Aprendendo a Amar
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo23
Washington D.C, Março de 2016.
Edward.
Eu ainda tinha dificuldades em processar como minha vida havia mudado em tão pouco tempo, principalmente quando pensava que há pouco mais de cinco meses, ser namorado de Isabella era algo... fora da minha realidade. Porém, aqui estava nós, unidos por um objetivo em comum e redescobrindo que um queria ficar com outro. Sem medo de abrir mão da vida de solteiro dessa vez (eu estava era ansioso para isso). Depois do Natal, daquela manhã regada de beijos – sem nos importamos com quem estava dentro da casa, sem passado, sem presente, apenas duas pessoas compartilhando amor e a saudade que um tinha do outro – eu tive medo de pergunta-la o porquê de se abrir comigo daquele jeito depois de tudo, e ela me dizer que era penas um momento de fraqueza. Eu não iria aceitar isso. Então fiquei quieto, com Bella era sempre melhor deixar que ela descobrisse as coisas em seu próprio tempo. E pior, acreditei mesmo por pouco que eu era seu passatempo, e para ser sincero, se ela me pedisse um relacionamento sem compromisso eu teria aceitado. Porque eu estava de novo viciado nela, e não queria nenhuma outa mulher, assim, teria sido o que ela quisesse de bom grado.
Eu sei, degradante.
Mas Bella não era mais assim, ela não usa as pessoas para eu próprio bem, e a noticia de que Jacob estava fora do caminho me fez ver: dessa vez era diferente. Ela queria tanto quando eu.
E estava dando certo desde então.
Era uma noite de sábado, e meus planos eram muito importantes; fazer uma maratona de todos os filmes possíveis do Star Wars antes de Vanessa cair no sono. Comeríamos pizza, mas tomaríamos suco, sua alimentação estava sendo bastante viajada por Bella – e por mim, devo admitir – depois de sua cirurgia. Nunca mais queria passar por isso, ver minha pequena naquele estado. Fazia um pouco mais de um mês, os pontos estavam secos, cicatrizados, e a pequena marca em sua barriga nunca me deixaria esquecer da dor que ela teve que suportar.
O objetivo do meu fim de semana era fazer Vanessa ver, entender, e – principalmente – gostar de Star Wars. Por favor, era a minha série preferida. Minha e da Bella!
— Nessie, não corre, pelo amor de Deus! – Ouvi Bella ralhar. A pequena riu e se jogou no sofá.
— O médico disso que eu já “tô” bem! – Todddy pulou para seu lado, latindo feliz.
— Por fora. – Bella a lembrou. – por dentro demora pra cicatrizar.
Vanessa fez uma careta.
— Bella tem razão Vanessa. – Me fiz presente, bagunçando os cabelos de Vanessa e passando direto para colocar os filmes.
— Edward concordando comigo? – Bella arregalou os olhos e colocou a mão teatralmente no peito. – Milagres acontecem! – Exclamou abismada.
Revirei os olhos enquanto terminava de ajustar o aparelho DVD. Me aproximei envolvendo sua cintura com um braço, beijando seu rosto demoradamente.
— Só porque você tem razão, desta vez. – sussurrei em seu ouvido. Como era de se esperar, Toddy latiu e começou a pular em volta de nós. Esse cachorro era um ótimo empata foda.
Ela bateu em meu braço emburrada, me fazendo rir.
— Então vamos logo ver o filme? – Vanessa chamou nossa atenção. – Estou morrendo de fome.
— Como eu amo quando você diz isso. – Bella disse indo buscar as caixas de pizza.
Nós dois amávamos isso, Vanessa falando que estava com fome, já que durante seu repouso era um luta conseguir que ela comesse.
Eu sabia boa parte das falas do filme, e Bella também, – eu apostava – porém, dessa vez não prestei muita atenção ao que ocorria na tela, minha mente vagando pelos recentes momentos vividos com Vanessa e Bella.
Minha pequena família.
Chegar ao apartamento de Bella e encontrar Jane, a pequena Jane, carregando uma Vanessa que gritava de dor nos braços.
O pavor quando pediram que eu assinasse uma autorização para a cirurgia imediata da Vanessa.
O alívio ao ver Bella entrar no hospital.
Todo o apoio e união que surgiu entre nós durante os intermináveis dias naquele hospital.
As juras de amor feitas nas madrugas silenciosas do quarto de hospital que Vanessa estava.
Todo o medo e pavor por ter uma criança aos seus cuidados e essa criança ficar doente, nos uniu mais do que o que sentíamos um pelo o outro, – e éramos muito egoístas para colocar o outro acima de nossas próprias necessidades – e ainda cabeças duras demais para ceder, e admitir que os amávamos.
