Aprendendo a Amar

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Oe, desculpem a demora eu já tinha escrito o capítulo há algum tempo, até gostei dele. Mas sempre ficava na minha cabeça que eu podia melhora-lo, mas nunca veio a inspiração então resolvi postá-lo. Agradeço aos que comentaram e também aqueles que apenas acompanham. Tenham todos uma boa leitura !

Já estavam ali há uma hora, uma hora e meia? Não sabiam ao certo sobre o tempo, mas que a companhia um do outro estava sendo agradável, quanto a isso os dois tinham certeza. O que era surpreendente para ambos. Há algumas horas atrás mal estavam se falando e agora estavam ali conversando sobre assuntos cotidianos e rindo deles. Nem lembravam direito como aquilo tudo começou. Talvez falar sobre Isshin e sua atitude “estranha” de propor um jantar para os dois deve ter ajudado.

— Então a Nell é desse jeito? – Ichigo apenas meneou a cabeça enquanto admirava o sorriso da pequena a sua frente. — O Renji também é meio folgado, mas só comigo. Na frente do nii-sama ele é todo compor... O que foi? – indagou ao perceber uma expressão de desagrado na face do ruivo.

— Nada. Acho que botei molho demais na comida.

— Hum...

— Mas... Então, você e esse Renji são amigos, só amigos?

— Renji é meu amigo desde a infância, somos tipo irmãos. Você o viu, foi ele que me deu carona até a faculdade. – comentou levando um pedaço de sashimi até a boca.

— Então vocês não são... Íntimos?

— Não. – respondeu estranhando a pergunta. — Mas por que a pergunta?

— Nada demais. Eu só fiquei preocupado...

— Preocupado?

— Você chegou no seu apartamento vestindo apenas minha blusa, sabe... Fiquei preocupado com sua relação com ele.

Ichigo se surpreendera com sua própria explicação. Era uma mentira, aquilo estava claro pra ele. Só esperava que ela acreditasse como ele estava tentando acreditar. Estava preocupado, mas era com a segurança dela. Sim, com a segurança dela. Mas porque aquilo também lhe soava como uma mentira?

— Ah! Mas não teria porque ele se preocupar com isso, mesmo se ele fosse meu namorado. – disse indiferente.

— Por que não?

— Porque nós não temos nada. Você é meu chefe e é comprometido. – voltou sua atenção ao prato.

— Não sou mais comprometido. A Inoue terminou comigo.

— AH! Desculpa, eu não sabia... Sinto muito.

— Não se preocupe. Nossa relação era estranha... A gente nunca foi um casal de verdade. Eu nunca a amei como ela merece ser amada.

— Mas você gosta dela.

— Como eu gosto da Nell, do Toushirou... Nunca a amei, talvez uma paixonite na adolescência... Só me entristeço por só agora perceber o quanto a magoei, levei uma relação sem futuro durante muito tempo. Fico pensando quantas vezes eu dei esperanças de que eu poderia retribuir esse sentimento que ela sempre nutriu por mim, quantas vezes eu a decepcionei...

— Uma vez uma pessoa disse para mim algo que eu nunca vou me esquecer. “O estrago já foi feito, não adianta ficar remoendo.” Apesar de aquilo ter me soado de forma cruel, ainda mais pela pessoa que disse aquilo. Ele estava completamente certo. – disse levando a toalha até a boca.

— Você está falando...

— De um assunto do qual você se recusou a ouvir. Eu não sei as razões, mas eu respeito.

Eles apenas se encararam. Ichigo queria lhe dizer o motivo, mas sentia que não era o momento. Aquele jantar de certa forma estava os aproximando mais e não queria perder aquilo. Estavam chegando em um assunto delicado e não era sobre aquilo que ele queria conversar no momento. Queria voltar no assunto inicial, queria voltar a ouvir as risadas e admirar o sorriso da pequena Kuchiki. Queria esquecer-se de todos os problemas na companhia dela.

...

Já vira os dois esboçarem aquele típico sorriso, estavam tramando alguma coisa. Esperava que nada tivesse a ver com os negócios. Como podia imaginar isso? Eram duas crianças, mas totalmente responsáveis quanto o assunto era trabalho. Tanto era certo do que dizia que estava ali sentado na frente dos dois e assinando as cláusulas do contrato.

— Onde mais tenho que assinar?

— Só mais essas duas laudas aqui. – disse Isshin entregando-lhe as folhas.

— Fico feliz que tenha concordado com nossa proposta. – comentou Urahara.

