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17 Capitulo 16-Por enquanto...
Notas iniciais
Capitulo 16-Por enquanto...
Novos dias iam nascendo, passando, a dor me consumia exato como os segundos consumiam os minutos e decorrentemente. A esperança tremulava em mim, porem não me deixava... Ao contrario dele. O que me fazia pensar era que segundo ele, o Hulk era imortal, e isso de alguma forma me confundia.
Saber que sua existência continuaria vagando por dentre um lugar tão pequeno quanto a terra, que num futuro eu poderia encontrá-lo, e saber que ele ainda poderia me odiar...
Se eu o aceitava da forma como ele era, porque ele não poderia fazer o mesmo? Estaria eu enganada com o que ele demonstrava sentir por mim? O mundo havia mudado, eu sabia disso, porém eram realmente necessárias palavras, quando um simples olhar poderia entregar tudo e muito mais do que meras palavras e floreiros não conseguiriam?
Talvez eu devesse mostrar-lhe que ele deveria ver meu lado. Nunca realmente quis que ele soubesse sobre mim. Mais do que nunca, nunca quis ser da forma que eu sou... O que eu sou!
Havia acabado de escurecer o céu ainda havia manchas de mais um tedioso dia passado pelo minha estúpida existência. O papel estava em minha mão era um trecho de Anne Frank mostrava um ponto em nossa situação.
“Nunca mais recuarei diante da verdade;
Pois quanto mais tardamos a dizê-la;
Mas difícil torna-se aos outros ouvirem-las.”
Peguei a pedra no chão, antes de subir o prédio de frente à torre. Embrulhei o papel a pedra e foquei em seu quarto antes de tacá-la contra a janela de seu quarto.
A luz estava acesa indicando que ele estava ali. Sentei deixando minhas pernas dependuradas e o observado. Meu coração disparou ao vê-lo pegar a pedra e olhar para fora da janela antes da breve leitura. Ele entrou novamente me pus atenta para caso ele saísse. E fosse a sorveteria. Porém os minutos se passaram, ate que e ele finalmente ressurgiu a janela colocando algo ali. Um cartaz com letras bem destacadas.
"Citar Anne Frank não mudara nada entre nós!”
Rosnei possessa naquele momento. Humano estúpido! Tomei uma pequena distancia pulando ate a janela, ficando do lado de fora, seu olhar para mim foi mais do que desprezo, porem ele não conseguiu esconder de mim, tinha dor dentro deles.
― Seu bastardo idiota monstruoso, você não e tão diferente de mim quanto quer pensar que é! ― rosnei a ele.
― Vai. Embora...
― Você é um idiota... ― resmunguei. Ele ainda me olhava impassivo. ― Mesmo matando muito mais pessoas que você... Sendo uma criatura pior do que você segundo o que demonstra, eu sou... Eu ainda consigo ser melhor “ser humano” que você, seu hipócrita! ― rosnei e soltei pulando aterrissando com classe no concreto.
Respirei fundo colocando as mãos no bolso e caminhando para longe dali.
Não sabia dizer quem era mais idiota, eu ou ele!
Acho que eu, por pensar que uma criança de 44 anos fosse entender um sentimento como o verdadeiro amor! Ele ate poderia ter idade para um humano, mas para mim era apenas uma criança com alguns milésimos de vida, para menos.
Caminhei determinada ate a ponte, onde eu a escalei rapidamente para que ninguém visse, sentei-me ao topo, olhando a vista. Pensando em tudo o que eu passei por toda minha vida. Toquei meu ventre lembrando-me.
Monstros não podem ser felizes... Nunca.
Olhei para o céu vendo as estrelas e até mesmo algumas constelações graças ao veneno. Mesmo pensando na ciência era bom pensar que quem perdemos estava/era uma daquelas estrelinhas brilhantes no céu.
Porque nos sentíamos reconfortados com coisas tão estúpidas?
