Aprendendo a Amar
44 Bônus 4: Desejo de ser mãe.
Notas iniciais
Aprendendo a Amar
Capítulo bônus: Desejo de ser mãe.
Jane PDV.
Era de se esperar que eu fosse diferente. Ou não. Rica, mimada, com um irmão gêmeo e uma irmã mais velha que era o símbolo da perfeição e o exemplo exato do que eu devia ser.
Não se comporte assim! Veja a sua irmã, ela está perfeita!
Como você pode ter dificuldade com matemática básica? Sua irmã nessa idade estava na avançada!
Não consegue tocar piano? Heidi toca perfeitamente desde os quatro anos!
Seu francês é fraco, isso é vergonhoso! Seu alemão tem muito sotaque! Heidi é fluente!
Você é tão baixinha... olha como Heidi é alta e elegante. Por que você é não assim?
Crescer como irmã caçula de Heidi Volturi não foi fácil, mas eu amava a minha irmã e na verdade também me amava. Nunca quis ser como ela. Talvez, só talvez... eu quisesse ser um pouco mais alta. E só.
Mas isso não tinha nada a ver com Heidi.
Eu desisti de buscar a aprovação dos meus pais muito cedo, acho que com uns dez anos, passei a estudar o que o gostava, a ouvir o que gostava e sair com quem gostava, por mais que eu fizesse isto as escondidas.
Contudo eu viva do dinheiro deles, e também por admirar minha irmã eu escolhi a faculdade que juguei que agradaria a ela; administração.
Foi uma boa escolha na época, Aro, meu pai, estava triste pela morte de Heidi, e com a perspectiva de que eu poderia assumir os negócios da família passou a me tratar ridiculamente bem. Isso não durou até o fim do primeiro ano da faculdade. Logo eu descobri que o mundo da matemática financeira não era para mim, e que minha escolha de carreira não era o bastante para fazer meus pais me amarem. Mas eu tinha que ir até o fim, Heidi se orgulharia de mim a onde quer que estivesse. Conforme os anos foram passando, eu descobri que até gostava da profissão, e viver no campus da universidade foi a melhor coisa da minha vida! Lá conheci minha melhor amiga, Bella Swan, e Tyler Lockwood que viria a ser o amor da minha vida.
—Deixa eu adivinhar... escrevendo no seu diário virtual? – o amor da minha vida em questão adentrou no nosso quarto me encontrando com o notebook no colo.
—Meu plano é transformar isto num livro você sabe. – brinquei fechando a tampa do aparelho e deixando ele de lado. Vestido apenas uma cueca box vermelha, Tyler se jogou por cima de mim, seu rosto se escondendo em meus seios. Sua respiração me provocava cocegas.
—E vai contar todas as vezes que vendeu drogas em festas ou consumiu? – ele falava abafado pelos meus seios.
—Eu não poderia deixar as melhores partes de fora. – brinquei. Ele riu e levantou o rosto para me olhar. Seus olhos tinham tanto amor direcionado a mim que quase perdi o folego. Mesmo depois de quatro anos juntos a intensidade do seu sentimento por mim tinha esse poder.
Acariciei seu rosto a barba por fazer espetando meus dedos.
—Eu amo tanto você. – falei. No começo foi tão difícil falar essa pequena frase, contar para esse homem lindo e extraordinário que eu o amava, me deixar vulnerável na presença dele.
—Também amo você pequena. – ele serpenteou para cima, para pegar meus lábios em um beijo doce.
Ser chamada de ‘’pequena’’ por ele era tão magico, que eu nem me importava. Eu amava.
Ele não aprofundou o beijo, evitando o meu olhar começou um assunto delicado.
—Passei pelo banheiro. – comentou. Eu sabia o que ele queria dizer e não tinha coragem. Ele passou pelo banheiro, viu algum índice de sangue que não limpei direito.
—Sim eu estou naqueles dias. – falei baixo. Levou dois meses para minha menstruação vir dessa vez, eu estava quase certa de estar gravida, faria o exame amanhã para confirmar... então ela veio.
—Jane eu sinto muito. – ele disse, seus olhos eram tão culpados.
—Isso não é culpa sua Tyler. – falei amável.
—Você quer ser mãe e eu não consigo te dar um filho. – ele tinha todas as frustações de um homem.
—Amor... não é culpa sua.
—Eu vou fazer uns exames, pode ter algo de errado comigo sim.
Eu suspirei.
—Tyler, não tem nada de errado com você eu tenho certeza. Sou eu.
