Notas iniciais
N/A: oi gente bonita! vivos depois do ultimo cap? eu to amando tudo isso! kkk esse capitulo é dedicado a Ivanna! eu amei a recomendação flor! muito obrigado >< agora vamos aproveitar o Jantar de ensaio de casamento mais agitadinho de Washington! N/B: Oi, gente! Se preparem que o capítulo de hoje tá mais forte do que nunca! A Thay arrasou nele! Espero que gostem e aguardo vocês nos comentários!

Aprendendo a Amar

Capítulo 24

Dias atuais.

Abril, Jantar de ensaio.

Edward.

— Por que as pessoas fazem isso? – Me queixei para Bella. Eu estava usando um smoking, e não seria o que usaria no casamento. Na verdade, esse jantar não se parecia nada com o que eu tinha visto na pasta de planejamento do casamento que estava na casa de Bella.

— O jantar é só para os parentes se encontrarem antes. Eu acho. – ela respondeu. Estava linda em um vestido longo preto.

— Parece mais um jantar de gala. – Fiz uma careta.

— Olha como Vanessa está se divertindo. – Ela apontou para nossa filha que estava sentada no sofá dos pais de Tyler com a prima, Charlotte, no colo. Alice estava sorrindo e tirando infinitas fotos das duas.

— Quando vamos contar para nossos pais? – Sussurrei acariciando seu braço. Senti os pelos dela se arrepiarem com meu contato e beijei sua têmpora. Ela encostou-se a mim.

— O que nossos pais dirão? Não sei se é uma boa ideia. – Divagou, observando Vanessa fazendo caras e bocas para a prima rir.

— Pensei que você era a maior interessada nisso. – Lembrei. Foram dias tensos após nossa descoberta sobre a ascensão de Vanessa. Bella chorava muito de raiva, amaldiçoava Carmen e Eleazar pelo o que tinha ocorrido e tratava Vanessa com intenso cuidado. A menina chegou a ficar assustada por uns dias. A primeira pessoa para quem tivemos que contar foi a psicóloga que acompanhava Bella, ela acabou por receitar alguns calmantes. Quando sua raiva passou, ela estava determinada a contar para nossa família.

— Minha mãe vai ficar triste. Eu dei uma filha para os outros. – Comentou com tristeza.

— Já tivemos essa conversa. Você não deu sua filha para ninguém. – Pontuei.

— Renée não verá desse jeito. Nem mesmo Esme. – Deu de ombros, inconformada.

— O que eu não vou ver? – Renée nos interrompeu sorridente. Parecia muito feliz após o divórcio.

— O vestido de Jane antes do dia. – Bella sorriu forçado. Péssima mentirosa. Se Renée percebeu a mentira, não comentou. Sorriu e entrelaçou o braço com o da filha a tirando de perto de mim.

Fiz um pequeno bico ao vê-la ir.

— Vocês formam um lindo casal, e eu os amo, mas preciso curtir minha filha um pouco. – Ela disse já puxando Bella para longe.

— À vontade. – Fui para o bar preparar uma bebida.

— Você será o próximo, meu amigo. – Tyler me surpreendeu enquanto me servia um Martine.

— A dar um jantar em minha casa? Talvez para menos pessoas. – Respondi observando a multidão que havia na casa dele.

— Não, idiota – revirou os olhos – a casar. Será lindo, você e Bella, e eu darei a melhor festa de despedida de solteiro. – Bateu na bancada, animado.

— Por falar em festa de despedida de solteiro...

Ele ergueu as mãos pedindo para eu parar.

— Você andou muito disperso no ultimo mês como meu padrinho. Emmett cuidou de tudo. – Sorriu sacana.

— Emmett? – Arqueei uma sobrancelha.

— Emmett. – ele confirmou feliz. – Uma noite de homens, cara. E até o Jasper vai. Então se prepare, eu não vou lembrar meu nome! – Ele celebrou e bebeu todo o líquido do meu copo.

Quando abri a boca para reclamar, Jane chegou.

