Aprendemos a viver sem vocês
1 Prologo
Notas iniciais
Era uma manha normal na cidade de Magnólia, com pássaros cantando, a brisa entrando pelas janelas recém-abertas das casas, as crianças se arrumando para mais um dia no colégio, algumas com a cara emburrada pelo fato de terem acordado cedo.
Tudo isso era completamente normal para os moradores da cidade, mas havia algo não tão comum acontecendo na casa dos membros de uma guilda, que se localizava naquela mesma cidade. Um despertador mágico, possuidor de assas para poder ir aonde quisesse tocava nas casas dos magos, acordando boa parte deles de seus sonhos maravilhosos.
Mas especificamente na casa de uma loira essa cena também se desenrolava, a jovem tentou acabar com o barulho colocando o travesseiro na cabeça, tentativa inútil, já que o despertador estava programado magicamente para não ser impedido de ouvir, o que resultou em uma loira puta com a vida e também com o mestre.
Com uma das mãos a loira pegou o objeto antes que esse iniciasse um processo de fuga, e fazendo a maior força possível ela atacou o bendito aparelho pela janela, implorando internamente que este parasse na cabeça de seu mestre inoportuno, irritante e tarado. O despertador se juntou a vários outros objetos idênticos, que deviam ser resultado de milhares de magos irritados e recém-acordados.
A loira deixou que um suspiro escapasse de seus lábios, assim que percebeu que a musica irritante do maldito despertador ainda tocava em sua cabeça, como a loira odiava o seu mestre, não era muito mais fácil ele simplesmente vir até a casa dos magos e os acordar de uma forma civilizada, para sabe-se lá que serviço ele tinha achado, que era tão importante à presença deles na guilda.
Assim que a loira percebeu que não conseguiria voltar a dormir ela se levantou, a muito contra gosto, mas pelo menos poderia se vingar de seu mestre tarado quando chegasse à guilda. Depois do que pareceu horas a loira se levantou para valer da cama e foi em direção ao guarda roupa, desejando encontrar algo usável para uma segunda-feira extremamente chata e sonífera, afinal de contas só o dia já era um motivo para dar sono.
Quando achou algo que pudesse usar em sua guilda sem ser assediada pelo próprio mestre caminhou até o banheiro, para tomar um banho rápido e refrescante. Passado mais alguns minutos para que a loira pudesse se lavar adequadamente ela saiu do banheiro e foi se olhar em seu espelho para ter certeza de que estava aceitável.
Os cabelos loiros desciam até a cintura, levemente ondulados nas pontas, o que dava ainda mais charme a loira, os olhos castanhos tinham um brilho encantador que seduziam qualquer homem que os olhasse profundamente.
Usava uma camisa branca com mangas compridas que descia até a metade da barriga da jovem, deixando metade de fora, por cima ela usava um colete branco com azul aberto para dar mais destaque aos seios fartos.
Um short curto jeans levemente rasgado nas bordas, como se a loira estivesse pronta para sair de casa. Um sapato simples que não iria atrapalhar caso fosse a uma missão ou coisa do tipo, mas que também tinha o seu charme.
E como último toque para o belo vestuário um cachecol branco, com varias listras dando a impressão de serem escamas de dragão, caindo pelo pescoço alvo da mulher. Uma roupa moderna e ao mesmo tempo velha.
Com um sorriso a loira caminhou em direção de outro quarto de sua casa, abrindo a porta com muito cuidado para não acordar aqueles que ainda dormiam. O quarto era maior que o da própria Lucy, continha três camas de solteiro sendo que no momento apenas uma estava sendo ocupada.
Lucy caminhou em direção à cama ocupada e se sentou na beirada para não acordar o jovem. Os cabelos rosados totalmente bagunçados se espalhavam pelo travesseiro, os olhos verdes estavam fechados. Podia se ver que o garoto estava em sono profundo, o que fez a loira dar leves risadinhas.
Ela se abaixou um pouco e deu um pequeno beijo na testa do moço e logo falou – Sonhe com anjos meu filho – logo depois a loira ajeitou melhor o cobertor do garoto sobre ele e se retirou do quarto, indo direto a cozinha, encontrando um gato azul fazendo panquecas, ou pelo menos tentando.
– Bom dia Happy – a loira disse enquanto se sentava a mesa e comia uma das panquecas deformadas, provando a e acabando por constatar que estavam com um gosto até que bom, ou melhor, adorável, mas para importunar o gato fez uma cara feia – Que panqueca horrível – ela comentou como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
– Então não coma sua gorda – o pequeno gato disse sério enquanto retirava o prato de perto da loira esfomeada – Eu juro que algum dia eu mato o Gildarts – o gato disse mudando de assunto rapidamente.