Eu o contei sobre querer ser doadora de óvulos junto com Bella, sobre como eles ligaram apenas para ela, e eu nunca recebi retorno, que isso no fundo me assustou e eu não quis passar por nenhum ginecologista desde então, com medo de algum me confirmar algo que eu já sabia; eu não teria filhos.
—Heidi é assim, eu também sou. – dei de ombros como se não desse importância.
Mas o meu marido dava importância, e muita. Eu não podia fugir do ginecologista para sempre, eu tinha exames para fazer mesmo que não pudesse ter filhos, e se esse fosse o caso haviam tratamentos...
E foi usando seus argumentos afiados de advogado que ele me convenceu a marcar uma consulta.
Primeiro eu tinha ovário policístico, nada muito alarmante, isso poderia dificultar a concepção, o tratamento era feito com alguns medicamentos, eu poderia engravidar durante o processo, haviam alguns poucos casos assim.
Os cistos sumiram, eu não engravidei.
Um ano e pouco depois numa visita de rotina – eu não fugia mais do médico – descobri um mioma.
Nada alarmante, ela disse. Ele está pequeno.
Minhas chances de engravidar diminuíram. Ignorando o mioma, comecei um tratamento para engravidar.
Conseguiu.
Eu nunca vou me esquecer, eu estava gravida, contei para todos, amigos, família, facebook. Foi no aniversario da minha afilhada Grace de cinco anos. Eu perdi o bebê. Aquele foi um ano difícil, eu perdi mais dois. Três gravidezes em um ano, e três abortos.
Eu não queria mais tentar.
Meu útero não queria mais que eu tentasse.
Tyler estava apavorado com a possibilidade de eu tentar.
E eu tinha medo dele fazer uma vasectomia as escondidas.
Eu precisava tratar o mioma, foi Bella, minha irmã de outra mãe quem me levou ao melhor medico da área, e através dele fez-se o milagre; me operou, tirou um mioma relativamente grande do meu útero, e outros dois pequenos, e mesmo assim conseguiu salvá-lo.
—Ele podia ter tirado meu útero, Bella. – cochichei com ela, quando nosso maridos estavam na cantina do hospital e estávamos a sós no quarto.
—Não diga isso, Jane. Quem sabe agora...
—Eu não posso Bella. Eu nunca vou ter filho que tenha saído de mim.
Eu não senti vontade de chorar. Depois daquele dia eu nunca mais chorei por não conseguir ter um filho.
Meu irmão se casou, com outra agente secreto, Quill Atera. Eu nunca pensei que ele fosse gay, porem a notícia não me surpreendeu. Talvez fosse aquela coisa de gêmeos. Eles adotaram logo uma menina de três anos, e eu entrei no modo titia Jane. Depois eles adotaram um menino de sete anos. E eu era a tia mais legal do mundo, e Tyler também. Ele nunca falava em adoção, mas eu via em seus olhos, ele seria feliz assim, dando amor para uma criança mesmo que ele não tivesse seu DNA.
Ele só não sabia como eu me sentira com isso.
—Acho que devemos adotar. – falei certa noite, antes de dormir. Tínhamos acabado de fazer amor.
—Ah... uau. Eu... – ele não sabia o que dizer.
—Só se você quiser.
Ele sentou num pulo.
—Claro que eu quero! Eu quero muito Jane! – ele me abraçou. – Vamos ser pais incríveis! Somos os tios favoritos, seremos os melhores pais!
Sua alegria me deu forças, e eu soube que era o certo a fazer. Assim, quando completamos sete anos de casado, visitávamos orfanatos. Passávamos tardes cercados de crianças, fazíamos doações para as instituições... mas levou um tempo até que conhecemos A criança.
Isso foi porque ele não estava lá até pouco tempo. Ele chegou num dia chuvoso, muito magro, com roupas esfarrapadas. Estávamos brincando na grande sala do orfanato com outros candidatos a pais e com as crianças.
Ele parecia assustado, se encolheu quando os cuidados tentaram tocar nele, e quando um deles o pegou no colo ele irrompeu num choro desesperado se debatendo.
—O que fizeram com esse menino? – a candidata a mãe do meu lado direito perguntou para ninguém em especial. Boa pergunta; o que fizeram com essa criança? Sua reação ao toque demostrava maus tratos.
—Leve ele lá para cima! – a diretora ordenou. Depois nos olhou. -Desculpem por isso, não é o horário habitual que recebemos crianças novas, essa é um caso especial. Vamos cuidar dele.
Tyler soltou minha mão. Eu apenas assisti, muda, ele pegar o menino que gritava e se debatia no colo de um cuidador, e sussurrar palavras tranquilizadoras para ele. Tyler subiu com o menino e o cuidador o seguiu.
