Notas iniciais
Ei ei falei que não ia demorar muito viram *o*
Mais um novo capítulo na área rsrs Espero que gostem.
E agradeço muito a leitora Mila A pelo comentário, e a todos os outros novos leitores que estejam acompanhando :)

Boa Leitura meu povo o/

As malas estavam sendo colocadas no porta-malas do táxi pelo motorista. Byakuya acabara de chegar em Karakura após dois meses fora. Iria primeiro para sua casa onde morava sozinho desde que sua irmã mais nova decidira se tornar independente e comprar um pequeno apartamento no subúrbio da cidade. Um gesto que nunca agradara o Kuchiki, sempre achou a irmã despreparada para ter uma vida independente, mas ela era teimosa e não pode fazer nada já que ela já tinha vinte e um anos de idade quando tomou essa decisão. Nem mesmo o triste episódio que aconteceu com ela a impediu de desistir, embora ela tenha ficado hospedada durante seis meses na casa do irmão.

— Renji. – disse assim que atendeu ao telefonema. — Já avisou a Rukia? Certo, diga a ela que estou indo para casa e mais tarde vou passar no apartamento dela.

— Já podemos ir. – avisou o motorista ao entrar no carro.

O automóvel partiu em direção a região norte da cidade, conhecida pelos seus lindos casarões e pelos ilustres moradores, a maioria deles de grande sucesso profissional como: governantes, grandes empresários, doutores, advogados... Apesar do grande prestigio da região o lugar ficou conhecido como Soul Society, devido a uma tragédia que aconteceu com uma família que morava por lá e aos dizeres de que as almas de todos permaneciam na casa que nunca mais foi habitada por nenhuma outra família.

O taxista estacionou exatamente em frente à casa abandonada.

— O senhor mora em frente à casa amaldiçoada? – perguntou temeroso.

— Hum... Não há nada demais naquilo, é só uma casa. – respondeu ao sair do carro enquanto o motorista ajudava com as malas.

— Não é o que as pessoas dizem.

— Todo mundo adora uma história, essa é a verdade. – comentou encarando a mansão abandonada.

...

Mal tocara na refeição. Ainda estava tentando entender o que estava se passando com seu patrão. Ichigo ficara tão esquisito do nada, ela apenas atendeu um telefonema de seu amigo e pronto ele saiu irritado com alguma coisa que ela não percebeu o que era. Poderia ter sido algo que ela fez, mas ela não se lembra de ter feito nada para irritá-lo daquela maneira. Que homem mais complicado. Primeiro ficou estranho quando ela queria lhe contar o que havia acontecido, e agora a estava evitando e se irritando com ela sem mais nem menos. Se fosse mulher diria que estava de TPM.

— Esquisito... Alô? – atendeu ao telefonema um pouco aérea. — Eu sei que é você, Renji. Não, eu só estava pensativa... Mas não é pra isso que você me ligou, fala logo.

— Olha pivete como você fala comigo. – resmungou do outro lado da linha. — Byakuya mandou avisar que pretende passar no seu apartamento.

— Hoje?

— Sim, por que a surpresa? Pretendia levar algum namoradinho, talvez o seu chefinho...

— Para de falar besteira. Só pensei que o nii-sama fosse tirar o resto do dia para descansar, mas tudo bem... Que horas ele pretende ir?

— Ele só me disse que ia se arrumar e passar na sua casa.

— Como? Mas eu estou no hospital agora.

— Hospital? Rukia você está bem?

Rukia sorriu. Dera-se conta de que se esquecera de contar a Renji que estava estagiando em um hospital.

— Estou bem. Estou trabalhando em um hospital.

— Ah... O seu chefinho está aí perto?

— Não, estou em horário de almoço. – respondeu encarando o seu prato ainda cheio. — Mas e agora, não posso deixar o nii-sama me esperando sozinho em casa.

— Tudo bem, entendi... Eu vou até lá, faço sala pro seu irmão, mas não demora. – avisou Renji lembrando-se do temperamento do Kuchiki mais velho.

— Obrigada. Não se preocupe, vou falar com o Ichigo para me liberar mais cedo. – e dito isso se despediu do amigo voltando a encarar a refeição com desgosto.

