O clima de Apple Valley era sempre quente,não importavam as estações.Raramente haviam períodos de frio intenso e estes ocorriam por volta de janeiro a março.Num dia de julho como aquele,o ar era seco e por onde se olhava as pessoas tinham a pele brilhosa graças ao suor do calor.Era um péssimo dia para caminhar matinalmente,via-se logo que o parque Mendel estava vazio e as pessoas tomavam banhos deliciosos de piscina ao invés de estarem praticando exercicios.Mas como era de se imaginar,Aléxis Lenn Campbell não era como todo mundo.Estava lá,suando e perdendo algumas muitas calorias que havia ganhado num jantar no dia anterior.A música que tocava no seu Ipod era calminha,com um violão típico de John Mayer que ela amava."Dear Marie" passava por entre os fones de ouvido dela e ela cantarolava pedacinhos da letra enquanto passava na quadra de tênis pública do Mendel e pode visualizar algumas velhinhas praticando (ou pelo menos,tentando) tênis vestindo saias plissadas e camisetas polo de cores pastéis como rosa,verde e amarelo.Era um cena maravilhosa,dada as circunstâncias de que as saias não cubriam as celulites e varizes das pernas das coitadas.Tentando desesperadamente sair daquela parte do parque,Aléxis correu com mais precisão.Olhando para baixo e vendo seus tênis Nike modelo do ano passado totalmente gastos com as corridas,acabou se distraindo quando o telefone tinha parado de tocar sua música preferida e vibrava ao som de um toque irritante que sua irmã mais nova,May Jo,havia colocado.Ela encarou o visor do celular,que estava escrito uma palavra que ela temia a anos.
Pai.
As mãos da garota começaram a tremer frenéticamente com o celular na mão,com medo dele cair com um simples descuido.Era impossivel não subirem lágrimas nos olhos dela ao ler o contato do pai salvo no telefone,ligando pra ela.Querendo ouvir a voz dela.
O pai que havia abandonado ela e a mãe fazia 1 ano,sumiu sem dar noticias,numa noite qualquer de domingo.Ele era um pai bom,que ela amava acima de tudo.Mas havia desaparecido.O celular dele ainda estava gravado no telefone da menina,de modo que ela sabia que era mesmo ele.Os dedos ainda trêmulos tocaram a tela.
- Alô? — A voz de Aléxis ecoou no outro lado da linha.
- Aléxis? — Foi ali que ela começou a realmente chorar.Algumas lágrimas molhavam os arredores dos olhos verdes da menina.Não era o pai.Era a voz aguda de uma mulher. — Sou eu,a secretária do seu pai.Judith Moore,não sei se lembra de mim.Eu cuido dos negócios da Daniels & Co.Seu pai está louco para marcar um encontro com a senhorita.
- Uau.Lembro,Você está bem Judith? — Ela controlou a voz,tomando cuidado pra não gritar de raiva. — Mande um recado para o meu pai: se ele quiser me ver,que ele mesmo ligue.
- Mas queri... — Aléxis não deixou a senhora terminar,coitada.Desligou o telefone na cara de Judith Moore.Ela que se danasse.
Ela deveria ter suspeitado.Continuou a correr,como se nada tivesse acontecido.Era assim que seguia a vida sempre,depois do pai ter desaparescido e agora dado pelo menos um sinal de que estava vivo.
A música tinha voltado a tocar,desta vez uma mais animada com batidas de eletrônica da Katy Perry.Aléxis continuava soluçando de chorar,mas não parava de correr,sem direção.Sabia que não queria ir pra casa,pois lá ninguém além da mãe,que estava viajando a trabalho fazia 2 dias,ligava realmente pra ela.May Jo estava sobre cuidados da babá,então ela não precisava voltar muito cedo pra casa.Os cabelos pretos da menina sobrevoavam sobre o vento quente da California.Esfregou as costas das mãos nos olhos,a fim de parar o choro.Observou a pele branca por cima dos ossos.
- ALÉXIS! ALÉXIS,SOU EU — Ela podia ouvir uma voz de menino chamando por ela no outro lado da pista de corrida.Stefan,seu amigo de infância que conhecia até mesmo seus variados tipos de sorrisos.As árvores verdinhas se posicionavam entre eles,e havia também um parquinho público com gangorras e balanços coloridos.
