamei enquanto me livrava das roupas do corpo – Tinha panfletos da clínica em todo lugar, Jane. E eles sabiam que precisávamos de dinheiro.
— Você queria que ela tivesse te pedido? – Ela me olhou debochada. – “Ei, Bella! Então, eu não posso ter filhos, você pode me emprestar um óvulo? E vamos usar o sêmen do seu namorado também, só para constar.” Bella, isso seria ridículo. – Revirou os olhos em minha direção – Não perca seu tempo e energia os culpando, se o que eles fizeram foi errado, o Carma já os julgou: eles estão mortos. Não há mais nada que alguém possa fazer em relação a isso.
— Eu amo a Vanessa. – Afirmei olhando-a firmemente. – Dói pensar que nunca iria conhece-la. – Tentei explicar meu ponto.
— E se fosse filha de um cara estranho? – Questionou me desafiando. – Você nunca iria conhecer essa criança, e conviveu bem com isso até hoje. Só que agora você conhece a Vanessa e não consegue pensar numa vida sem ela. Só isso. Não vamos perder tempo pensando nos “e se”. Vamos viver o que temos. – Se aproximou de mim, passando as mãos sobre meus ombros. – Se arrume rápido. – Jane me deu mais um abraço e saiu.
Não pensar nos “e se”. Jane, como sempre, tinha razão. Minha vida era no aqui e no agora, e eu tinha Vanessa comigo, e tinha de convencê-la do meu amor, e eu nunca, nunca abriria mão dela.
Porque na verdade esse era ponto. Vanessa achava que eu tinha aberto mão dela para outra pessoa, quando na verdade não foi assim.
Eu nunca abrira mão de um filho.
A sala da casa da família de Tyler estava lotada de homens da lei.
— Bella. – Jasper me encontrou no pé da escada. – Temos a filmagem dela saindo da casa. O dia nem mesmo havia amanhecido. – Me informou.
— Então ela está longe. – Constatei o óbvio, meu coração se apertando ao imaginá-la sozinha.
— Como uma menina de nove anos passa por você sem que seja vista?! – O pai de Tyler esbravejava com um homem.
— Perdão, senhor. Eu devo ter cochilado. – Desculpou-se olhando para nós constrangido.
— Cochilado? Você não é pago para dormir! É pago para vigiar a noite inteira! – Exclamou revoltado.
— Aclame-se. – Carlisle o pediu. Me aproximei do notebook disposto na mesa de centro. A imagem congelada na tela mostrava uma pequena garotinha de casado de capuz rosa passando pela guarita da casa. A mochila vermelha nas costas.
Ver aquilo me fez voltar a chorar.
— Não, querida. Não chore. – Esme me abraçou. – Vamos achá-la.
— Onde está Edward? – Perguntei com a voz trêmula. Eu precisava dele aqui.
Não foi preciso ninguém responder, ele entrou com outros dois policiais uniformizados.
— Ei. – Veio em minha direção, deixando na mesinha de centro um bolo de fotos de Vanessa. Olhei por cima do seu ombro quando ele me abraçou, todas eram fotos do dia anterior, com a roupa que ela havia sumido.
— Edward, o celular que você deu a ela! – A ideia me ocorreu rapidamente. – Não rastrearam?!
Ele sacudiu a cabeça com um suspiro cansado.
— Ela o deixou aqui, Bella. – Ele me mostrou o iPhone rosa.
— Alice e eu vamos dar uma volta na redondeza e fazer perguntas. – Jasper se fez presente. – Vamos encontrar ela, irmã. – Apertou minha mão.
— Mãe. – Chamou Renée que tornou sua atenção na direção dele. – Toma conta de Charlotte? – Pediu pegando seus acessórios.
— Claro, querido. – Afirmou para ele que assentiu e deixou a sala com Alice a tira colo.
09:00 Am
Eu já não aguentava mais ficar sentada naquela sala sem notícias.
— Ela não voltou para o apartamento? – Perguntei andando de um lado para o outro.
— A polícia tem uma viatura lá. – Edward disse me observando andar.
— Bella, você tem que comer. – Esme me censurou. Eu não havia tocado no café da manhã. Nada parecia querer entrar.
— Estou com o estômago embrulhado. – Sussurrei. Só de olhar para a comida eu me sentia mais enjoada.
— Come, baby. – Edward acariciou minha mão. – Você não pode ficar doente.
Ele pegou em minha mão. Seu toque me confortou enviando uma onda de calma por meu corpo.