Estava ficando irritada com Bruce. Ele estava agindo como um idiota. O pior de tudo era que eu ainda sim o amava. E isso doía. Cogitei ir embora, naquele estante. Vagar por ai. Porem me lembrei de Marcus. Se eu fizesse isso, não mudaria em nada. A dor não passaria E o pior de tudo era que ainda sim eu tinha esperança, era isso que me fazia ficar e o aguardar...
Mas, porque Bruce não podia me aceitar da forma como eu era? A criatura que eu era não podia ser mudada. Nem ele. A única diferença entre nós era que ele ainda tinha uma “válvula” conseguia controlar, e não era algo necessário, como eu. Eu precisava matar, era meu alimento!
Naquela noite eu não retornaria ao ponto de “espera” e sim ao hotel, onde eu tomei um banho demorado. Estupidamente chorei por um par de horas, antes me deitar na cama, e ficar lá ate ver os primeiros raios de sol entrarem pela janela não me preocupei em fechá-la, esconder meu segredos, apenas observei os que estavam em meu campo de visão.
Adormeci por fim, porem meu sonho fora uma vaga lembrança de meu passado. Quando acordei eu apenas chorei, sem ter ninguém para me consolar... Ninguém para estar ao meu lado, acariciar meus cabelos e dizer simplesmente “Vai ficar tudo bem!”.
O que naquele momento era a única coisa que eu queria...
Logo mais fui à sorveteria e o prossegui com minha espera.
Esperei...
Esperei...
Uma semana...
Duas...
Um novo mês...
Dias após dia sentada ali, com a cabeça apoiada nos joelhos, abraçada a mim mesma, esperando. Refletindo. As vezes apenas me concentrando em ouvir minha própria respiração. As vezes divagando, observando as estrelas, as flores folhas, tudo a minha volta.
O vento soprou suave enquanto eu mantinha meus olhos fechados, ouvindo os ruídos a minha volta, já era tarde, muito tarde, deveria ser umas 3, 4h da manha. Um novo sopro me despertou, ouvi alguém correndo, e vinha para cá. Inspirei o cheiro me sentindo tremer por completo. Ouvi a corrida parando pouquíssimos metros de mim. Levantei um pouco minha cabeça ainda fitando o chão.
A respiração estava desregular e tremula. Algumas fungadas baixas, antes de finalmente se aproximar. Eu simplesmente ainda queria acreditar que estava acontecendo porem tinha medo de em algum momento ter caído no sono e isso ser um sonho, o que por segundos me pareceu provável.
Ele se sentou ao meu lado, mas nada disse...
Apenas começou a chorar.
Eu fiz o mesmo, porem não sabia se estava chorando de felicidade ou o que. Era estúpido eu sabia disso, mas não sabia como reagir ou falar. Após o que pareceu uma hora sua voz soou suave aos meus ouvidos aguçados.
― Me perdoa... ― aquelas simples palavras me fizeram cair num choro compulsivo. ― Eu fui um idiota, eu sou um idiota! Mas eu... Eu não consigo parar de pensar em você nem por um minuto... É sufocante. Você está além do meu compreendimento... O que eu sinto por você é... Não é nada do que eu já senti antes... E isso me apavora porque eu não consigo entender... Você é a criatura mais perfeita do universo, sendo uma das mais perigosas... Mas Poppy... Mesmo com que eu sinto... Eu... Não me sinto bem sabendo que você mata pessoas por ai... Você matou uma garota de 13 anos... Isso... Eu... ― sua respiração estava completamente desregular e ofegante.
― Bruce... É assim que eu vivo, e assim que eu sou, se você não puder me aceitar assim, volte para torre, vai embora e eu vou fazer o mesmo...
― Não... Eu não quero voltar para lá e continuar sentindo isso... Essa dor... Enquanto todos me olham e observam sem saber o que fazer e no fundo me achando um pervertido por gostar de uma garota de... ― ele parou e seu rosto se aliviou e ele sorriu. ― que aparenta ter 18 anos... ― forcei um breve sorriso. Estava curiosa sobre o que ele pensava sobre mim... Eu ser meio morta, ser bem mais velha. E tudo em si o que eu era.
