Apostas de Fevereiro
12 Kartódromo
ROMANCES MENSAIS
LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO
CAPÍTULO XI — KARTÓDROMO
A atração é um impulso manifestado quando você se sente atraído por algo ou por alguém. Muitas vezes, desconhecemos a razão, mas somos avassaladoramente puxados em direção aos nossos desejos, como um ímã. Atração não se escolhe, nós apenas a sentimos. Uma série de características físicas, emocionais ou psicológicas está envolvida nesse fenômeno.
Assim, a atração pode ser dividida em duas grandes áreas: a física e a emocional. Elas se completam e constituem a base para qualquer relacionamento. Afinal, sem atração não há conquista. E foi por isso que eu decidi participar da aposta com Mon-El. Por mais que eu não quisesse admitir, ele me atraía muito mais do que eu gostaria.
Certa vez li em algum lugar que a atração física é crucial na arte da sedução. Ela acontece inconscientemente, sem o nosso consentimento, e pode bastar um simples olhar para que ocorra. Não é só o aspecto físico que contribui para isso e, às vezes, ele nem é o fator mais importante. A sinceridade, a personalidade e a capacidade intelectual também exercem influência.
O que é perceptível ao olhar, o que a pessoa aparenta de fato, é importante em um primeiro momento por conta da seletividade natural dos seres humanos. O corpo fala, transmitindo informações sobre sociabilidade, sensibilidade e até mesmo a felicidade das pessoas.
Tendemos a atribuir qualidades psicológicas com base no que percebemos. Ao longo da convivência, se gostamos de viver com uma pessoa, enxergamos menos imperfeições e a atração física aumenta. É um processo.
Desde nosso primeiro encontro, não foi difícil entender o tipo de Mon-El. Um cara extremamente bonito, inteligente e que sabe muito bem dos seus atributos. Eu li muito sobre esse tipo de personagem em meus livros de romance. Um protagonista difícil de se resistir, mas fácil de entender. Ele é o comum protagonista de sorriso sedutor e passado sombrio, que se esconde atrás de uma máscara de sarcasmo e comentários maliciosos.
E foi por isso que eu achei que fosse fácil para mim resistir aos encantos do bartender viciado em motos e aventuras. Achei que fosse ser fácil ignorar essa atração absurda que senti desde que eu o vi pela primeira vez. Mas pelo visto, não foi bem assim. Não é fácil ignorar alguém que aparentemente te atrai de forma emocional também.
Diferente da física, a atração emocional é aquela capaz de chamar a atenção da outra pessoa em um nível mais profundo. Ela representa uma conexão que faz com que o alguém não queira mais sair de perto daquele que deseja. A despedida torna-se uma tarefa difícil. É o tipo de atração que não se dá para ignorar.
De acordo com a Psicologia, esse tipo é muito mais importante do que o primeiro. Se você focar somente no físico, a relação atingirá um nível de superficialidade, onde o desejo carnal assumirá o protagonismo e não será possível ir além.
Uma série de aspectos possibilita que uma pessoa desperte a atração emocional em seu ponto de interesse. Dentre eles o controle emocional, a confiança e o poder. Este último é compreendido como algo enigmático, em que a pessoa dotada dessa característica se revela aos poucos, captando o interesse e a atenção de quem estão interessadas.
As pessoas poderosas envolvem todos ao seu redor com emoções positivas e otimismo. São agradáveis e confiantes, despertam a atração e exigem que se invista nelas com tudo o que possuem. O fator desafio permeia todo o jogo da conquista.
Agora, parada no meio do planetário que ainda não foi inaugurado da Biblioteca Nacional de Hawkins, com as mãos sobre os lábios, tentando controlar todos os meus sentimentos depois de ter cometido a loucura de beijá-lo, eu percebo que eu fui fraca demais para assistir a atração intensa que sinto por ele.
Encarando seus bonitos olhos azuis arregalados pela surpresa de minha ação, eu não conseguia me arrepender do que eu havia feito, mas ainda havia aquela parcela de culpa por me envolver com alguém quando faz apenas cinco dias que terminei o meu namoro. O que há de errado comigo? Ao mesmo tempo em que eu sei que deveria me afastar e encerrar esse encontro maluco, eu queria voltá-lo a beijar, porque esse homem a minha frente é um verdadeiro sonho.