— Ele está aqui. – Ela resmungou.

— Quem, meu amor? – Tyler passou um braço ao redor dela.

— Meu pai. – Reclamou olhando para a porta, onde a mãe de Tyler recebia Aro Volturi.

— Calma, amor. Já sabíamos da possibilidade dele aparecer. É seu pai. – Tentou acalmá-la, acariciando seus ombros.

— Ele poderia ter feito a gentileza de não aparecer! – Seu rosto estava vermelho. Eu senti que ela poderia explodir a qualquer momento.

E, bem... eu não a culpava.

— Jane. – Alec, seu irmão, gêmeo a chamou.

— Tira ele daqui, por favor. – Ela implorou ao irmão.

— Tarde demais. – Sussurrei tentando anunciar a chegada do objeto de tanta discórdia.

— Meus filhos. – Ele abriu os braços. Se esperava um abraço dos filhos eu não sei, mas ficou sem receber.

— Pai. – Alec inclinou a cabeça com reconhecimento. – Onde está a mamãe? – Quis saber.

— No sitio. Você sabe, é difícil tirá-la de lá. – Ela sorriu feliz, como se não tivesse sentindo o clima tenso ao seu redor.

— Nem mesmo num dia importante para a filha dela? – Tyler parecia incrédulo.

— Didyme tem andando com a saúde um tanto frágil, vocês saberiam se aparecem mais em casa. – Alfinetou os filhos, sem tirar o estúpido sorriso da face.

Ele estava me dando ânsia de vômito.

— No apartamento no centro ou no sítio onde vocês se isolam? – Alec perguntou.

— Filho, você tem passado muito tempo fora do país. Apareça qualquer hora, no apartamento do centro, para conversamos. – Virou-se para me olhar – Edward Cullen, você já é um homem! – Ele estendeu a mão em minha direção. Aceitei seu aperto à contragosto.

— Aro. – Cumprimentei.

— E me diga, como vai a filha dos meus velhos amigos, Carmen e Eleazar? Foi uma lástima o que ocorreu com eles. – Sua expressão agora transmitia o pesar necessário. Mas tudo nele me inspirava falsidade.

— Vai muito bem, obrigado. Soube que você queria a guarda dela? – Joguei. Na carta que Carmen havia deixado para Bella, ela mencionou que eles tinham um inimigo que a transmitia muito medo.

E eu suspeitava de Aro.

— Ah, eu não poderia deixar que essa criança inocente acabasse em um lar adotivo qualquer. – Suspirou com pesar, como se de fato lamentasse – Mas que bom que você e Isabella se responsabilizaram por ela. – Abriu um sorriso forçado.

Seu olhar, seus gestos... Jane e Alec estavam certos em manterem distância desse homem. Ele não valia nada.

— Estamos muito felizes. – Afirmei seriamente.

— Se não se importa, pai, Tyler e eu temos que cumprimentar os outros convidados. Fique a vontade. – Jane saiu rapidamente puxando Tyler pela mão.

— Alec... quando sua irmã irá crescer e parar de se comportar como uma adolescente rebelde? – Se queixou para o filho.

— Quando o senhor deixará de se comportar como um canalha? – Retrucou.

Pigarrei. Eu não deveria estar ali.

— Como vê, Edward, a boa relação que você mantém com seu pai é rara. – Ele disse divertido.

O que ele sabia sobre mim e Carlisle?

— Se me dão licença. – Sai sem mais. Eu só queria a droga de uma bebida!

Encontrei Bella na sala de jantar conversando com minha mãe e a dela.

— Você está pálido. – Ela observou colocando uma mão em meu rosto. Seu toque me aliviava.

— Aro Volturi está por aí destilando veneno. – Anunciei com amargura.

— O pai da noiva? – Minha mãe perguntou.

— Onde está Vanessa? – Bella perguntou nervosa. Eu não a havia visto com Alice e Charlotte.

Ela olhou em volta.

