ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO V — EXPLICAÇÕES

Meu coração estava em pedaços. Eu não sabia a quantas horas eu estava chorando sentada na calçada da rua, mas era o suficiente para que os estabelecimentos locais fechassem e tudo que restasse fosse o agonizante silêncio de uma noite fria de inverno. Eu não fazia ideia de onde eu estava e pouco me importava. Aquele definitivamente era o pior dia da minha vida.

Depois de tudo, eu não queria voltar para casa e relembrar os momentos que tive ao lado de James naquele lugar nos últimos cinco anos. Ligar para Lena e Winn estava fora de cogitação. A vergonha e a dor por minha melhor amiga estar certa sobre meu agora ex-namorado me impediam de ir atrás das pessoas que mais poderiam me consolar.

Alex também não parecia ser uma boa escolha, levando em consideração que ela seria a primeira a jogar na minha cara que sempre me alertou sobre a personalidade do homem com quem passei dez anos da minha vida dedicada a ela. Minha irmã mais velha era capaz de pegar o primeiro avião de Los Angeles para Hawkins apenas para destruir a casa, o carro e a vida de James. Tudo o que eu menos desejo nesse momento é mais problemas.

Penso até mesmo em Eleven, minha adorável aluna de catorze anos que parecia ter mais maturidade e sabedoria que muitos adultos, mas ela provavelmente estaria muito abalada por seu passado como cobaia de experimentos ter sido revelado. Becky havia se provado uma verdadeira cobra ao manipular uma antiga notícia sobre o vício a medicamentos que Eleven tinha adquirido com os experimentos que o próprio pai fazia na garota e espalhado pela escola.

Talvez eu estivesse sendo infantil ao fugir dessa situação, mas eu me sentia tão estúpida. Por que eu não dei ouvido as pessoas que sempre me avisaram sobre meu namoro com James? Por que eu continuei a insistir em algo que pelo visto todos viam que não daria em nada? Por que mesmo sabendo que ele é um idiota, eu continuo a sentir que tudo isso é por minha causa?

De repente, vejo uma moto preta enorme se aproximando lentamente. Prendo minha respiração, pensando que a única coisa que faltava para completar o meu dia era ser assaltada. Nesse instante, esqueço até mesmo do babaca do meu ex-namorado e começo a rezar pela minha vida. Por que justo hoje eu resolvi andar pelas ruas sozinha? E se eu gritar? Será que alguém nessa rua deserta virá me socorrer?

O motociclista então para e retira o capacete. Um suspiro de alívio escapa de meus lábios ao identificar Mon-El e a sua inseparável Scarlett. Ele me encara por um tempo, enquanto eu permaneço sem reação. O homem de jaqueta de coura desce da moto e se senta ao meu lado, em silêncio. Observo-o, esperando uma piada ou risadas de sua parte, mas tudo que ele faz é encarar o céu estrelado e a tímida Lua brilhando em sua fase minguante.

— Pode rir. — Digo, querendo acabar com aquela tortura. — Pode jogar na minha cara que eu fui idiota por acreditar naquele maldito por tanto tempo.

— Eu não sou o tipo de pessoa que gosta de rir da desgraça alheia. Menos do seu ex-namorado. Apesar de ter feito uma saída digna de um Oscar, ainda acho que deveria ter quebrado o copo de água na cabeça dele. Seria bastante satisfatório. — Responde Mon-El, dando uma piscadela. Não consigo evitar um riso fraco pelo seu comentário. — Isso! Assim é bem melhor.

— O quê? — Pergunto, confusa.

— O seu sorriso. Você fica muito melhor sorrindo. — Afirma o motociclista e ao ver a sinceridade com a qual ele fala, sinto-me envergonhada. — Eu não sei o motivo de ter ficado tanto tempo com aquele babaca, mas você não fez nada de errado. Era ele quem deveria estar sentado em uma calçada deserta em uma rua escura, chorando por ter perdido uma mulher tão bonita e interessante quanto você.