— Kara? — Chama Mon-El e o som sai mais alto do que deveria. Lanço um olhar repreendedor e ele se encolhe, envergonhado como uma criança. — Desculpa.
— Vamos sair daqui antes que algum segurança apareça. — Sussurro, seguindo para fora da sala.
Mon-El me segue para fora do planetário ainda em construção. Eu ainda estava bastante mexida pelo beijo e não sabia bem como reagir. Minha cabeça estava em completo caos. Em situações vergonhosas, eu geralmente conseguia atuar muito bem como se nada tivesse acontecido, mas eu não conseguia fazer nada quando meu coração parecia prestes a sair pela minha boca. Eu também não queria fingir que nada aconteceu, porque bem... aconteceu.
Esperando ganhar mais algum tempo para organizar meus pensamentos e conversar com o rapaz, continuo andando até a saída da biblioteca. Eu realmente precisava de alguns instantes para entender como saímos de uma conversa sobre o planetário para um beijo intenso que me tirou toda a razão e o fôlego.
Sinto meu braço ser puxado e eu acabo parando de andar. Sigo o olhar da mão que me segurava até os olhos cérulos que me encaravam com tanta determinação. Mon-El suspira e me solta, quando ver que eu não continuaria a fugir. Eu ainda não sabia o que dizer, porque eu não ia me desculpar por algo que eu não sentia arrependimento, mas ao mesmo tempo estava envergonhada demais para encarar o homem por muito tempo. Eu havia o beijado. Eu que tinha começado com tudo. Nem mesmo seria possível fingir que a culpa era de Mon-El.
— Não fomos contra as regras. Nós dois queríamos isso.
— Eu sei. — Respondo, sem conseguir formular uma frase melhor do que essa.
— Então por que está fugindo? — Questiona Mon-El, confuso.
— Eu não sei. — Digo e ele bufa. — Eu estou assustada, está bem? Cinco dias atrás eu tinha um namorado com quem estava a dez anos, enquanto esperava por um pedido de casamento que não veio. Agora estou aqui em uma aposta que eu mesma propus e beijei um cara que eu só conheço há alguns dias. Minha cabeça está uma loucura.
— Você se arrepende de ter me beijado? — Pergunta o homem, cauteloso.
— Não. Eu não me arrependo. — Imediatamente respondo a pergunta, porque temia que ele entendesse tudo errado. — Mas eu não sei como agir. Você é bonito e experiente, enquanto eu só beijei um homem em toda a minha vida. E eu te beijei. Meu Deus! Eu te beijei assim de repente. Por que eu fiz isso? James e eu terminamos tem poucos dias. O que as pessoas vão pensar de mim? Eu devo ser uma meretriz.
— Kara, nenhuma meretriz fica se questionando se ela é uma meretriz. — Afirma Mon-El, rindo.
— Como você pode ter tanta certeza? Mulheres normais não saem por ai beijando um cara bonitão depois de ter terminado um longo relacionamento. Eu só posso ter enlouquecido. O que as mocinhas dos meus livros fariam nessa situação? Droga! Eu nunca li nenhum livro onde a personagem principal está na mesma situação que a minha. — Murmuro, andando de um lado para o outro. Mon-El me encara confuso.
— Kara, dá para ficar calma?
— Se estivéssemos em um livro, eu seria a pior protagonista de todas e a mais atrapalhada. — Reclamo, inconformada. — Quer dizer, esse tipo de confusão por causa de um beijo só deveria acontecer quando os protagonistas estão extremamente apaixonados, mas esse não é o nosso caso. Eu te beijei e não me arrependo. Por que eu não me arrependo? Por que eu estou tão atordoada assim? Foi só um beijo, certo? Sim. Foi apenas isso.
— Kara. Para de surtar.
— Eu não deveria estar sofrendo por James? Não. Eu realmente devo ter sido contagiada pela sua beleza ou sua personalidade poderosa. Você deve ser aquele tipo de influência que mexe com a minha cabeça e me faz....
Antes que eu continuasse o meu monólogo, Mon-El agarra meus ombros e me beija novamente. Ele desce um de suas mãos até a minha cintura, trazendo-me para mais perto e com a outra mão em minha nuca, o homem me domina por completo. O beijo intenso e inesperado deixa minha mente em braco. Correspondo apenas por instinto, sem qualquer controle de meu corpo.
— Será que dá para se controlar? — Pergunta Mon-El, assim que nos separamos. Assinto, completamente sem palavras. — Ótimo.
