Aprendendo A Sentir
4 Capítulo 4 - Raiva
Notas iniciais
Lembrando que nessa fic, eu mudo um pouco a personalidade do Ulquiorra. Então...era só pra lembrar mesmo kkkk
Espero que gostem e boa leitura ;D
Ele vinha todos os dias, e com o tempo foi ficando mais frequente. Eu começava a me sentir mais confortável a cada vez que ele vinha, por mais que ele dissesse coisas que me deixavam triste. Era o jeito dele. Ele me ajudava com aquela roupa esquisita sempre, e sempre eu corava, sendo aquilo para Ulquiorra nada demais.
E com o tempo ele não mais me ofendia constantemente, na verdade tivemos algumas conversas até que agradáveis. Eu lhe falara como era lá no mundo real e o que eu costumava fazer, Ulquiorra sempre com aquele semblante indiferente, mas não me interrompera nem fora embora. Isso me deu coragem para perguntar se ele se lembrava de quando era humano, e "Não" foi o que ele respondeu para depois ir embora.
Mas então um dia falou mau deles, do pessoal lá embaixo que eu havia protegido, que eu havia dado minha vida por eles. Disse-me que eles eram fracos e inúteis, e era por isso que eles haviam sacrificado uma do grupo para sobreviverem. Eram lixo, e por serem lixo eu estava ali.
Eu bati. Bati em seu rosto. Ele nada fez, apenas virou as costas e saiu. Depois disso demorou até vir de novo. Quem me entregava comida era outro arrankar.
Chorei por voltar a ficar sozinha. Não que ele melhorasse tanto as coisas, mas eu...me sentia menos triste perto dele.
Mas ele voltou. E quando voltou, voltou para me avisar que meus amigos haviam entrado no Hueco Mundo, minha primeira reação foi cair de joelhos. Minha garganta ardia e meu peito doía de forma descomunal.
-Por que?- eu sussurrava para mim mesma. Ulquiorra estava ali, mas eu não ligava. Antes eu havia prometido não chorar na frente dele, que me insultava me chamando de fraca e que eu não sabia fazer nada além de chorar, sem contar as vezes que me questionava o porquê e como era.
-Você entende, não entende?- ouvi a voz de Ulquiorra e olhei pra cima, minha vista embaçada pelas lágrimas não me deixavam enxergá-lo direito. Mas ele se agachou e ficou frente a frente comigo, era estranho, mas a situação não me deixou corar. -Está chorando. Sabe que todos morrerão, não é? Mulher...
Solucei e comecei a chorar mais ainda.
Não! Não podia ser! Por que? Eles não deviam fazer isso. Não deviam.
-Eles não podem morrer...- sussurrei e coloquei as mãos no rosto, que logo ficaram molhadas -Não podem! Eu queria fazer tantas coisas, queria ser tantas coisas, eu desisti de tudo. Eu fiz isso por eles! Eu fiz pelo Kurosaki-kun, ele não pode morrer! Ele não pode, eu não irei aguentar!
O choro aumentava e minha vontade de gritar também.
-Eu sempre dependi de todos. E agora eles vão morrer por causa disso.- tirei as mãos do rosto e bati no meu próprio colo com força. -Eles não podiam!
Gritei e logo em seguida senti algo me puxando. O susto me fez parar e olhar para ele. Ele me puxou de encontro ao seu peito, ele estava me abraçando. O que ele tinha?
-Não diga nada. Não farei isso sempre. Agora fique quieta.- sua mão pressionou minha cabeça contra seu peito, não me deixando olhar para cima.
Me agarrei a suas roupas e então chorei. Chorei e o molhei todo.
-Você vai matá-los, não vai?- perguntei depois de me acalmar um pouco, mas ainda soluçava.
-Sim.
Meu peito se apertou de novo e fiz força para olhá-lo. Olhei para seu rosto e seus olhos verdes e frios estavam focalizados em mim.
-Por que?- era uma pergunta idiota, mas eu não consegui conter.
-Por que é o desejo de Aizen-sama.- suas palavras secas como sempre me afetaram de um modo que eu não conseguia entender.
-Você só pensa nele?- O que eu estava pensando, é claro que só pensava em Aizen.
Ele desviou o olhar e depois o rosto. Por que?
-Por que você sussurra o nome daquele shinigami sempre que dorme?- perguntou ainda olhar pra mim. Me espantei com a pergunta, Ulquiorra não era de perguntar essas coisas. Corei ao pensar direito na questão.