Era momentos como esses, em que eu tinha minhas duas garotas preferidas e nosso cachorro, vendo um filme no sábado à noite, que fazia todo o trabalho da semana ter valido a pena.
— Você não está prestando atenção ao filme. – Bella cochichou ao meu ouvido. Beijei seus cabelos.
— Estou aqui me maravilhando por ter vocês na minha vida. – sussurrei de volta. Ela se inclinou para me olhar nos olhos e me beijou de leve nos lábios.
— Amo você. – Sussurrou se aconchegando mais a mim.
— Amo você. – Repeti sua fala, cheirando seus cabelos.
Essa pequena palavrinha que antes nos causava tantas dúvidas e medos, agora era a coisa mais certa a se dizer.
Te amo, Bella.
Te amo, Vanessa.
Te amo, Toddy.
Eu estava piegas de tanto amor.
Vanessa dormiu logo que o filme terminou, e fiquei feliz por ver que ela tinha visto tudo. Amanhã começaríamos episodio 3. A levei com cuidado para sua cama.
— Edward? – Murmurou quando a deitei.
— Estou aqui, pequena. – Alisei seus cabelos.
— Obrigado por cuidar de mim. – Sussurrou com os olhinhos fechados. Acariciei seu rosto devagar, gravando cada expressão. Eu a conhecia há tão pouco tempo, mas ela já parecia mais velha, mais moça do que a garotinha de alguns meses atrás.
— Obrigado por me deixar cuidar de você. – Disse de volta. Aproveitei o raro momento a sós com ela. – Como esta a nova escola?
— Eu tenho reforço depois da aula, e só tirei acima de B+ nas últimas provas. – Disse sonolenta, mas pude perceber o orgulho em sua voz.
— Isso é muito bom, eu vi seu boletim. O que eu quero saber é como você está lá. Seus amigos são legais? – Quis saber.
Ela se aconchegou mais nas cobertas antes de falar.
— Sim. São todos muito legais. A Suzi, da minha sala, faz parta da equipe de natação e disse que logo terá teste. Eu queria fazer. – Fitou-me com os olhinhos implorativos.
— Então você fará. Tudo que minha princesa quiser. Agora durma. – beijei sua testa. – Você pode contar qualquer coisa para mim e para Bella, sabe disso não é?
Mas ela não respondeu, já havia caído no sono.
— Por que demorou? – Bella me estendeu uma taça de vinho no corredor.
— Estávamos conversando. Sinto que tenho a negligenciado um pouco nesse aspecto. – Fiz uma careta.
— Você trabalha muito, ela entende. – Pegou minha mão me guiando para seu quarto.
— Mas não tem que entender. Eu quero estar presente. – Senti que eu mesmo fazia birra com a situação. Bella riu do meu tom.
— Ok, senhor presente. Por que não relaxa agora enquanto eu tiro essas roupas? – Sentei-me em sua cama. Ela tinha trancado a porta.
— Tirar seu moletom? Está uma noite fria. – Lembrei. Ela revirou os olhos teatralmente.
— Edward, bobinho. – Disse e saiu rebolando os quadris para o banheiro. Dei de ombros sem entender sua atitude e me acomodei melhor na cama.
Se eu tivesse sorte Bella me deixaria passar a noite, pois eu não tinha a menor vontade de ir para minha casa agora, mesmo que fosse a poucas quadras daqui. Eu estava olhando o porta-retrato da cabeceira da sua cama quando a queda de luz me chamou a atenção. Ao lado do banheiro havia um interruptor que Bella usou para baixar o tom da luz do quarto para uma penumbra.
Os cabelos, antes amarrados em um coque frouxo, agora estavam escovados e caia abaixo dos ombros, na linha dos seios em cascatas. Uma fina e transparente camisola preta acomodava seu corpo, vinha apenas até um pouco abaixo do quadril, me dando uma visão privilegiada da pequena calcinha de renda que cobria sua feminilidade. Ela encostou-se ao batente na porta e me olhou provocativa. Céus! Ela sabia ser sexy.
Devolvi o porta-retrato ao lugar, ele continha uma foto dela com Jane e Vanessa, e andei a passos lentos em sua direção.
— Volte para seu lugar. – Ela disse autoritária apontando um dedo para a cama. Parei onde estava.
— Preciso tocar você. – Sussurrei rouco, com as mãos coçando para tocá-la.
— Eu estou no comando, amor. Para a cama. Agora. – Ela falava devagar, me olhando nos olhos. Engoli em seco.
Porra, ela era sexy mandando.