— A proposta era irrecusável, devo admitir. – assinou a ultima lauda. — Pensei que a Rukia estaria presente. – arqueara as sobrancelhas ao notar o mesmo sorriso cumplice de antes.

— Ah! Sim. Até a convidamos, mas ela acabou tendo que ir a outro compromisso. – respondeu Urahara.

— Que compromisso?

...

Encarava a parede cor marfim a sua frente ainda se questionando o que estava fazendo ali. Fazia um bom tempo que não era convidado a entrar na casa da loira, na verdade fazia um bom tempo que ele se quer passava próximo ao quarteirão onde ela morava. Mas Matsumoto nunca tentou aprender a dirigir e por isso sempre dependia de uma carona, e Nell parecia ocupada demais e ele se oferecera a deixa-la ali. Mas porque fora convidado mesmo?

— Está aqui seu saquê. – disse, a loira, que apareceu na sala com dois copos cheio.

— Matsumoto, eu estou de carro.

— Tudo bem, então eu bebo por nós dois.

— Acho melhor eu ir. – fez menção em se levantar, mas conteve-se assim que sentiu a mão da loira em cima da sua.

— Espera, fique mais um pouco.

— O que há? – indagou sem deixar transparecer sua preocupação.

— Nada, só que... Essa casa parece aumentar de tamanho quando estou só.

— Se é assim devia morar em um apartamento.

— Eu morava... Você lembra? Nós morávamos juntos. Você vivia levando sua namoradinha lá. Qual era o nome dela?

— Hinamori. – respondeu seco.

— Hinamori-chan, ela era uma graça. Por que vocês terminaram mesmo?

— Ela me traiu com o professor de literatura dela.

— Aizen-sama, lembrei. Aquilo foi o maior “auê” na faculdade. Que foi? Desculpa, você ainda gosta dela...

— Não, é claro que não. Só não é um assunto que eu goste de falar.

— Sei... Mas então, onde eu estava?... – levou o copo até a boca e após o gole, prosseguiu. — Ah! Sim! Aí vocês terminaram, eu meio que te ajudei a sair da fossa, lembra? Aliás, você é um chato quando bebe tinha sempre que ligar pro Ichigo pra me dá uma forcinha. Aí você melhorou eu conheci o Gin, e a gente meio que se afastou. Você lembra porque a gente se afastou?

— Não, não faço ideia.

— Eu também não. Enfim, casei com o Gin e vim morar aqui. Te convidei para ser um dos padrinho, mas você não aceitou e quase não deixa eu casar.

— Lembra o que eu te perguntei naquele dia?

Matsumoto entornou o segundo copo, devia ter pegado a garrafa. Encarou o relógio de parede, já estava ficando tarde. Não estava a fim de responder àquela pergunta, sabia muito bem onde seu amigo queria chegar.

— Me perguntou se eu tinha certeza que seria feliz com ele.

— E você disse que sim, e eu a deixei ir. E eu fiz mal.

— Está errado. Eu fui feliz, foi por pouco tempo, mas fui e posso voltar a ser feliz.

“Mas não ao lado dele.” Era o que queria ter dito, mas se conteve. O que diria depois daquilo? Que ela seria feliz ao lado dele. Que ele a faria feliz? Ele gostaria de fazê-la feliz, mas se ela ao menos o amasse como ele a ama. Amor, um sentimento que ele deixara guardado há muito tempo. Um sentimento que ele preferia fingir não sentir no momento em que ela aceitou a proposta de casamento de Ichimaru Gin.

— Eu estou indo. – disse seco.

— Não, espere, fique...

Os dois ouviram o barulho da porta ser aberta, era Gin que adentrava com seu costumeiro sorriso. Os três se encaravam, sentia-se um pouco de tensão no ar. Toushirou sentira-se inquieto, Gin meio surpreso apesar de ser incapaz de transparecer isso e Matsumoto, bem Matsumoto...

— Não é isso o que você está pensando Gin, eu só...

— Chamou o seu amigo para lhe fazer companhia. Boa noite, Hitsugaya. – e seguiu rumo às escadas.

— Ele nem se importou... – sussurrou frustrada.

— Matsumoto, você me convidou para fazer ciúme para o seu marido? – sua voz saíra mais grave que o normal, estava bastante irritado.

— Desculpe... Eu pensei que ele...

Calou-se assim que percebera que ele não ficara para saber da resposta. Sentira que perdera sua amizade pela segunda vez.

...