Sentei-me ao seu lado, ele me abraçou como na noite de natal do lado de fora da casa do Jasper. E como daquela vez, seu toque tinha o poder de me acalmar.
Edward está aqui. – Constatei. – Ele sempre estaria aqui.
—Vamos encontrar nossa filha, Bella. – Ele disse sério, a expressão feroz e determinada. Beijou minha bochecha com carinho. Comi um pequeno pedaço de pão e um copo de suco, que graças ao meu nervoso, voltou rápido em forma de vômito. Eu estava vomitando toda a casa dos pais de Tyler.
11:00am
— Temos notícias. – Alice irrompeu na sala. Todos se levantaram.
— Então?! – Edward disparou ansiosamente.
Ela pegou o notebook na mesa e colou um pendrive nele.
— Essas são imagens de uma loja de conveniência na rodovia. – Explicou enquanto a imagem aparecia.
Vanessa. Era ela, o mesmo casaco rosa, de capuz, a mesma mochila. Ainda era de madrugada e ela estava andando por ali.
Um homem se aproxima dela. Ele era grande e forte. Meu coração parecia bater em meus ouvidos.
Ela se afasta do homem, ele a pega braço.
Deus, não!
— Deus. – Esme sussurrou fazendo coro aos meus pensamentos.
— Acalmem-se – Alice pediu, nos analisando. Edward tinha os braços a minha volta em um instante.
— Como você consegue ser fria assim?! – Jane reclamou.
Alice a lançou seu olhar gélido.
— Por que sei que não houve nada. – Respondeu rígida.
Não era o que eu via nas imagens. Vanessa tentando se libertar do homem, ele a jogando nos ombros e depois sumindo da imagem.
— Onde ela está, Jasper?! – Edward gritou nervoso, apertando-me fortemente em seus braços.
Demorei alguns segundos para perceber que todo meu corpo tremia.
— Esse homem se apresentou há pouco na delegacia, para saber se ela está desaparecida. – Explicou.
— Ela não está com ele? – Perguntou Edward novamente.
— Ele disse que achou estranho uma menina pequena, com roupas “caras” estar sozinha por aquelas bandas. Perguntou seu nome e onde estavam seus pais, mas ela não respondeu e parecia assustada. O homem tem uma filha da mesma idade, ela é autista, então ele achou que Vanessa também fosse e estivesse perdida. – Falou lentamente toda a história – Por isso a pegou daquele jeito, para levar para delegacia e entregá-la a polícia para que achassem os responsáveis por ela.
— ENTÃO? – Eu estava sem a menor paciência para a historinha dele! Eu só quero saber onde inferno a minha filha está!
— Ele a colocou no caminhão, mas um pneu furou no meio do caminho e ele saiu para trocar. Neste meio tempo ela fugiu. Correu para a mata que ladeia a cidade. Ele estava sem lanterna e achou melhor procurar um posto policial. – Alice disse fria.
— Onde está esse homem? – Edward quis saber.
— Foi liberado. – Jasper respondeu fitando-o
— Como sabem que ele fala a verdade? – Minha mãe perguntou balançado Charlotte de um lado para o outro. Alice se aproximou para pegar a filha.
— Eu mesma o interroguei, ele não teria como mentir para mim. Neste exato momento tem equipes de busca na floresta e região. Vamos achá-la. – Ela falou olhando diretamente na minha direção.
Apenas assenti, sem realmente saber onde estava minha voz.
— Por que o chefe de polícia não nos comunicou?! – Edward pegou o celular com a mão esquerda, discando furiosamente. Seu outro braço mantinha-se firmemente ao meu redor, impedindo-me de cair. Ou que ele caísse.
— Porque eles são lentos demais. Meu pessoal está nisso. – Alice disse erguendo seu bebê no ar e fazendo a pequena rir.
Apenas suspirei inconformada, escondendo meu rosto no peito de Edward, deixando minhas lágrimas caírem silenciosas.
— Vamos acha-la, amor. – Afastou meu rosto de seu peito carinhosamente, fazendo com que eu o olhasse nos olhos, e pude perceber que mesmo tentando não demonstrar, seus olhos estavam marejados. Ele também estava com medo, mas mantinha-se firme por mim, e isso me fez amá-lo mais. – Eu prometo a você que trarei nossa filha de volta. – Selou seus lábios nos meus em um beijo carinhoso.
19:00 pm
As equipes de busca estavam parando. Não havia sinal de Vanessa em lugar nenhum.
— Bella, você precisa comer. – Esme disse.
— Não tenho fome. – Sussurrei apática. Edward estava lá fora com a polícia. – Quero ir pra casa.
