Aprendendo A Sorrir

2 Capitulo 02 – Imperfeições


Notas iniciais
''Jamais devemos fundamentar nossa felicidade pela cabeça dos outros.'' - Schopenhauer

Capitulo 02 – Imperfeições

Depois da aula Lucas fora com seus amigos a uma festa onde beberam muito, e isso o fez dormir de mais.

— Lucas sua mãe mandou que eu viesse aqui para lhe chamar, levante ou o senhor vai se atrasar para a aula. – disse a empregada da casa, batendo na porta.

— Eu já vou. – Respondeu de forma grosseira. Pode ouvir os passos da empregada se afastando. – Que droga! Daiane levanta, antes que alguém te veja aqui. – Disse ele de cabeça baixa, sem olhar para a pessoa ao seu lado.

— Você ta falando isso só porque eu sou filha da empregada, fique você sabendo Lucas... – Ele a interrompeu:

— Será que dá pra calar a boca? Minha cabeça ta me matando... Se sua mãe te ver aqui vai dar confusão.

— Você tem razão Lucas, mas não precisa falar assim comigo. Você me magoa desse jeito. – Disse ela manhosamente, o que fez revirar os olhos. Ela vestiu a roupa. – Até mais tarde gato. – Deu-lhe um beijo e saiu.

Depois de tomar banho e se vestir ele desceu, sentou-se a mesa, nela estava o Sr e a Sra. Thompson e sua irmã caçula Julie. O senhor Thompson era um homem serio, tinha cabelo e olhos castanhos, usava terno e gravata. A senhora Thompson era uma mulher elegante, tinha cabelos loiros e olhos verdes, só usava roupas caras e de grife, jóias e etc. A pequena Julie tinha seis anos, cabelos loiros e olhos verdes .

— Onde você estava ontem à noite Lucas? – Perguntou a Sra. Thompson.

— Por ai. – Respondeu ele sem dar a menor importância.

— Você tem que aprender a ter responsabilidade Lucas, se Lucy não tivesse te chamado você teria perdido à hora. Talvez você devesse trabalhar comigo, assim... — O Sr. Thompson trabalhava em uma metalúrgica. Sempre falava sobre Lucas ter mais responsabilidade, arranjar um emprego e etc. normalmente os discursos eram longos, e irritavam Lucas.

— Ah não começa com isso! Tchau – ele levantou-se irritado e foi em direção a porta.

— Ei Lucas! Não vai terminar de comer não? – perguntou Julie, ele não respondeu, apenas bateu a porta atrás de si.

— Você tinha que começar com isso, Lucas tem é que se divertir, ele é uma criança, tem muito tempo ainda. – A senhora Thompson não dava muita importância para as coisas que Lucas fazia, para o ela o filho deveria aproveitar a juventude.

— Olivia, por favor, criança que faz criança, não é mais criança.

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Missy desceu as escadas e foi até a mesa onde sua família estava.

— Bom dia tia, bom dia vovô, bom dia Iza, bom dia Percy. – Ela deu uma pausa, percebendo quem estava à mesa. — Percy? Mas o que você ta fazendo aqui?

— Oi prima, é que senti saudades de vocês. – ele sorria largamente

— Percy nos vimos ontem. – a garota estreitou os olhos para ele como se dissesse: “Vou fingir que acredito”.

— Mas eu tenho o direito de visita minha família, eu os amo muito, adoro estar com vocês... – Missy o interrompeu:

— O que você fez?

— Nada!

— Se é assim, quanto você quer? – pergunta o avô antes que a neta perguntasse.

— Credo, eu não sou interesseiro, não viria aqui só pra pedir grana. – Percy se fingia ofendido.

— Viria sim! — Disseram todos em uníssono.

— Ok. Preciso de 50 pratas.

— 50? Pra que precisa de isso tudo garoto?

— O aniversário da minha namorada está chegando, eu quero dar uma coisa bacana.

