Apotheek

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Comentem e me ajudem a dar sequencia nesta história. Espero que gostem!

Andressa caminhou até o elevador e subiu ao quinto andar do prédio que tinha doze andares divididos entre escritórios, refeitórios, laboratórios e estoques, era envolto de faixas píntadas em vermelho, branco e azul com um letreiro prateado. Ali funcionava uma grande farmácia de manipulação e era justamente ali que ela trabalhava.
Caminhou sobre seus saltos agulha até sua mesa, deixando ali algumas pastas e relatórios finalizados, depois entrou na sala de Alexandre Costa, homem, do qual, ela era assistente.

— Bom dia, seu Alexandre. Acabei de chegar, gostaria que eu trouxesse algo?

Ele, que estava sentado em sua cadeira finalizando projetos da empresa, fitou a bela moça em frente sua mesa e apenas balançou a cabeça negativamente. Ela deu as costas para sair da sala quando ele a chamou com sua levemente rouca voz.

— Andressa...?

— Pois não, senhor?

Ela se virou para ele e viu seus olhos esverdeados penetrarem os seus. Desviou o olhar para seus cabelos loiros na tentativa de disfarçar o quão tímida estava.

— Já te falei que não precisa me tratar como se eu fosse um idoso.

— Mas é apenas respeito, senhor...

— Não, pare por favor!

Diz ele cerrando os olhos. Ela consente com a cabeça.

— Tudo bem, como quiser, chefe.

Ela saiu da sala causando barulho de seu salto contra o chão. Alexandre a via rebolar ao passar pela porta em seu conjunto cinza-chumbo de saia lápis. Ele sorriu de canto ao lembrar de sua voz o chamando de "chefe".

Ela sentou-se em sua mesa, fazendo abertura de novos relatórios e dispensação de receitas em seu computador até que sua amiga se aproxima dando-a um susto.

— Pare com isso, Rayana!

Disse Andressa irritada, porém feliz por ver a amiga.

— Oi coração... — Ela se sentava ao seu lado — Muita coisa para fazer hoje?

— Sim, como sempre... — Andressa respirou fundo — Tenho muitas receitas para dispensar hoje.

— Entendi. E como estão as coisas na sua casa?

— Aquela mesma coisa, Ray.. — Ela abaixou o olhar — Anderson continua me aborrecendo mas muitas vezes ele é bom comigo e eu prefiro me lembrar das coisas boas.

— Amiga, você é maravilhosa! Não devia ficar engolindo sapos por um cara que mal parece te amar.

— Ele me ama sim, só que de um jeito... — Ela suspirou — ...Diferente.

— Eu não entendo, com tantos homens lindos no mundo, você fica vivendo uma vida terrível do lado desse cara.

Rayana piscou para Andressa, se levantou e foi até a sessão de Recursos Humanos, onde trabalhava. Andressa ficou pensando em tudo o que a amiga havia dito. Começou a se lembrar das vezes que precisou sair tarde do serviço e encontrou seu marido esperando-a na calçada mais próxima, a ponto de querer matá-la, mas também se lembrava das vezes em que ele pedia desculpas e até a levava ao médico quando não se sentia bem. Ela optava em ver o lado bom de Anderson que, enquanto a mulher trabalhava, passava metade do dia dormindo e a outra metade ficava a jogar video game ou ia beber cerveja com os amigos. Talvez se ela fechasse os olhos para aquela situação, seria como se ela nunca tivesse existido.

Alexandre estava finalizando os projetos da empresa, quando seu celular tocou.

— Oi, mãe.

— Mãe? Acho que você esqueceu que tem mãe né, querido? Faz dias que não me liga.

— Não seja exagerada, Dona Heidi. Eu te liguei na semana passada. Aqui está muito agitado, bastante trabalho.

— Eu sempre te falei que você precisa de uma assistente porque desse jeito nunca vai conseguir vir nos ver.

— Eu já tenho uma, mãe! Te falei sobre ela a um ano atrás quando a contratei. Ela tem me ajudado muito e é inteligente.

— E ela é bonita?

— Acho que isso não vem ao caso, não é?

— Hm, tudo bem então. Filho, seu pai está me chamando, depois conversamos.

— Tudo bem, manda um abraço pra ele.

— Mando sim, meu amor, beijos.

Alexandre desligou o celular. Respirou fundo ao se lembrar de seus pais que estão morando na Holanda. Eles vieram ao Brasil somente para construir o império farmacêutico que hoje é a Apotheek, e também, Dona Heidi deu á luz em solo brasileiro. Apesar do sangue holandês, ele preferiu permanecer no país natal e administrar a empresa, porém seus pais voltaram para a Holanda. Por muitas vezes, Alexandre se sentia cansado da rotina que levava, mas nada que uma olhada na conta bancária não resolvesse.

O dia se estendia até o fim do expediente. Era sexta-feira e os funcionários tinham uma baladinha latina que era de costume fazer o happy hour.
Mais uma sexta em que Rayana tentava convencer Andressa de ir junto e ela permanecia resistente ao convite.

— Eu não acredito, Andri! Até o Alexandre já foi visto lá e você não quer ir?

— Ele é solteiro, desimpedido e além do mais, é dono disso tudo aqui, amiga. Ele pode, eu não.

Andressa respondeu enquanto juntava os relatórios na mesa.

— Tudo bem, essa foi a última vez que tentei, ma se lembre que eu tentei.

Rayana cumprimentou a amiga com um beijo no rosto e saiu junto com outros funcionários.
Andressa acabava de arrumar sua mesa, quando viu quão tarde já se fazia. Tentou ligar para Anderson ir buscá-la, mas no bar em que ele estava mal conseguia ouvir o celular que vibrava no balcão ao lado de uma garrafa de cerveja gelada.
Ela estava desanimando de ligar e ficou encarando o celular.