— Já vamos, querida. – Mamãe respondeu.
— Vou pegar minha bolsa. – Sussurrei me levando do sofá sentindo meus ossos estalarem pelo tempo imóvel.
No quarto, olhei em volta. Como tudo podia mudar em poucas horas? Onde ela poderia estar? Sozinha na mata? Com medo? Ou algum louco a havia sequestrado?
“Roupas caras...”
Se mesmo durante a madrugada um homem pode reconhecer que as roupas de Vanessa sugeriam boas condições financeiras, de dia... eu só conseguia pensar que alguém a tinha pego.
Minha visão estava turva, eu me sentia fraca. Andei a passos lentos com minha bolsa pesando em meu ombro. Usei a parede para me apoiar. A escada da casa era grande, pelo menos eu a tinha que descer não subir. Esme e Carlisle conversam aos pés da escada, pude reconhecer.
Meu estômago estava revirando de novo. Oh, não! Eu não tinha comido nada desde manhã, por que isso?
Minha vista escureceu.
— Esme... – Tentei pedir ajuda, mas as palavras não saíram. Senti a bolsa se chocar com o chão, dei um passo a frente para descer as escadas, mas não senti nada sob meus pés. Cai de frente para os degraus, meu corpo se chocando com força e rolei. Perdi a consciência antes de atingir o chão, eu tinha certeza.
Edward p.d.v (dia seguinte, 8:00am)
— Quero acreditar que isso é um pesadelo. – Apertei a ponta do nariz com força.
— Calma, filho. As coisas vão se resolver. – Carlisle me pediu.
— Pai, obrigado por ficar. – Coloquei a mão em seu ombro, apertando-a levemente.
— Onde mais eu poderia ir? – Brincou. – Você precisa de mim aqui, Edward. Eu sempre estarei aqui por você. – Deu duas batidas em meu braço direito, sorrindo.
— Obrigado, pai. – Sorri fraco. – O mercado...
— Tenho bons funcionários e amigos lá. Tudo vai ficar bem, e vamos achar sua filha. – Falou com convicção.
— Já faz dois dias, pai. – Me lamentei. – E Bella está nesse hospital agora! – Apontei ao redor, odiando esse lugar
Bella estava fora de si. Desde de o momento em que descobriu o sumiço de Vanessa, e toda aquela tontura e vômito... um quadro mais elevado do que eu já tinha observado na semana anterior. Ela andava pálida, dormindo muito, casada demais, e já havia vomitado duas vezes pela manhã. Isso quando ela permitiu que eu dormisse com ela.
Bella estava doente, pensando que conseguia esconder de mim, eu tinha certeza, por isso pedi aos médicos que fizessem um check-up.
“Estou bem, Edward.” Era sua resposta a minha preocupação com ela.
Bella... Sempre cuidando de todos e sendo negligente consigo mesma!
Apenas Carlisle estava comigo no hospital, os outros estavam no apartamento de Bella.
— A paciente acordou. – Uma enfermeira veio até nós.
— Finalmente. Posso vê-la? – Questionei-a ansioso.
— Sim, a Dra. Walls irá passar em breve. Siga-me.
Segui a mulher pelo corredor, Bella estava na enfermaria. A queda, apesar de tê-la deixado inconsciente, não trouxe muitos danos, apenas alguns hematomas e um galo na testa. O que não deixava de ser preocupante, levando em consideração que poderia ter acontecido muito mais.
— Edward. – Meu nome sussurrado pelos seus lábios trouxeram todo o pavor das últimas horas de volta. Céus, eu podia ter perdido ela! Estava sentada, recostada os travesseiros. Estava muito, muito pálida.
Tentou tirar o soro.
—Não pode, amor. – A adverti, minha voz saindo estranha, pigarrei.
—Não gosto disso. – Reclamou com uma careta, apontando para a agulha enfiada em seu braço. – E Vanessa? – Olhou-me esperançosa.
— Ainda nada. – Lamentei. Vi seu rosto desmoronar e senti que ela queria chorar de novo. Sentei ao seu lado.
Por mais que eu mesmo quisesse me entregar ao desespero, não podia. Bella precisa de mim, e eu seria forte por ela. Eu precisava ser forte por nós dois.
A trouxe para meus braços, beijando seus cabelos. Agradecendo silenciosamente que ela estava bem.
— O que tive? – Fungou em meu pescoço.
— Você caiu da escada da casa dos pais de Tyler. – Informei acariciando suas costas.
— Estou toda dolorida. E tenho certeza que tiraram meu sangue quando eu estava apagada. – Reclamou com a voz abafada.