-Você me vê dormir?- perguntei sem pensar. Meu estomago se agitava só de imaginar ele me olhando lá, enquanto eu dormia.
-Você não respondeu.- ele me olhou, encarando-me. Encarando mesmo, ele não desviava os olhos nem por um momento e isso me corar um pouco e baixar o rosto. Estávamos muito próximos, meu peito estava pressionado ao seu. Corei mais ainda e tentei me afastar, mas Ulquiorra passou um de seus braços por minha cintura e me segurou.
O que ele estava fazendo? Ele não era de fazer isso, ainda mais assim. Será que era ele mesmo?
-Me responda, agora.- seu olhar sério me fazia estremecer visivelmente.
-E-Ele é uma pessoa especial pra mim.- baixei o olhar para seu pescoço.
-Mas as outras não são?- voltei a olhá-lo. Onde ele queria chegar?
-S-São...mas é que eu...gosto de Kurosaki-kun de um jeito diferente.- não conseguia olhar pra ele por muito tempo, era embaraçoso aquela situação e ele não parava de me encarar.
-De que jeito?
Sério que ele tá perguntando isso?
-Eu sinto...- como eu iria explicar isso pra *ele? -amor por Kurosaki-kun...
Estava muito envergonhada, não queria partilhas essas coisas com Ulquiorra que não entendia nada. Ele era tão frio, tão vazio, ele odiava tudo que era bonito e quente.
-O que é isso?
Me espantei mais uma vez. Ele não sabe o que é amor? Por que ele não sabe? Todo mundo sabe dessas coisas.
Eu nada respondia, o que iria responder?
Senti sendo deitada no chão e olhei pra ele de novo. Ulquiorra me deitou no chão e prendeu meus dois braços com suas mãos. O que ele estava fazendo eu não sabia, mas isso me fez ficar muito inquieta.
Claro que eu iria ficar inquieta. Ele era um homem. Sim! Um arrankar...mas ainda homem, eu acho.
-Me responda, mulher...- estávamos cara a cara e eu com certeza estava com o rosto muito vermelho.
-É-É quando uma pessoa quer...f-ficar perto da outra e protegê-la...e...- não conseguia responder o resto, havia me perdido naquele olhar. Meu coração batia rápido e forte, sua respiração estava pesada. O que está acontecendo? Por que estou assim?
-E o que mais mulher? Me fale.
-E ela tem vontade de beijá-la e tocá-la...de ficar ao seu lado e vê-la sorrindo- respondi quase que por impulso.
Um silencio se estabilizou ali. Ulquiorra continuava me olhando, sem piscar. Eu sentia meu rosto quente pela proximidade, e isso me fez olhar para outro lado sem ser o rosto dele.
-Eu não entendo o que fala.- saiu de cima de mim e se sentou de novo, de frente para mim. Me levantei e fiquei o olhando -Eu sei o que dois seres de sexo oposto fazem...mas eu não sei de nada do que você está falando, e isso o deixa frustrado.
"Ele é tão...bonito" esse pensamento me fez corar. Por mais que ele parecesse tão mau, esse lado dele era tão...não sabia explicar.
-Você só vem aqui por que Aizen deseja, não é?- eu senti uma vontade de saber se ele vinha porque queria. Eu queria que ele sentisse vontade de vir. Por que? Eu não sei. Mas eu...gostava de Ulquiorra, de certa forma.
Vi um pouco de surpresa em seus olhos, apesar do rosto ser o mesmo. Ele apenas olhou para outro lado sem responder.
-Qual o seu desejo?- eu estava passando dos limites. Mas eu não o entendia, sempre dizendo sobre Aizen, sempre sério e sem ambições. Era a pessoa mais triste que eu havia conhecido, e me fazia vontade de chorar ao olhá-lo.
Ele nada respondia. Me aproximei mais e levei minha mão até seu rosto, encostei meus dedos em sua face que, na hora, enrijeceu-se e então o fiz olhar para mim. Seu rosto era frio e rígido, mas era bonito...tão bonito.
-Você tem o rosto tão triste.- seus olhos se arregalaram um pouco, ele tentou se desvencilhar mas eu segurei mais forte. -Mas tão bonito.
Ele fechou os olhos e eu acariciei suas linhas que desciam dos olhos parecendo lágrimas. Um rosto sempre triste.
Ao passar os dedos delicadamente nos seu lábio superior, que era negro. Ouvi ele soltar a respiração de uma vez.
-Mulher...-sussurrou. Sua voz me fez arrepiar. Essa voz dele...mexia comigo, percebo isso.