Não pude fazer mais nada a não ser obedecer, e me entregar. E sim, eu queria me entregar a ela.
Bella se aproximou caminhando sensualmente, passou as pernas pelas minhas, e se acomodou em cima de mim. Beijou cada lado do meu rosto antes de finalmente beijar minha boca.
Rápido, voraz.
E eu correspondi sua voracidade a altura, minhas mãos indo direto para seu traseiro e apertando. Puxei-a para minha ereção friccionando nossos sexos. Ela gemeu desavergonhada.
— Achei que estivesse no comando. Pode gemer quando está no comando? – Sussurrei a provocando.
Ela mordeu o lábio e me empurrou para que eu deitasse na cama.
— Você fala de mais, Cullen. – Começou a puxar minha calça de moletom pelo meu quadril. Quando finalmente liberou minha ereção – porra, eu estava pulsando em sua mão – ela me olhou bem e sorriu safada antes de cair de boca no meu mastro.
Com fome.
Com força.
Com vontade.
Porra.
Gemi alto incapaz de me controlar.
Bella fez o que quis de mim, e eu apenas a segui, me deliciando com a forma como ela se entregava no comado da situação, como me dava prazer e buscava seu próprio. Isso era sexy pra porra. Quando finalmente ela uniu nossos corpos em um, tudo que eu queria era me empurrar para dentro dela rápido e com força até me libertar, contudo, eu sabia que não era o que minha garota queria. Ela queria devagar, com força, e que durasse. E eu dei isso a ela.
Segurei seus cabelos com uma mão, fazendo com que nossos rostos ficassem alinhados. Minha outra mão subia e descia por todo contorno de sua barriga.
— Edward! – Ela gemeu alto quando estoquei-a de surpresa, forte, como ela gostava.
— Shhh, amor. Nessie não pode acordar agora. – Sussurrei, lambendo o lóbulo de seu ouvido.
Ela apenas gemeu em resposta, acompanhando o ritmo de minhas estocadas.
Levantei uma de suas pernas, colocando-a sobre meus ombros e passei a penetrá-la rapidamente, alcançando um ângulo mais profundo a cada nova estocada.
— Porra, Edward!!! – Bella berrou.
Beijei-a na intenção de calar seus gemidos e os meus.
Pegando-me desprevenido, ela nos virou na cama ficando por cima de mim.
— Cavalga gostoso em mim, amor. – Ordenei dando um tapa forte em sua bunda.
— Porra, sim. Amo quando você manda em mim. – Sorriu safada.
— Pensei que hoje era o seu dia de mandar. – Respondi apertando seus seios.
Bella começou com o sobe e desce lentamente, calando-me e me torturando a cada nova descida.
— Puta que pariu, Bella. – Gemi louco quando senti ela estreitar as paredes da sua vagina, apertando meu pau a ponto de quase gozar.
Ela riu, mas seu riso morreu na garganta quando passei a circular seu clitóris com o dedão.
Seu ritmo cresceu rapidamente, fazendo um barulho delicioso ser ouvido a cada novo choque dos nossos sexos.
Sentia cada vez mais sua buceta me apertando e eu sabia que ela estava próxima.
— Goza para mim, amor, goza. – Dei outro tapa em sua bunda, apertando-a forte, e chupando seus seios, pois sabia que ali era um ponto fraco que a faria vir logo.
E foi o que aconteceu.
Seu sobe e desce aumentou junto com os seus gemidos. Agarrou meus cabelos, beijando minha boca com fome. Correspondi ao beijo delicioso, que só ela tinha.
Minha mulher.
— Edwaaaaaard — Bella gozou deliciosamente, berrando meu nome, apertando meu pau enlouquecidamente, fazendo com que meu próprio gozo a preenchesse.
— Bella, porra!!! – Estoquei fortemente, apertando suas nádegas, sabendo que amanhã ela estaria maravilhosamente marcada.
Quando caímos exaustos na cama, fiquei acariciando seus cabelos.
Se nesse mesmo mês, no ano passado alguém me dissesse que eu estaria aqui hoje, eu teria rido. Quem diria? Eu e Bella juntos de novo, criando uma criança e tudo dando certo? Perfeito de mais para ser verdade.
Mas por incrível que pareça era a mais pura verdade.
Ela foi a primeira a levantar, se banhou e foi dar uma olhada em Vanessa.
— Ela está dormindo. – voltou sorrindo. Abri os braços para recebê-la de volta. – Deixei a porta encostada. Será que ela vai aparecer aqui? – me olhou em duvida.
— Não antes de amanhecer. Ela não tem mais pesadelos? – Questionei nos acomodando.
— Não todas as noites. – ela bocejou. Beijei sua testa.