— Sim, foi eu que pedi por isso. Falei que você vem passando mal há dias. – Me entreguei, mesmo sabendo que ela não iria gostar nem um pouco.
Dito e feito, ela arregalou os olhos em minha direção, se afastando um pouco, o suficiente para me olhar mal-humorada. Eu teria rido da sua expressão se não estivesse tão preocupado com ela.
— É o só o estresse da situação, Edward. Tenho certeza que não é nada demais. – Resmungou se encostando nos travesseiros. Me olhando emburrada, como se eu tivesse a traído.
— Bella, você tem tido tonturas bem antes de todo esse episódio. Você pode achar que não, mas eu observo você bem de perto. – Me aproximei dela novamente, e beijei sua testa com carinho.
Quando ela ia abrir a boca para responder, escutamos a porta do quarto ser aberta.
— Bom dia. – Uma jovem mulher de jaleco entrou no quarto.
— Bom dia. – Respondi me levantando e a cumprimentando com um aperto de mão. Sua mão se demorou na minha mais que o necessário. Ela sorriu meio desconcertada para mim.
Revirei os olhos, voltando para perto de Bella, segurando sua mão no processo.
— Isabella Swan. – Leu na ficha. – Tenho os resultados dos seus exames. – Nos olhou avaliativa por alguns segundos, voltando sua atenção para os prontuários nas mãos.
— Estou bem, é só o estresse que estou passando no momento. Minha filha está desaparecida e estou perdendo tempo aqui. – Falou séria, encarando a médica.
Apertei sua mão levemente, pedindo silenciosamente para que ela ficasse quieta.
— Sinto muito por isso, contudo não é perda de tempo. Você sofreu uma queda feia, teve sorte por não ter sofrido ferimentos graves. Fizemos uma ultrassonografia em você, Srta. Swan. Seu namorado relatou que tem tido episódios de tontura? – Questionou olhando para Bella.
— Sim, pode ser glicose alta?
— Suas taxas estão quase todas normais, mas você está com uma anemia profunda que aspira muitos cuidados.
— Viu? – Olhei-a acusador. Ela se encolheu, suspirando chateada.
Ela odiava quando eu estava com a razão.
— Você também está com Ovários policísticos sabia disso? – Questionou a médica, fazendo-me olhar para Bella confuso.
— Sim, estou fazendo tratamento com minha ginecologista. – Respondeu seriamente.
— Você está gravida, Srta. Swan. Sabe disso? – A mulher disse mais cuidadosa, olhando para nós dois.
Grávida?
— Grávida? – Bella verbalizou meus pensamentos, olhando-a boquiaberta.
Eu apenas fiquei olhando de uma para outra, sem saber o que falar. Talvez eu tenha perdido a minha voz em algum lugar.
— Sim. Oito semanas. Vejo que não sabiam disso. – Ela nos olhava sem expressão.
— Não posso... são os cistos. Minha médica garantiu que não posso engravidar durante o tratamento. – O olhar perdido de Bella me deixava mais confuso do que eu já estava. Eu queria reagir, mas o torpor do meu corpo era muito grande para qualquer outra coisa.
— Não aprovo médicos que digam essas coisas. É verdade que as chances são baixas, mas me diga, você tomou os anticoncepcionais mais fortes e agora está na pausa deles?
— Dois meses. – Bella sussurrou.
— Como são altas doses de hormônios, muitas mulheres engravidam. Não todas, são pequenos casos, mas mesmo assim há.
— Tem certeza? – Bella sussurrou de novo.
— Absoluta. Posso pedir uma ultrassonografia para esta tarde, se você quiser ouvir o coração do bebê.
— Por favor. – Bella murmurou.
— Vou agilizar tudo. – Disse anotando algo em sua prancheta.
Quando nos deixou a sós eu não sabia o que dizer, ou se mesmo conseguiria proferir alguma palavra.
— Edward. – Bella me chamou tomando a frente. –Não sei como isso aconteceu.
Olhei bem seu rosto pálido. Ela voltaria a chorar a qualquer momento. Sai do meu estado de inércia, levando sua mão – que eu acabei de perceber que estava apertando – aos lábios, beijando com delicadeza.
Sentei ao seu lado na cama.
— Não chora, amor. – A puxei para meus braços, beijando seus cabelos sem parar. Aspirei seu cheiro que tanto amava, tentando acalmar meu coração no processo.
— Está tudo uma grande bagunça! Quando tempo faz? Tem notícias dela? – Questionou com a voz embargada pelo choro.
