Apostando nossas vidas!
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Pov's Lexi [On]:
Havia chegado há umas duas horas de Miami. Entrei receosa em meu apartamento. Pensava em como Jeremy poderia estar neste momento. Eu, além de ter ido embora e tê-lo deixado lá, peguei um pouco de seu dinheiro. Tudo que espero é que talvez algum dia ele me perdoe.
Assim que coloquei o pé em casa vi minha sala de estar enfeitada com várias tirinhas de papel colorido e um monte de confetes voaram em minha direção quando cruzei a porta. Ouvi um enorme grito de "surpresa!" e pude ver que Leyla, Marcos e Jeferson estavam lá, me esperando.
Mas os sorrisos que eles tinham logo se foram quando eles notaram que eu estava sozinha e perguntaram:
–Cadê o Jeremy?
–Longa história.-foi o que respondi. Não estava a fim de dar satisfações, dos meus problemas cuido eu.
–Como assim? O que você fez?-perguntou Marcos.
–Sério que você realmente fez aquilo que me contou?-perguntou Leyla, meio decepcionada.
–Sim, eu não estava brincando.-respondi.
–Peraí, você sabia, Leyla? -perguntou Marcos, sentindo-se ultrajado.-Ah, me explica isso porque eu não estou entendendo porra nenhuma!
–Ah, Leyla, você explica.-pedi.-Eu estou cansada e nenhum pouco a fim de falar sobre isso.
–Pelo menos dá um abraço no seu irmão!-pediu Jeferson, que parecia nem se importar com o Jeremy.
Eu o abracei fortemente e ainda deixei cair uma lágrima. Mas que droga. Me sentia uma garotinha indefesa. Desde que conheci essa gente eu não paro de chorar e isso, pra mim, não é nada bom. Eu sou Lexi White, uma mulher forte, que aguenta qualquer coisa, que já sofreu mais do que qualquer um. Então por que eu estou chorando?
–Senti sua falta, maninha.-disse Jeferson, ainda me abraçando.
–Eu senti mais.-respondi.-E-Eu te amo, irmão.
–Te amo em dobro.-e então me soltou.
Ele limpou minhas lágrimas com a ponta do polegar. Me deu um beijo na testa e eu me senti tão segura, tão amada, me senti melhor do que não me sentia há muito tempo.
Logo, Jeferson deu um sorriso brincalhão e eu franzi o senho tentando entender. Antes de poder falar qualquer coisa, ele me levantou e me segurou em seu ombro. Eu comecei a gritar e a rir ao mesmo tempo, juntamente dele. E como se não fosse o bastante ele começou a girar e a correr pela casa.
Leyla e Marcos riam olhando a cena e eu gritava. Esse era o Jeferson. Ele sempre fazia isso comigo quando éramos crianças e, sempre que fazia, o papai o repreendia para que não fizesse de novo, mas ele fazia e isso era o que deixava tudo mas engraçado.
Ele correu até meu quarto e me derrubou na cama. Depois ele mesmo caiu por cima de mim e começou a me fazer cócegas. Quando ele parou ficamos deitados lado a lado mais um pouco, tentando relaxar. O outro casal não ousou nos interromper.
Comecei a dar uma boa olhada no meu quarto. Parecia o mesmo. Até que notei uma mala, não muito longe da porta e fiquei em dúvida.
–Jeferson, que mala é aquela?-perguntei, me sentando na cama.
–Ah, sim, aquela mala.-ele parecia nervoso, eu logo me preocupei.-Bom, Lexi, quando você foi embora aconteceu algumas coisinhas.
–Que tipo de "coisinhas"?
–B-Bom, você vai rir quando eu te contar tudo, eu prometo.
–Desembucha de uma vez.
–Quando se passaram três dias que vocês partiram, nosso irmão, Frederik, me ligou.-eu prestava atenção em tudo que ele falava.-Pronta pra parte engraçada? Ele disse que o papai o fez contar aonde eu tava e tudo que eu vim fazer e agora os dois estão hospedados aqui!
Meus olhos eram como dois pires de tão arregalados que estavam. Eu suava frio, minhas mãos estavam geladas e eu tremia bastante. Tinha certeza de que minha pele era mais branca que papel naquele momento. Eu queria falar mas as palavras não saíam, aquilo só podia ser piada.
–Nossa, Jeferson.-continuei.-De todas as pegadinhas que você já aprontou, essa foi a mais impressionante. Você quase me matou de verdade.-me levantei da cama e saí do quarto.
–Espera, Lexi.-ele me seguiu.-Na moral, não é pegadinha. Você tem que acreditar em mim.
–Qual é, eu não vou cair nessa.-respondi, com uma risada leve.-Isso é simplesmente impossível. Não tem como eles estarem aqui. Boa tentativa, irmãozinho.
Ele dizia mais algumas coisas, mas eu tentava ignorá-las. Eu estava andando até a cozinha. Bebi um copo de água e, para despistar meu irmão, eu fui até a sala de estar. E foi aí que minha alma gelou.