Ele sorriu, seus olhos brilhavam, tanto pelas lagrimas quanto pelos sentimentos. Os lábios mantinha a curva suave enquanto ele trouxe seu olhar para os meus lábios. Seu sorriso embora diminuísse, continuava ali, ele engoliu a seco e molhou os lábios, enquanto levava uma mão ao meu rosto o acariciando e ao mesmo tempo se inclinando e “puxando-me” para mais perto de sua face, nos deixando a centímetros.
Ele fechou os olhos enquanto ai finalizando a distância entre nós.
Meus olhos cairão sobre o seu pescoço “acidentalmente” a veia tremula que dentro corria livremente o liquido dos deuses. Senti o amargo do veneno, enquanto minhas presas saiam;
Desviei o olhar e me virando para outro lado, escondendo meu rosto dele, enquanto tentava-me “acalmar” e ignorar o cheiro delicioso dele ali tão próximo. Ouvi-o respirar calmamente, enquanto bufava quase sarcástico.
― Pop... ― ronronou, me chamando, querendo ver-me. ― Me deixe vê-la... ― pediu ao ver minha silenciosa negação.
― Eu não fico tão bonita assim... É... Demoníaco... Por falta de melhor associação... ― murmurei ainda com as presas que eu não estava conseguindo esconder devido o cheiro tentador, e a imagem de sua veia pulsando em minha mente.
― Por favor... ― pediu. Olhei dentre a cortinha de meus cabelos. Ele se pós atento esticando a mão retirando o cabelo. Ao tirar e ver meus olhos e as presas, ele sorriu. ― Parece uma... Gata... Literalmente. ― desviei o olhar e acabei rindo.
Mas logo fitei o chão enquanto aos poucos as presas se esconderam, e meus olhos voltaram a cor normal;
― É só... É como eu sou... Sempre no topo da cadeia alimentar... ― ele se manteve em silencio.
― Falamos disso depois... ― sorriu segurando minha mão e beijando-a.
Ficamos ali em silencio por um longo tempo. Estava quase dando a hora do sol surgir.
― Acho melhor você ir... Você precisa descasar... ― ele sorriu. Já dava vários sinais de sonolência. ― Te levo ate a torre... ― sorri pondo-me de pé e estendendo a mão a ele. Que sorriu aceitando.
Começamos a andar calmamente pelo fim de noite com frios gélidos.
― Você tem... Nojo de mim? ― questionei envergonhada sem olhá-lo quando chegamos à torre.
― Não... ― sussurrou. ― Seu eu tivesse não tentaria te beijar. Mas não posso negar que e estranho lembrar que você esta parcialmente morta...
Olhei para enorme torre diante de nos e depois para o horizonte, onde um raio brilhante amarelado surgia. Ele seguiu meu olhar.
― Eu devo partir... Não pertenço a esse horário... ― ele sorriu e acariciou meu rosto.
Fechei os olhos com aquela caricia quente e sorri ainda com os olhos fechados. Senti sua respiração suave bater contra o meu rosto, me deixando em alerta. Mas ao contrario do que eu pensei que ele faria, ele apenas beijou minha testa rapidamente já se afastando.
Sorri ainda mais abrindo os olhos.
― Que horas... Como eu vou te ver mais tarde?
― Eu irei aparecer... ― sorri.
― Assim como você simplesmente apareceu do nada na minha frente, correndo? ― riu.
― O desavisado nessa ocasião fora você... Seus amigos viram que eu estava correndo... ― ri.
― Desculpe minha desatenção, senhora... ― semicerrei os olhos o olhando com falsa irritação.
― Não sou tão velha assim... ― ele riu. Seus olhos brilhavam intensamente, porém ainda havia certo receio neles. ― Te vejo mais tarde... ― sorri.
― Te vejo mais tarde... ― repetiu se afastando se demorando a virar para entrar.
Sorri, mais uma vez antes de correr dali, ainda com um enorme sorriso estampado em meu rosto.
Estava tudo bem...
Por enquanto...
Eu acho...
Notas finais
'3'
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