—Você só ficou fora do ar durante toda a noite, não temos notícias ainda, querida. Ela não foi vista em nenhum terminal rodoviário e nenhum aeroporto. O investigador responsável está lidando com a possibilidade de sequestro. – Eu não sabia se era certo deixá-la totalmente a par da situação, mas mentir para ela naquela situação também era bom. – Você tem que se acalmar. – Pedi olhando-a nos olhos.
— Não vou conseguir fazer isso até que tenha minha filha aqui, ao meu lado, segura conosco. – As lágrimas caiam de seus lindos olhos sem parar.
Beijei sua testa, e permaneci acariciando seus cabelos. Nossas mãos estavam unidas sobre seu colo, as arrastei até seu ventre plano.
— Você sabia disso? – Perguntei num sussurro. Bella vinha passando mal há dias!
— Imaginei que estava um pouco anêmica, mas não pensei nessa possibilidade. Desculpa, eu te garanti que não haveria como e agora...
— Não se desculpe ou se culpe por isso, amor. Como a médica disse, a chance era pequena, e também... se proteger não era só responsabilidade sua. – Garanti segurando seu rosto com ambas as mãos.
— E agora estamos nessa situação. – Ela disse bem baixinho. Se eu não tivesse com o rosto praticamente colado no dela, não teria escutado. Esse era um daqueles momentos em que era melhor ficar quieto. Toda a situação delicada, a volta dessa gravidez pedia isso.
Gravidez.
Eu seria pai.
Certo Edward, não pire sobre isso, você é um homem adulto e tem feito um ótimo trabalho com Vanessa, que, afinal de contas, é sua filha biológica também.
Um trabalho tão bom que ela está a quase dois dias desaparecida.
Bella encostou-se em meu peito, chorando baixinho. Senti suas lágrimas molhando minha camisa.
— Bella, podemos lidar com isso, ok? – Tentei passar segurança para ela com minhas palavras.
Por favor amor, não me deixa sozinho nisso. – Pensei.
Ela não me respondeu. Essa situação toda a estava quebrando.
Eu nunca a tinha visto assim, tão fraca, tão vulnerável. Bella sempre era a decidida, a inquieta, a alegre. A que tirava o melhor de todas as situações, sempre. Vê-la assim, quase sem esperanças, era um tormento. Eu não era um cara religioso, mas frequentava a igreja durante todos os domingos enquanto morei em Forks, e acredita em um Deus.
Que minha menina esteja bem e volte em segurança para nós. Era a frase que eu tornava uma prece a cada poucos minutos.
Nós não trocamos muitas palavras nas horas que se seguiu, Alice e Jasper colocaram o FBI nisso, e acharam que seria bom vigiar Aro. Estavam levantando tudo sobre ele, Jasper apenas me disse que era um cara “marcado”, sem muitos detalhes, e que havia uma chance que ele estivesse com Vanessa.
Bella me olhava ávida a cada novo telefonema, e logo que sua mãe ligou para saber notícias dela, informei sobre a gravidez. Renée quis correr para o hospital, porém consegui convencê-la a ficar no apartamento de Bella, que bem faria ela aqui?
Durante toda a movimentação telefônica de manhã e os noticiários que assistimos, falando sobre o sumiço de Vanessa, sua foto no canto da tela durante todos os programas, Bella mantinha-se quieta, apenas olhando tudo. Parecia que só estava presente de corpo, e eu ficando cada vez mais assustado.
Apesar de nossa proximidade física, parecia que havia um oceano de distancia entre nós, e eu não fazia ideia de como trazê-la de volta para mim.
Antes que o almoço fosse servido, uma enfermeira já com certa idade veios nos guiar para a ultrassonografia, uma moça jovem demais para ser médica nos esperava lá.
— Isabella Swan. – Ela sorriu amável para Bella. – Sou Bree Turner. A doutora Siobhan pediu que eu fizesse o exame, sou sua estagiária.
Ela explicou e pareceu um pouco nervosa, provavelmente por achar que iriamos recusar que fosse ela, tão jovem e inexperiente a fazer o exame.
Bella apenas assentiu e se dirigiu a maca, abrindo o avental hospitalar para deixar a barriga a amostra.
— Gelado. – Bella reclamou quando a garota espalhou um gel por sua barriga.
— Irá se acostumar, terá muito disto nos próximos meses. – Ela parecia alheia ao desinteresse de Bella em tudo aquilo.
Eu estava nervoso.
Um bebê.
Agora.
Uma filha desaparecida.