Eu tenho que admitir que nunca imaginei sentir tanto calor e intensidade em um beijo. Claro que eu tinha lido em diversos livros o momento tão aguardado pelos leitores, onde a mocinha finalmente beija o protagonista bonitão que conseguiu conquistar seu coração. Mas sendo sincera, nenhum livro descreve a sensação de se viver isso. James jamais havia me beijado com tanta urgência assim. Nem me segurado com tanta intensidade. Minhas pernas ainda estavam um pouco moles pela pegada de Mon-El.
— Eu agradeço pelos elogios. Claro que eu sempre soube do meu dom de atordoar as mulheres com os meus beijos. — Brinca Mon-El e eu acabo dando um tapa em seu peito.
— Deixa de ser convencido! — Resmungo e ele ri.
— O quê? É você que estar surtando por termos nos beijado e por ter gostado. — Retruca o homem, afastando-se de mim. Bufo, porque infelizmente, aquilo era verdade. Eu definitivamente devo ter perdido qualquer traço da minha sanidade. — Eu entendo que esteja confusa, mas você e James já terminaram. Não fizemos nada de errado. Nós concordamos que se rolasse o clima e os dois estivessem ciente e consciente do que estávamos fazendo, nós deixaríamos acontecer.
— Eu sei. — Sussurro, contrariada.
— Eu não quero que se sinta pressionada. Não estamos em um relacionamento, mas ao mesmo tempo, gosto do fato de sermos sinceros um com o outro. Se realmente se sente tão incomodada por termos nos beijado, então eu vou esperar até que realmente possa deixar isso acontecer sem ficar se sentindo culpada por causa do babaca do seu ex. — Mon-El suspira e me encara sério.
— Eu não estou incomodada. Eu acho que apenas não sei como reagir. — Confesso, dando um sorriso sem graça. — Acho que você já percebeu que eu sou insegura. Eu não estou acostumada a beijar... bem, a beijar alguém que conheço a menos de uma semana. Eu também não quero decepcionar ninguém. Seja você por causa do nosso beijo ou as pessoas com quem eu convivo por seguir em frente tão rápido.
— Eu gostei do nosso beijo. Não importa se você beijou apenas um homem ou mais. Nem quantas pessoas eu já fiquei. Nosso passado não importa, Kara. Não importa o que as pessoas digam ou pensem. Vamos apenas viver. Sem nos preocuparmos com o que pensam sobre nós ou como você deveria se comportar depois de terminar um longo relacionamento. Você e eu somos adultos. Somos responsáveis pelas nossas escolhas e ninguém tem nada a ver com isso. — Afirma Mon-El pegando em minha mão.
— Obrigada. — Agradeço, sentindo-me mais calma.
— Por que não vamos a um lugar divertido? — Sugere, puxando-me para mais perto.
— Está dizendo que a biblioteca não foi divertido? — Questiono, encarando-o com desconfiança.
— Está brincando? Se eu soubesse que a ida a uma biblioteca poderia ser tão... — Mon-El se aproxima seu rosto do meu com um olhar sedutor e um sorriso malicioso. — interessante, eu teria vindo antes. Bibliotecas são realmente mágicas.
— Só agora você percebeu? — Sussurro, entrando no jogo do homem. — Acontece que o que torna tudo ainda melhor é a minha companhia.
— Eu não tenho dúvidas disso. — Responde Mon-El, quase voltando a me beijar. Coloco a mão sobre a boca dele, olhando com diversão para o olhar decepcionado do bartender.
— Você não iria me levar para um lugar divertido? — Questiono e ele revira os olhos, soltando-me.
— Você se importa se eu dirigir? — Pergunta, colocando as mãos nos bolsos de sua calça. Era impressionante como um pequeno gesto como esse conseguia se tornar algo extremamente interessante apenas por ser Mon-El a fazê-lo.
— Vai em frente. — Digo, entregando a chave do carro para ele.
Mon-El sorri e estende a mão para me conduzir. Rio e pego em sua mão. Ele me leva até o lado do passageiro do carro e abre a porta para mim. Enquanto ele se dirige para o banco do motorista, coloco meu sinto de segurança e respiro fundo tentando controlar minhas emoções. Eu preciso manter a calma se quiser ganhar a aposta. Depois de admitir para mim mesma que me sinto estupidamente atraída por Mon-El, meu coração está correndo um grande perigo. Eu não posso permitir que ele continue conduzindo a situação. Não quando tudo o que ele faz parece transformá-lo no cara dos meus sonhos.