A loira deixou que risadas escapassem de seus lábios provocando ainda mais o gatinho – Você, matar o Gildarts? – a loira debochou – Não me faça rir Happy – a loira disse brincalhona – Sabe muito bem que ele não tem culpa de ter um gênio tão afetado, ele é um esquisito, tarado e arrogante e eu ainda não sei por que o escolhemos como mestre, francamente – a loira disse enquanto colocava a mão na cabeça.
– Concordo com você, vamos depor ele e colocar você em seu lugar – o azulado comentou com um sorrisinho maroto. Lucy se arrepiou na hora, como se mera hipótese de ter que cuidar de seus colegas de guilda fosse a pior coisa que pudesse existir no mundo.
– Eu colocaria a guilda abaixo se isso acontecesse – a loira comentou enquanto tentava tirar a ideia de sua cabeça – Você percebeu o quanto os cabelos de Gildarts ficaram brancos mais cedo? Parece que o cargo trás cabelos brancos, já imaginou uma jovem linda como eu com cabelos brancos? Não, é claro que não – a loira fez drama, como sempre.
– Iria combinar com sua idade – falou o gato brincando, deixando a loira irritada, mas um tanto controlada, caso contrario teria pulado no gatinho e lhe arrancado os bigodes, como já fizera milhares de vezes durante os últimos anos.
– Eu não sou velha, gato maldito – ela balbuciou um pouco chocada pelo insulto. A loira se lembrou de algo que vinha lhe incomodando desde que entrara no quarto dos filhos – Onde estão a Layla e o Mett? – ela perguntou enquanto voltava a comer mais uma deliciosa panqueca.
O gatinho ficou pensando por alguns segundos até lembrar-se do lugar o qual deixara os jovens na noite passada – Eles estão na casa do pai deles – respondeu o gatinho enquanto comia uma panqueca com um molho estranho por cima.
A loira pareceu ofendida diante da resposta do gatinho – E por que ninguém me avisou? – ela perguntou já brava, quem aquele gato maldito pensava que era para abandonar os filhos dela na casa de um brutamonte como o pai deles? Sim, a loira não gostava nem um pouco de seu marido.
– Eles sabiam que você não iria os deixar ir, por isso me subornaram com esse adorável molho de peixe – exclamou o gatinho com os olhos brilhando, fazendo a loira virar o rosto com nojo do tal molho – Além do mais, eles tem prova hoje, e você os obrigaria a estudar sem parar.
Lucy arregalou ainda mais os olhos ao saber disso estavam com uma vontade maluca de ir até a casa do marido e o torturar até a morte por levar seus preciosos filhos para o mau caminho. Ela se levantou brava, já não suportava comer mais nada – Eles três que me aguardem – ela disse macabramente, fazendo o pobre gato se irritar – Por que apenas o Ig tinha que ter puxado a minha pessoa? – se lamentou ela enquanto pegava a bolsa e saia da casa com o gatinho logo atrás.
Chegaram rápido à guilda, onde poucos magos se encontravam, entre estes, Wendy Marvel, que agora com seus 28 anos de idade parecia uma linda mulher. Os cabelos curtos faziam destaque ao rosto jovial e bem acentuado, corpo curvilíneo e esbelto, cheio das mais belas curvas, e composto dos mais belos traços. Wendy era sim uma mulher muito linda. Havia algo que se destacava ainda mais na visão da maga, e essa era a sua enorme barriga, já que estava gravida de gêmeos, e em plenos oito meses de gestação.
Ao seu lado se encontrava Romeu Conbolt, agora um homem feito, cabelos repicados e curtos. Sorriso encantador e traços fortes. Repleto de músculos e um homem muito desejável, porém ele não tinha olhos para ninguém que não fosse sua amada noiva, Wendy.
No balcão se encontrava Lisanna, com os cabelos agora compridos parecia uma copia de Mirajane quando mais nova, porem Lisanna não usava os vestidos da irmã, mas uma regata e shorts, mesmo sendo roupas um pouco mais joviais faziam a moça se sentir bem agora, com seus 32 anos. E como o tempo passara rápido, agora Lisanna segurava sua pequena filha de três anos enquanto a menina se agarrava a um ursinho em forma de dragão.
A garotinha tinha cabelos loiros curtos e olhos azuis, possuía feições duras, nenhum pouco costumeiro de uma criança de apenas três anos, mas era tão bela quanto à mãe. E no segundo andar olhando mãe e filha brincarem com o dragão de pelúcia, estava Laxus, com 39 anos e um sorriso nos lábios. Agora muito mais maduro que outrora e bem mais comportado, matinha os cabelos raspados e podia se ver a barba que adquirira com o tempo.
