Aprendendo Amar ...

11 O primeiro jantar


Armando estacionou o carro na garagem e ansioso conduziu Betty até o elevador, ela estava amedrontada com tudo, era apenas a segunda vez que estaria no apartamento dele e a primeira vez tinha sido no pior dia de sua vida. O apartamento dele ficava no penúltimo andar e o caminho do elevador foi longo e lento para ambos, quando enfim eles chegaram na porta do apartamento ele abriu para ela entrar, a luz da sala já estava acessa e revelava uma mesa posta para dois, apenas com talheres, pratos e copos.

- Venha Betty, quanto mais cedo a gente começar, mais cedo comemos – Armando a empurrou até a cozinha, ele estava empolgado em tê-la em seu apartamento, para ele era como se fosse a primeira vez que ela estivesse lá.

- Espere doutor Armando, nós é que faremos a comida? – Betty tinha a testa levemente franzida em sinal de dúvida.

- Mas é claro, cozinharemos juntos e depois iremos comer, vai ser divertido – Armando já tinha tirado o paletó e arregaçado as mangas da camiseta.

- O senhor sabe cozinhar? Porque eu não faço ideia de como se faz comidas – Armando travou nesse momento, ele também não fazia ideia de como era.

- Você não cozinha? – Ele perguntou assustado.

- Só porque sou mulher tenho que saber cozinhar? - Ela respondeu na defensiva – Bom, eu sempre ajudei minha mãe e minha avó apenas cortando os legumes e temperos e elas que faziam todo o resto – Armando riu, aquilo não estava nos seus planos, Betty se sentiu ofendida achando que ele estava rindo dela – Porque o senhor está rindo? Não tem graça, hoje em dia as mulheres não são mais criadas para serem donas de casa e fazerem comida, eu sou uma pessoa que se dedicou aos estudos e ... –

- E basta Betty – Armando a interrompeu antes que o monologo se tornasse interminável – Não estou rindo de você e sim da situação, além do mais, de agora em diante se você me chamar de doutor, senhor ou qualquer coisa formal quando tivermos sozinhos como agora, eu vou te beijar – Betty arregalou os olhos em surpresa.

- Mas doutor eu ... – Armando a interrompeu novamente, mas dessa vez com um beijo selado nos lábios.

- Eu avisei – Ele sorriu e ela apenas estreitou os olhos em negação ao gesto dele, Armando pegou seu telefone e discou um número que já conhecia de memória, ela acreditou que ele fosse ligar para pedir comida, porém seu susto foi grande ao vê-lo pegar um papel em branco e começa a anotar uma receita.

- Deixa eu vê se entendi Lupe, basta pegar o macarrão e colocar em água fervendo com um pouco de sal, depois esperar ele cozinhar e escorrer – Silêncio – Sim Lupe, eu entendi isso – Mais silêncio – Sim, sim. Claro, já anotei que tem que lavar o macarrão depois de pronto – Um longo silêncio – Isso eu não entendi nada, acho impossível conseguir fazer esse bife ai – Depois de Armando rir no telefone – Agora entendi, apenas um pouco de óleo e jogar o bife. É, assim acho que fica fácil. Muito obrigada Lupe, você sempre me salvando, claro que depois eu te ligo para dizer se ficou bom –

Armando desligou o telefone e encarou uma Betty que o olhava incrédula – Viu, já temos a nossa receita – Ele amostrou o papel a ela que apenas fez que não com a cabeça enquanto sorria.

- Quem é Lupe? – Betty perguntou curiosa, não era ciúme e sim curiosidade pura.

- Lupe foi minha babá, agora ela é aposentada e mora sozinha em uma casa com seu papagaio de estimação. Você vai amar ele, repete tudo e ainda canta – Armando transpirava felicidade.

- Você parece gostar muito dela – Armando já estava organizando tudo que Lupe disse que seria necessário, enquanto Betty apenas estava encostada na pia com os braços cruzados o observando.

- Sim, eu gosto mesmo. Lupe me criou praticamente. Você sabe, quando os Valencia foram morar lá em casa meus pais acabaram dando atenção demasiada para eles com pena da orfandade dos meninos e eu acabei ficando de lado, afinal eu era o garoto de sorte que ainda tinha seus pais vivos, porém não era assim, os Valencia foram morar lá e tudo mudou, a partir daquele dia meus pais morreram junto com os deles, porque já não tinham mais tempo para mim e Lupe acabou notando que eu precisava de atenção e passou a me dar essa atenção – Armando já tinha colocado tudo sob a pia e tinha um olhar triste.

- Eu sinto muito – Betty disse com a voz triste, ela não podia supor o que Armando sentia, afinal ela sempre foi uma filha amada, paparicada e superprotegida pelos pais – É por isso essa sua rivalidade com o Daniel? –

- Eu não sei, mas suponho que sim – O clima tinha ficado pesado por isso Betty resolveu mudar de assunto.

