Aprendendo Amar ...

24 Duas pessoas, dois pensamentos.


Armando chegou a seu novo apartamento e olhou tudo em volta novamente, ele não cansava de olhar, sua mente decorava cada detalhe daquele seu novo lar que em breve ele iria dividir com a mulher que ele tanto ansiava de tê-la sempre ao seu lado e da sua filhinha que vinha para completar e preencher cada lacuna. Ele dormiu se sentindo feliz e pleno, sua vida estava em um trilho que levaria direto para a felicidade.

Beatriz acordou assustada quando ouviu seu despertador soar, ela tinha demorado para dormir e quando enfim conseguiu, sua mente foi tomada por pesadelos. Ela via toda a família de Armando rindo e apontando para ela, enquanto cada vez mais ela se via perdendo tamanho e encolhendo frente a eles, depois ela sonhou que era o dia do casamento e antes de qualquer um dos dois assinar os papeis, Marcela chegou e rasgou todos os papeis e todo seu vestido.

- Foi só um sonho, foi só um sonho – Ela repetiu como um mantra.

Betty chegou à empresa antes de todos, sabia que teria que dar mil explicações para suas amigas do quartel, mas com a péssima noite que teve, sua cabeça doía e ela não se sentia confortável para nenhum tipo de conversa, então tinha resolvido que chegaria mais cedo e se esconderia em sua salinha, e foi isso que fez, quando chegou foi direto a sua salinha e começou a trabalhar na esperança que seus pesadelos fossem embora.

Ao contrário de Betty, Armando chegou resplandecente a Ecomoda, seu humor não poderia estar mais elevado, entrou cumprimentando a todos, perguntou como sempre se Betty já estava lá e Berta lhe respondeu que não, ele apenas estranhou, porém acreditou que ela depois da noite de ontem tinha apenas dormido demais. Entrou em sua sala e se jogou no sofá, com as pernas esticadas e o braço dobrado em baixo da sua cabeça se colocou sonhando um pouco mais com o futuro que parecia tão feliz. Jamais pensou em seu futuro como sendo um homem casado e pai de uma criança, mas agora ele entendia que isso era só porque ainda não tinha encontrado a mulher de sua vida, porque agora que tinha a encontrado, não poderia estar mais feliz em se vê casado e empurrando um carrinho de bebê.

Betty tinha escutado a porta da presidência sendo aberta e imaginou que ele tivesse chegado, inconscientemente colocou sua mão direita sobre sua barriga ainda delgada e começou a acaricia-la. Ela estava se sentindo muito confusa, se condenou por mais uma vez ter se deixado influencia por Armando e ter aceitado o pedido de casamento na noite anterior, obviamente ela o amava e queria casar com ele, mas não assim, não sem seus pais tomarem ciência e darem suas bênçãos, não sem antes a família dele entender que eles se amavam, e principalmente, não sem antes ele ser um homem solteiro de verdade. Marcela aos olhos de todos era sua noiva, a mulher com quem ele iria se casar. Em suas reflexões ela se sentiu suja, um monstro, estava enganando Marcela, tendo um caso com o noivo dela e pior, tendo uma relação estável com ele, grávida e de casamento marcado. Ela não sabia como iria conseguir olhar para Marcela novamente, lembrou do que Mário e Armando fez com ela e sentiu que no momento estava fazendo o mesmo com Marcela, a enganando, a usando, tudo para não perder a empresa que nem dela era.

Armando alheio aos pensamentos de Beatriz se colocava a imaginar nomes para o bebê, pensou desde os nomes mais simples como Maria, Alejandra, Estela, até nomes mais diferentes como Gaela, Madel ou Suri, depois de não chegar à conclusão de nome algum, ele começo a imaginar como seria sua menina, ele preferia que ela fosse como Beatriz, pequena, delicada, doce, tímida e recatada. Ele estava tão absolvido pelos pensamentos que nem ouviu baterem na porta, só mesmo quando a batida ficou forte é que ele acordou e saiu do seu mundo de sonhos.