— Calma, amor. Há outras crianças aqui, devem estar brincando – abaixei-me para plantar um beijo em seus lábios – melhor? – Ela acenou que sim, sorrindo em seguida. Sorri torto levantando minha vista. – Olhe só, ali vem ela.

Vanessa vinha com dois meninos a tira colo.

— Vanessa, onde estava? – Bella ralhou.

— Collin e Brady queriam me mostrar o labirinto no jardim. – Ela explicou sorrindo animadamente. O rosto suado, mostrava que havia corrido e amassado totalmente o vestido novo.

— Desculpa, tia Bella. – Collin disse. Os gêmeos eram os irmãos caçulas de Tyler, tinham a mesma idade de Vanessa.

— Tudo bem, mas vocês não podem sumir assim, e aparecerem suados! Fiquem por perto o jantar já será servido. – Bella passou as mãos pelos cabelos da nossa filha, tentando amenizar a bagunça que os fios soltos faziam.

—Sim. – Vanessa confirmou e voltou para o lado de Alice.

— Me enche de orgulho ver a relação de vocês duas. – Renée disse.

— Ela é tudo para mim. – Bella olhava nossa menina enquanto falava.

— Ela se parece muito com você, Edward. – Esme observou.

— Se parece mais com Bella. – Discordei dando de ombros. Nossas mães se entreolharam confusas.

Respirei fundo, sabendo que não podíamos mais esconder o fato.

— Mãe, Renée. Bella e eu temos algo muito sério para conversar com vocês e com o papai. – Informei com seriedade.

— Edward. – Bella me censurou, virando-se para me fitar com os olhos arregalados.

— Temos que fazer isso, Bella. – Disse significativo. Ficamos nos encarando até que ela suavizou a expressão e assentiu, abaixando as vistas.

— Tudo bem, querido, mas hoje não. Hoje a noite é sobre Jane e Tyler. – Minha mãe disse e Renée concordou acenando.

— O jantar será servido. – O pomposo mestre de cerimônias contratado para organizar o casamento, anunciou.

— Não vou querer tudo isso no nosso casamento, Srta. Swan. Já estou avisando. – Sussurrei no ouvido de Bella. Ela me olhou surpresa, depois corou.

— Continuo esperando seu pedido formal, Sr. Cullen. – Sorriu contente.

Abri meu sorriso torto em sua direção, roubando um selinho de seus lábios vermelhos.

— Oh, Srta. Swan, você não perde por esperar. – Exclamei sacana, ganhando uma gargalhada gostosa dela.

O jantar foi tudo o que os noivos detestavam. Pequenas porções de comida eram servidas devagar, a música que embalava o local poderia fazer Charlotte dormir facilmente. A conversa pelo menos era boa, contudo o pai de Jane estava pendurado no pai de Tyler, o que fazia ela lançar olharem homicidas na direção do pai.

Alec estava completamente envolvido numa conversa com a prima de Tyler, Maggie. Ah, a doce Maggie... aquela pequena boca rosa fazia milagres em um pau.

— O que você tem? – Bella interrompeu meus pensamentos, olhando-me avaliativa.

— Desculpe? – Mas que porra, ela não podia ler minha mente, certo?

— Seu pau está duro. – Afirmou apertou-o por debaixo da mesa.

— Bella! – Reclamei baixo. Ela me olhou desafiadora.

— E você estava olhando para Maggie. – Como era possível isso? Ela não lê mentes! Puta que pariu!

— Não estava! – Me defendi, assustado.

— Você comeu ela – Bella balançou a cabeça em negação. – mas quem não comeu? – deu de ombros e voltou a comer tranquila.

Bella era mesmo minha perdição.

Após o jantar, os familiares voltaram às conversas e as fotos na sala.

— Vai lá conversar com a Meggie. – Bella me disse a certa altura. Tinha Charlotte no colo, enquanto Jasper e Alice dançavam uma musica lenta na pista de dança.