— Você não consegue ficar nenhuma frase sem dar em cima de uma mulher? — Indago, sem saber como reagir a tantos elogios.

— É algo natural para mim, mas dessa vez, eu estou sendo sincero. Sem segundas intenções. Eu juro. — Mon-El parecia mesmo estar dizendo a verdade.

— Você nem mesmo me conhece. Como pode achar que eu sou interessante? — A pergunta faz Mon-El sorrir e me encarar com uma expressão de divertimento em seu rosto.

— Até agora eu não me senti entediado enquanto estive com você. — Confessa, dando uma piscadela. — Você tem reações divertidas, apesar de parecer se conter muito com as pessoas. Por que deixou aquele babaca escolher a sua refeição e mandar em você?

— Eu não sei. Acho que só aprendi a ser dependente de James. — Respondo com sinceridade. — James e eu somos de uma cidade chamada National City na Califórnia. A cinco anos atrás, um pouco depois que eu terminei a minha faculdade de Letras, ele recebeu uma proposta para trabalhar aqui em Hawkins como diretor de arte da CatCo Worldwide Media, que é um conglomerado de mídia. Ele então me convenceu a vir para essa cidade, que apesar de grande é bastante pacata. Diferente do que imaginei, nós não passamos a morar juntos. Ele dizia que preferia manter a nossa privacidade e respeito pelos meus pais, por isso só moraríamos juntos quando nos casássemos. Eu não conhecia ninguém aqui e foi difícil me adaptar a solidão que era ficar longe da minha família e amigos, tendo apenas James como companhia, já que nunca fui uma das melhores pessoas do mundo para fazer amizade. Olhando para trás, eu só consigo pensar em como eu fui idiota por fazer todas as vontades dele sem nem mesmo pensar em mim. Por que eu sou assim?

— Você mudou de cidade apenas por ele? — Questiona Mon-El, surpreso. — Você deveria o amar muito para se mudar para uma cidade sem conhecer ninguém para nem mesmo morar com ele. Em nenhum momento pensou em voltar para a sua cidade natal?

— Sim, mas logo depois nosso melhor amigo de infância veio para a cidade para trabalhar na CatCo com James e eu não me senti mais tão sozinha. Eu conheci a minha melhor amiga Lena e minha irmã mais velha ainda veio ficar um tempo comigo. Então comecei a fazer a minha especialização em Literatura e logo em seguida consegui um emprego na Hawkins High School. Apesar de tudo, eu consegui realizar um grande sonho por aqui, por isso nunca retornei para National City. — Conto, nostálgica ao me lembrar daqueles tempos.

— Mesmo agindo por motivos idiotas, você foi muito corajosa ao fazer isso. — Comenta o motociclista, dando um sorriso discreto.

— Eu não sou tão corajosa assim. Para ser sincera, tudo o que eu fiz foi seguir meu namorado, acreditando que em breve nos casaríamos. Sempre foi um sonho meu construir uma família. Eu planejava fazer isso com James. Eu criei meus planos sempre em volta dele e agora... nada mais faz sentido. — Volto a chorar de forma patética. — E sabe o que é pior? Agora eu vejo que os meus amigos têm razão. Eu sou previsível demais. Eu sempre me calo com medo de criar problemas, não consigo me adaptar a mudanças, então eu sempre vou aos mesmos lugares com as mesmas pessoas, como e bebo as mesmas coisas.... Eu nunca me arrisco. Nunca fiz nenhuma loucura. A minha vida inteira foi planejada para que nada desse errado e ninguém se decepcionasse comigo. Isso não é patético? Eu só queria ser mais corajosa e imprevisível como a minha irmã mais velha ou como Lena. Eu tenho certeza de que ela jamais ficariam no meio da rua chorando de forma humilhante como estou fazendo.

