Aprendendo Amar ...
16 Um trabalho e uma família.
Já fazia algumas horas que eles estavam revisando todos os últimos balanço e revendo os contratos.
- A empresa está indo muito bem, porém as dividas eram muitas e nesse plano atual dependeremos de quase um ano para pagar todo o crédito – Betty explicou.
- E se seguirmos com o plano que você disse mais cedo? Expandir franquias e fazer uma linha popular –
- Não faço ideia, teríamos que calcular os gastos com a expansão dos novos custo e apenas teríamos uma expectativa sem parâmetro para os lucros, já que seria um mercado novo e não poderíamos ter exatidão nos resultados – Ela foi sincera, afinal a ideia era boa, porém era como chamam por ai de 'um tiro no escuro'.
- Quanto ariscado é? –
- Pouco, os lucros são certos, mas ainda assim difícil de se calcular –
- Então faremos isso – Armando falou decidido.
- Mas você mesmo disse que os acionistas e o Hugo não permitiriam algo assim –
- Sim, porém já está na hora de eu agir como o presidente da Ecomoda – Os olhos de Betty brilharam em admiração, Armando enfim tinha entendido sua posição na empresa e não iria mais ser fantoche.
- Agora mesmo vou entrar em contato com alguns empresários e vê se eles estão dispostos a ter roupas da Ecomoda em suas lojas e qual a margem de lucro que eles querem –
O sol já tinha ido embora quando Betty e Armando resolveram que era hora de parar antes que eles passassem não só o dia trabalhando, como também a noite.
- Veja só, já passa das dezoito horas, meu pai hoje me mata, a se me mata – Betty tentava arrumar os papeis todos, correndo.
- Calma Beatriz, quanto mais apressada você for, mais vai se atrapalhar e demorar a terminar – Ela o olhou e teve vontade de o esganar, ao invés dele ajuda-la a terminar, queria que ela fizesse de vagar, ele percebeu o olhar e começou a ajuda-la a guardar de forma organizada os papeis.
- Quando tempo vamos levar até minha casa? – Eles tinham acabado de entrar no carro, Armando não estava muito animado, por ele eles tinham dormido no chalé, mas ele sabia que Beatriz tinha compromisso com sua família de modo que nem falou para ela sua vontade.
- Um pouco mais de uma hora –
- É hoje que meu pai me mata – Armando acabou rindo, Betty era uma mulher de vinte e cinco anos e parecia que ia morrer devido a chegar tarde – Por que ri? É sério, fique rindo e ele mata a nós dois –
- Meu amor, somos jovens e a única coisa que nos mataria é o amor, só mesmo poderíamos morrer de amor – Foi a vez dela rir.
- Seu bobo –
- Sua bela – Ela fez que não o recriminando com a cabeça, mas o sorriso não saiu de seus lábios.
Já era vinte horas quando Armando estacionou o carro na porta da casa dela.
- Certeza que não quer ir jantar comigo, podemos ir para o meu apartamento? – Ele tinha uma cara tão fofa que era difícil resistir.
- Eu não posso, você conhece meu pai. Até amanhã – Ela já ia saindo do carro quando ele a parou.
- Espere –
- O que foi? –
- Que tipo de cavalheiro seria eu, se não abrisse a porta do carro e te levasse até a porta da sua casa ? –
- Não acho uma boa ideia, é sério Armando, meu pai não deve está de muito humor –
- Beatriz, relaxe – Armando desligou o carro e fez exatamente como tinha lhe dito, abriu a porta do carro e desceu para espera-la, em seguida a conduziu em seus braços até a porta da casa dela e no mesmo instante que pisaram no tapete a porta se abriu e seu Hermes irritado apareceu de hobby listrado.
- Até que enfim a senhorita lembrou que tem casa, mas vê se pode uma moça jovem e solteira dormindo fora de casa e quase que não chega hoje também, quatro horas a mais e já iria chegar amanhã – Betty se sentiu corar, afinal seu pai falava como se ela tivesse quinze anos e além do mais na frente de Armando.
- Papai – Ela tentou protestar, mas foi cortada.