— Primeiro filho? – Ela perguntou passando o pequeno dispositivo pelo abdômen de Bella.
— Sim.
— Não. – Respondemos juntos.
—É nossa primeira gestação. – Expliquei dado a resposta afirmativa que Bella havia dado.
—Entendo, vocês adotaram? Isso é muito legal, eu sou adotada. Oh... olha ali. – Ela congelou a imagem da tela. Eu não podia distinguir nada além de imagens borradas. – Ele é apenas esse pontinho aqui... esperem um pouco... – Ela mexeu em algo e um som alto encheu a sala.
Um coração batendo.
O coração do meu filho ou filha batendo.
Não pude evitar que meus olhos ficassem marejados ao ouvir esse som. Era tão perfeito.
Olhei para Bella ao meu lado, e pude notar as lágrimas caindo de seus olhos, que continuavam fixos na telinha cheia de borrões onde nosso filho aparecia.
Inclinei em sua direção, limpando as lágrimas de seus olhos. Aquilo pareceu despertá-la do seu momento, pois ela me lançou um sorriso sincero. Não me contendo em ver seu sorriso tão bonito, abaixei um pouco e plantei um beijo em seus lábios.
— Esse é o coração do bebê de vocês. Parabéns, ele está com 1,6 centímetros, como é de se esperar. Pelo o que vejo está tudo como deve ser. A medica irá analisar as imagens e passar informações mais detalhadas. Você tem sorte, Isabella, a queda não afetou em nada seu bebê. – Falou olhando para nós com um sorriso entusiasmado.
Bella apertou minha mão, contudo continuou a olhar para a tela com as imagens borradas do nosso filho. Voltei minha atenção para a tela, concentrado para identificar alguma parte do bebê.
— Eu posso deixar as imagens mais nítidas para vocês, conseguirão ver melhor depois disso. – A menina continuava a falar.
— Posso ir? – Bella a interrompeu assustando a nós dois.
— Sim, claro. Já tenho o que preciso, vou preparar tudo e entregar a Dra. Siobhan.
A segui em silêncio de volta ao quarto, sabendo que sua atitude distante era mais pelo sumiço de nossa filha do que pela gravidez inesperada, pois vi sua felicidade momentânea ao ver e escutar nosso bebê. Ela logo confirmou as minhas suspeitas.
— Precisamos achar Vanessa. Ela é tão nova, Edward não pode ter ido longe... não é possível essa falta de noticias! – Esbravejou.
Durante toda a tarde ela reclamou de dor de cabeça, a médica disse que sua pressão estava alta e que ela ficaria no hospital em observação. Também passou a ter dores abdominais, o que me levou a ter uma conversa particular com a médica.
—Senhor Cullen, devo alertá-lo para que... talvez Isabella não consiga levar essa gestação a diante. – Falou hesitante, me olhando.
— Por que?! Você disse que estava tudo bem com o bebê. – Falei aflito, meu coração acelerando em meu peito.
— Sim, a queda não o afetou, porém, a pressão alta dela, toda essa situação de estresse está afetando-a. Ela está com um pouco de febre e dor abdominal. Por isso a estou mantendo aqui. – Respondeu calmamente.
— Não há nada que você possa fazer? – Perguntei apertando meus cabelos com uma das mãos.
— Ela está medicada, se houver... será um abordo espontâneo. Sei que estão passando por uma situação familiar complicada, e sinto que é melhor que senhor e sua namorara estejam preparados.
Quem está preparado para ter uma filha desaparecida e um bebê que acaba de descobrir podendo não vingar?
No fim da tarde, Renée e Esme apareceram, mas não tiveram permissão de ver Bella, já que esta tinha finalmente dormido.
— Talvez ela perca o bebê. – As avisei angustiado, odiando falar aquilo em voz alta.
— Oh, meu filho. – Minha mãe me abraçou apertado.
Forte, Edward. Você precisa ser forte por Bella.
— Vá para casa, Edward. Tome um banho, se alimente... eu fico com Bella esta noite. – Renée falou.
— Não eu... – Tentei falar, explicar para elas que eu não podia ficar longe de Bella agora.
— Isso não está em discussão, filho. Durma em sua própria cama essa noite. – Renée disse seria. – Eu fico e cuido da minha filha.
Não tive outra opção a não ser assentir como um fracassado.
Esme me levou para casa, passou todo o caminho em silêncio, fez o jantar em meu apartamento quando chegamos. Ela e meu pai ficaram comigo deixando que eu falasse quando tinha vontade, sem forçar assunto algum. Isso era o que mais amava em meus pais, eles entendiam momentos de tensão e não tentavam quebrá-lo com assuntos patéticos.