— Não tenho nenhum interesse nela. Além do mais... ela é novidade para o Alec. Vamos deixar que ele se divirta um pouco. – Ela me bateu no ombro com a palma da mão.

— Ei! – Exclamei surpreso e chocado ao mesmo tempo. Ela tinha uma mão pesada.

— Muito cuidado, Cullen! – Semicerrou os olhos em minha direção.

— Você fica linda com ciúmes, amor. – Beijei seu rosto. Charlotte achando nossas caras engraçadas, soltou sua risada gostosa.

— Isso, linda do titio, ri mesmo da sua tia boba. – Segurei sua mãozinha gorda, fingindo mordê-la, o que fez ela rir mais e soltar um gritinho feliz.

— Não, minha linda. Ria quando a titia matar o titio de uma forma bem lenta. – Falou com Charlotte, ignorando-me.

— Pode ser na cama? – Sussurrei em seu ouvido, fazendo seus pelos se arrepiarem.

Ela bufou de novo e eu ri.

Como eu amo essa mulher.

(...)

NARRADOR.

Aro estava no jardim da casa, vigiando as crianças brincarem, enquanto conversa com o sogro da filha. Um homem tão poderoso, porém, tão ridiculamente honesto! Aquilo o dava nos nervos.

— Collin e Brady, já chega de correr. – O pai de Tyler ralhou com os filhos mais novos que brincavam de pique-pega com Vanessa. Os três pararam e se aproximaram dos homens.

— A gente só está brincando, pai – um dos meninos disse chateado – e a Vanessa nunca vem aqui! – Reclamou.

— Marquem para encontrá-la no clube no fim de semana. E vocês se veem na escola todos os dias, certo, Vanessa? – Se dirigiu a ela com um sorriso amável.

— Sim, somos da mesma sala. – A menina corou ao responder o homem.

Aro viu uma boa oportunidade ali.

— Vanessa, você não se lembra de mim? – Olhou para a menina. Ela se sentiu acuada com o incisivo olhar do velho.

— Sim. Era amigo do meu pai. – “Amigo” não era a palavra que ela queria usar, mas não conhecia outra melhor que não fosse ofensiva.

— Oh, querida! Eu sinto tanto o que houve com eles... conheci seu pai de criação quando éramos apenas crianças! – Fingiu pesar e depois riu. – No fim, há males que vem para bem, não é mesmo? Se não fosse a morte deles, hoje você não estaria com seus pais de verdade, Edward e Bella. Aposto que quando eles te deram para Carmen e Eleazar jamais imaginaram que isso poderia ocorrer. – Deu de ombros, dando um gole em sua bebida

A menina olhava o homem a sua frente sem entender. Como assim Edward e Bella a haviam dado aos seus pais?

— Aro, do que está falando? – O outro homem perguntou, se intrometendo.

— É algum segredo? – Aro sorriu. – Edward e Bella são os pais de sangue dessa linda menina. Se não fosse a morte dos meus velhos amigos, Vanessa nunca sequer teria conhecido seus verdadeiros pais. – Sorriu falsamente em direção a menina que estava com os olhos arregalados em descrença.

Não! Bella e Edward eram seus pais?

Mas...como?

Isso era impossível!

— Eu nasci da barriga da minha mãe. – Ela contradisse o velho. Seu choro querendo irradiar de a garganta.

— Sim, mas existem coisas que você ainda aprenderá na escola que a farão entender.

— Está dizendo que Vanessa é feita em laboratório? – Collin perguntou com uma cara confusa. – Que demais! – Exclamou animado.

— Collin. – O pai o repreendeu. Olhou para a menina que estava à beira das lágrimas.

— Você foi longe demais, Aro. – Passou uma mão pelos ombros dela. – Vamos para dentro, querida. Não chore. – Acariciou seus cabelos.

— Desculpe, pensei que não fosse segredo. – Retrucou com falsa surpresa.