— Amo você.
— Também amo você, Edward. – sussurrou. Não consegui dormir de imediato, olhando o rosto perfeito da mulher perfeita que eu tinha em meus braços. Bom, era perfeita para mim.
(...)
Bella P.D.V
O toque do meu celular me despertou cedo no dia seguinte.
— Alô? – atendi sem ver quem era.
— Isabella? Desculpe a hora, mas precisa falar com você.
Não reconheci a voz.
— Quem é? – Tentei abrir mais os olhos.
— É Marcus. Marcus Carone. — Respondeu o homem do outro lado da linha.
Ah, Marcus!
— Bom dia, Marcus. Desculpe a confusão, você me acordou. Tudo bem? – Questionei ainda desnorteada.
— Me desculpe à hora. – Ele tentou de novo.
— Estou te ouvindo. – Bocejei.
— Eu estou na casa dos Santiago, fazendo o que combinamos com os livros. Doar alguns para a biblioteca de Harvard e outros para a biblioteca municipal. – Começou sua explicação.
— Sim. – Por que ele precisava me ligar para isso? Já estava tudo combinado.
— Encontrei uma carta endereçada você dentro de “O Mercador de Veneza.”
— Como? – Essa nova informação teve o efeito de me despertar.
— O livro está com o nome de Carmen na contracapa. E tem seu nome na carta, ela está fechada. Pelo visto não era intenção dela te enviar. – Divagou mais para si mesmo do que para mim, percebi.
— Porque ela escreveria uma carta que nunca enviou? – Eu estava completamente desperta agora. E sem entender nada.
— Eu não a violei, claro. Vou colocar no correio para você ainda hoje, tudo bem?
— Sim faça isso. – Concordei de imediato.
— E Vanessa?— Ele se tornou mais doce.
— Indo muito bem na escola nova, foi convidada para uma festa de aniversário num clube, no próximo fim de semana, e quer fazer parte da equipe de natação da escola. – Falar de Vanessa sempre trazia esse sorriso idiota na minha cara.
— Isso é ótimo. Ela é uma excelente nadadora. E os cuidados médicos?— Indagou preocupado.
— Indo tudo bem, os pontos secaram, mas continuamos tendo cuidado, porquê, por dentro demora mais a secar. – Expliquei o que o médico havia me dito.
— Sim, é verdade. – Concordou.
—Venha para o casamento de Jane, minha amiga, e nos faça uma visita. Toda a minha família quer te conhecer, e ela sente sua falta. – Tentei convencê-lo a vir. Eu sabia que Vanessa ficaria imensamente feliz em vê-lo.
E eu colocava a felicidade daquela garota em primeiro lugar.
— Tentarei ir. Tenha um bom dia, Isabella. – Sucinto, como sempre.
— Igualmente, Marcus. – Desliguei.
— O que ele queria? – Não percebi que Edward havia acordado.
Voltei a deitar ao seu lado, ele passou um braço pela minha cabeça, descansando-o sobre meus ombros.
— Ele foi arrumar os livros para doação e encontrou uma carta endereçada a mim. – eu estava tranquila novamente. Era muito cedo, Vanessa demoraria a acordar. Daria tempo de sexo matinal.
— Uma carta? – ele me apertou mais de encontro a ele, sua mão acariciando meu quadril.
— Ele disse que irá me mandar pelo correio. – Cheirei seu pescoço. Como eu amava seu cheiro! Eu não queria estragar nossa manhã, uma rara manhã em que podia permitir que ele passasse a noite, pensando sobre o que era aquela carta.
— Será que diz o porquê deles nos escolherem como tutores de Vanessa? – Peguei seu pênis com uma mão e comecei a fazer movimento de vai e vai, me deliciando com a forma como ele crescia em minha mão. Ele gemeu.
— Provavelmente. – Comentei distraidamente, mais atenta ao meu trabalho sem eu membro.
— Ele não podia mandar por e-mail? Ou tirar uma foto, sei lá?! – Falava beijando meu pescoço.
— Deve chegar ao máximo em três dias. – Mais gemi do que falei. Me virei por cima do seu corpo, o prendendo a baixo de mim. Suas mãos foram diretamente para meus seios os massageando.
— Não está ansiosa com isso. – Ele observou. Inclinei-me para beija-lo.
— Na verdade não. Pode ser algo que ela escreveu me parabenizando pela formatura ou me acusando de colar em sua última prova. – Passei minha língua por todo contorno de sua mandíbula.
— Você? Colando? – Se afastou minimamente para me olhar em choque.