— Tudo bem! Dou-te o dinheiro amanha — John deu uma pausa e continuou. – Garoto você vai pra escola não? Sua escola é longe, vai acabar chegando atrasado. – Percy olhou no relógio.

— É mesmo, tchau gente. – ele levantou-se em um pulo – Missy quer uma carona?

— Não preciso, eu vou a pé mesmo. – disse ela com um pequeno sorriso.

— Ok. – ele saiu da casa apressado.

Minutos depois depois o telefone tocou e Missy atendeu.

— Alô?

— Oi querida!— ela ouviu voz masculina conhecida do outro lado.

— Oi papai, como o senhor está? – ela estava com um sorriso enorme, adorava falar com o pai.

— Estou ótimo querida, e você?

— Bem, e o Max?

— Foi suspenso!

— O que? – o sorriso dela desmanchou.



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Lucas parou em frente a uma casa e buzinou, Jennifer já estava dentro do carro sentado no banco da frente ao seu lado. Da casa saiu James Carter, membro do time de basquete. James é negro, olhos castanhos e cabelo preto.

— Oi Galera, valeu por vir me buscar cara, meu carro quebrou. – agradeceu James entrando no carro.

Chegando ao colégio, Lucas estaciona perto de onde estavam alguns de seus amigos, lá estavam Lorry Bennet, Brandon Smith, e Katy Moore. Brandon era bonito e muito serio, possuía cabelos e olhos castanhos claros. Não era de rir muito. Katy era loira de cabelos curtos e olhos castanho mel, apesar de bonita, Katy era considerada um tanto burrinha.

— Galera eu já volto. – Lucas atravessou a rua e foi até a lanchonete, lá ele comprou um refrigerante, de dentro da lanchonete ele viu Missy, atravessando o estacionamento, ele ficou serio. Estava saindo distraído olhando Missy, acabou esbarrando em alguém, a garota acabou caindo, derrubando os livros e o suco que carregava.

— Me desculpe. – lamentou ele ajudando ela a se levantar. A garota era Grace González, Grace era ruiva de olhos verdes e estava acima do peso.

— Tudo bem. – disse ela sorrindo encatada, era apaixonada por Lucas há anos. Ele pegou as coisas que havia derrubado.

— Toma, é pra você comprar outro suco. – ele lhe entregou dinheiro, com um pequeno sorriso. Grace sentiu seu coração bater mais forte, e sorriu de volta. Ele deu-lhe as costas e voltou para o colégio.

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— Fiquei chocada quando meu pai falou sobre a suspensão do Max... – Dizia Missy para Anne enquanto andavam até seus armários. Anne estava com um copo de café que havia comprado a pouco.

— Eu conheço pouco o Max, mas ate onde eu sei, ele é um bom aluno. O que ele fez?

— Ele é um bom aluno! Ou pelo menos era. As notas dele estão caindo e ele brigou na escola, ele socou o outro garoto e o coitado foi parar na enfermaria com o nariz sangrando.

— E o que o seu pai fez? – perguntou Anne bebendo um gole de café.

— Ele vai ficar suspenso por uma semana, mas meu pai disse que ele vai ficar de castigo por dois meses. – respondeu ela abrindo o armário e pegando um livro.

Lucas estava mexendo em seu armário, bem perto de onde as duas estavam. Missy fingiu que não o tinha visto. Grace se aproximou dele sorrindo, ele estranhou a atitude dela.

— Oi Lucas. – Disse ela com as bochechas coradas.

— Oi – Respondeu ele serio, Jennifer viu a cena e ficou quieta, observando distante.

— Vai estrear um filme muito bom, você gostaria de ir comigo? – Disse ela ainda mais vermelha, ficou bastante tempo tomando coragem, achou que o máximo que ele poderia dizer era não. Ele começou a rir, e Grace sentiu o coração apertar – Por que está rindo?