Lá estavam os dois. Frederik... Não podia ser, mas era. Era ele. Estava mexendo no celular com cara de tédio, sentado no sofá. Ele havia mudado pra caralho. Estava inimaginavelmente mais alto e seu cabelo, antes castanho, agora era um preto carvão e tinha um brilho incrível que dava certo ar de maciez ao seu cabelo.
Ao seu lado, lá estava ele. Não havia mudado quase nada. Continuava com os mesmos músculos enormes e com a mesma altura. A diferença era que sua pele estava mais escura e seu cabelo castanho tinha alguns fios grisalhos. Mas continuava sendo o mesmo Dominic White, meu pai.
–N-Não p-pode ser.-falei, um pouco baixo, mas os dois ouviram e direcionaram seus olhares em mim.
Seus olhares eram de total surpresa. Não tinham traços de tristeza ou decepção. Apenas surpresa. Comecei a entrar em pânico interiormente, e o que pareciam ser segundos de olhares trocados, pareciam horas de tensão. Eu não me movia. Não conseguia fazer nada, parecia até uma estátua.
–L-Lexi...-a voz de Frederik soou por toda a sala.-É você mesma? Não acredito...
–F-Frederik...-foi o que consegui falar.
Logo, Jeferson chegou á sala e posicionou sua mão em meu ombro. Ele tinha um sorriso nostálgico. Eu também deveria ter, se o tempo que tivesse passado longe deles não tivesse sido tanto.
–Filha...-falou meu pai. A voz também mal havia mudado.
Lágrimas brotaram em meus olhos e eu nem me dei ao trabalho de segurá-las. As liberei de primeira e não tinha ideia do que fazer naquele momento. Eu estava com medo. O que será que eles devem estar achando de mim agora? Será que só me veem como a causa da decepção de todos eles? Essas perguntas rondaram na minha cabeça.
Eu queria enfiar minha cabeça num buraco e me esconder pra longe dali. Mas querer não é poder. Na verdade, minha reação foi surpreendente até para mim.
Quando dei por mim, estava abraçando os dois e derramando rios de meus olhos azuis safira. Me senti incrivelmente aliviada quando fui retribuída pelos dois. Ah... podia sentir agora toda a saudade acumulada e todas as noites sem dormir e de pura choradeira. Me lembrei de tudo que passei com eles, automaticamente.
–Lexi...-falou Frederik.-Ah... como sentimos sua falta, irmãzinha...-ele me apertou ainda mais e eu derramei mais lágrimas ainda.
–Minha filha... não acredito que finalmente te encontrei de novo...-meu pai não podia estar chorando, poderia? Afinal, eu só o vi chorar uma única vez na minha vida.
–Papai...Derek...-eu falei entre meus soluços.-Eu senti tanta, tanta, tanta saudade de vocês dois.-os apertei ainda mais e quis que aquele momento não terminasse nunca.
Imediatamente, Jeferson se juntou ao abraço e eu me senti anda mais emocionada. Minha família estava novamente ao meu lado. Tamanha era a minha alegria que eu chorava cada vez mais.
–Lexi... Por que fez aquilo? Por que havia nos deixado?-perguntou meu pai.
–Papai...-infelizmente, tivemos que desfazer o abraço.-E-Eu... eu tive medo.
–Medo? Medo de quê?
–Você era um militar. O que iria achar de uma filha que foi acusada de tantas coisas e que saiu da prisão? Eu não aguentaria olhar pra você sem me sentir a pior pessoa do mundo.
–Você é minha filha. Não importa a merda que você tenha feito eu daria um jeito e jamais me decepcionaria com você. Eu amo você, Lexi. Assim como amo seus irmãos. Vocês são minha família e não importa o que vocês façam eu irei amar vocês até o meu ultimo suspiro.
–Assim como nós.-responderam meus irmãos, em uníssono.
–E eu também.-disse Leyla, aparecendo seja lá de onde havia se escondido.
–Leyla... você sabia?-perguntei, surpresa mas feliz.
–Queria ver a sua reação.-respondeu ela, com um sorriso fraco.
–Esse garoto te contou que eu estava com depressão, certo?-perguntou meu pai.-Bom, quando eles me disseram que você foi embora á trabalho, apenas fiquei triste por você não ter me dito nada. Mas eu ligava e você não atendia e eu não tive notícia suas. Pensei que você tivesse morrido e seus irmãos não queriam me contar.
–Morta? Depois de tudo que aprendi com você? Eu consegui me virar melhor do que ninguém.-respondi, o abraçando de novo.
–Mas o que importa é que estamos aqui, todos reunidos como éramos há nove anos. E sabemos que nada irá nos separar de novo, certo?-disse Jeferson.
–Nem o pior dos terremotos ou o fim do mundo.-respondi e todos nos abraçamos de novo.-Eu amo vocês.
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