— Gritar com o babaca de seu namorado na frente de um monte de ricos idiotas e irritantes, jogar água na cara daquele estúpido e sair do restaurante com a cabeça erguida não me parece algo muito previsível para alguém que se diz nunca ter feito nenhuma loucura. Só hoje, eu te vi se jogar na frente de uma moto, enfrentar um desconhecido que dava em cima de você e terminar um namoro de dez anos. Você é muito mais corajosa do que imagina. Eu não sei o que seus amigos pensam de você, Kara, mas não deveria se subestimar dessa forma. — Aconselha Mon-El com seriedade. Ele então se levanta e estende sua mão. — Agora vamos.

— Para onde? Eu não quero ir para casa. — Resmungo, encarando o motociclista.

— E quem falou em casa? Você não quer ser imprevisível? Então, você vai beber o vinho que você queria, se divertir e esquecer que um dia teve alguma coisa com aquele idiota. — Responde o rapaz, sorrindo divertido.

— Mas amanhã eu trabalho. — Relembro da minha triste realidade. As vozes de James, Lena e Winn me chamando de previsível veem a minha mente e tenho uma súbita vontade de provar a mim mesma que posso sim ser imprevisível. — Quer saber? Vamos lá.

Pego na mão estendida por Mon-El e ele me puxa para me levantar. O rapaz então coloca seu capacete sobre a minha cabeça e me cobre com sua jaqueta de couro. Prendo minha respiração ao sentir o calor e o perfume inebriante daquele homem. Ele então se senta em sua moto. Observo aquela enorme moto, pensando se seria seguro andar nessa máquina mortífera.

— Você não vai sentir frio sem sua jaqueta? — Pergunto, observando que ele vestia apenas um suéter branco que não parecia esquentar tanto. Dessa forma também era possível observar o corpo bem definido de Mon-El. Repreendo-me por prestar atenção em detalhes desnecessários.

— Não se preocupe com isso. Achei que já tivesse percebido que eu sou um cara quente. — Brinca Mon-El, sorrindo malicioso. Bufo, rindo de como esse estranho consegue arrancar sorrisos meus com comentários estúpidos como esse.

— Você é um idiota. — Afirmo e ele ri, concordando.

— Vem logo. — Apressa o homem, ligando a moto. — Coloque seu pé direito sobre esse pedal e se apoie em meus ombros para subir. É simples.

— Você está sem capacete. — Sussurro, preocupada.

— Não se preocupe. Nós não iremos muito longe e eu serei cuidadoso. Agora vem, antes que você perda o show. — Insiste Mon-El, sorrindo daquela forma bonita que parece fazer algo contra meu estômago. — Depois de tudo, um pouco de adrenalina vai te fazer bem. Eu tenho certeza de que você não vai se arrepender.

Respiro fundo, tentando controlar o meu nervosismo e o medo que sentia. Visto melhor sua jaqueta, sabendo que quando o veículo começar a andar, eu sentiria bastante frio. Assim como orientado por ele, subo pela primeira vez em minha vida em uma moto e me agarro em sua cintura, temendo cair. Eu não sei o que acontece comigo, mas esse homem parece despertar um lado em mim até então desconhecido. Estranhamente, eu confio nele o bastante para contar sobre minha vida e ainda subir em sua moto, quando nem mesmo o conheço direito.

— Não me deixe cair. — Imploro, agarrando-me ainda mais contra o homem. Mon-El ri, parecendo se divertir com minha reação. — Eu estou falando sério!

— Não se preocupe, gatinha selvagem. — Afirma o motociclista, encarando-me por cima do ombro. — Enquanto você estiver comigo, nunca irá se machucar.

E sem esperar que eu o respondesse, Mon-El passa a andar. Encolho-me contra ele, sentindo o vento se chocar contra nós. A minha sorte é que eu vestia uma calça, a jaqueta de couro e botas, caso contrário eu provavelmente congelaria com o frio que fazia.