— Você não tem espelho em casa, não é? O fato de eu ter sido simpático com você, não quer dizer que sairia com você, nem mesmo se fosse cego.

— Mas eu... – Começou a dizer com os olhos marejados.

— Você não se enxerga não é sua baleia? Ele já tem dona. – Jennifer se aproximou com um sorriso maldoso segurando o braço do rapaz.

— Você não é minha dona. – murmurou para ela se soltando. Grace ficou péssima, as pessoas a sua volta riam e comentavam, se sentiu humilhada, entre lagrimas saiu correndo. Missy estava furiosa, observava aquilo com nojo. Bateu a porta do armário com força, assustando Anne.

— Ele foi longe de mais! – falou a garota entre dentes. Queria ir até ele, mas Anne a segurou.

— Missy, por favor, não faça isso. – Anne sabia que Missy iria arrumar confusão, provavelmente chutaria um lugar que os homens não merecem ser chutados. E não acabaria nada bem. Missy respirou fundo.

— Me dá o café!

— Toma! – Entregou o copo assustada com o tom da amiga – O que vai fazer? – Missy não disse mais nada, foi na mesma direção em que Grace havia corrido.

Missy entrou no banheiro, foi o primeiro lugar em que procurou, afinal era o melhor lugar para chorar escondido. E estava certa Grace estava lá, soube, pois ouviu o choro.

— Grace? — Chamou ela batendo na porta de um dos banheiros.

— Vá embora. – Mas Missy não obedeceu, encostou-se na pia, colocou o copo na bancada.

— O Thompson é um idiota.

— Idiota sou eu, pensando que ele iria querer sair comigo.

— A verdade é que ele não merece sair com uma pessoa como você.

— Uma pessoa gorda...

— Não, uma pessoa maravilhosa.

— Como pode dizer isso se nem me conhece?

— A verdade é que é você que não me conhece, estudamos juntas há três anos. Olha pra você, você é tão linda, é sempre simpática com as pessoas, não importa o quanto esteja triste ta sempre sorrindo.

Houve um momento de silêncio antes da porta se abrir.

— Como sabe disso? – sua expressão estava levemente surpresa.

— Eu gosto de observar as pessoas, gosto de tentar ver por baixo das mascaras. E embora ela nunca ira admitir, a verdade é que Jennifer falou aquilo, porque se sentiu insegura.

— Insegura? Comigo? – Disse ela olhando pra Missy, como se a garota estivesse brincando com ela.

— E por que ela não se sentiria? Como eu já disse você é linda, seu cabelo é maravilhoso, sua pele é ótima, e você se veste tão bem, olha pra mim, vê se não parece que eu to vestindo a calça do meu pai. – brincou Missy, Grace deu um pequeno sorriso.

— Pelo menos você não é gorda que nem eu.

— As pessoas vêm em todas as formas e tamanhos, ninguém é igual a ninguém, é as diferenças que nos torna especiais e únicos. O seu problema é que você ta sempre querendo agradar as pessoas, e não a si mesma, jamais devemos fundamentar nossa felicidade na cabeça dos outros. Até porque quem faz isso é piolho. – Grace deu uma gargalhada e Missy continuou sorrindo: – O que você pensa de você é mais importante do que o que os outros pensam. QUEM você é, é muito mais importante do que, O QUE você parece ser.

— Eu só não sei como eu vou fazer pra sair e encarar toda aquela gente de novo. Isso foi horrível.

— Sim foi, mas os obstáculos existem para serem superados, e quando são nos tornamos mais fortes e mais sábios. Você não deve nada a ninguém, ficar aqui escondida pode parecer mais seguro, mas não é o melhor a fazer. Lucas é um imbecil, não merece as suas lagrimas.

Ela pensou por um momento, assimilando as palavras.

— Você tem razão. – Disse ela com raiva.