— É mentira! – Vanessa sussurrou. Contudo, não podia negar. Sabia que Eleazar e Carmen não eram seus pais de sangue, eles nunca esconderam isso dela, mas ser filha de Edward e Bella... eles a deram para os outros? Nunca a quiseram e agora eram obrigados a criá-la? Isso não podia ser verdade.

— Vanessa querida, vamos entrar, deve haver uma explicação... – O senhor tentou abrandar a situação, mas ela já se desvencilhava da mão dele, correndo para dentro da casa.

— Vanessa! – Gritou.

— Deixa-a. – Aro falou, observando com felicidade enquanto a pequena garota se afastava.

— Você é sujo, Aro Volturi. Eu deveria ter escutado minha nora, com certeza uma filha não desprezaria o próprio pai atoa. Você não é mais bem vindo em minha casa, nem em minha empresa. Retire-se daqui agora mesmo. – Falou duramente. O homem corpulento entrou na casa e seus filhos o seguiram.

Aro ficou onde estava, feliz.

Pronto, o jogo havia começado.

Caius, que o observava à distância, se fez presente.

— Acha que foi uma decisão sábia? Fazer a menina sofrer desse jeito? – Perguntou angustiado.

— Não me importo com o sofrimento dela, Caius. Antes do casamento ela já estará em minha casa, e eu poderei pegar o que me pertence por direito. – Terminou sua bebida, apreciando cada gole que queimava em sua garganta. – Vamos dar o fora daqui.

(...)

Bella p.d.v

Vanessa passou por nós correndo, seguindo pelas escadas da casa no mesmo ritmo.

— Vou ver o que ela tem. – Anunciei para Edward e a segui.

Com aqueles saltos enormes, era difícil andar mais rápido.

— Vanessa? – Bati a porta do quarto onde havíamos nos arrumado mais cedo, já que passamos o dia na propriedade.

— Vai embora! – Ela gritou. Estava chorando, era óbvio. Me assustei com aquele tom em sua voz. Ela nunca havia gritado comigo antes.

— Vanessa abra essa porta já! O que houve? Você está chorando? Está machucada? Alguém machucou você? Fale comigo, por favor. – Senti meus olhos se enchendo com as lágrimas acumuladas. Eu estava apavorada.

— Você! Você mentiu para mim! – Gritou novamente, deixando-me confusa.

— Bella? – Jane havia me seguido.

— Tem uma chave reserva desse quarto? – Pedi aflita. Ela provavelmente assustou-se com meu rosto vermelho.

— O que está havendo? Ouvi seus gritos lá de baixo! – Se aproximou preocupada.

— Ela está chorando trancada e não quer abrir a porta! – Eu já estava me desesperando.

— Bella onde está Nessie? O que aconteceu? – Edward chegou com o pai de Tyler em seu encalço. Se aproximou de mim, limpando as lágrimas do meu rosto.

— Trancada aí dentro. Você sabe o que está acontecendo?

Eles estavam me deixando nervosa.

— Aro contou a Vanessa. – Falou tenso. Seu corpo se contraindo.

Então como um clique, tudo fez sentido.

— Contou o que? – Jane. Me afastei da porta. Vanessa deveria estar confusa e com raiva de nós.

— Que Bella e eu somos os seus pais biológicos. – Eu o escutava parcialmente. Encostei as costas na parede.

— Que merda. – Sussurrei desconsolada.

Edward contou a Jane de forma rápida o que descobrimos no último mês.

— Aqui está a chave. – O sogro de Jane abriu a porta.

— Bella? – Jane chamou minha atenção.

— Estou bem. – Sussurrei para minha amiga, mas meus olhos marejados provavam o contrário. Eu estava mal.

Edward caminhou para dentro do quarto escuro.

— Vão embora! – Vanessa esbravejou. Edward acendeu a luz.

— Nessie... – Edward tentou se aproximar dela.

— Não me chama assim! Nunca mais me chame assim! Você mentiu pra mim! – Vanessa estava de pé ao lado da cama. O vestido completamente amassado, o rosto vermelho banhado em lágrimas. Eu só queria abraçá-la.