— Você deveria aproveitar o passeio. — Grita Mon-El para que eu o escutasse. — Segure em meu ombro e olhe em sua volta.

— Eu vou cair se fizer isso. — Respondo, preocupada.

— Não. Você não vai. Confie em mim. — Pede o homem. Eu nem mesmo tinha motivos para confiar em suas palavras, mas ainda assim eu confiava. Ignorando meus pensamentos e o medo, seguro nos ombros de Mon-El e abro meus olhos.

Meu coração bate como um louco, enquanto minha boca se abre levemente ao ver que passávamos pela ponte de travessia do extenso rio que corta a cidade. Era impressionante observar como o frio tornava aquela paisagem tão bonita. O céu estava ainda mais estrelado e era possível ver as luzes da cidade brilhando no horizonte. Sozinhos naquela estrada, eu sentia a adrenalina percorrendo meu corpo. Todos os meus pensamentos e sentimentos negativos se vão, dando lugar a uma emoção completamente diferente de qualquer outra que eu já senti.

— Isso é incrível! — Afirmo, deslumbrada com a paisagem.

— Você deveria aproveitar esse momento para fazer como nos filmes. — Recomenda o rapaz, rindo. — Por que não abre os braços e grita com todas as suas forças?

— Você está louco? Já se passa da meia noite. — Digo, rindo.

— Vamos lá, Kara! Seja corajosa! Mostre para todos que eles estão errados sobre você. Coloque para fora todos esses sentimentos que você tem reprimido por tanto tempo. — Insiste Mon-El e pondero sobre suas palavras.

Eu realmente reprimi muitos sentimentos nesses últimos dez anos. Tudo em função de James. Para satisfazer as vontades dele e garantir o bem de nossa relação. Eu me dediquei completamente a ele e deixei de lado todos os meus desejos. Não posso mais viver minha vida pelos outros. Eu tenho que mudar.

Respiro fundo e vou me soltando aos poucos de Mon-El. O medo se misturava a adrenalina e a expectativa tornando aquele momento ainda mais emocionante. Sorrio ao conseguir abrir os braços e sentir o vento bater contra mim.

— Eu estou livre! — Grito com todas as minhas forças e Mon-El acelera ainda mais.

Durante a travessia grito, tentando me livrar de todas as mágoas, frustrações e tristezas. Pensar em James fazia meu coração doer como nunca. Eu tive com ele o meu primeiro beijo, ele foi o meu primeiro namorado e a primeira pessoa com quem fiz amor. Em todos os momentos esses importantes de minha vida, ele sempre foi a pessoa que mais amei e confiei. Agora eu preciso me livrar de meus sentimentos e seguir em frente. Pensar nisso faz minhas lágrimas voltarem a cair, mas diferente das outras vezes, eu apenas me permito sentir aquela dor e o luto de dar adeus à algo que provavelmente nunca foi real.

Quando chegamos ao local onde Mon-El provavelmente queria que eu bebesse e me divertisse, eu já estava mais calma. O nome Hawkeye brilhava nos letreiros do que parecia ser uma casa de show. O motociclista me ajuda a descer da moto e me encara com um olhar divertido. Suspiro e observo mais atentamente o lugar. Havia uma grande fila para entrar, mesmo sendo madrugada de terça-feira, o que me fez supor que aquele lugar era bastante requisitado.

Mon-El me puxa pela mão para a entrada do lugar. Mais de perto, vejo que há cartazes que lembravam as antigas casas de show de striptease. Ao invés de irmos para o fim da fila, o rapaz me guiava para a porta de entrada e cumprimentava animadamente algumas pessoas. O segurança parece reconhecer Mon-El e o abraça calorosamente, antes de abrir espaço para que ele entrasse. Mon-El continua a me guiar até que vejo o salão com um palco e diversas pessoas dançando, bebendo e conversando.