— Não tive tempo de estudar para as últimas provas. – Me joguei de volta ao seu lado. Edward estava conseguindo acabar com o clima. Estressei-me com a lembrança das provas finais, eu tive um puta medo de não conseguir me formar na última hora.
— E se essa carta falar sobre os pais biológicos de Vanessa? – Ele ficou de lado me encarando, e apesar de parecer concentrado na conversa, seus dedos começaram a acariciar minha feminilidade fazendo com que eu me contorcesse e me entregasse gemendo baixinho quando ele me penetrou com dois de seus dedos mágicos.
— Não quero saber quem são os pais biológicos dela, eles abriram mão dela antes mesmo dela ser concebida – suspirei baixinho me deliciando com sua carícia –, e para dizer a verdade nem mesmo Eleazar e Carmen sabiam, já que eles escolhem os doadores com base em características físicas e histórico médico, não com o nome deles. – Voltei aos pensamentos coerentes quando percebi que Edward havia parado com o vai e vem dos seus dedos dentro de mim.
Ele ficou quieto, seus pensamentos longe dali. Montei nele mais uma vez para trazê-lo de volta ao clima original.
Ele havia acendido a chama em mim nessa manhã, e agora iria apagá-la.
— Marcus irá mandar a carta, no máximo em três dias ela estará aqui e descobriremos sobre o que se trata. – Dei um beijo sem eu peitoral descoberto, lambendo-o em seguida. – Agora podemos nos concentrar nisso? – Rebolei em cima dele para enfatizar do que se tratava. Ele riu me pegando pela cintura e esfregando seu pau duro contra minha boceta necessitada.
— Quer começar o dia com as pernas bambas, safada? – Espalmou minhas nádegas com suas mãos fortes.
— Por favor. – Pedi gemendo.
Ele me jogou de costas na cama e se levantou. Parou na porta fechada e pegou um de meus cintos dispostos ali. O mais fino. O estendeu para mim, fazendo um estalo.
— Vamos fazer algo diferente – Ele me olhou safado, lambendo os lábios vermelhos pelos beijos trocados.
— O que vai fazer com esse cinto? Me bater? – Mordi o lábio inferior, o fitando sob os cílios.
Ele riu e se aproximou mais.
— Estenda as mãos para mim. – Ordenou com a voz dura e eu prontamente atendi.
Eu simplesmente amava quando ele ficava todo mandão desse jeito.
Ele amarrou minhas mãos, e aproveitando o tamanho do cinto, o usou para prendê-las junto à cabeceira da cama. Me puxou pela cintura, me virando rapidamente de costas para ele.
Fiquei presa, de bruços. E estava mortalmente amando isso.
— O que vai fazer? – Sussurrei. Senti meu sexo pulsar e escorrer. Porra aquilo era sexy. Ele passou a língua pelas minhas costas, deu um sonoro tapa em minha bunda.
Gemi.
Puta que pariu, eu amo esse homem.
— Geme bem baixinho, Swan. Seria uma pena se Vanessa acordasse e tivéssemos que interromper nossa brincadeira.
Por favor Vanessa, só acorde depois do meio dia.
(...)
— Eu estou orgulhosa de você, sério. – Jane disse passando entre os inúmeros vestidos de noiva.
Estávamos procurando seu vestido de noiva, mas até agora ela não achou nada que a agradasse. Nem a mim, devo admitir.
— Ok, fico feliz por ser objeto de orgulho. – Revirei os olhos. – Esse? – Estendi um longo justo perolado.
— Não. Quero algo esvoaçante. Pode parecer brega, mas quero parecer... – ela fez uma careta – uma princesa.
— Não tem nada de brega em querer ser uma princesa no dia do seu casamento. – Afaguei suas costas, passando confiança em minhas palavras.
Ela suspirou e se jogou num puffy rosa. A vendedora nos olhou de longe.
— Será que ela acha que não temos dinheiro para pagar? – Resmunguei irritada. Aquela era a terceira vez que ela nos fitava de longe e eu já estava de saco cheio.
— Na verdade eu não tenho dinheiro para bancar essa festa. – Jane me lembrou. – Não ganho bem como fisioterapeuta, você sabe. – Revirou os olhos.
— Seu futuro marido é um advogado que ganha muito bem, e o pai dele é rico. – A lembrei.
— Meu pai também era rico. – Ela olhou as unhas pintadas de lilás. Jane havia mudado muito nos últimos nos, trazendo seu estilo rock’n roll para algo mais ligth na vida adulta. Sentei ao seu lado.
— O que foi? O que Aro fez? – Eu já não gostava do homem. Tinha medo de que ele aparecesse na minha porta querendo tirar Vanessa de mim.
