Notas iniciais
Boa leitura

Um mês se passou desde que Quinn tinha perdido o bebê, durante esse mês, Judy ficou na casa deles, a pedido de Joe.

Todos estavam muito preocupados com Quinn, em um mês ela tinha emagrecido uns cinco quilos, e estava completamente isolada, ela não falava com ninguém e não saia de casa.

Rachel visitava a amiga todos os dias, mas Quinn parecia simplesmente alheia a tudo, Santana também ia praticamente todos os dias ver Quinn, as duas já haviam tentado conversar com a amiga, faze-la se abrir talvez ajudasse, mas Quinn não dizia nada.

Joe não tinha idéia do que fazer para tentar ajudar a esposa, ele amava muito Quinn, e vê-la daquele jeito o deixava mal.

Judy então já fizera de tudo para animar a filha, mas nada adiantava, Quinn nunca gostou de ficar muito tempo parada e muito menos de ficar em casa, agora já iria completar um mês que Quinn não saia de casa, nem quando ficara na cadeira de rodas Quinn havia deixado de sair de casa.

Já Beth não entendia por que todos pareciam tristes, Joe estava sempre com os olhos vermelhos e falava pouco, sua avó Judy, andava pela casa arrumando tudo, suas tias Rachel e Santana pareciam preocupadas, mas sua mãe era quem mais tinha mudado, ela já não era tão legal, e sempre que Beth pedia para brincar com ela, Quinn brigava com ela e a mandava sair de seu quarto.Beth também percebeu que sua mãe parecia mais magra e mais branca que o normal, ela já não era tão bonita como antes, talvez porque agora ela estava sempre descabelada e mal arrumada. Seu pai vinha todos os dia vê-la, ele passava horas brincando com ela mais nunca ia falar com sua mãe, ela também percebeu que ele estava preocupado com ela, pois sempre perguntava dela para sua avó e também ligava varias vezes ao dia.

Agora era Rachel quem levava Beth para a escola e seu pai iria busca-la, um dia quando estavam voltando para casa, Beth resolve perguntar a seu pai o que estava acontecendo, ele seria o único que não iria mentira pra ela:

— Papai o que ta acontecendo? – Beth

— Acontecendo? Não ta acontecendo nada, Beth – Puck

— Ta sim, a mamãe ta muito chata, e ta todo mundo triste e preocupado – Beth

— Você sabe que seu irmãozinho que tava dentro da barriga da sua mãe morreu ne? – Puck

— Sei – Beth

— E sua mãe ficou muito mal, porque ela acha que o bebê morreu por culpa dela – Puck

— Mas não foi culpa dela né? – Beth

— Claro que não, sua mãe amava aquele bebê igual ela ama e você, e você acha que ela iria fazer alguma coisa pra te deixar mal? – Puck

— Não, mas agora ela ta chata, e ela ta feia pai, ele nem penteia mais o cabelo! – Beth

— Daqui a pouco tudo volta ao normal – Puck

— Ela vai ficar bonita de novo? – Beth

— Vai – Puck

— Vai demorar muito papai? – Beth

— Eu não sei, B – Puck

— É que eu to com muita saudade dela, eu já perdi minha mãe Shelby, eu tenho medo de perder minha mãe Quinn – Beth

— Você não vai perder sua mãe princesa, e eu tive uma idéia, fala tudo isso que você me falou pra sua mãe – Puck

— Eu tenho medo dela brigar comigo – Beth

— Então escreve uma carta – Puck

— Você me ajuda? – Beth

— Ajudo princesa – Puck

Mais tarde, Santana vai visitar Quinn e encontra Puck e Beth brincando na sala:

— Oi – Santana

— Tia Tana você veio ver minha mãe? – Beth

— Vim sim gatinha – Santana

— Você entrega essa carta pra ela? – Beth

— Entrego, mas por que você não entrega pessoalmente? – Santana

— Eu não quero, acho que ela vai brigar comigo – Beth fala com carinha de triste

— Ta bom então menina bonita, eu vou entregar e vou fazer sua mãe ler, nem que eu tenha que ler pra ela – Santana

— Obrigada tia – Beth

— Imagina – Santana

Santana sobe ao lado de Judy:

— Como ela ta, Judy? – Santana

— Normal, mal humorada, não quis comer, não saiu do quarto, me expulsou quando eu fui levar o almoço, expulsou o Joe no café da manhã, não se espante se for a próxima – Judy

— Fica tranqüila que ela não vai me expulsar, e mesmo que me expulsar eu não saio – Santana

— Bom, vocês duas se entendem – Judy

Santana bate na porta e entra no quarto:

— O que você ta fazendo aqui? – Quinn

— Oi pra você também Fabray, eu vim te ver – Santana

— Já viu, eu to ótima pode ir embora – Quinn

— Olha Quinn, ta todo mundo preocupado com você, porque todos nós te amamos, eu sei que dói perder um filho, eu já passei por isso e você sabe, o que você não pode fazer Quinn e se trancar nesse quarto e fingir que a única coisa que existe no mundo é a sua dor, eu sei que é duro eu te falar isso, mas quem morreu foi seu bebê, não você – Santana

— Eu sei Santana, meu filho, uma parte de mim morreu, eu não tenho mais motivo nenhum pra viver! – Quinn

— Não tem? Se a sua mãe, seu marido e seus amigos não são o suficiente, a sua filha de onze anos seria? – Santana

— A Beth fica bem melhor sem mim – Quinn

— Isso é o que você pensa, aquela menina sente muito sua falta Quinn! A Beth já perdeu uma mãe, você acha que é justo ela perder a outra? Olha, eu sei como você é cabeça dura e sei que nada disso que eu te falei vai ajudar em nada, mas isso aqui, eu tenho certeza que vai te dar vontade de levantar dessa cama – Santana fala entregando a carta para Quinn

— O que é isso? – Quinn

— Uma carta da sua filha, eu preciso ir, qualquer coisa já sabe, e só ligar – Santana

— Ta bom, obrigada – Quinn

Santana vai embora e Quinn lê a carta de Beth:

Oi mamãe, é a Beth

Eu escrevi pra te contar o que aconteceu comigo na ultima semana, eu tirei 8 na prova de matemática, e tia Rachel me deu um solo em uma música na aula. Eu ganhei uma casinha de Barbie nova do papai porque tirei 8 na prova. A professora vai fazer uma peça na escola, Chapeuzinho Vermelho, e eu vou ser a Chapeuzinho.

Eu sinto sua falta mamãe, eu gostava de como a gente fica sempre juntas antes, de como você brincava comigo, me ajudava na lição de casa e me levava pra tomar sorvete depois do almoço, sinto falta do beijo antes de eu dormir.

Eu sei que você ta triste porque meu irmãozinho morreu, mas vai ficar tudo bem mamãe, eu sei que vai.

Que nem quando você ficou na cadeira de rodas, você vai conseguir melhorar, e eu espero que seja logo porque eu sinto muito sua falta.

Você lembra quando a minha mãe morreu e você me disse que tudo ia ficar bem, e realmente ficou?

Com você também vai ficar tudo bem. Eu sei que vai , te amo pra sempre mamãe.

Beijo Beth.

Quando Quinn termina de ler a carta está com lagrimas nos olhos.

Ela percebe o quanto estava sendo egoísta e resolve que já é hora de voltar a ser como antes, é claro que a dor de ter perdido seu filho sempre estaria lá, e nunca iria diminuir, mas ela iria aprender a conviver com essa dor. Quinn já tinha passado por muitas coisas e iria se recuperar de mais essa.

Ela se toma banho, se arruma e desce:

— Mamãe? – Beth

— Oi meu amor – Quinn

— Filha, tá tudo bem? – Judy

— Ta, eu li sua carta Beth, e eu achei linda, obrigada filha – Quinn abraça Beth– Eu vim jantar com você, alias com vocês, Puck eu quero que você jante com a gente hoje – Quinn

— Ta bom – Puck

— E o Joe? – Quinn

— Já foi pro restaurante, eu já fiz o jantar – Judy

— Obrigada mãe – Quinn abraça a mãe

— Pelo jantar? – Judy

— Não, por ter cuidado de mim, e por toda a sua paciência, obrigada mesmo mãe – Quinn

— Imagina meu anjo — Judy