Aquele dia foi um divisor de águas. Aquele menino, pequeno, tímido, ferido, desnutrido... ele era o filho de Tyler. Então era o meu também.
Por confiar em Tyler, e Tyler confiar em mim, o pequeno Michel logo estava confiando em mim. E fui sentindo o amor entre nós crescer. O processo de adoção demorou um pouco mais que deveria, haviam parentes dele querendo a guarda, mas logo ficou provado que eles não tinham capacidade de criar o menino, a mãe do menino havia morrido quando ele ainda era um bebê, o pai era um traficante que espancava o menino quando o via, ele morava com a avó paterna que criava outras sete crianças, ele apanhava da velha e dos mais velhos. Foi preciso comprovar tudo isso antes de podermos tê-lo em casa.
Nós fizemos uma festa para recebe-lo, só nossa família e amigos íntimos, as pessoas que ele iria conviver sempre a partir de agora.
—Eu não vou voltar para o orfanato mais? – ele perguntou quando Tyler e eu o colocamos na cama naquela noite. Tínhamos decorado o quarto do jeitinho que ele queria, com fotos nossas, com seus brinquedos que compramos ao longo dos meses, com o tema Vingadores.
—Nunca mais. – prometi. Seus olhos castanhos bem claro, que se destacavam na pele morena eram bastante atentos.
—Vocês vão ser meus pais. – se maravilhou.
Senti a emoção querer me dominar. Afaguei seus cabelos macios.
—E você é o nosso filho amado. – beijei sua testa.
—Você parece um anjo, mama... – ele se prendeu.
—Pode me chamar de mãe se quiser. -sussurrei. Ótimo, eu iria chorar.
—Boa noite filhão. – Tyler o beijou também. Ficamos ali até ele cair no sono.
—Nosso filho está em casa. — sussurrei para Tyler e ele me abraçou.
—Sim, meu amor. Nosso filho está em casa.
E nós aprendemos a ser pais com o Michel, todo o dia, com uma coisa nova. Nem tudo foram flores, quando ele se comportava mal e tínhamos que chamar atenção dele sempre era algo complicado, porque pela sua criação ele esperava que fossemos bater nele, e se levantássemos a voz ele se encolhia esperando uma surra. Com o passar do tempo fomos nos ajustando, e convencemos ele de que nunca, iriamos usar a força contra ele.
Eu era mãe, era tia, era esposa, era amiga. Minha vida está no auge do sucesso, em toda a parte, naquela altura eu já não usava nenhum método contraceptivo, sabia que apesar de ter útero ele não conceberia uma vida. Então quando minha menstruação se ausentou por três meses inteiros, próximo ao meu aniversário de trinta e oito anos, imaginei que estivesse entrando na menopausa prematuramente. Ou nem tão prematuro assim, devido aos problemas que já tive.
—Michel, você vai ficar na casa da tia Bella essa tarde, a mamãe tem médico. – o contei logo que o peguei da escola. Dois anos com ele e parecia que ele sempre esteve ali conosco, como parte da família.
—Grace vai estar lá? – eu quis rir, ele e Grace eram quase da mesma idade, com diferença de meses, e deixam tanto Bella quanto a mim doidas quando se uniam.
—Claro, é a casa dela. Mas nada de bagunças, e obedeça a tia Bella.
—Eu sempre obedeço! – ele arregalou os olhos com falso ultraje, habito adquirido do pai claro. Quando eles me olhavam desse jeito eu queria apertá-los.
—Você não está doente, não é mamãe? – ele perguntou quando parei em frente à casa de Bella.
—Claro que não meu amor!
Ele desceu do carro e o segui. O fiz parar, me abaixando um pouco para ficar do tamanho dele, logo isso não seria necessário, ele estava crescendo muito.
—Você sabe que devemos ir ao médico mesmo quando não estamos doentes. – o lembrei.
—Sim. – confirmou.
—Estou bem, prometo. – logo depois de fazer a promessa me arrependi, e se eu não estivesse?
Não fiquei muito tempo, apenas cumprimentei minha amiga da porta e segui para o hospital.
Relatei a falta da minha menstruação e minha suspeita de uma menopausa precoce devido ao meu histórico, o médico me pediu dez guias de exames. Entre eles o Beta HCG, o que eu não queria fazer, só de olhar meu coração se enchia de esperança e eu não podia lidar com isso, mesmos depois de tanto tempo.
—Eu não estou gravida, doutor. Não preciso fazer esse. – eu fui grossa, sabia. Ele me conhecia, desde meu mioma. Retirou os óculos e suspirou.
—E de praxe. – explicou.
—Podemos pular isso. – afirmei.
Ele se levantou da mesa.