— Ele esteve no escritório do pai do Tyler pedindo dinheiro – escancarei-a de boca aberta, incrédula – e pior... o pai dele deu. – Suspirou passando a mão pelas têmporas.
— O que Tyler acha disso?
— Ele concordou com o pai. Ambos me disseram que era o melhor, que eu tenho que me reconciliar com meu pai, essas baboseiras. E claro, o chamaram para o Jantar de ensaio do casamento. Eu estou tão envergonhada, Bella! Já não bastava a família do Tyler estar bancando esse casamento e agora Aro vai lá e pede dinheiro a eles? – Me fitou com o olhar frustrado e triste.
— Talvez seja o melhor. Quer dizer... ele é o seu pai! Vocês devem ter uma boa relação. – Tentei amenizar.
Ela me olhou cética.
— Você atendeu alguma ligação do seu? – Inquiriu.
Encolhi os ombros.
— Ele me bateu no nosso último encontro. E ele e minha mãe acabam de assinar os papéis do divórcio. Edward foi o advogado deles. – Dei de ombros, não dando muita importância para Charlie.
— Aposto que ele se arrepende de ter te batido. – Afagou meus ombros, confortando-me.
— Claro. E que fique muito tempo com remorso por isso, não vou perdoa-lo tão cedo. – Comentei com amargura.
— Viu? – ela pontuou – Os problemas são os mesmo, só mudam de endereço. Seu pai fez algo errado contra você agora, o meu faz desde que nasci. – O remorso em sua voz era palpável.
Não havia nada que eu pudesse dizer para ajudá-la naquele momento.
— E Alec? Virá? – Mudei de assunto, vendo seu sorriso crescer.
— Claro. Ele entrará comigo na igreja. Mesmo que Aro esteja lá, não permitirei que seja ele.
— E sua mãe?
Ela deu de ombros.
— Nos falamos às vezes. Ela quer saber como andam as coisas para o casamento... tudo muito superficial. Falo mais com a sua mãe que com a minha. Desde a morte de Heidi ela me evita. – Não havia raiva em seu tom de voz, só conformidade.
Jane tinha uma família muito complicada.
— Quer saber? – me levantei do puff. – Não vamos encontrar seu vestido em uma loja. Conheço alguém nas redondezas que pode fazer um para nós. Ou melhor, para você. Anda, levanta daí. – Estendi minha mão para ela, ajudando-a a levantar.
— Está louca? Isso seria uma fortuna, Bella! – Exclamou.
— A família do seu futuro marido não está bancando tudo? Pois bem! Eles que se preocupem com valores depois! Vamos logo que temos que buscar Vanessa na escola daqui a pouco!
A puxei para fora da loja, e corremos pela calçada da mesma forma que fazíamos quando tínhamos dezenove anos, e corríamos de loja em loja nos dias de promoção.
O atelier de Liam ficava próximo, apenas alguns quarteirões de distância, por isso não foi preciso pegarmos o carro.
— Por que não me procuraram antes? – O homem irlandês de quase dois metros de altura, e longos cabelos castanho-escuro, nos olhou chocado e insultado ao mesmo tempo.
— Por favor, Liam. Sei que pode fazer algo muito especial para minha amiga nesse pouco tempo. – Implorei com os olhinhos do gato de Shrek.
— Dois meses! – ele pôs a mão na boca balançando a cabeça apavorado. – Não posso, Bella! E não faça essa cara para mim. – Suspirou se virando de costas.
Puxei seu braço, forçando-o a me olhar novamente.
— Mas ela merece o melhor e só você pode fazer o melhor! – Supliquei. Eu tinha vinte minutos para chegar a escola e buscar Vanessa.
— Deixa para lá, Bella, vamos alugar algo naquela loja mesmo. – Jane segurou minha mão, os olhos marejados. Ela estava atuando, sua expressão era de cortar o coração. E quem não a conhecesse bem, cairia fácil.
Como Liam.
— Não vão. Não posso permitir que use algo alugado. É seu casamento, seu dia, deve usar algo feito para você! Eu vou assumir essa responsabilidade. – Se rendeu.
— Liam você é o melhor! – Soltamos um gritinho de felicidade e corremos para abraça-lo.
Feito.
Jane teria o melhor vestido de noiva.
(...)
Eu não consegui ir ao trabalho naquela quarta feira. Vanessa havia dormido na casa de Jane, e Edward havia dormido em seu próprio apartamento, não muito longe do nosso. Eu havia mandado uma mensagem para ele, e ele respondera que chagaria em vinte minutos.
A carta estava aberta em cima da mesa da cozinha. Eu já havia relido umas cinco vezes.
Poderia até repetir algumas passagens.