— Conheça Hawkeye, a casa burlesca mais badalada de Hawkins. — Apresenta Mon-El próximo de mim, sorrindo. — A verdade é que eu trabalho aqui, mas tive que cobrir um dos garçons no Sense's que pertence ao mesmo dono, Clint Barton.

— Eu nem mesmo sabia que ainda existia lugares como esse. Achei que a moda burlesca havia sido extinta na década de noventa. — Comento, curiosa.

— Por isso esse lugar faz tanto sucesso. Diferente do que era antigamente com mulheres nuas, nesse lugar as meninas se apresentam com fantasias diferentes, cantam e dançam. É sempre divertido assistir. Isso atrai a atenção de todos os tipos de pessoa. Eu ajudei a abrir esse lugar quando tinha dezessete anos e ainda morava em Hawkins. Foi nesse lugar que eu aprendi tudo que sei sobre drinks e apresentações com bebidas. Depois de seis anos, eu estou de volta. Hoje seria meu primeiro dia de trabalho se não tivesse ido para o Sense's.

— Esse lugar é incrível. — Afirmo, impressionada com a beleza daquela casa burlesca.

— Vem. Eu vou te apresentar para algumas pessoas e te dar o melhor drink da sua vida. Será preparado especialmente por mim. — Mon-El volta a pegar em minha mão e me guia pela multidão que se divertia intensamente. Era incrível como essas pessoas não se importam nenhum pouco que é início de semana.

Assim que chegamos ao espaço do bar, ele sorri animado. Uma mulher de peruca loiro platinado e batom preto metalizado preparava os drinks e sorria para as pessoas que assistiam sua apresentação. Era incrível habilidade dela de jogar as garrafas de bebida e tornar qualquer simples movimento em um espetáculo.

— Uau. — Sussurro, embasbacada. Ela era impressionante. Seus movimentos eram precisos e elaborados para que ela conseguisse dançar, enquanto preparava o drink. — Ela é incrível.

— Essa é a Caitlin Snow. — Mon-El apresenta a garota, sorrindo. — Aqui, ela é chamada de Nevasca. Ela é uma das minhas aprendizes e a funcionária mais antiga da Hawkeye. É uma boa menina, apesar de ter a personalidade forte.

— Acho que eu nunca conseguiria fazer o que ela faz. — Digo e Mon-El ri. — É sério!

— Isso é resultado de muito treino. — Explica Mon-El, observando a colega de trabalho. — Vem. Eu vou te apresentar para ela.

Quando Nevasca termina sua apresentação, Mon-El aparece e ela abre um grande sorriso. Os dois se cumprimentam com um forte abraço. Eles realmente pareciam ser muito amigos Pelo tempo que eles conversam e permanecem abraçados, começo a me sentir um pouco deslocada. Eles se separam e Mon-El passa o braço por cima de meu ombro, puxando-me para mais perto do balcão de bebidas.

— Ela é linda. — Comenta Caitlin, deixando-me envergonhada. O sorriso da loira se alarga ainda mais. Observo seu rosto e era interessante a sua maquiagem. O rosto estava branco assim como a neve e ela usava uma lente de contato azul quase branco. Os olhos eram delineados levemente com o preto. O grande destaque da maquiagem era o seu batom preto prateado que surpreendentemente combinava com ela. — Seja bem-vinda, Kara. Mon-El acabou de me dizer que você deu o pé na bunda de um otário. Isso com certeza merece uma comemoração.

— Obrigada, eu acho. — Respondo, sem saber como reagir a animação de Caitlin.

— Agora que você está aqui, bem que podia assumir o bar, Mon-El. — Pede a garota, fazendo bico. — Eu sei que está cansado por causa do Sense's e que já acabou o seu horário de trabalho, mas eu preciso me preparar para a apresentação de hoje e você sabe que com a falta de pessoal, vamos precisar de o máximo de meninas possíveis. Eu até peço para o Sr. Barton te pagar meio expediente para compensar o seu trabalho duro.