- Steph.Você não disse que ia viajar? — Aléxis tomou lufada de ar,depois de parar um pouco da corrida. — Ta fazendo o que aqui?
- Minha mãe,ela decidiu não ir mais.Ainda bem.- Ele encarou o rosto da garota,que provavelmente estaria vermelho de choro.- Você andou chorando,Lexi?
- Eu... — Ela ia negar,jurou a si mesma que ia.Mas não negou.Não negou por que não se escondia nada de Steph.Ela respirou fundo,algumas lágrimas caindo. — Foi o meu pai,ele mandou uma maldita secretária ligar pra mim,Steph.Nem a coragem de ligar ele mesmo pra mim ele teve.
O menino de aparência fisica valentona,agora transmitia amor em um só olhar.Os olhos cor de mel do garoto contrastavam com o loiro dos cabelos,e apele bronzeada típica de gente da California.As feições do rosto do menino eram um pouco brutas,e o corpo um pouco definido.Era a aparência de um jogar comum de hóquei,a tirar pelo jeito precoupada que o garoto tinha por Aléxis que era um segredo oculto,algo que poucos conheciam.Eles se conheciam desde os 7 anos e hoje ela tinha 17.Foi uma amizade rápida,eles eram crianças,estavam na sala de aula do jardim de infância no primeiro dia de aula,quando Aléxis tropeçou e quebrou o pé.Stefan foi o único a ajuda-la mesmo sem conhece-la e a partir dali se sentiram amigos.E hoje,melhores amigos.
- Lexi,você sabia que isso uma hora ia acontecer. — Ele puxou ela pra perto e a reposou a cabeça da garota em seu peito.- Mas não chora.Temos problemas piores,se quer saber.
- Pior do que isso? — Ela continuou embrenhada nos braços fortes do amigo.Direcionou o olhar para o rosto dele,que estava sério de preocupação. — Acho bem díficil.Pelo menos pra mim.
- Olha — Ele soltou lentamente os braços em volta da menina e ela ficou em pé tentanto se manter firme no chao. — Descobri algumas coisas que talvez você não goste muito.
- Sobre o que? — Ela esfregou as costas das mãos nos olhos novamente,e dessa vez em volta dos olhos não estavam mais molhados e sim secos,ainda que ela estivesse morrendo por dentro.
- Aqueles sonhos que você anda tendo,com cobras pretas em volta de você rastejando sobre os seus pés? Que você havia pedido pra eu pesquisar sobre eles na internet. — Ele parou de olhar pra ele de repente,e encarou fixamente a grama bem cuidada do San Martinez.Aléxis encarou-o por um segundo e começou a crescer um medo dentro dela.Medo do que os sonhos iriam significar afinal. — Se as cobras estão perto demais de você,pode se dizer que significa doença grave em alguém que almeja muito.Não estavam perto de você,certo?
- Bem... — Então o coração dela começou a disparar,com um medo intenso crescendo ainda mais no peito dela. — Estavam.Mas,quer dizer,além de você e May Jo,não tenho mais ninguém que eu almeje tanto.Meu pai me ignora,minha mãe tenta ser atenciosa mas não consegue.
- Exato.Isso quer dizer que ou eu,ou May Jo vamos adoecer gravemente — Ele levantou a cabeça levemente,e os olhos dele encontram os dela,transmitindo uma espécie de entendimento mútuo.
- Não.Isso é mentira. — Uma parte dela sabia que era verdade,mas não queria acreditar.E talvez sonhos não significassem nada.Talvez ela só quisesse ter um motivo pra explicar o estranho sonho e agora que tinha não queria acreditar.
-Temos 50% de ser e a outra metade pra não ser.Então,é muito díficil afirmar alguma coisa agora.Seja lá o que for,não pode ser tão rápido assim de acontecer não é? — Ele puxou pela mão a garota em direção da Pawnee Road,onde eles moravam — Temos algum tempo para descobrir o que for.