...

O horário de almoço já havia acabado e Ichigo já estava em seu consultório relendo as papeladas da ultima reunião que tivera com seu pai e Urahara. Apesar de encarar o objeto em suas mãos como se estivesse concentrado; a única coisa que o ruivo conseguia ver eram palavras borradas em uma folha branca, não que estivesse com problemas de visão, mas acontece que não prestava verdadeira atenção a aquelas minúsculas letras. Seus pensamentos estavam mais em certa moça de madeixas curtas e estatura baixa do qual o irritava toda vez que se lembrava de quando ela preferiu a carona do amigo tatuado idiota.

Estava com ciúmes, mas o absurdo que aquilo lhe pareceu fez pensar que só estava estressado e nada mais. Não que era uma pessoa impossível de sentir ciúmes, e nem era o tipo de cara orgulhoso, mas estar com ciúmes de alguém que mal conhecia era um verdadeiro absurdo. Nem de sua namorada Inoue ele sentia esse ciúme, e ainda mais por nada. Ele era só um amigo dela, foi o que ela disse. E eles realmente pareciam amigos, não? E mesmo que fossem algo a mais o que ele tinha a ver com isso? Com certeza nada.

Encarou sua sala vazia, ainda tinha vinte minutos antes de atender o próximo paciente. E ela ainda não havia chegado, pelo menos não havia batido na porta e avisado do seu retorno como fez no dia anterior. Incrível, só a conheceu há algumas horas e já estava assim, sentindo-se tão próximo. Talvez a semelhança que ela possuía com a Senna fosse o motivo de ele ter essa grande afeição pela pequena. Não que elas fossem muito parecidas, na verdade, talvez, o tamanho apesar de achar que Senna era um pouquinho maior que a Kuchiki. Além do mais Senna era meiga demais, e a Rukia, apesar de não conhecê-la muito bem, ela parecia ser mais firme, decidida, e teimosa isso com certeza. Mas uma coisa as duas possuíam, eram extremamente puras, mesmo depois do que sofreram. Eram bondosas demais, e isso o Kurosaki percebia nas pessoas, era como se exalassem pelo corpo delas, como um perfume ou uma aura. O ruivinho sempre fora bom em ver a verdadeira natureza das pessoas.

Suspirou pesadamente, estava pensando demais e muito em sua assistente. Talvez o Toushirou tenha razão, estava projetando em Rukia os sentimentos de Senna e talvez não tenha sido tão difícil para a Rukia como foi para sua ex-paciente. Mas mesmo assim, resolveu não se meter na vida da Kuchiki, não gostaria de abrir as feridas de Rukia como fizera com Senna. Ficou tão sedento por justiça que acabou a machucando. Toushirou e seu pai poderiam falar milhões de vezes, mas nada diminuiria a culpa que ele sentia e por mais que dissessem... Ele não tinha duvidas de que fora sim o verdadeiro culpado. Se ele não tivesse se metido, senão tivesse praticamente forçando-a a lhe contar, senão tivesse reabrido a ferida dela, ela não teria... Ela não ousaria...

— Você está bem? – sua voz soara docemente, estava preocupada.

Assim que entrou Rukia notara que seu chefe estava pensativo. Ele nem a percebera entrando e muito menos sentando em sua frente. Ficara tão curiosa ao ver os orbes do ruivo parecer admirar o vazio, como se estivesse preso em outra dimensão que não fosse aquela em que ela se encontrava que acabou por ficar ali o observando sem nada dizer. Só sentiu-se com a necessidade de interrompê-lo quando percebera a amargura que seus olhos transpareciam. Aquilo a desagradou, ele estava com problemas dos quais não era da sua conta, saberia que era isso que ele diria se insistisse em perguntar. Contentou-se com apenas um menear de cabeça de seu chefe.

— Não vi você chegar, está aqui há muito tempo? – indagou preocupado, não queria que ninguém o visse da forma que nem ele fazia conta de que se encontrava.

— Não, não... Acabei de chegar. – mentiu, sabendo que seria constrangedor se ele soubesse que ela o observava.

— E então? – indagou percebendo que ela queria lhe dizer algo.