Na manhã de terça feira, acordei cedo, queria estar no hospital antes de Bella acordar, mas antes passaria na delegacia para cobrar resultados, quando meu celular tocou. Era Tyler.
— Hey. – Atendi rapidamente.
— Edward, está no hospital? – Questionou com a voz tensa.
— Não, em casa. Alguma notícia? – Perguntei enquanto arrumava a manga da minha camisa para sair de casa.
— Um amigo da promotoria me ligou. Aro Volturi acaba de entrar com o pedido de guarda de Vanessa. – Me informou com a voz pesada.
— Como é?! Ela está desaparecida, porra! – Me enfureci, não acreditando na sua fala.
— Ela está com ele!
Parei a meio passo da cozinha. Minha mãe me olhava com uma jarra de suco na mão.
— Explique. – Grunhi.
— Estou indo para a delegacia agora, ele está lá com ela. Não tive acesso ao depoimento ainda... – Havia outra chamada no meu celular.
— Espera um pouco, Tyler. – Pedi a ele – Alô? – Atendi a outra chamada.
— Senhor Cullen, aqui é o detetive Garrett. Achamos sua filha. – Falou sucinto.
— Acharam ou ela foi entregue por Aro Voturi? – Vociferei, puto da vida.
— Acalme-se, senhor Cullen. Vejo que está bem informado. – Declarou com uma nota de surpresa na voz.
— Não como gostaria. Espero que ele já esteja algemado! Estou a caminho. – Falei rapidamente.
— Senhor Cullen... – Não deixei que ele falasse, desliguei voltando a chamada com Tyler.
— O detetive me ligou. – Bufei puxando meus cabelos.
— Nos vemos na delegacia? – Perguntou.
— Sim. E Jasper? – Quis saber onde meu cunhado estava.
— Está lá. Ele me ligou primeiro, pois achou que você estava com Bella no hospital. – Me comunicou.
— A mãe dela me expulsou de lá ontem. – Resmunguei.
Vanessa estava a poucos minutos de mim.
Tudo daria certo. Eu precisava acreditar naquilo.
Claro que nada era tão simples.
Estavam colhendo o depoimento dela quando cheguei. Aro falava calmamente com o delegado.
— Aro. – Tentei manter a calma. Não seria nada bom atacá-lo ali, mas eu queria tanto!
— Edward. Você deveria ter mais atenção com crianças. – Falou debochado.
— Tem razão. Não sabemos quando há lobos à espreita. – Respondi com raiva.
— Sr. Cullen, o Sr. Volturi a encontrou e trouxe imediatamente para cá. – Noticiou o delegado.
— Não acredito nisso. – Explicitei olhando na direção do homem. Deixando bem claro minha fúria.
— Acredite no que quiser. –Aro disse sorrindo. O sorriso desse homem me dava arrepios. – Encontrei a jovem Vanessa na estrada que leva ao meu sítio. Bem longe da casa de onde ela fugiu, por medo de vocês.
— Medo?! – Olhei-o incrédulo.
— A menina disse que tem sido muito maltratada por você e por sua namorada, a Srta. Swan. – Ela mantinha o sorriso enquanto. – O que eu acredito, pois Vanessa foi criada por bons pais, e não é dada a mentira. Por isso, por amor a seus falecidos pais, entrei mais uma vez com o pedido de guarda dela.
— Você nunca terá minha filha. – Avancei para ele.
— Edward. – Jasper, que nos olhava a distância, se aproximou colocando a mão em meu peito. – Não complique mais a situação.
— Esse homem armou tudo isso! – Esbravejei com o rosto quente.
— Vamos provar. Não com força, mas com ações. Vamos. – Jasper me puxou para longe, tirando-me de perto dele.
Depoimentos foram colhidos. Meu, de Tyler, Jasper, Aro e de Vanessa.
— Posso vê-la? – Implorei para mulher na minha frente.
— Ela não quer ver o senhor. – A assistente social me disse.
— Isso é loucura! Não fiz mal algum a ela! – Exclamei passando minhas mãos pelos cabelos.
— Isso é o que veremos. – Aro voltou, lançando-me aquele sorriso sombrio.
— Siga me, Sr. Cullen. – A mulher me guiou para uma sala. – Aguarde aqui. – Fiquei do lado de fora da porta de vidro. Eu podia ver Vanessa, sentada num canto, a mochila vermelha no colo, o vestido sujo de terra. A mulher disse algo a ela e ela levantou a cabeça ávida. Quando nossos olhares se fitaram, senti os meus cheios de lágrimas.