- Nada de papai, o diabo é porco minha filha, ele tapa e destapa – Armando estava paralisado com tudo, nunca tinha visto um pai irritado assim, afinal também nunca tinha se envolvido com uma menina ‘de familia’, ele estava se sentindo vulnerável e com vontade de correr dali, porém se fazia de forte para apoiar Betty, foi só então que seu Hermes o viu – E você meu rapaz, o que faz ai? E porque está tão encostado assim na menina, a solte, anda – Seu Hermes separou os dois que tinham os braços entrelaçados, só então dona Júlia apareceu na porta e viu a cena com Armando pálido e calado, já Beatriz vermelha e também calada, enquanto Hermes lhes diziam o quanto o diabo era porco.
- Mas velho, deixa eles entrarem – Dona Júlia resolveu se meter e acabar com aquela situação embaraçosa.
- Mas Júlia, já é tarde e não é hora de moço solteiro está em casa de moça solteira –
- Deixe de velhices homem, venham meus filhos – Dona Julia empurrou sutilmente o marido e deu espaço para os dois entrarem – O jantar já está pronto, vão lavar as mãos que eu já sirvo – Armando não se sentia confortável em comer ali, com os pais de Betty, melhor, com o pai de Betty, ele realmente lhe dava medo, mas tão pouco poderia se desfazer do convite, de modo que só pode fazer o que lhe foi mandado e foi com Betty até o banheiro para lavarem as mãos.
- Desculpe doutor, mas meu pai pode ser meio louco às vezes – Betty falava baixo e Armando teve que se controlar para não ter uma crise de riso, ele já era um homem de vinte e sete anos e estava meio velho para essas situações juvenis.
- Tudo bem, só não me chame de doutor – Ele lhe deu um rápido selinho nos lábios e ela quase teve um infarto.
- Mas que demora para lavar essa mão – Seu Hermes gritou da cozinha e em poucos segundos ambos apareceram lá para jantarem. A comida de dona Júlia era realmente deliciosa e Armando teve vontade de pedir para repetir, porém achou que não seria educado de sua parte fazer isso e resolveu se contentar com apenas um prato, ele já estava acabando de comer quando Nicolas apareceu.
- Boa noite família – Nicolas disse feliz, mas sua felicidade foi embora quando viu que tinha chegado tarde - Nem me esperaram para o jantar, que feio isso, que feio isso. – Nicolas pegou um prato e ele mesmo se serviu, Armando se sentiu incomodado com a presença dele ali.
- Mas você não tem casa para jantar não é? – Seu Hermes perguntou como sempre.
- Ter eu tenho, mas a comida da dona Júlia é especial – Nicolas se sentou ao lado de Betty, por suposto, de frente a Armando e só então percebeu a presença dele lá – Isso sim que é surpresa, o que faz aqui doutor Armando? –
- Isso é o que estou me perguntando também – Seu Hermes disse, Armando estava travado, não sabia o que falar ou até mesmo se deveria falar, olhou para Betty e ela lhe sorriu, Armando apenas devolveu o sorriso, aquilo era tudo que ele precisava para se sentir confortável e perder grande parte da sua insegurança, a troca entre os dois não foi reparada por seu Hermes nem por Nicolas, porém foi reparada por dona Júlia que nada comentou.
- Eu vim trazer Betty e fui convidado para o jantar – A verdade é que ele tinha sido intimado, já que ninguém perguntou se ele queria jantar, porém não seria de bom tom ele dizer a verdade, até porquê a comida estava muito boa.
- Você quer mais? – Betty perguntou para Armando, ela tinha notado que ele já tinha acabado de comer, mas ainda assim ficava tentando arrumar coisas no prato e comer o resto das migalhas como se fosse criança comendo biscoito, ele se assustou com a pergunta dela, ela realmente lhe conhecia melhor do que ele pensava.
- Não, obrigada – Ela viu em seu olhar que ele não falava a verdade, então sutilmente se levantou e pegou o prato dele colocando mais comida, ele sorriu em êxtase e teve vontade de lhe beijar, porém se contentou em comer. Seu Hermes e Nicolas estavam muito ocupados comendo sua própria refeição e nem perceberam a intimidade toda entre Betty e Armando, entretanto mais uma vez dona Júlia contemplou tudo calada.
No final do jantar Armando foi para seu apartamento, mas desistiu assim que viu o carro de Marcela estacionado e seguiu rumo a casa de seus pais que de inicio ficaram surpresos com a visita, porém acabaram conversando como a tempos não faziam e Armando dormiu no seu antigo quarto.
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