A forma fria como ele voltara a lhe tratar fez com que toda a curiosidade que ela tinha sobre o que ele estava passando ou pensando se esvaísse.

— Eu vim lhe pedir permissão para sair mais cedo. – continuou antes que ele a interrompesse. — O nii-san chegou de viagem hoje e ele está indo me visitar. Preciso encontrar-me com ele para falarmos sobre a situação do hospital.

— Hum... Está certo, pode ir agora se quiser. Estamos com poucos horários marcados hoje. – disse a vendo levantar-se e curva-se em agradecimento.

— Arigato, Kurosaki-san!

A jovem saiu sem perceber a feição de surpresa do ruivo ao notar que ela voltara a chamar-lhe pelo sobrenome. Mas o que ele poderia dizer, foi ele que começou a trata-la assim. E era melhor assim.

Levantou-se. Ainda tinha onze minutos antes da consulta e precisava de ar...

...

Viera junto com Matsumoto, dessa vez não por ordem da mesma. Estava ali porque queria estar, na verdade mais que isso, ela tinha que estar. Não podia e nem devia esperar mais. Foram anos que ficara colocando aquela conversa de lado, anos que tentava se iludir. Ele não a amava, e sabia que não precisava ouvir aquilo da boca dele. Por todos aqueles anos fora sempre algo gritante aquela constatação. Quando saiam para um jantar, quando ele a convidava para dormir com ele, quando ela lhe fazia uma surpresa no hospital, ou ele aparecia na escola onde ela trabalhava. Era gritante que ele não a amava. Estava sempre ali com ela para se distrair, sabia que sua companhia o agradava, mas a companhia de Histsugaya também o agradava e talvez mais que a dela. Ele só a via como amiga, sempre foi assim. Mesmo quando ele lhe disse – quando tinham quinze anos – que ela seria sua esposa, mesmo ali ela sabia que ela tornara-se um escudo para ele. Uma forma de ele não conhecer um amor verdadeiro, um medo terrível de perder algo precioso.

“Todas as mulheres que eu amei foram embora.”

Foi o que o ouviu dizer quando tomava a vigésima ou vigésima primeira taça de champanhe no natal do ano retrasado. Os cabelos dele estavam molhados e as gotículas teimavam em cair molhando assim o carpete da sala. Ele havia acabado de sair da piscina em que minutos atrás havia se jogado com roupa e tudo. Estava totalmente embriagado, lembrava que já estava assim antes de chegar em sua casa, devia ter bebido um bocado quando estava em sua clinica. Provavelmente sentado em sua antiga poltrona, pensando, provavelmente em sua ex-paciente.

As lágrimas teimavam em cair, mas ela estava disposta a prende-las. Não queria que ele o visse assim. Não queria que ele tomasse mais uma culpa para si. Conhecia muito bem seu namorado para saber o quanto ele se culparia se soubesse o motivo de seu choro. Mas ela sabia de quem era a culpa. Ela sabia de tudo, sabia que ele não a amava e mesmo assim insistiu naquele relacionamento sem futuro. Foi ela que decidiu sofrer no final, foi ela que foi fraca esse tempo todo. Mas ingênua não, ela nunca foi ingênua. Ela sempre soube o que poderia acontecer e ele nunca precisou lhe dizer. Ele não a enganara, ele apenas enganava a si mesmo e ela enganava os dois com aquela relação.

Bateu na porta e na terceira tentativa estranhara ninguém ter atendido. Notara que nem mesmo Rukia estava em sua mesa que ficava do lado de fora, em uma pequena recepção. Resolveu girar a maçaneta e percebeu que a porta estava trancada. Um pensamento lhe veio à mente, e ela tratou de tira-lo logo da cabeça. Ele não faria isso... Era só uma coincidência os dois não estarem ali, não era?

Ela retirou-se às pressas, estava quase a correr pelo corredor. E as lágrimas, ela não ligava mais para aquilo. Não se importava em chorar. Ela estava ali para dizer adeus ao seu amor. Estava ali para terminar com tudo. Para fazê-lo abrir os olhos, para aconselha-lo. Ele estava perdido assim como ela. Apesar de juntos há tantos anos, ela nunca se encontrou tão solitária e sabia que ele também estava. Ela estava ali para libertá-los. Mas aquilo lhe doía.