Olhava bobo para a esposa e filha no andar inferior, e seu sorriso aumentava a cada vez que via a leve ondulação na barriga da esposa, ficara imensamente feliz ao saber que Lisanna esperava mais um filho seu.
Há cerca de cinco anos o casal decidira que era hora de tomar juízo e resolveram assumir o romance escondido há anos para a guilda, pouco mais de um ano depois veio a noticia. Lisanna estava gravida e eles se casariam em poucos dias, o que fez os amigos mais antigos abrirem largos sorrisos ao verem mais um de seus “irmãos” iniciando sua família. Não que os mesmos fossem mais velhos, era exatamente o contrario, já que Laxus era o segundo mais velho da guilda, mas seus companheiros de guilda eram deveras mais experientes.
E para encerrar os poucos magos que estavam ali, se encontrava sentado no banco ao lado do balcão o mais novo mestre da guilda, Gildarts Clive, com seus quase 50 anos o homem era apenas uma velha sombra do jovem de anos antes, agora com os cabelos curtos e totalmente brancos o homem ainda matinha seu sorriso bobo, mas sua expressão era mais séria e muito mais madura, coisas que foram adquiridas com o tempo de mestre, agora ele finalmente entendia o que seu antigo mestre, Makarov Dreyar, passara ao ter de criar aqueles pirralhos bagunceiros.
Mas o homem se sentia imensamente feliz ao ver aqueles jovens crescerem e formarem suas próprias famílias, ultrapassarem as barreiras que o destino lhes imposto e criando juízo com os anos, ele realmente gostaria de ter visto sua filha ter feito as mesmas coisas que os jovens que estavam ali, porém nem mesmo o velho homem poderia dizer se a mesma chegaria a realiza-las.
Agora anos depois entendia as palavras de Makarov “quando você se torna mestre de uma guilda, existem muitas coisas pelas quais tem de abrir mão”. E fora exatamente isso que acontecera com Gildarts.
O homem se virou para a “filha” que a recém entrara na guilda, lhe sorriu e fez um gesto para que ela se sentasse ao seu lado. Lucy mesmo relutante em atender ao pedido de seu mestre caminhou em sua direção, com o sorriso ainda maior que antes, há quanto tempo não via algumas daquelas pessoas? Um sentimento de completa nostalgia lhe atingiu, voltara na noite passada de uma missão de três meses e não tivera tempo para rever os amigos.
Ver a guilda tão linda como se tornara nos anos a fez se sentir muito bem, fazia três meses que não pisava ali, mas fazia muitos mais que não via seus colegas de guilda. O tempo era traiçoeiro, e para a doce Lucy, que teve de aprender a se virar sozinha, ele fora ainda mais cruel, mesmo tendo três filhos para cuidar a jovem não passava muito tempo em Magnólia, na verdade, não passava muito tempo em Fiore, sempre abrindo espaço para conhecer novos mundos e novas aventuras.
É claro que isso a afastou um pouco de seus Nakamas e filhos, mas se tornou inevitável com o tempo, a sede pelo inexplorado se tornava cada vez maior na vida de Lucy, não que ela negligenciasse os filhos, muito pelo contrario, os amava com todo o ser, e se necessário daria sua vida pela deles, mas ela tinha uma sede insaciável por novos mundos, é claro que já levara os filhos uma ou duas vezes, porém ainda era muito arriscado, por isso preferiu os manter em Magnólia aos cuidados do pai.
E o marido, a sim, aquele homem tão rude e grosso, mas que o tempo de casamento conquistara seu coração. Ele nunca lidou bem com crianças, mas Lucy sabia que ele era melhor para ficar com os filhos do que ela, que sempre se metia em problemas a cada dia corria risco de morte.
Seu marido vivia a lhe incomodar, queria ter a mulher mais presente em sua vida, mas sabia do espirito indomável dela e também de sua bravura, foram esses os motivos pelos quais ele se apaixonou por ela. Eles não eram um casal comum, com certeza não, mas isso não impediu que os corações batessem descompassados com um simples toque do outro, se amavam perdidamente, porém ainda tinham divergências.
Não havia tamanho para as brigas dos dois, queriam ter o controle da relação, mas um era pior que outro, e Lucy de fato pior. Não aceitava os pedidos do marido e sempre queria controlar a relação, a palavra “divórcio” era constante no vocabulário dos dois, mas um simples toque e umas palavras carinhosas já bastavam para esquecerem as brigas.