— Sabe o que eu acho? Você deve perdoá-lo. – Grace a olhou perplexa. – Porque se você ficar com raiva isso ira te corroer por dentro. E antes que você fale, perdoar não é esquecer, quando alguém nos faz mal devemos perdoá-la, por que o maior prejudicado somos nós mesmos. Quando perdoamos, nos deixamos livres para seguir em frente. – Ela deu uma pausa e Grace fez um ‘sim’ com a cabeça. – Você quer um conselho? Vou te dar o mais difícil de fazer: Saia pela aquela porta de cabeça erguida, as pessoas debocharão, mas não se deixe abater, as pessoas gostam de fazer os outros se sentirem inferiores, para se sentirem melhores, não se importe, continue seguindo em frente.

— Obrigada Missy! — Grace deu-lhe um abraço rápido, Missy ficou tão surpresa que não correspondeu.

— Você sabe o meu nome? — perguntou quando ela se afastou.

— Sim, ouvi o professor chamar você uma vez. E esse café? – ela apontou para o café em cima da pia.

— To guardando pra uma pessoa.

Como Missy havia aconselhado ela saiu de cabeça erguida, ignorou o que os outros falavam, o que não foi fácil. As pessoas estranharam seu comportamento, pensavam que ela ia ficar um bom tempo escondida. Ela passou por Lucas e Jennifer e nem mesmo os olhou. Jennifer iria provocar a garota, mas Lucas a mandou ficar quieta.

Missy observava aquilo sorrindo. O sinal tocou e os corredores começaram a esvaziar, Missy continuou lá.

— Ótimo trabalho. — Disse uma voz masculina.

— Eu não fiz nada, não sei do que esta falando James.

— Fala serio Missy, você não teve nada a ver da mudança de atitude da Grace? Eu te conheço menina.

— Acho que ela percebeu que o que os outros pensam é problema deles. – Disse ela sorrindo.

— É verdade, isso me lembra de uma coisa, uma vez uma garotinha me disse assim: As pessoas sempre vão falar, não importa o que façamos, nos importar com isso só pode nos atormentar e magoar.

— Essa garotinha deve ser bem legal.

— É sim. – ele riu

— James, se alguém nos vir conversando, isso poderá estragar sua reputação. – Disse ela olhando pros lados.

— Ou fazer você ter uma, de qualquer forma seria trágico. – Disse divertidamente. – Se cuida Missy, vê se não apronta nada. – Dizendo isso foi pra aula.

Logo depois Lucas veio, ele sempre demorava pra entrar na sala. Não posso garantir nada James, ta certo que Deus gosta quando perdoamos aqueles que nos ofende, mas não foi a mim que ele ofendeu. Pensou ela a ver Lucas, e quando ele passou por ela, ela virou o copo de café em sua cabeça.

— Você ficou louca garota? – vociferou Lucas, furioso.

— Você adora tratar mal as garotas não é Thompson? Você é um idiota, cansei de ver você humilhando as pessoas. O café está frio, ninguém vai beber, por isso tem que ser jogado no lixo. – deu as costas a ele e saiu andando, ele a segurou pelo braço. – Me solta!

— Você me paga garota. – ameaçou ele com um olhar duro, ela o encarou com a mesma intensidade, sem se deixar abalar. Ela se soltou e foi para a sala.

Missy entrou em sala e percebeu que o professor já estava lá.

— Desculpe Sr. Collins, tive um que fazer uma coisa. – sussurrou apenas para ele ouvir. O Senhor Collins, mandou que ela sentasse, Missy era uma boa aluna e sempre fora pontual, pra se atrasar tinha que ter um bom motivo, pensava ele. Alguns minutos depois chegou Lucas. Ela havia tentado se secar o máximo, mas ainda cheirava a café.

— Não é novidade você estar atrasado, a novidade é que você tomou banho de café. O que aconteceu Sr Thompson?

— Tive um pequeno acidente. – respondeu e seco e foi sentar-se, olhando furiosamente pra Missy. O que mais irritou ele foi a cara dela de “eu não fiz nada”.