— Já está tarde, não é?

Andressa se assustou ao ouvir a voz de Alexandre ao seu lado e derrubou o celular no chão. Ele se abaixou e pegou, devolvendo-o para ela.

— Desculpa, senhor...

— Andressa..

Falou em reprovação

— Ah sim, desculpa mais uma vez.

Ela dizia envergonhada, enquanto colocava o celular em sua bolsa. Algo fazia com que ela se sentisse nervosa e tímida toda vez que estava ao lado de qualquer pessoa que a olhasse por mais de cinco minutos.

— Porquê você pede desculpas por algo que não foi culpa sua?

Andressa o olhou e seu olhar era curioso. Ela se lembrou de todas as vezes que pediu perdão por situações que ela não tinha causado e percebeu que já estava virando um costume.

— Por nada, impressão sua...

Ela se afobava em guardar tudo em sua bolsa que estava sobre sua cadeira e enroscou o salto no pé da cadeira, fazendo-a tropeçar e quase ir ao chão, quando Alexandre a segurou pelos braços.

— Se acalme, não vá se matar! — Disse ele, irônico. — Não vai ir na Latin Party com o pessoal hoje?

— Não... Tenho compromissos hoje, não vai dar.

Ela disse se afastando um pouco e ajeitando a saia.

— Entendo.

Ele falou com as mãos nos bolsos, caminhando até o elevador e descendo até o estacionamento. Uma dúvida o perturbava e ele queria respostas.
Andressa saiu pela porta de entrada da empresa, se despedindo dos guardas, quando ouviu seu celular tocar.

— Amiga? Já chegou em casa?

Podia-se ouvir a batida do reggaeton do outro lado da linha.

— Ainda não, acabei de sair da Apotheek.

— Vem pra cá Andri, ainda dá tempo. Só falta você!

— Ray, você sabe que o Anderson me mata!

Andressa sussurrou ao telefone.

— Fica tranquila quanto à isso, ele está num barzinho bem tranquilo e bêbado.

Andressa parou e pensou no que Rayana tinha dito. Quando ele bebe fica sonolento e dorme rápido, talvez ele dormisse antes que ela chegasse em casa. Mas a consciência falava mais alto e ela não podia arriscar.

— Estou indo pra casa, Ray.

— Você tá chata hein?!

— E você está muito bêbada, devia ir pra casa!

Rayana desligou o celular enquanto enchia o copo com mais cerveja.

Andressa andou algumas quadras até passar em frente a famosa Latin Party. Ao passar pela porta de entrada, já conseguiu ouvir o refrão de Mi Gente tocar bem alto. A curiosidade surgiu e ela entrou para ver como era. As luzes piscantes e pista de dança cheia invadiram os olhos de Andressa como uma criança ao olhar uma vitrine de doces. Ela recebeu uma máscara e subiu uma escada que levava aos camarotes, até chegar em um que tinha até nome que por um acaso era o de Alexandre. Todos estavam mascarados.
Rayana a recebeu na entrada para que pudesse entrar. Ela se sentou na mesa em que estavam Rayana, André e Pamella, todos gestores de RH da Apotheek. Andressa parecia bem impressionada e a amiga parecia um tanto bêbada.

— Até que enfim, amiga!

Ray gritou enquanto Andressa sorria.

— Poxa vida, pensei que nunca veria a senhorita certinha no meio dos condenados ao inferno.

Disse André com ironia. Rayana gargalhou.

— Pára de ser bobo, André!

Disse Pamella batendo em seu ombro.

— Bom, o que importa é que estou aqui e preciso aproveitar!

Todos gritaram e levantaram seus copos num grande brinde. Rayana enchia o copo para Andressa que começou a beber cerveja.

Alexandre estava a algumas mesas atrás junto com outros funcionários e podia vê-la beber e se animar cada vez mais. Ele observava cada movimento de sua assistente enquanto esvaziava sua garrafa de champanhe ao lado de sua atual namorada que não era ninguém menos que a diretora de marketing de sua empresa. Rebecca tinha um corpo bonito e seus longos cabelos loiros em conjunto com os olhos claros e pele reluzente chamava a atenção aonde quer que fosse. Sua expressão era entediada.

— Amor, vou encontrar um amiga lá embaixo e já volto, tudo bem?

Alexandre consentiu com a cabeça e logo após ela lhe deu um selinho e se foi carregando sua bolsa. Ele permaneceu observando Andressa que se animava cada vez mais ao lado dos amigos.
André dançava na cadeira, fingindo timidez.

— Dançar na cadeira não tem graça.

Falou Pamella.

— Concordo com ela!

Disse Rayana, embriagada.

— Vamos para a pista, gente!

Exclamou André.

Todos se levantaram para descer até a pista. Andressa começou a dançar quando iniciava a música El Perdedor — Maluma, e foi fazendo conforme o ritmo da música até fechar os olhos e não ver mais sua volta. Ela rebolava e se movia com o copo de cerveja em sua mão e sua saia colada estava acentuando suas curvas. Seus cabelos negros estavam soltos à horas. Ela já não tinha pudor algum e mal se lembrava o porquê havia entrado ali.
Ela parou ao sentir mãos envolverem sua cintura. Ela se virou e o viu sorrir ao abraçá-la e era confortável sentir seu corpo colado ao dela, aquilo causava um calor que há tempos ela não sentia. Então, Andressa correspondeu ao abraço.
Sua vista estava embaçada e a máscara atrapalhava um pouco, mas pôde perceber os olhos claros que a olhava e beijou a boca que sorria para ela.