“Não nos ache loucos.”
“Nós somos loucos.”
“Não me arrependo do que fiz, quando ela nasceu... céus! Foi a melhor coisa.”
“Tornei-me mãe graças a você.”
“Tenho um pedacinho seu comigo.”
“Um pedacinho seu.”
“Seu e de Edward.”
Senti de novo o enjoou se apossar de mim, e corri para a pia vomitando. Merda! Pia da cozinha, era nojento vomitar ali. Vomitei mais ainda ao me dar conta disso.
Ouvi a porta bater. Edward havia finalmente chegado.
— Bella?! – Ficou alarmado ao me encontrar ali. Se aproximou rapidamente segurando meus cabelos para que eu lavasse a boca.
— Ei baby, o que houve? – Perguntou preocupado, afastando meus cabelos que caiam, do rosto.
Eu chorei, incapaz de me controlar.
— Esta doente, Bella?! Fale comigo, por favor, amor. – Seus olhos verdes estavam demonstravam todo o pânico que estava sentindo.
Pobre Edward.
A dor no meu peito era indescritível.
Minha.
Minha filha.
Um pedaço meu.
Foi tudo armado.
Apontei para a carta na mesa.
Edward me ajudou a sentar e a pegou.
— Apenas leia. – Sussurrei secando meu rosto com as costas das mãos.
Observei as expressões passarem pelo seu rosto.
Surpresa.
Choque.
Fascinação.
Raiva.
Mais surpresa.
E finalmente, a incredulidade. Ele não sabia lidar com o que tinha lido, assim como eu.
Cambridge, Massachusetts, EUA.
15 de agosto de 2007
Querida Bella.
É estranho estar escrevendo isso, contudo, sempre que tenho algo martelando em minha cabeça, e não há com quem posso conversar, eu escrevo.
Eu precisava escrever isso há quase um ano, e mesmo que você nunca leia essas palavras – e eu espero que nunca, nunca mesmo seja necessário que você leia isso –, significaria que tanto eu, quanto Eleazar partimos dessa vida, e nossa querida e pequena Vanessa será entregue aos seus cuidados. Seus e de Edward, então você consegue imaginar que eu não quero que você tenha isso em mãos.
Em todo o caso, prefiro pecar pela prevenção.
No último, mês consegui convencer Eleazar de que era mais seguro deixar um testamento, temos uma filha agora, nossa primeira e única filha, e se um dia faltarmos, ela precisará de alguém.
Eleazar e eu não temos parentes vivos, ninguém em quem poderíamos confiar o nosso bem mais precioso.
Amigos? Nenhum a quem poderíamos entregar ela.
Talvez Marcus, mas ele é tão... atormentado pelos fantasmas do seu passado.
Assim, se um dia faltarmos, nosso filha será entregue a você e Edward.
Preciso confessar, não foi fácil convencer meu marido a isso. Primeiro porquê ele acha impossível morremos antes que ela seja maior de idade e tenha toda a vida encaminhada, mas acidentes acontecessem, e temos um... inimigo. Tenho medo dele, Bella. Tenho medo do que esse homem – aparentemente – amável possa fazer.
Depois dos últimos nove meses com minha filha nos braços, vivendo os momentos mais felizes de toda minha vida, passei a ter medo pelo seu futuro, e pensei: quem melhor para cuidar da minha filha do que sua própria mãe de sangue?
Sim, Bella, Vanessa é sua filha. Eu a gerei, a carreguei em meu ventre por nove meses, e amamentei em meu seio, mas o laço de sangue dela é com você.
Não me odeie, Bella.
Se um dia baterem na sua porta, e lhe entregarem nossa filha, cuide dela e a ame, pois é tanto sua quanto minha.
Sua e de Edward Cullen.
Sei que o namoro de vocês findou logo após a formatura, mas vejo tanto amor em vocês dois! Foi realmente uma pena, mas você acredita em destino? Eu sim, e sei que um dia o universo irá unir vocês novamente, e que bela família vocês terão!
Você deve estar com muitas questões agora, “como eu sei que você e Edward eram os doadores certos”, por exemplo.
Eu tinha amigos lá na clinica, que se meteriam em muitos problemas se as autoridades soubessem do que eles fizeram. Por isso te peço, se é que posso te pedir mais alguma coisa, não conte a ninguém o que fizemos.
Eleazar e eu pensamos muito quando optamos por esse tipo de gestação, e eu queria que minha filha se parecesse com alguém que eu conhecia e admirasse, e ele tinha o mesmo desejo. Por isso escolhemos você e Edward.
De novo, não nos odeie.
