Apotheek
4 Capítulo 4
Na sala de Alexandre, ele se irritava ao ouvir a namorada reclamar sobre ele ter promovido a assistente. Após muitas conversas, ela ainda insistia em discutir e isso o fez perceber que já havia chegado ao seu limite.
— Rebecca, acho melhor pararmos por aqui.
— Como assim?
— Não concordamos um com o outro, então só nos resta terminar essa relação que não vai nos levar a lugar algum. Pode ir embora.
— Eu não vou – ela cravou seus saltos no chão – eu ainda trabalho aqui, não posso ir embora.
— Não seja por isso, se considere demitida.
Ele falou enquanto ligava para o ramal de Recursos Humanos.
— O que? Como assim? Você não pode...
— Oi Rayana, quero que você arrume os papéis para a demissão da Rebecca e também encontre alguém para ser promovido ao cargo que pertencia a ela, ok? Obrigado.
Ele colocou o aparelho no gancho e continuou a escrever.
— Você vai pagar caro por isso, Alexandre, escreve o que eu estou te dizendo.
Ela deu as costas e foi embora. Ele sentiu como se houvesse tirado um peso das costas. E foi o que realmente acabara de fazer.
Ele se lembrava que no início, Rebecca costumava ser adorável e carinhosa mas o tempo mostrou que tudo não passava de um teatro para que ela pudesse ter o que queria.
Ao sair, ela bateu com as duas mãos na mesa de Andressa, encarando-a. Ela fez o mesmo, tentando entender o que estava acontecendo.
— Não sei o que você fez com o Alexandre, mas só te aviso pra ficar esperta porque vai ter volta e você vai se arrepender muito de ter nascido.
Ela saiu causando barulho de seu salto contra o chão. Andressa saiu de sua mesa e andou rápido até o setor de Recursos Humanos e entrou na sala de Rayana, sentando-se frente à ela.
— O que foi amiga?
Disse, colocando sobre a mesa os papéis que estava lendo.
— Rebecca foi até minha mesa, achei estranho, ela me fez uma espécie de ameaça.
— Ah, deve ser porque o Alex cortou ela da empresa.
— O quê?
Andressa exclamou surpresa.
— Sim, isso mesmo. Mais cedo ele pediu para que eu preparasse tudo para demití-la.
— E você fala nessa calma, Ray!
— O que posso fazer? É um demônio a menos por aqui.
— Ela deve achar que estou de caso com ele.
Rayana gargalhou.
— Você sabe que eu, mais do que ninguém, deseja muito que isso um dia aconteça, mas dá pra perceber que ele tem um certo respeito por você.
— Respeito...?
— Sim, ele fala sobre você como uma funcionária exemplar e, como ele diz, você é o braço direito dele.
Rayana sorriu irônica e Andressa também sorriu ao perceber a malícia da amiga.
— O que você quer dizer com isso?
— Homens fazem muitas coisas com o braço direito, fique à vontade para imaginar o que quiser.
— Você não toma jeito, Ray.
Falou se levantando, indo em direção à porta. Ela caminhava pelos corredores, até chegar a sua mesa. Guardava seus pertences em sua bolsa e finalizava mais um expediente com a mesma rotina.
Ela entrou na sala de Alexandre que, olhava para várias capas de revistas espalhadas em sua mesa.
A Forbes, que estava no centro, chamou a atenção de Andressa, tinha uma foto dele e estava escrito em destaque: "O milionário mais jovem do mundo dos negócios."
Ele olhava seriamente para todas aquelas revistas, até que ela respirou fundo e resolveu falar.
— Estou indo pra casa. Precisa de mais alguma coisa?
Ele ergueu o olhar e percebeu que Andressa estava ali, então juntou todas as revistas e as colocou numa gaveta tirando as chaves do carro da mesma.
— Também estou indo agora, pode ficar tranquila.
Ele se levantou e abriu a porta de sua sala, permitindo que ela passasse em sua frente.
Os dois entraram no elevador e seguiram para o estacionamento.
Alexandre caminhava ao lado de Andressa, os dois conversavam e riam sobre as conversas que as pessoas estavam criando na empresa porém, ela olhou para frente e viu que Anderson a esperava, talvez mais sério do que de costume.
Alexandre percebeu que ela havia ficado pálida.
— Está tudo bem, Andressa?
— Tudo sim, eu preciso ir. Até amanhã.
Ela disse enquanto se distanciava a passos largos até chegar ao carro do marido. Alexandre via aquela cena e não podia negar que algo o intrigava.
— Esse cara tem algo de errado.
Falou consigo, enquanto ligava seu carro.
Andressa subiu até o apartamento enquanto Anderson estacionava o carro com um pouco de dificuldade na pequena vaga que possuíam. Ela estava tirando os sapatos quando ele entrou e a segurou pelo braço bruscamente.
— Então é verdade o que andam dizendo por aí?
— O que foi? Me solta.
Andressa dizia tentando se esquivar de Anderson.
— Você está tendo um caso com aquele cara não é?
— Pára de loucura, Anderson! Solta o meu braço.
Ela gritava, fazendo com que ele começasse a falar mais alto.
— Eu sei de tudo, Andressa, não tente mentir pra mim. Você não tem vergonha da vadia que se transformou?
E ele iniciou uma sessão de agressões. Deu tapas no rosto dela, que logo deixaram marcas vermelhas. Ele jogou-a no chão e culpou-a por tudo que havia feito. Ela chorava, jogada ao chão, enquanto ele ia pra o banheiro. Andressa conseguiu ouvir o barulho do chuveiro e entendeu que ele estava tomando banho.
Tomada por grande raiva, ela pegou as malas que estavam em cima do guarda roupa e colocou todas as suas roupas. Pegou sua bolsa e tudo o que tinha e saiu o mais depressa possível, antes que ele saísse do banho.
Ela chamou um táxi e seguiu para a casa de Rayana que, ao abrir a porta, não conseguiu esconder a surpresa e preocupação por ver sua amiga com o rosto vermelho e inchado.
— Andressa! O que foi que aconteceu?
Dizia enquanto puxava a mala da amiga para que ela entrasse. Ao fechar a porta, Andressa sentou no sofá e abaixou a cabeça. Ela não conseguia conter o choro.
— Ele ficou com ciúmes do Alexandre, ele viu nós dois conversando e, de alguma forma, a fofoca da empresa chegou aos ouvidos dele.
Rayana se ajoelhou em frente a amiga e a empatia era nítida em seu rosto.
— Eu sabia que isso ia acontecer, sempre te avisei Andri, aquele cara é louco! Faz o seguinte, fica aqui em casa comigo, tem um quarto a mais. Vou amar você morando aqui.
Andressa liberou um sorriso triste.
— Obrigada por tudo, Ray. Não sei o que faria se não tivesse você.
As duas se abraçaram. Rayana levou-a até o quarto, onde ela se instalou e deitou na cama.
— Descansa amiga, amanhã a gente conversa.
— Boa noite, Ray.
Rayana fechou a porta e Andressa se via sozinha naquele quarto. Um sentimento de angústia a tomava por dentro e a fazia chorar, ela não se lembrava como tudo havia começado a ficar complicado, afinal, as coisas nem sempre foram assim.
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