- Como você pode estar tão relaxado,Steph? — Ela andava apertando o passo para tentar acompanhar o menino alto com pernas enormes que pensava que ela podia acompanhar ele de maneira fácil assim.
- Não estou.Mas esse é o segredo.Se esta tensa com alguma coisa,deve se distrair com outra coisa que lhe faz bem.No caso eu quero me distrair com você. — Ele soltou as palavras como se fossem normais e não constrangedoras como Aléxis pensou.Ela corou,e ele sorriu.
Os dois caminhavam nas calçadas ladrilhadas da Pawnee Road,passando por casas de modelo quase iguais,uma mistura nas construções de madeira pintada de branco e cores como azul bebê,verde claro e laranja um pouco menos forte do que o do pôr do sol.Os jardins das residências eram sempre bem cuidados,por diversos motivos.Um deles era que a vizinhança era muito fofoqueira,graças ao tamanho da cidade e o tédio que se espalhava,a solução era falar da vida dos outros.Tulipas e Copos De Leite predominavam no verde dos gramados.Steph havia parado de andar,e toscamente atrasada ela percebeu que era porque eles tinham chegado na porta da casa do garoto.Não era muito diferente de todas as outras casas por ali perto.Na verdade,a única diferença era que os pedaços de madeira branca que ficavam nas outras casas,na dele eram substituidos por madeira de verdade envernizada.Muito mais bonito na opinião de Aléxis.Ele subiu em um degrau da escadinha que dava na varanda simples e bem decorada da casa dos Lewis,que submetia-se a uma decoração rústica de praia,com cadeiras feitas de palha e almofadas estampadas com cores marinhas e animais do mar também.
- Quer dormir aqui em casa hoje? — Ele fez o convite,mas já sabia que ela ia aceitar,pensava a menina.Primeiro por ela sempre dormir ali,era praticamente a segunda casa da garota.Ela se sentia melhor até do que em sua própria casa. — Quero dizer,Joel e Sebastian vão dar um festa lá no píer do clube Naval e pensei que pra sua mãe ficar menos preocupada e deixar você ir,você pod...
- Fechado. — Ela abriu um sorriso. — Como se você precisasse fazer esse discurso de convite né? Claro que eu vou na festa,nem que eu tenha que fugir de casa pra comparecer e depois me afugentar no colchão que fica encostado no seu armário.
- Sabia que você já tinha pensado em tudo,Lexi. — Ele levantou-se do degrau e abriu a porta da casa,abrindo passagem pra ela passar. — Liga pra sua mãe então,e avisa a ela por favor.
- Tudo bem,mandão. — Ela deu um tapinha nas costas dele.
- Não sou mandão,só estou cuidando da sua segurança — Ele fechou a cara levemente.
- Eu sei cara,relaxa. — Ela se jogou no sofá branco e colocou os pés com tênis sujo de terra em cima dele,formando uma mancha tamanho médio no braço do sofá.
Steph tinha pegado o telefone fixo da casa,que ficava em cima do balcão da cozinha e estava discando um número qualquer.Colocou o aparelho no ouvido.
- Oi Sra.Campbell,é o Stefan. — Ele fez um gesto em direção de Aléxis pra ela se aproximar dele e falar com a mãe — Ah sim,eu sabia.Aham.É,foi por uma coicidência estranha ligar e a senhora estar mesmo.A Aléxis esta aqui,a senhora quer falar com ela? Aham,vou passar pra ela.Tchau,pra senhora também.
- Meu deus,tive que contar quantos senhora você disse só em uma frase — Aléxis pegou o telefone da mão dele.
- Oi mãe — Ela pode ouvir a respiração falhada da mãe no outro lado da linha.
- Filha,se for pra você dormir aí na casa do Stefan,pode.É melhor você não voltar pra casa,estão acontecendo muitas coisas por aqui. — Ela estava com a voz tensa — Eu passo ai e levo suas roupas.Pode ir pra onde você quiser,só não precisa voltar pra casa nos próximos 3 dias ok?Eu te amo.
- Mas mãe... — Ela mal conseguiu terminar a frase e ela havia desligado na cara da menina.
É como dizem por aí,não faça com os outros o que não se quer que faça com você.
Notas finais
Oba,espero que vocês tenham gostado
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