[...]
Kartódromo Internacional Nova Odessa. Esse era o lugar divertido de Mon-El. Não que eu estivesse mesmo surpresa com nosso destino. Isso na verdade é bem a cara do homem que parece procurar inúmeras formas de se aventurar. Seja pilotando uma moto enorme, destruindo carros em Rage Rooms ou fazendo manobras perigosas com garrafas de vidro em espetáculos como bartender, pilotar kart com certeza não era algo tão impossível para ele.
— Espero que não esteja pensando que eu vou pilotar. — Aviso, enquanto descemos do carro. Mon-El ri e me encara em desafio. — Eu estou falando sério. Diferente de você, eu tenho amor a minha vida. Não vou dirigir um veículo minúsculo em alta velocidade.
— Você devia confiar mais em mim. Isso é mesmo divertido. Você sente a adrenalina percorrendo todo seu corpo e é quase como se estivesse voando. — Conta o outro, completamente animado.
— E você por acaso já voou? — Pergunto e ao ver o sorriso de Mon-El, eu já sei sua resposta. — Não. Não responde. Você com certeza já fez alguma loucura do tipo. Isso é mesmo a sua cara. Deixa eu adivinhar. Você já pulou de paraquedas.
— Sim. E de asa delta, de parasailing, de balão, de parapente, de wingsuit, de flyboard, de bungee jumping e BASE jumping. — Responde e o encaro como se ele fosse um alienígena. — O quê?
— Você é louco. — Afirmo, sem acreditar que eu estou me envolvendo com um maluco que parece procurar a morte. — Qual é a dessa fixação por colocar sua vida em perigo?
— Eu só gosto de me sentir vivo.
— Tentando se matar? — Pergunto, confusa. Mon-El gargalha e passa seu braço por cima dos meus ombros, trazendo-me para mais perto.
— Como você se sente depois de andar em uma montanha-russa? — Pergunta e eu o encaro descrente. — Antes de subir, você fica nervoso, mas quando desce tem uma sensação muito prazerosa de euforia. A minha infância inteira e a maior parte da minha adolescência foi controlada. As pessoas sempre me diziam o que eu tinha que fazer, como eu precisava seguir um padrão e agir conforme as etiquetas esperadas pela sociedade. Isso sempre me frustrava. Então a liberdade sempre me atraiu. Eu gosto de sair da zona de conforto e ter a certeza de que estou vivendo sem arrependimentos.
— Você é realmente louco. — Digo, rindo. — Mas eu acho que entendo um pouco do que você quer dizer.
— É mesmo? — Pergunta, assim que chegamos a bilheteria do kartódromo. Ele tinha um sorriso convencido no rosto.
— Eu disse um pouco. Não acho que eu precise colocar minha vida em risco para isso. — Resmungo e ele ri.
— E qual seria a graça disso? — Questiona Mon-El com um olhar divertido.
— Quanto mais eu te conheço, mais tenho certeza de que você tem um parafuso a menos nessa sua cabeça. — Respondo, olhando em volta.
— Mon-El Mike Matthews. — Cumprimenta um homem careca, que não parecia ser muito mais alto do que eu. Ele era gordinho e tinha um sorriso animado em seus lábios. — Quanto tempo, meu amigo! Finalmente resolveu dar o ar das graças em nosso humilde kartódromo?
— Juan Beat Gonzales. — Responde Mon-El, rindo. Eles se cumprimentam em um abraço apertado. — É muito bom te encontrar. Achei que estaria fora da cidade fazendo o que homens de negócios poderosos fazem.
— Que seria? — Pergunta Juan com curiosidade.
— Esbanjando dinheiro com coisas inúteis e jogando na cara de nós, humildes proletariados, a sua grandiosa fortuna. — Brinca Mon-El, fazendo seu amigo gargalhar alto.
— Você não mudou nada, Mike. — Responde Juan, rindo.
— Você também não, Beat. — Afirma Mon-El, voltando a ficar ao meu lado. — Essa é a minha amiga Kara. E Kara, esse é um dos meus grandes amigos, Beat. Ele é dono desse kartódromo e um amigo de longa data de Clint, ou seja, ele tem muito dinheiro.