Quando eu olho para Vanessa – está ficando tão esperta, nem fez um aninho e já está dando os primeiros passinhos –, me regozijo, pois, apesar de não se parecer comigo ou com Eleazar, ela tem o seu sorriso. O sorriso da minha aluna querida.
Mais uma vez, espero que você nunca leia isso, pois se está lendo, significa que eu não estou mais aí pela nossa menina.
Eu só precisava falar isso para você, Bella.
Não nos ache loucos ou obcecados, só queríamos que nossa filha se parecesse com alguém que amávamos.
Não me arrependo do que fiz, quando ela nasceu... céus! Foi a melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas. Sou uma mulher feliz em todos os sentidos agora, graças a você e a Edward. Tenho um pedacinho seu comigo. Seu e de Edward, e prometo que vou amar e cuidar dela por toda a minha vida.
Nenhum agradecimento ou desculpas seria o bastante para exteriorizar tudo o que sinto agora.
Obrigada, Bella Swan. Obrigada por ajudar a me fazer mãe.
Carmen Santiago.
Edward não falou por um bom tempo. Tempo o bastante para que eu me recuperasse e colocasse água no fogo para um chá. A carta continuava em suas mãos, sua completa imobilidade significava uma grande tensão. Seu olhar vagava por toda cozinha.
Perdido, confuso, feliz, frustrado.
Eu não conseguiria quebrar o silêncio. Servi o chá e ele bebeu. Minhas mãos tremiam.
— Vanessa está em casa? – Me assustei um pouco com sua pergunta repentina. Neguei com a cabeça, ele sabia que ela dormiu na casa de Jane.
Mais silêncio.
— Fala alguma coisa. – Implorei, a vontade de chorar voltando com força, fazendo meus olhos arderem.
— Não sei o que você quer ouvir, Bella. – Ele soou cansado.
Colocou a carta de volta à mesa, encostou os cotovelos em cima da mesa, descansando a cabeça entre elas.
— O que eu quero ouvir, Edward? – Debochei. – O que você acha disso?! – Eu estava à beira de um ataque histérico.
— Eu já desconfiava. – Ele parecia tranquilo, agora. Como se tudo de repente fizesse sentido. Levantou a cabeça, olhando diretamente em meus olhos.
— Você não sente que... que, sei lá, foi enganado? – Gaguejei.
— Enganado? Eu doei de livre e espontânea vontade, Bella, assim como você. Só porque eles tiveram recursos para saber quais eram nossos... – ele suspirou – eles já se foram, baby. Não podemos mais brigar com eles. – Ele estendeu a mão pela mesa para segurar a minha.
Recolhi minha mão com raiva, levantando.
— Se eles não estivessem mortos, nós nunca conheceríamos nossa filha! – gritei batendo forte na mesa. Aquilo chamou a atenção do Toddy, que se levantou de imediato do tapete e ficou me olhando atento.
— Você sabia que tinha um filho por aí, Bella. Não adianta tudo isso agora. – Ele tentava soar racional.
— Edward, o ponto é: eu doei meu material genético, sem saber que fariam um filho meu e seu! Porra! Ela é nossa, Edward, NOSSA! Meu sangue, seu sangue. Ela é nossa filha e nós nunca a teríamos conhecido se não fosse à morte deles! – Me descontrolei voltando a chorar desesperada.
— Ei. – Ele se levantou e contornou a mesa para me abraçar. – Não fique assim, amor. – Levantou meu rosto, beijando minhas lágrimas.
— Você não entende. Eu não abri mão da minha filha, não foi assim... – Escondi o rosto em seu peito, chorando sem parar.
— Eu sei, meu amor, eu sei. Mas não podemos fazer nada sobre isso agora. Eles estão mortos e ela... ela é nossa filha – ele segurou meu rosto, levantando novamente, para que eu o olhasse nos olhos – ela está conosco. Não podemos ir lá e discutir ou brigar com eles, só podemos agradecer por ela estar aqui agora, e amá-la com todo amor que temos.
Edward estava há anos luz a minha frente. Ele desconfiava que ela era nossa desde o dia no aeroporto com Tanya. E desde então, pelo visto, tinha superado o fato de que talvez tivessem armado para nós.
Mas eu não tinha pensado na possibilidade, e era horrível demais imaginar isso. Eu quis fechar os olhos para cada sinal, cada jeitinho dela que refletia o nosso próprio, porque não queria enfrentar a realidade que estava bem na minha cara. Uma filha minha e de Edward, que nós poderíamos nunca ter conhecido.
E por obra do acaso ela estava aqui comigo agora.
E eu nunca perdoaria Carmen Santiago por ter feito isso.
Nunca.
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