— Podemos explicar. – Sussurrei me mantendo atrás de Edward. Estava me despedaçando vê-la desse jeito.

— Vocês me deram para os meus pais?! – Perguntou amargurada.

— Não foi assim, Vanessa. Senta, vamos conversar com calma. – Edward tentou mais uma vez, mas ela afastou-se de nós.

Pelo amor de Deus, ela só tem nove anos! Não pode nos olhar com tanta... mágoa e rancor.

Eu não conseguia falar.

— Então é verdade! Vocês dois são meus pais. – Afirmou magoada.

— Somos. – Confirmei achando minha voz. – Mas nunca demos você, não foi assim que aconteceu. – Senti a dor refletida em seus olhos. Isso estava me matando.

— Então eles me roubaram? – Questionou nos olhando de soslaio.

— Existem coisas que você ainda não entende, pequena. Se acalma que eu vou te explicar tudo. – Edward tentava negociar. Ela se abraçou.

— Não acredito em você. Em nenhum de vocês. Vocês nunca me quiseram, foram obrigados a ficar comigo agora! – Falou com ressentimento.

—Não! – Exclamei apavorada. Ela estava entendendo tudo errado.

—Sim, é verdade. – Retrucou.

—Bella, saia. – Jane pediu, fazendo-me notá-la pela primeira vez no quarto.

— Não, Jane.

— Sim. Você e Edward, saiam, por favor. Deixe que eu fale com ela. Podemos conversar? – Jane a olhou. Ela sentou na cama muito quieta agora, as lágrimas ainda caindo de seus olhinhos.

— Vem, Bella. – Edward tentou me tirar dali. Fiquei olhando para Vanessa até que ele fechasse a porta.

— Me perdoem, eu deveria tê-lo parado. – O sogro de Jane dizia no corredor para Edward.

— Não havia como você saber dos planos mesquinhos de Aro. – Edward falou entredentes.

— Mesmo assim. Olhem como essa criança e vocês estão sofrendo. Eu sinto muito. Vou pegar um pouco de água para vocês. – Edward assentiu agradecendo.

— Bella. – Ele chamou assim que o homem saiu.

— O que faremos? – Eu estava apavorada.

— Vamos esperar que Jane a acalme por agora. E depois tentamos conversar com ela novamente. É tudo o que podemos fazer de fato. – Acariciou minha bochecha, retirando uma mecha de cabelo do meu rosto.

—O que Aro ganha com isso, Edward? Fazer nossa menina sofrer? Qual o lucro dele nisso tudo, afinal? – Perguntei deixando as lágrimas fluírem de meus olhos.

Ele me abraçou, confortando-me em seus braços.

Aquele homem era perverso. Fazer Vanessa sofrer daquele jeito, a troco de quê?

Os familiares de Tyler foram embora sem entender o tumulto que se seguiu. Ficamos apenas os pais de Tyler, Alec e Maggie (que haviam parado de se agarrar no sofá), os pais de Edward, minha mãe, Alice, Jasper e a bebê que já dormia alheia a bagunça a sua volta. Eu fiquei quieta enquanto Edward os contava toda a história de Carmen e Eleazar. Alice parecia chocada, minha mãe chorou, e Esme fazia cafuné em mim.

— Não há nada legal a fazer? – Carlisle se manifestou pela primeira vez depois do silêncio que se instalou.

— Podemos pedir o reconhecimento de paternidade dela, mas não por esse motivo. Quando eu e Bella doamos nosso material, abrimos mão da criança que se formaria. – Edward falou com pesar.

— Mas vocês não sabiam que seria filha de vocês dois! – Renée protestou, indignada.

— Claro que o fato da clínica ter liberado nossos nomes para eles daria um lindo processo para eles, mas não poderíamos reclamar o direito de paternidade de qualquer forma. E como ela já é legalmente nossa, isso poderia prejudicar o emprego de muita gente. – Edward explicou.

— Por isso resolvemos deixar para lá – Concluí.