— Não o bastante para conseguir me livrar de você, mas tudo bem. — Brinca Beat, sorrindo desafiador. Ele então me encara e estende a mão. — Muito prazer em conhecê-la, Kara.
— Digo o mesmo, Beat. — Aperto a mão de Beat e dou o meu melhor sorriso. Ele realmente parecia ser uma boa pessoa. Novamente, eu não me sentia surpresa por Mon-El conhecer alguém tão importante quanto o dono do kartódromo. É como se ele conhecesse todos da cidade.
— Confesso que estou surpreso de você vir acompanhado. Você geralmente vem sozinho. Ela é realmente só sua amiga? — Pergunta Beat, lançando um olhar malicioso.
— Estamos em uma aposta para saber quem se apaixona por quem primeiro. — Responde Mon-El como se não fosse nada demais. Ele me lança uma piscadela e volta a passar o braço por cima dos meus ombros. — Quem você acha que vai vencer essa aposta, Beat?
— Eu realmente espero que seja ela. Eu sonho com o dia em que eu vou te ver de quatro por uma mulher e sem esse seu sorriso convencido de quem pode ter quem você quiser dessa cidade. — Beat sorri cúmplice para mim. — Estou na torcida por você, Kara. Agarre o coração desse convencido e o dome. Mas não machuque o coração dele. Apesar de ser um idiota irritante, ele é uma boa pessoa.
— Grande amigo você é, Beat. — Resmunga Mon-El, fazendo bico.
— Pode deixar. — Respondo, sorrindo.
— E como presente para vocês, darei os ingressos de hoje. Andem a vontade de kart e se divirtam. — A fala de Beat anima Mon-El que sorri como uma criança. Beat entrega duas entradas para o amigo que estavam em seu bolso e encara o relógio de pulso. — Agora eu preciso ir. Vejo vocês depois. Vê se não desaparece, Mike.
— Não se preocupe. Eu voltei para a cidade para ficar. — Afirma Mon-El com seriedade. Beat encara o amigo surpreso, mas sorri amável em seguida. — Dessa vez, eu tenho motivos para ficar.
— É muito bom ouvir isso de você, meu amigo. — Beat abre os braços e Mon-El o abraça. Quando os dois se separam, o dono da Nova Odessa me encara com carinho. — Boa sorte, Kara.
— Obrigada, Beat. — Agradeço e ele me dá um forte abraço antes de ir embora. Observo-o partir e me viro para Mon-El. — Ele é sujeito interessante.
— Ele é um traidor. Como ele pôde ficar ao seu lado quando se diz ser meu amigo? Parece que todo mundo estar contra mim. Até Imra falou que eu vou perder. — Resmunga o homem, caminhando em direção a entrada do kartódromo.
— Eu não sei quem é Imra, mas todos dizem isso, porque sabem da verdade. Você já deveria ir se acostumando. — Provoco e ele revira os olhos, dando-me língua em seguida.
— Imra é a minha melhor amiga. Ela mora em Filadélfia, cidade onde eu estava antes de voltar para Hawkins. — Explica Mon-El, sorrindo nostálgico. — Nós namoramos por um tempo e depois terminamos porque a gente se amava, mas não de uma maneira romântica. Ela cuida de mim como uma irmã mais velha e é a pessoa mais gentil que eu conheço. É a pediatra mais dedicada e competente dos Estados Unidos. Acho que vocês se dariam muito bem.
— Ela parece mesmo ser uma pessoa incrível. — Comento, sem saber como reagir a informação compartilhada por Mon-El.
— Ela é sim. — Concorda o rapaz, dando um sorriso carinhoso ao lembra da ex-namorada. — Agora v vem. Vamos colocar os equipamentos de segurança para pilotar o kart.
— Eu não vou pilotar. — Digo determinada. — Não há nada que você possa fazer que me convença do contrário.
— É mesmo? — Questiona Mon-El, dando um sorriso perigoso.
E por fim, eu acabo mesmo pilotando o maldito kart. Por que eu nunca consigo dizer não a esse maluco viciado em adrenalina? Eu odeio o fato de ir pela cabeça de Mon-El e acabar participando de suas loucuras. Mas mais do que isso, eu odeio ainda mais gostar dessas loucuras. É como se a cada aventura proposta por esse louco, eu descobrisse um pouco mais sobre mim e conhecesse lados corajosos que eu jamais imaginei que teria.
Fale com o autor