Aprendendo Amar ...

19 Nossa cumplicidade


A reunião ocorria normalmente, tudo parecia tranquilo quando Armando começou a expor os novos planos de expansão.

- Isso é um absurdo – Daniel foi o primeiro a contestar – A Ecomoda é uma grife e não uma marca qualquer na banca da esquina –

- Meu filho essa ideia não é ruim, eu mesmo já pensei em coisas assim, porém quando a empresa ficava a beira do vermelho, não estamos com nenhum problema econômico, não é? – Roberto perguntou preocupado.

- Claro que não papai – Armando contestou nervoso – Basta ver no relatório financeiro, estamos bem. –

- Doutor Roberto, me permiti explicar algumas coisas? – Betty pediu e Roberto assentiu, depois disso ela seguiu quase que por uma hora mostrando as maravilhas do novo plano e acabou convencendo parte da junta em aceitar, Marcela foi a única a votar de forma negativa, porém como minoria acabou tendo que aceitar. A reunião já tinha se dado por encerrada quando Daniel pediu uma cópia do relatório de lucros do mês seguinte.

- Mas Daniel, como quer que a gente te dê o relatório do mês próximo se hoje ainda é dia trinta e um? – Armando perguntou.

- Que me consta isso é uma empresa séria e mesmo que não tenham precisão nos lucros, vocês trabalham com uma media antecipada da parcialidade deles, então quero o relatório com essa média parcial — Daniel estava certo, porém seria impossível isso, já que antes Betty teria que maquiar tal documento.

- Você está certo doutor Valencia, o problema é que infelizmente estamos trocando o programa e ainda não passamos esse relatório para o novo sistema, de modo que não conseguiríamos imprimir de imediato – Foi a desculpa mais idiota do mundo, porém Betty rezou para Daniel aceitar e ele acabou aceitando, tanto ela, quanto Armando e Mário respiraram aliviados sem que ninguém percebesse.

O dia tinha sido tenso, depois da reunião Betty foi maquiar o documento que Daniel tinha pedido, já Armando marcou com alguns dos novos sócios e agendou os horários das reuniões, isso seria função de Patricia, porém sabia que ela não era capacitada para tal coisa, já estava escuro lá fora quando Armando e Betty saíram da presidência, os corredores estavam vazios, tinha mais de uma hora que se encerrou o expediente. Armando segurou o braço de Betty a impedindo de andar, ela olhou para ele sem entender e ele fez um gesto para que ela se calasse, só então quando ela ouviu passos é que entendeu, porém não conseguiu ver de quem se tratava.

- É o Daniel – Armando sussurrou – Não entendo o que ele faz aqui essa hora, deve está procurando algo – O celular de Daniel tocou e ele pensando que a empresa estava vazia, não se incomodou em atender.

- Sim eu estou aqui – Ele falou com a pessoa do outro lado e Armando e Betty conseguiram ouvir tudo – Todos já foram, agora eu vou lá na presidência e vejo se consigo essas informações.

- Ele está vindo para cá – Armando sussurrou novamente e puxou Betty para dentro da presidência – O que esse maluco quer? – Armando resolveu que iam se esconder e vê o que Daniel queria, com isso foi com Betty até o banheiro,os dois se colocaram em posições favoráveis e espiaram pelo buraco da fechadura, Daniel mexeu nos papeis em cima da mesa e parecia irritado ao não encontrar o que queria, em seguida ligou o computador de Armando, mas devido ao uso da senha não conseguiu mexer, ele amaldiçoou meio mundo.

- Acho que ele está vindo para o banheiro – Armando disse e com sorte conseguiu segurar Betty antes e ambos se espremeram na quina da parede, atrás da porta, Betty estava assustada e temerosa, Armando apenas rezava para não serem descobertos.

Daniel entrou no banheiro e levantou a tampa do vaso, por sorte não fechou a porta e nem ascendeu a luz, já que a luz da presidência iluminava suficiente para ele não precisar ascender a luz do banheiro, quando ele abaixou as calças e fez menção de tirar seu ‘’equipamento’’ para urinar, Armando mais do que de pressa levantou sua mão e tapou os olhos de Beatriz, em seguida o barulho da urina caindo na água se fez presente e quando enfim terminou Daniel deu descarga e saiu, só quando ele estava fora do banheiro e tinha voltado a fechar a porta é que Armando tirou as mãos dos olhos de Beatriz.

- Me lembre de nunca mais apertar a mão dele – Armando disse com cara de nojo.

- Por quê? – Beatriz perguntou sem entender.

- Ele não lavou a mão –

Eles ficaram mais meia hora na empresa até terem a certeza que Daniel já tinha saído totalmente da Ecomoda.

- O que será que aquele tipo queria? – Armando estava no carro levando Betty.

- Provavelmente o relatório, mas amanhã mesmo eu mando para ele, já está quase terminado –

- Não acho que seja só isso – Armando disse preocupado.

- Acha que ele pode desconfiar de algo? –

- Não, não do embargo e da profundidade das coisas, mas creio que ele está procurando erros e por isso pode acabar sem querer tomando ciência de tudo – Depois disso ambos foram em silêncio, tentando arrumar uma forma de tirar Daniel do caminho.

Armando estacionou na porta da casa de Beatriz, desceu do carro e foi abrir a porta para ela sair, na mesma hora a mãe dela estava indo jogar o lixo fora e acabou vendo os dois e se aproximando.

- Doutor Armando, como vai? – Dona Júlia perguntou simpática.

- Muito bem dona Júlia – Armando sorriu, a mãe de Betty era uma pessoa tão doce e encantadora que ele não tinha como não sentir um imenso carinho por ela.

- Vai ficar para o jantar novamente, não é? – Dona Júlia perguntou sorridente e Armando sentiu seu estômago se animar, porém era abuso demais e reclinou o convite, Betty o olhou e teve vontade de rir, aquele homem que era tão rebelde e só fazia o que queria estava dizendo não apenas com medo ou pudor de seu pai, afinal ela sabia tão bem quanto ele que Armando queria ficar para o jantar.

- Doutor – Betty disse com a voz doce e Armando a olhou encantado, dona Júlia estava atenta a tudo – Não será nenhum abuso que você fique para o jantar, ao contrário é uma forma de agradecer por me trazer até em casa – Armando sorriu feliz, porém ainda estava inseguro.

- Certeza? – Ele perguntou olhando nos olhos de Betty.

- Absoluta Armando – O olhar dele a desnudava e a fazia perder o sentido, ela nem reparou que tinha lhe chamado pelo nome, ele tão pouco, afinal por ele ela jamais o chamaria de doutor ou coisa do tipo, porém dona Júlia reparou o que só confirmou sua suspeita de que entre sua filha e aquele homem estava se passando algo.

Dessa vez quando eles entraram já estava Nicolas.

- Ainda bem que vocês chegaram, pois estou morrendo de fome – Nicolas logo se levantou do sofá.

- Vocês? – Seu Hermes perguntou da cozinha se referindo ao uso do plural, já que a única que tinha que chegar era Betty – Vocês quem? – Seu Hermes foi até a sala para averiguar e encontrou Armando – Mas o doutor novamente? Por Deus Júlia, nós ficaríamos ricos se vendêssemos sua comida por ai, parece que quem prova uma vez, volta sempre – O ingênuo homem disse irritado, mal suspeitava que Armando não estava lá tanto pela comida e sim por Beatriz.