— O que você não me pede chorando que eu não faço sorrindo? — Responde Mon-El e Caitlin sorri. — Mas, ao invés de receber meio expediente, eu quero as bebidas que irei preparar para minha amiga Kara sejam liberadas.

— Feito! — Concorda a garota, lançando uma piscadela para mim. — Eu vou indo agora. Você já sabe como funciona aqui, então divirta-se!

Caitlin passa por debaixo do balcão e desaparece em meio a multidão, sob as vaias desanimadas da plateia que a assistia. Mon-El ri e me encara com divertimento.

— Eu vou pagar pelas bebidas. — Respondo e ele nega, imediatamente.

— Pense nisso como um presente de consolo e de felicitações para você. — Afirma Mon-El e eu suspiro, pronta para argumentar contra. — Eu não vou te cobrar nada em troca, não se preocupe. Nesse momento, estou apenas sendo um bom amigo. Nada mais que isso.

— Tudo bem. — Concordo, dando-me por vencida. Ele realmente parecia estar dizendo a verdade. — Obrigada. De verdade.

— Aproveite a noite. — Responde, apontando para que eu me sentasse. Mon-El entra no espaço do bar e retira o suéter que usava, ficando apenas com uma camisa preta. A presença do bonito homem chama a atenção do público. — Boa noite, senhoras e senhores. Eu sou o Lar Gand e irei preparar as bebidas de vocês. Nosso amigo Black irá organizar anotar o pedido de vocês, certo, Black?

— Exatamente! — Responde um jovem negro careca com uma máscara preta, roupas da mesma cor e a letra "B" na cor dourada estampada em seu peito.

— E vamos começar com um drink feito especialmente para a minha amiga Kara que está tendo um dia bem ruim. Aplaudam essa mulher incrível! Essa é para você, Kara!

De repente, todos que estavam voltam passam a bater palma e gritar meu nome. Eu não sabia onde esconder a minha cara de tanta vergonha. Mon-El pega alguns ingredientes e começa a preparar um drink que eu nem fazia ideia do que era. Ainda mais impressionante que Caitlin, Mon-El fazia arriscados malabarismos com agilidade e efeitos incríveis. O carisma dele para atrair a espectadores era inexplicável.

A apresentação era bonita e os comentários a cada movimento mais perigoso deixava a todos encantados. Eu não fazia ideia de como ele rodava e jogava aquelas bebidas, mas a cada bebida colorida adicionada ao copo, mais curiosidade eu sentia de saber o sabor daquele drink. Assim que a mistura roxa, azul e rosa fica pronta, ele me entrega a bebida.

— Experimente e nos diga o que achou, Kara. — Pede Mon-El e vejo que sou alvo de olhares curiosos daqueles que assistiram a apresentação. Cautelosa, pego um canudo e bebo um pouco do drink. Surpreendo-me com o sabor.

— É doce e saboroso. — Comento, tomando mais um pouco em seguida. — Eu não sei identificar o sabor, além de um pouco de morango e acho que limão. É muito bom.

— E ela gostou, pessoal! — Exclama Mon-El, animado.

Depois disso, as pessoas começam a comemorar e pedir seus drinks. Eu bebia sem pensar no amanhã. Era gostoso e me fazia esquecer todos os problemas daquele dia. Mon-El e as pessoas em volta sempre interagiam comigo e me divertiam. A apresentação das meninas com uma música animada, que não consegui identificar o nome, mas elas dançavam o que supus ser Cancan.

As roupas volumosas e a alegria presente em seus movimentos era surpreendente. Caitlin parecia guiar as garotas e animava o público. E nesse momento eu entendi o porquê de haver tantas pessoas naquele lugar, mesmo sendo terça-feira. Aquele lugar parecia mágico e trazia conforto aos corações entristecidos.

Notas finais
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