Ah! Como lhe doía!

Estava a centímetros de virar ao próximo corredor quando sentira um choque em sua face. Só agora notara que estava olhando para o chão e por isso não percebera o homem que lhe interrompera de seguir em frente.

— Cuidado, é proibido correr por aqui.

— Eu não estava correndo...

Seus orbes preenchidos por lágrimas encaravam os olhos verdes e secos que lhe pareciam despreocupados e totalmente incoerentes com o aviso que lhe parecia cuidadoso, apesar da repressão que ela sentia em sua voz.

— Em todo caso, preste mais atenção por onde anda.

Ulquiorra sabia de quem se tratava. A ruivinha chorosa a sua frente era a namorado do filho do Kurosaki-sama. A via sempre quando a mesma aparecia para visitar o namorado, mas normalmente ela aparecia com um sorriso irritante no rosto. Irritante sim, nunca imaginou que uma pessoa pudesse sorrir tanto ainda mais com a intensidade que ela demonstrava o sorriso em seus olhos, ela sorria até mesmo com os olhos.

Extremamente irritante!

E o que era mais irritante era sentir certo desconforto quando a via sorrir. Não era bem um desconforto, na verdade ele mal sabia o que de fato sentia. Mas era algo que o irritava. Ele se sentia, talvez, mais humano. Humano, talvez seja essa a palavra certa. Não que ele fosse algum e.t ou algo do gênero, ele era um ser humano. Mas já fazia um tempo em que ele não se sentia assim, humano. Sempre fora muito frio, despreocupado, isolado, era um perfeito antissocial. E não era um homem de muitos sentimentos, mas ao vê-la... Ela lhe provocava sensações que para ele eram no mínimo desagradáveis.

Agora ela estava ali, próximo dele com aqueles olhos que lhe provocaram uma outra sensação. Está mais desconhecida que a anterior. A vê-la naquele estado o preocupava, o seu coração parecia se apertar. O que aquela garota era para lhe provocar aqueles sentimentos que para ele não lhe pertenciam?

— Desculpe... – levou a mão até os olhos um pouco envergonhada com seu estado. — Você viu o Ichigo por aí?

Se não lhe bastasse, uma nova sensação percorreu por seu corpo. Raiva. Essa ele já havia sentido antes, mas há muitos anos. Só em ouvir o nome daquele ser do qual odiava pronunciar o irritava. Mas a raiva não era por causa da mulher a sua frente, embora tivesse a plena convicção de que fora ele o verdadeiro causador daquela tristeza na ruivinha. Ulquiorra nunca fora com a cara do filho de Kurosaki-sama e aquilo era reciproco.

— Não. – respondeu secamente.

Ela o encarou novamente e sorriu. Ele era bastante sério, nunca o havia visto antes. Mas aquilo não era novidade, eram poucas as pessoas que ela conhecia naquele hospital. Na verdade só conhecia as que rodeavam o seu namorado, faziam parte da vida dele. O resto ela não dava a mínima atenção e parece que aquele homem de aparência estranha era um deles.

— Desculpe, novamente. E agradeço o aviso, tomarei mais cuidado na próxima vez. – sorriu agradecida.

E foi com um sorriso no rosto que o sério Ulquiorra viu a mulher, que lhe acendia estranhas sensações, virar o corredor à direita

Notas finais
Bem a mansão mal assombrada foi mais para justificar o nome da região, mas talvez eu a use perto do final da fic... Quem sabe...

E então Ichigo todo irritadinho por causa do Renji, eu acho que é ciúme... O que vocês acham? haha
Ulquiorra e essas suas sensações, será que tem futuro?
E a Inoue será que vai conseguir terminar com o Ichigo ou ela vai mudar de ideia?

Ah e essa Senna, não sei se ficou muito claro, mas no decorrer dos capítulos ela ainda vai atormentar bastante os pensamentos do moranguinho-kun.

E então, gostaram? Não gostaram? Sugestões, criticas, todas serão bem aceitas.

Até!