- Doutor, acho melhor fazermos a comida, já tenho fome – Ele sorriu e se aproximou dela, ela não entendeu a aproximação e tentou se afastar, porém era impossível visto que ela estava encostada na pia.

- Eu te avisei – Ele mais uma vez selou os lábios dos dois – Toda vez que me chamar de doutor ou coisa do tipo, te darei um beijo – Ele se aproveitou que já estava próximo dela e voltou a beija-la, dessa vez um beijo de verdade aonde ela retribuiu, suas línguas não chegaram a se tocar, mas seus lábios se moviam e se encaixavam perfeitamente um no outro, o beijo foi doce e calmo, não foi um beijo de luxuria ou paixão e sim um beijo de amor – Eu amo você Beatriz – Armando disse quando acabou o beijo, ambos ainda estavam de olhos fechados e com os narizes encostados.

- Eu também amo você – Ela disse e ele no mesmo instante abriu os olhos assustado e a encarou, ela sentiu a distancia e abriu seus olhos também vendo o estado de surpresa que ele estava – Você sabe o que eu sinto, mas isso não significa que eu te perdoou ou que esqueci do que você fez, acima de tudo, não significa que eu confiou em você – Ele sorriu, aquilo era um grande passo que ele não esperava ter ocorrido tão cedo.

- Eu vou fazer você confiar em mim meu amor e nós seremos muito felizes – Armando abraçou Betty e ela correspondeu ao abraço, Betty aproveitou para sentir o cheiro dele, o calor que o corpo dele irradiava e os contornos do seu corpo, ela o abraçou forte, ela precisava tanto dele, se sentia dependente daquele homem e só queria que tudo que ele tivesse dizendo fosse verdade, que o amor dele fosse verdadeiro, que as intenções dele fossem verdadeiras e que eles pudessem viver uma história juntos. Ela não conseguia acreditar nas intenções dele ainda, acima de tudo porque ela não se sentia digna de ser amada por um homem como ele, afinal ela era Betty, a feia do bairro, já ele era um homem bonito e charmoso por quem todas as mulheres o tinham como o príncipe de seus sonhos. Depois dele a beijar no pescoço e lhe dar uma onda de arrepios, eles se separaram.

- Vamos começar nosso jantar então – Armando disse e Betty deu sua risada tão peculiar.

- Eu acho que isso não vai dar certo –

- Eu acho que você é pessimista demais, já que você é a especialista aqui em cortar coisas, vá cortando que eu vou colocar a água no fogo e temperar a carne – Betty fez o que foi mandado e eles começaram a preparar as coisas tais como ele tinha anotado, a cozinha virou uma verdadeira bagunça, Betty cortava as coisas e ia deixando cair pelos cantos em uma total falta de pratica, enquanto Armando lutava para não se queimar enquanto soltava o macarrão na panela de água fervendo, o fogão virou um caos com respingo de óleo em todos os cantos do bife, que ainda produziu uma fumaça que deixou os dois tossindo. Eles acabaram rindo no final do caos que fizeram, porém a comida estava pronta.

Assim que se sentara a mesa com seus pratos já servidos ambos sorriram um para o outro, era primeira refeição que eles tinham feito em conjunto e estavam sob plena felicidade. Armando foi o primeiro a experimentar e fez inicialmente uma cara de contente, Betty ao notar logo provou também, porém já no primeiro momento seu rosto foi de desagrado.

- Isso está horrível – Ela pegou o copo de suco e bebeu, Armando olhou para ela e a discriminou com a cabeça.

- Não fale isso, nos dois fizemos, temos que comer – Armando continuava comendo com cara contente, mas a verdade é que realmente estava ruim.

- Eu não vou comer isso, o macarrão está mole, se desfazendo e o bife duro – Ela riu – Pare de comer isso, vai acabar passando mal – Betty tentou tirar o garfo da mão dele, mas ele não permitiu.

- Nem pense nisso, vamos comer sim, é nossa primeira refeição assim, como um casal, uma família de verdade –

- Se essa refeição servir de espelho para as outras, ficaremos magros até morrer – Ela riu, a verdade é que ambos estavam felizes como nunca tinham estado antes.

- Vá, de mais uma chance e coma isso – Ela viu o olhar dele tão brilhante e feliz que fez o que ele pediu para agrada-lo, acabou que no fim eles comeram mesmo tendo saído errado a comida.

- Essa foi a pior refeição da minha vida – Ela sorria e ele também.

- Pode ter sido a pior, mas garanto que foi a mais feliz – Eles sorriam um para o outro, não só com os lábios, mas também com os olhos e com a alma.

Armando se levantou da mesa e se aproximou de Betty estendendo a mão para ela – Venha, vamos dançar – Ela sorriu de mais uma das loucuras daquele homem a sua frente.

- Não seja doido, já é tarde, eu tenho que ir para casa –

- Novamente você está enganada, nossa noite só está começando, hoje você dorme aqui –