As papeladas já tinham sido todas assinadas, não tinha mais o que fazer ali. Pretendia ir para casa, mas antes precisava ver uma certa pessoa. Seguia em direção ao menor corredor de todo o prédio. Na porta estava escrito o nome dela, uma obstetra. Batera na porta e fora atendido pela mesma.

— Desculpe a sua secretária não estava na mesa dela, então eu vim sem avisos.

— Não tem problema, só estou surpresa. Entre.

Sua sala era pequena, parecia uma sala de um clinico geral com uma cama onde o paciente é examinado, uma pequena balança ao lado e três cadeiras envolta da mesa.

— E o que devo a surpresa?

— Eu queria te ver. – ele fora direto sabia que era isso que ela queria ouvir.

Unohana apenas sorriu.

...

A conta havia chegado, talvez essa fora a hora que os dois mais sorriram juntos. Ichigo fizera questão de informar que seu pai fizera questão de pedir que botasse na sua conta. O dono do restaurante era muitíssimo amigo do Urahara e por isso não se contrapôs ao pedido do ruivo de acertar as contas com o Kurosaki mais velho, e ligara na mesma noite para cobra-lo.

— Pelo menos terei o prazer de ver a cara do velho amanhã de manhã. – comentou enquanto seguiam até o estacionamento.

— Você não acha que pegamos pesado no valor?

— Mas essa era a intenção, Rukia. – sorriu enfiando suas mãos ao bolso da calça.

— Ainda não entendo o motivo desse jantar...

— Nem tente entender a cabeça daquele velho.

Ela sorriu. Os dois caminhavam lado a lado, sentiam que a cada passo dado estavam mais próximos de se despedirem.

— Eu gostei de hoje. – comentou ainda sorrindo. — Gosto da sua companhia, Ichigo.

Ele a encarou surpreso.

— Eu queria muito que você sentasse mais comigo na hora do almoço. Sabe... Eu não vou mais tocar naquele assunto, se o problema for esse...

Os dois haviam parado. Ichigo apenas ouvia o que ela dizia. Eles estavam ali no meio do estacionamento, de frente para o outro. Ele a ouvindo dizer que gostava da presença dele. Observava seus finos lábios se mexerem, seus olhos o encarando tão intensos e de novo voltava sua atenção para os lábios dela. Ele não sabia o que estava prestes a fazer, já não entendia mais o que aqueles lábios lhe diziam. Já não observava os carros ao seu redor, só via ela a sua frente e aqueles lábios que pareciam chama-lo para um beijo.

— Ichigo, você está...

Ele então a beijou. No meio daquele estacionamento, ele a beijou. Ela de inicio estava totalmente surpresa, suas pequenas mãos tateavam o peitoral do ruivo a fim de separa-lo. Mas os braços firmes que sentira em seus ombros a fizeram desistir e ceder. Ela começara a retribuir do mesmo modo intenso da qual fora surpreendida. Suas mãos se mantinham no peitoral, mas desta vez puxava o tecido da roupa como se o puxa-se mais para perto. Ele subira uma de suas mãos acariciando os pequenos cabelos da morena enquanto descia a outra até as costas da mesma. O beijo continuava intenso e estava longe de se separarem pela falta de ar quando ouviram o som de uma buzina próximo a eles.

Afastaram-se e assim que o carro passou entre eles, voltaram-se a se encarar.

— Você não estava ouvindo o que eu estava falando. – sorriu.

— Estava sim... Só um pouco, devo confessar. – suas mãos voltaram para dentro dos bolsos.

— Você perdeu a parte que eu disse que estava gostando de você ou você me beijou por causa disso?

— Você disse... – ele travou, aquilo era uma declaração? Ele mal sabia direito o que estava se passando e ouvir aquilo fora... Ele não sabia o que dizer. Apenas sorriu. — Mas é tudo tão...

— Eu sei... É maluco.

— Eu ia dizer rápido.

— Dá no mesmo. – ela riu.

Ele nada disse. Chegara mais perto dando espaço ao silêncio que se instalaram. Encaravam-se e o espaço dado ao silêncio fora intensificado pelo toque de seus lábios.

Notas finais
Então o que acharam? Ichigo ainda não se tocou que é ciúmes o que ele sente? Acho que sacou, né. E Toushirou tadinho, Matsumoto sem noção querendo fazer ciúme no Gin. Então o que acham do meu Byby com a Unohana? E vamos falar sobre o beijo, rolou já tava na hora. Tamos no nono capítulo e essa fic vai ter apenas 17 capítulos, tinha que rolar alguma coisa haha. Contem-me tudo e não escondam-me nada! @Cacalchan
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.