Aprendendo a Amar

11 Pescaria: pais e filhos


Notas iniciais
Olá!

Bem, venho pedir desculpas... mas eu realmente irei precisar correr com os capítulos. Em alguns dias vou publicar mais de um, quando estivermos pro final diminuo para um por dia.

Espero que gostem.

xx

Gildarts buzinava na frente da mansão Fullbuster:

– Anda Gray! Parece uma mulher se arrumando!

O rapaz apareceu correndo, meio atrapalhado com as mochilas. Recebeu um beijo da mãe, mesmo a contragosto, e entrou na Hilux:

– Preparado para o terceiro melhor dia da sua vida?

– Terceiro? – o moreno questionou confuso.

– Sim, o segundo será o dia do seu casamento!

Gray sentiu um calafrio em sua espinha e desanimou-se totalmente.

– E o primeiro?

– Quando seu filho nascer! – Gildarts sorriu alegremente e deu a partida, cantando pneu na rua e obrigando Gray a se segurar no carro.


A dupla chegou finalmente na represa que até parecia movimentada. Havia algumas famílias armando mesas e preparando iscas. Gildarts escolheu seu lugar de sempre e jogou tudo no chão:

– Ah, o dia está bom – ele disse se alongando. Um sujeito de grandes bigodes aproximou-se – Ramon! Como están ustedes?!

Gray riu discretamente do "maravilhoso" espanhol do homem. O tal Ramon organizou tudo com eficiência e em poucos minutos, Gildarts e Gray estavam sentados na beirada da lagoa, varas erguidas, cervejas em mãos, esperando qualquer movimento da linha:

– É relaxante, não? – o homem perguntou.

– Sim, bastante... Nunca relaxei tanto... – Gray fechou os olhos, sentindo a brisa bater em seu rosto e balançar seus cabelos negros.

– E você e a Lucy?

– Como? – o rapaz despertou.

– Como vocês estão juntos? – e o grandalhão lançou um olhar suspeito ao garoto.

– Nada, senhor Heartfilia! Lucy e eu não temos nada! Eu respeito demais a sua filha!

Gildarts riu:

– Relaxa menino! Quero saber se estão se dando bem!

– Ah, acho que sim... Ela não me acha uma boa pessoa...

– O que? Duvido! Lucy tem o coração mais gentil desse mundo! Conheço minha filha como a palma da minha mão!

Gray riu nervoso:

– Não sei não, senhor... Acho que ela não gosta muito de mim.

– Garoto, a Lucy ama formigas! Que dirá um jovem bonito e vivo como você!

– Obrigado – e ele riu novamente.

– É uma pena que esteja compromissado... Minha Lucy precisa de companhia... Eu sei disso mais do que ninguém.

– É mesmo? Por que acha isso?

– Bem, ela nunca teve muitos namoradinhos... E eu agradeço muito por isso! Mas ela vive intocada no trabalho ultimamente... Não tem tempo nem para si mesma... E eu vejo nos olhos dela que ela sente falta de alguém para lhe fazer companhia...

Gray encarou a grama e sorriu perdido em pensamentos.

– Você tem um irmão, não tem? – Gildarts perguntou.

– Não! Não tenho! – o rapaz logo tratou de dizer.

– E aquele rapaz lá, Leão, uma coisa assim...

– Ah Lyon... É meu irmão sim... Mas é um perdido na vida... Às vezes esqueço que ele existe.

– Mas poderia apresenta-lo a Lucy...

– Não! Não poderia! Digo... Ele não é uma boa pessoa.

O moreno esfregou a nuca, parecendo nervoso e Gildarts abriu um sorriso:

– Bem, falemos disso depois... Mas sei que irá me ajudar a encontrar alguém pra minha Lucy.


Alguns segundos se passaram até que a linha de Gray se agitou. Este deu um pulo surpreso:

– Olha!

– Aee Gray! Pegou um, garoto! Esse é dos grandes!

Os dois travaram uma difícil luta contra o peixe que quando finalmente foi tirado da água, revelou ser uma iguaria exuberante:

– Esse é dos raros – Gildarts explicou – Chega a valer uns 2 mil num leilão!

Gray sentia-se orgulhoso. Era o primeiro peixe que pegava em sua vida. Percebeu a felicidade do homem Heartfilia e decidiu que iria orgulha-lo o resto do dia, como nunca sentira seu pai fazer. Voltaram a se sentar:

– Conte-me da sua noiva... Não a conheci, mas seus pais falaram muito bem dela.

“Por causa da conta dela” o rapaz pensou.

– É, ela é uma boa moça. Tem seus defeitos, mas... Bem...

– Bem...?

– Hunf... – e Gray desabafou pela primeira vez – Ela não é bem o tipo de garota que eu gostaria como minha “esposa”. Pra começar, estamos casando por puro negócio! Considero isso um absurdo...

– É, seu pai é lelé da cuca... Mas e ela? Como se sente?

– Bem, ela parece não ligar... Ela gosta de mim... Eu acho...

– E você? Gosta dela?

Gray o encarou. Nunca havia conversado sobre isso com ninguém. Era a primeira vez que desabafava sobre sua vida com uma pessoa e estava fazendo isso com um sujeito que conhecera em algumas horas. Mas de alguma forma ele se sentia seguro ao lado de Gildarts; se sentia seguro ao lado do melhor amigo de seu pai; sentia-se como se estivesse com seu pai; com alguém MELHOR do que seu pai.