Ela estava bem, minha filha estava bem.
Seu sorriso bonito se abriu por um breve momento, então ela olhou de novo para o chão.
Assentiu para a mulher e eu entrei.
— Vanessa. – Tentei me acalmar para não assustá-la. Ajoelhei aos seu pés segurando suas mãozinhas frias. – Eu tive tanto medo. Por que fugiu?
Ela olhou para a mulher e não me respondeu.
— Eu e Bella ficamos loucos de preocupação! Onde estava? – Tentei mais uma vez.
De novo o silêncio
— Não vai mais falar comigo? – Perguntei já angustiado. Eu não estava entendendo.
— Eu quero ficar com Aro. – Disse. Aquilo foi como um pedrada em minha cabeça, e um balde de gelo em meu corpo.
— Vanessa... Vamos voltar para casa. Eu você e Bella. Ela sente sua falta. – Falei acariciando seu cabelo, tentando manter minha voz firme.
— Vocês mentiram para mim. – Sussurrou magoada, fitando o chão.
— Nós não sabíamos, minha princesa. Iriamos te contar, mas você não entenderia. – Expliquei.
— Entendo sim. – Disse teimosa. Seu olhar ficou altivo, assim como o de Bella ficava quando tinha certeza que era dona da razão.
— Vocês nunca me quiseram. Foi isso. Aro vai ficar comigo, não vou mais incomodar vocês. Nem o bebê. – Sussurrou a palavra bebê bem baixinho.
— Como sabe do bebê? – Perguntei intrigado.
— Aro me disse. – Respondeu sem me olhar nos olhos.
— Pequena, preste atenção em mim. – Levantei seu queixo com meus dedos, acariciando sua bochecha – Nós te amamos. Não duvide disso. Nunca.
Seu lábio tremeu. Ela chorou baixinho. Puxei seu corpo para meus braços, embalando-a ali.
— Vamos, Sr. Cullen. – A assistente social me chamou.
— Não vou a lugar nenhum sem minha filha! – Exclamei.
— O senhor pode vi comigo, sem cenas na frente dela, ou posso chamar os policias para tirá-lo. A decisão é do senhor.
Beijei a testa da minha filha demoradamente.
— Bella e eu amamos você. Seja lá o que Aro te disse, é mentira. Não vou deixar ele tirar você de nós.
Ela mordia os lábios e chorava. Tinham mexido com a cabeça dela.
E eu sabia que tinha sido Aro. Mas ele não perdia por esperar.
Não pude sair de lá com Vanessa. A assistente social, Renata, disse que era arriscado deixa-la conosco, já que ela havia fugido e claramente não queria voltar. Por isso Vanessa ficou com Aro, um inquérito foi aberto para apurar se Bella e eu a maltratávamos.
— A assistente social é amiga de Aro. – Jasper disse, confirmando minhas suspeitas.
— Ficou óbvio. Quem daria a tutela de uma criança a Aro? – Tyler sacudiu a cabeça.
— Como vou explicar isso a Bella? – Cocei a cabeça inquieto.
— Diga a verdade. Teremos uma briga judicial com um traficante de armas. – Jasper deixou escapar.
— O que mais ele é? – Tyler quis saber.
— Muitas coisas. São investigações sigilosas, mas fiquem calmos, ela não ficará muito tempo com ele, seja porquê logo ela dirá a verdade, que ele a está manipulando, por isso poderemos prendê-lo logo. – Disse confiante.
Quando encontrei Bella, ela estava serena e dopada. Ficou calma quando falei que Vanessa estava bem, e chorou quando disse que estava com Aro.
Tiveram que sedá-la novamente.
— Desse jeito minha filha irá passar toda a gestação nesse hospital. – Renée reclamou.
— Isso se essa gravidez for levada a diante. Ela já teve sangramentos. – Minha mãe sussurrou.
Não quis ouvir mais nada. Vê-la sofrer daquele jeito era demais para mim, eu precisava fazer alguma coisa.
Deixei as duas com Bella e fui ao encontro da única pessoa que poderia me ajudar agora, quando o assunto era Aro Volturi.
— Alô? – Ele atendeu logo.
— Alec, aqui é Edward. Preciso de sua ajuda. – Falei rapidamente.
Alec tinha seus motivos para odiar o pai. Ele sabia o que o pai fazia, e do que era capaz. E se eu quisesse acabar com o pai, eu precisaria da ajuda do filho.
E eu acabaria com Aro Volturi. Era uma promessa.
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