— Só precisam explicar toda essa confusão para Vanessa. – Esme disse ao meu lado.

— O mais complicado. – Jasper se manifestou.

— Ela é uma boa menina, irá entender no tempo dela, e com certeza irá perdoar vocês. –Alice tentou.

— Ela acha que nós não a queríamos, Alice. Esse é o problema. –Expliquei chateada.

— Dê tempo a ela, Bella. – Ela me sorriu. Suspirei descansando a cabeça no ombro da minha sogra.

— Então, Jane? – Tyler a perguntou quando a noiva voltou à sala.

— Ela dormiu. Estava com dor de cabeça de tanto chorar. Disse que queria os pais de volta, que eles não deviam ter morrido... tentei explicar da melhor maneira o que você me disse, Edward. Ela entendeu, é inteligente, contudo... – Jane se encolheu – Disse que se os pais estivessem vivos, nunca iria conhecer vocês, então no meio disso tudo, sente-se culpada... enfim. Vamos deixa-la dormir por hoje. – Concluiu aproximando-se do noivo.

— Todos vocês são bem-vindos para passar a noite. – A mãe de Tyler logo disse, sorrindo pesarosa.

A boa senhora acomodou todos, contudo Edward e eu permanecemos na sala após todos se recolherem para os lugares destinados.

— Em pensar que eu estava com medo de contar para nossos pais. Isso é um desastre Edward. – Suspirei em seu peito, sentindo seus grandes braços ao meu redor.

— Essa tempestade vai passar, meu amor. – Ele beijou meus cabelos, me confortando.

— Ela me olhou tão magoada... – Choraminguei.

— Não pense nisso agora. Nessie tem lidado com muita coisa nos últimos meses, nem toda a terapia do mundo será o bastante. – Sorriu triste.

— Péssima tentativa de fazer piada. – Me queixei, mas me acomodei melhor contra ele.

Depois de alguns segundos de silêncio, senti ele se afastando um pouco, para me fitar nos olhos.

— Eu te amo, Bella. – Segurou meu rosto com ambas as mãos, olhando-me com convicção. – Isso foi ruim, péssimo, na verdade, mas uma hora ou outra aconteceria. Agora vamos lidar com isso e logo mais tudo estará bem. – Selou nossos lábios num beijo carinhoso.

Era no que eu queria acreditar também.

A manhã veio silenciosa. Acordei com os primeiros raios de sol, Edward e eu havíamos adormecido no sofá. Alguém havia jogado uma coberta para nos cobrir durante a noite.

Caminhei para o andar de cima, Vanessa ainda devia estar dormindo assim como todos, eu apenas daria uma olhada nela.

O quarto estava com a porta aberta. A cama vazia. Fui até o banheiro e ela também não estava lá.

— Vanessa? – Chamei-a com a voz trêmula. Inútil.

Olhei para a pequena maleta que eu havia trago com minha roupa de festa, sua mochila não estava ao lado. Havia um bilhete em cima da minha maleta. Peguei-o com as mãos geladas.

A caligrafia infantil fez meu coração disparar. As palavras tão bonitas, tudo tão arrumado nas linhas, escrito com cuidado, como quando ela não queria errar. Com certeza Vanessa havia escrito.

Bella,

Desculpe o transtorno que minha família fez na sua vida e na do Edward.

Vocês não me queriam, nunca quiseram, mas a morte dos meus pais os abrigaram a ficar comigo, a filha que vocês nunca quiseram ter.

Foi muito bom conhecer vocês, mas eu não posso ficar sabendo que vocês não me queriam.

Desculpa.

Vanessa.

Foi demais para mim. De repente tudo ao meu redor ficou escuro.

Minha filha havia me deixado.

Era tudo que eu conseguia pensar antes de escorregar para inconsciência.

Notas finais
N/A: tem alguém vivo ai? forte né gente? :x Aro maldito colocando as garras para fora. vejo vcs nos comentarios? vou passar a responder assim que ler :) recomendações? >< please?! bjs :*