– Não gosto. Às vezes eu tento gostar, pra tornar tudo mais fácil... Mas é difícil...

– Claro que é difícil! Não se gosta de uma pessoa por obrigação! Essa história é uma loucura... Não posso lhe dizer o que fazer, tudo depende de você rapaz... Faça o que achar que é certo... Ou o que seu coração mandar.

Gray sorriu pra ele:

– Sua linha Gray!

Novamente os dois se agitaram para recuperar a nova “vítima”. O rapaz ria como um garoto de oito anos e Gildarts dançava em comemoração:

– Pra quem nunca pescou você é bom!

– Bom? Como se pode ser bom em ficar parado esperando um peixe comer a isca?

– A questão, meu filho, é que os peixes sempre vêm até você. Eles o escolhem pela forma como sua linha está posicionada, e principalmente pelo tipo de karma que emana de você...

Gray ficou admirado com a ideia:

– É... mesmo...?

– É brincadeira menino! – Gildarts deu um tapa em seu ombro – É pura sorte mesmo! Isso aqui é uma loteria! – e o rapaz riu mais uma vez.

Alguns minutos depois, Ramon chegou trazendo uma cerveja:

– Senhore Rertafila – o mexicano chamou – Aquela moça mandou para el senhore.

Todos olharam em direção a uma mulher de longos cabelos castanhos e roupa quase inexistente:

– Oh, encantado!

O homem ergueu a lata para a mulher, agradecendo, bebeu e voltou sua atenção para o lago. Gray achou que Gildarts não tivesse entendido a situação:

– Senhor Heartfilia, acho que o senhor não entendeu... Aquela mulher estava te cantando.

– O que?!!! – o homem apavorou-se – Não Gray! Isso não pode! Se Evergreen descobre isso me proíbe de vir aqui! Vamos embora desse lugar!

Os dois recolheram as coisas e foram se sentar do outro lado do lago. Gray achava graça do comportamento do homem e pensou que se tivesse uma esposa, iria agir do mesmo jeito. Tal pensamento levou seu sorriso a desaparecer.

– Senhor Heartfilia...

– Por favor, vamos parar com essa formalidade! É Gildarts daqui pra frente! Só não chame de Gil que soa estranho.

– Ok – Gray riu – Ah... Gildartz... Como você conheceu a... Evergreen?

– Ah filho, é uma bela história! Eu era amigo dos primos dela e ela morava em outra cidade. Um dia ela chegou para morar com eles e eu a conheci... Me encantei desde a primeira vez que a vi. Ela não; me achou um caipira bobalhão de mãos grossas.

Gray sorriu; Lucy também não lhe via com bons olhos.

– Então passei a fazer de tudo para conquista-la! Até cortei o cabelo. Um dia fomos a uma festa que tinha na cidade. Ela aceitou dançar comigo e nos beijamos... Depois disso, nunca mais quisermos sair de perto um do outro.

– Legal... Quando soube que amava ela?

– A gente nunca sabe filho... Até que começamos a sentir as coisas...

– Que coisas?

– Bem, você a olha e vê a mulher mais bela do mundo e se torna incapaz de olhar pra qualquer outra mulher. Tudo remete a ela... Tudo a lembra... Você sente necessidade de protegê-la com tudo que tem... e sente que morreria se a machucasse ou vivesse sem ela... E principalmente você passa a sentir que faria tudo por ela. A partir desse momento, você se transforma num perfeito cãozinho da sua esposa.

– Cãozinho? – Gray riu.

– É filho! É isso que os maridos são! Mas não pense que isso é ruim! Pelo contrário! É um alívio saber que existe alguém que te ama e que você ama, e que precisa fazer de tudo para agrada-la e faz! Você sente em paz ao saber que sua vida depende apenas daquela pessoa... E tudo se torna mais fácil... O mundo se torna mais claro... E você passa a entender o porquê de sua existência.

– Nossa... Isso é...

– Vamos mudar de assunto! Hoje é o dia dos homens! Sem nada de mulheres! Apesar de ser impossível não pensar nelas, não é?!

E ambos brindaram com as latinhas.

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– Estive pensando – Gildarts comentou enquanto dirigia. Já estavam voltando pra casa e isso era cerca de cinco da tarde – Lucy é cabeça dura, mas há tempos que quero dar um presente a ela.

– O que seria?

– Um carro. Mas ela diz que quer comprar com o próprio dinheiro... Não aceita de jeito nenhum que eu lhe dê.

– É bem a cara dela mesmo...

– Mas vou convencê-la a comprar um, você me ajuda?

– Eu?

– É! Sei que ela vai te ouvir!

– Ah, não tenho tanta certeza assim...

– E irá ajuda-la a treinar na direção!

– Como?

– Ela tem carta, mas deve ter perdido a prática. Você me ajudaria nessa?

– Bem, farei isso pelo senhor.

Gildarts sorriu. Deixou Gray em casa que chegou com um sorriso de orelha a orelha, o que provocou curiosidade em sua mãe e ciúme em seu pai. O Heartfilia pai chegou em casa e logo na sala deu de cara com sua esposa, lindamente vestida, sorrindo para ele:

– Estava com saudade, bonitão...

Gildarts abriu um largo e jovial sorriso:

– Eita que essa é a melhor parte de ser casado!

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Notas finais
E aí? O que acharam? *-* xx