Mas então eu me dei por mim e corei violentamente. O que eu estava fazendo? Meu coração batia rápido e eu respirava pesadamente.
Ao notar minha mudança, Ulquiorra abriu os olhos rapidamente e levantou-se. O que aconteceu com ele?
-Eu irei matar esse shinigami por quem você chora todas as noites. Eu definitivamente vou matá-lo.
Virou as costas e se foi, fechando a porta fortemente atrás de si.
-O-o que eu fiz?- ainda no chão levei a mão ao peito e senti o coração ainda rápido. -O que está acontecendo aqui?
**************
Ulquiorra se encontrava descontrolado. Não de jeito que se logo imagina. Sua face era mais séria que o normal, mas apesar disso sua mente estava um colapso. A ânsia de matar aquele shinigami era palpável.
"Assim ele não a fará chorar mais."
Mas o que ele estava pensando? Ela não era nada pra ele. Ela era lixo, era lixo igual a todos os humanos.
Mas ele não queria vê-la chorando por ele.
"Que morra de chorar por qualquer outra coisa..." ele não a deixaria chorar pelo shinigami novamente, nem que para isso ele precisasse fazer ele em pó e a fizesse esquecer. "Mas não irá chorar por ele."
-O que tá acontecendo hein, Ulquiorra?- Grimmjow apareceu de repente em sua frente. Ulquiorra sem falar nada usa as costas de sua mão para bater no rosto de Grimmjow e, pelo excesso de força usado, ele "voou" de encontro a parede. A força não fora o suficiente para quebrar a parede, mas o bastante para arrancar sangue.
-Não fale comigo, lixo.- Ulquiorra continuou andando, deixando para trás Grimmjow com dor e raiva ao mesmo tempo.
Ele estava estranho, Grimmjow via isso. Levantou-se e foi atrás, não procuraria briga dessa vez, sabia do que Ulquiorra era capaz.
-Onde você vai?- perguntava ele quase aos gritos atrás do homem que começava a liberar uma energia espiritual bem forte. -Hoy! Ulquiorra!
Ulquiorra parou e de costas respondeu:
-Matar o amado daquela mulher...- e sumiu.
"Isso é estranho..." pensou Grimmjow consigo mesmo. "Ele não faz nada sem o mandato de Aizen. E principalmente...ele nunca fica assim. Peraí, que tom de voz é esse? Será que..."
Grimmjow virou-se e foi em direção ao quarto de Inoue. Ele queria ver isso de perto.
***************
-G-Grimmjow?
Inoue ainda estava sentada no chão, sua cara estava inchada e seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Grimmjow entrou e ficou em pé, olhando-a. Percebeu a cara de choro e logo perguntou:
-Que que aconteceu com o Ulquiorra hein, garota?- ele se sentou de frente pra ela. Seu semblante impaciente sempre deixava Inoue insegura, ele dava medo.
-Hã?
-Você sabe!- ele apontou o dedo na cara dela, fazendo-a recuar. -Ele saiu puto do teu quarto e disse que ia matar teu amante! Eu ouvi muito bem!
-E-eu não sei do que você está falando.- sua cabeça clareou, fazendo tremer. -Kurosaki-kun.
-É! É! Esse ai mesmo!
-Ele não pode! Ele não pode fazer isso!- Inoue não sabia o que fazer. O que poderia fazer? Aliás, se tentasse ajudar só atrapalharia.
-É, mas tá indo.- Grimmjow chegou mais perto olhando o rosto dela, o que fez ela recuar mais ainda. -O que você fez com ele?
-C-como assim?
-Você entendeu! Alguma coisa você fez pra ele parecer tão nervoso...o que você fez?
Inoue pensou bem, então se lembrou. Havia tido contato com ele, mas ela não via como isso o afetaria em tal coisa.
-Ele me perguntou varias coisas e depois...E-eu só o acariciei...
Grimmjow ficou olhando ela, que olhava para as próprias mãos, tentando entender o que fizera de tão errado.
Só então caiu a ficha, o que fez Grimmjow gargalhar alto.
-Só pode tá brincando!- ele levantou e a pegou nos braços, colocando nos ombros. Inoue só sabia gritar. -Cala a boca! Eu tenho que ver isso.
E então eles já estavam no ar, sentindo uma forte energia espiritual Grimmjow seguia o "rastro" de Ulquiorra.
Notas finais
Espero que sim ^^
Comentem, por favor. E até a próxima o/
Fale com o autor