Gildarts vendo sua “filha” caminhar em sua direção, com aqueles lindos olhos castanhos brilhando em direção aos colegas de guilda, sorriu. Ele jamais pensou em um futuro tão distinto para aquela garota de cabelos loiros, nunca nem sequer imaginou um mundo onde ela se tornasse tão “indomável”, claro que nunca duvidou de sua capacidade como maga, mas ela sempre fora um tanto medrosa.
A jovem se sentou ao lado dele e lhe sorriu calorosamente, e como o velho mago sentira falta daquele sorriso. Entre tantos de seus filhos a loira fora quem mais amadurecera, era á estrela indomável da Fairy Tail, ela ficava á cada dia mais forte e mais destemida, tinha uma força de espirito invejável e ao mesmo tempo amável. Aquela guilda estava repleta de pessoas surpreendentes.
Começaram a conversar bobagens, do tipo: como foi a missão? Os cabelos cada dia mais brancos? E por ai vão, eles se davam bem, mesmo que o homem fosse um grande tarado e pervertido, mas perto da moça ele tentava se controlar, principalmente “naqueles dias” onde apenas o marido da moça podia a acalmar.
Todos da guilda foram se juntando ao redor do mestre, e ao mesmo tempo matando a saudade da loira a qual eles não viam há muito tempo. Só faltava mais um mago para que o mestre enfim pudesse dizer o que de tão importante havia para acordar seus magos tão cedo naquela manhã.
E o mago não demorou a chegar, irrompendo pela porta com um caloroso sorriso. Era nada mais nada menos que Gajeel, os cabelos antes compridos agora batiam no ombro, o rosto agora livre dos pircings era composto pela fina barba que lhe dava um ar mais maduro, não que o homem precisasse disso.
O corpo havia se desenvolvido por completo, e o homem mesmo tendo um ar bruto, ainda mantinha certo toque de mistério. Ao avistar a loira no balcão abriu um largo sorriso e andou em sua direção, sem que ela ou os outros percebesse, ele já estava com ela em seus braços a girando no ar.
O salão foi preenchido pelas doces risadas de Lucy, que sorria abobada para o homem, quando este a soltou sentiu dois braços finos envolta de seu pescoço e logo em seguido os belos lábios de sua esposa contra os seus, matando a saudade de três meses separados – Façam isso em um quarto – exclamou Romeu, fazendo com que todos descem longas risadas, e interrompendo o momento dos pombinhos.
– Infelizmente terei de interromper esse belo momento – falou Gildarts chamando a atenção de todos – Não tenho muito tempo e vou ser breve – as palavras deixaram todos apreensivos, o que seu mestre tinha para falar de tão importante? – Tenho indícios, de que eles ainda estejam vivos – se pronunciou o homem depois de um longo tempo de silencio – Desta vez eu mesmo irei atrás deles, e não tentem me parar, sei que já perderam a fé, mas eu não! – ele disse se levantando.
– Gildarts – falou a loira com a voz embargada, quantas vezes teria que tentar convencer aquele velho de que os “outros” estavam mortos? – Já faz 16 anos que eles foram embora, é muito tempo Gildarts – ela elevou a voz, já estava de pé e segurava a mão de seu mestre – Sei que o mestre Makarov lhe deu uma missão, mas já basta, sabe que é impossível – a loira disse exaltada, já não bastava todas as noites ter aquele mesmo sonho? Não bastava ter de passar por tudo que já passou? Ela não se iludiria com chances nulas de eles estarem vivos – E se eles estão mesmo vivos, acha que eles ainda se importam conosco? – Lucy jogou as palavras sem preocupação, quanto mais seu mestre hesitasse, melhor.
– Desculpe-me Lucy, mas não vou deixar algo passar assim tão fácil, é a primeira vez que tenho uma noticia – ele disse serio enquanto puxava seu braço da mão de Lucy, onde agora já podia se ver leves marcas vermelhas – Eu ainda não desisti – ele jogou na cara, sabia que não era só Lucy que discordava de suas ações, mas sim todos que se encontravam presentes – Se eu não voltar em duas semanas, Laxus você é o novo mestre – dito isso ele saiu porta a fora, levando consigo a esperança de seu coração e alma de seus “filhos”.
E aqueles que ficaram para trás ficaram divagando, será que seu mestre não estava certo? E sem mais delongas eles continuaram com seu dia, como se nada tivesse mudado, mas no fundo todos sabiam que tudo estava diferente. Aquela era a maior mudança na Fairy Tail de X810, tirando o mestre, todos os membros estavam mergulhados em uma completa desesperança.
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