—Coloque o avental e deite-se na mesa.
Fiz o que ele mandou contraria, mas se isso fosse evitar que eu tivesse que passar por um NEGATIVO escrito num teste de gravidez eu faria qualquer coisa.
Ele revelou minha barriga através do avental.
—Seu abdome está muito duro. – falou pressionando minha barriga e passando gel.
—Estou inchada sem menstruar. – grunhi. Só faltou ele me chamar de gorda.
Ele sacudiu a cabeça com humor, mas não fez comentários. Olhava a tela com atenção, e eu teria evitado olhar, se não fosse ter outra na minha frente mostrando o que exibia para ele.
Ele congelou a imagem em diferentes ângulos. Não era possível... outro mioma? Cisto?
—Aqui está. – ele concluiu.
—Estou com mioma de novo? – me apavorei. Ele tinha que ter tirado esse útero logo!
—Olhe a imagem com atenção... melhor... ouça...
O som invadiu a sala. Tum tum tum tumtum... rápido, forte.
Eu olhei o medico sem saber como reagir. Acho que até os olhos dele estava com lagrimas, ele tinha acompanhado minha saga pela maternidade, mas eu não podia ter certeza porque as minhas lagrimas escorreram sem permissão.
—Você vai ter um bebê. – ele disse.
Eu ri. Eu chorei. Tinha um bebê crescendo dentro de mim! Havia vida dentro de mim.
—Mas como... eu achei...
—A vida é cheia de surpresas querida. Você está com aproximadamente dezoito semanas já. Um exame de sangue será mais preciso.
Ele me passou vitaminas. Ele disse que estava muito bem, que o bebê estava bem e saudável. Que eu estava bem e saudável.
Ele perguntou se eu queria ligar para Tyler, para ele vir me buscar porque eu estava nervosa de mais para dirigir, mas eu recusei, fiquei lá até me acalmar e dirigir direto para casa com todo o cuidado. Pedi a Tyler para buscar Michael na casa de Bella, se eu a visse iria despejar a novidade nela de uma vez e eu queria dividir primeiro com os meus meninos.
Fiz o jantar, a toda hora acariciando minha barriga. Como eu não te notei em? bom, notei, só não podia me permitir acreditar.
Eles entram fazendo barulho como sempre.
—Bella queria que ficássemos para o jantar. – Tyler me beijou.
—Mas eu disse que não podíamos deixar você jantar sozinha. – Michael correu para me abraçar.
—Fico muito feliz por isso. Eu fiz uma lasanha para vocês. – contei. Eles comeram e repetiram, eu quase não comi observando meus meninos. Minha família era tão perfeita! Como seria a chegada de outro membro? Um menino para brincar de carrinho com eles? Ou uma menina para brincar de boneca comigo e equilibrar a balança?
—Amor você não está comendo. – Tyler falou.
—Come mamãe, nem é verdura e tá muito gostoso.
Eu ri do jeitinho do meu filho falar, afaguei seu cabelo. Menino ou menina, seria bem-vindo, e se encaixaria perfeitamente entre nós.
—O que você acha de ter um irmão ou irmã? – eu perguntei a ele. Vi pela visão periférica, Tyler ficar surpreso. Nunca falamos em adotar de novo.
Ele pareceu pensar.
—Como a Grace?
Eu ri.
—Não exatamente... vai ser um bem pequenininho, que você vai ter que cuidar.
—Um bebê? – ele fez uma careta eu quis rir. Tão adorável!
—Sim um bebê.
—Eu vou ter que ensinar tudo pra ele. – ele pareceu cansado.
—É você vai, e ele aprenderá muito rápido porque você será o melhor professor. – meus olhos se encheram de lagrimas. Eu ouvia a respiração pesada de Tyler, mas me recusei a olhar para ele.
—Eu faço. Vou ser o melhor irmão mais velho! – comemorou. – Você tá gravida?
—Sim. – respondi a ele. Tyler arfou do meu lado.
—Quando...Desde Quando? – perguntou. Me virei para ele. Seus olhos iam do meu rosto a barriga.
—Quase três meses. Eu não achei que fosse possível...
Ele me puxou de pé e me abraçou.
—Obrigado amor. Você sempre me faz feliz.
Ficamos ali rindo e chorando como bobos, até Michel pergunta se teria sobremesa e voltarmos a realidade.
Seis meses depois de uma gravidez saudável e tranquila, dei à luz a Luna, pequena de pulmões fortes, seu choro era alto e agudo. Sorte nossa que ela não era dada a chorar muito, sempre rápido para avisar que estava com fome.
Se possível minha vida se tornou mais perfeita.
Fale com o autor