Apostando nossas vidas!
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Lexi se pôs sentada de maneira rápida e desesperada. Tinha lágrimas em seus olhos e sua respiração descompassada. Seu semblante transmitia medo e tristeza e ela já tinha a cara inchada de tanto chorar enquanto dormia.
A maneira como ela tinha se levantado chamou imediatamente a atenção de Jeremy, que estava no banheiro penteando seus cabelos loiros e sedosos. Ele saiu do banheiro e foi em direção á loira que havia acordado. Se assustou ao fitar sua face coberta de sentimentos ruins e principalmente desespero.
–O que foi, Lexi?- perguntou ele, preocupado.
Lexi só conseguiu cobrir seu rosto com suas mãos e voltar á chorar, como uma criança que havia ficado de castigo por não se comportar. Ele foi até ela e sentou-se ao seu lado, tentando oferecer conforto.
–E-Eles jamais vão me perdoar...-disse Lexi, me meio aos seus soluços.
–Eles quem?
–Meu pai, Jeferson, Derek, Leyla, minha mãe, você...-ela chorava tanto que Jeremy quase não entendeu o que a mesma dizia.
–Eu? O quê?
–Todos vocês... tudo o que vocês já fizeram por mim...eu não mereço isso!
–Não compreendo.
–Você continua me amando mesmo sabendo quem eu sou e o que eu fiz, Leyla veio para cá por minha causa, mesmo querendo estar na Inglaterra agora. Jeferson voltou para me buscar mesmo depois do que o fiz passar... eu não mereço isso!
–Hum... é realmente não ganhamos nada fazendo isso.-ele argumentou-Mas acredito que todos mereçam isso, mesmo aqueles que cometeram os maiores erros de suas vidas.-concluiu.
Lexi se surpreendeu com o argumento do loiro. Tirou as mãos de seu rosto para encará-lo.
–Agora me conte: o que você sonhou?-ele a encarou sério, e pôde vê-la se entristecendo mais uma vez.
–Que... que vocês percebiam o quanto eu não valo a pena e me deixam sozinha...-mais lágrimas caíram.
Jeremy ficou tocado com o pesadelo da loira, e então, por impulso, deu-lhe um forte abraço, com a intenção de confortá-la.
Lexi, por um momento, pensou que ele só estava fazendo aquilo por causa da aposta dos dois, mas mesmo assim, cedeu e correspondeu ao abraço do mesmo.
–Vai ficar tudo bem, não se preocupe.-disse ele.
–Seu idiota. De que filme tirou essa frase?-Lexi sabia que ele não diria aquilo se estivesse realmente pensando em dizer isso.
–Todos os filmes românticos que acabo assistindo quando não tenho o que fazer.-respondeu, sabendo que enganá-la nem era opção.-Mas saiba, que jamais vou te deixar, e nenhum de nós vai te deixar por isso, tenho certeza.
Lexi deu um sorriso, aquelas palavras eram verdadeiras e ela se sentiu um pouco mais segura. Os dois se desfizeram do abraço e, nem que seja um pouco, Lexi sentiu vontade de beijá-lo, mas não o faria, pois não poderia perder para alguém como Jeremy a coisa que fazia de melhor, apostar.
–Nossa, e pensar que o medo de Lexi White, uma criminosa procurada há 7 anos e incrivelmente boa em lutas, armas e apostas, seria ser deixada pelas pessoas nas quais se importa.
Lexi riu. Aquela era a pura verdade. Um medo tão ridículo para uma pessoa tão incrível como ela, era a coisa mais engraçada que já vira.
–Tem razão. Sou uma fracassada.
–Pois é, uma fracassada!
–Olha, nem comece.
Lexi se levantou e foi se arrumar, os dois pretendiam fazer um bom passeio por Miami. Resolveu vestir apenas um short branco que se esticava até metade de suas coxas, uma blusa folgada com estampas de várias cores e uma sandália salto alto preta.
Deixou seus cabelos soltos e fez uma maquiagem leve. Estava linda, como sempre.
Jeremy também estava bonito. Usava uma camisa acinzentada com uma abertura branca na frente. Uma bermuda branca com um sinto com faixas azul, pretas e brancas, e uma sandália branca normal.
Era cedo da manhã e os dois partiram no carro de Jeremy, até o centro da cidade, os dois usavam óculos escuros, pois o sol de Miami era muito forte.
Sua primeira parada no centro, onde onde tinham várias pessoas andando de um lado para o outro e eles podiam ver várias paisagens e várias montanhas que ficavam ao redor da cidade.
Lexi havia gostado muito do lugar e achava belo como era iluminado pelo sol. Ela sacou de sua bolsa uma câmera e disse:
–Vamos fotografar.
–Poxa, na frente de todo mundo? Vão pensar que somos idiotas e que nunca vimos um sol antes.
–Que se danem as pessoas.-ela lhe entregou a câmera e se posicionou na paisagem para que ele a fotografasse.
Ela notava o quanto ele estava constrangido, então pegou a câmera de volta. Esperou até que ele tivesse de costas para ela. Quando isso aconteceu, ela chegou por trás, se equilibrou nele e pôs a câmera bem a frente dos dois, tirando uma foto dos dois juntos.
Jeremy havia se assustado e depois da foto, ele ficou irritado e a tirou de cima de si.
Embora ele estivesse bravo, Lexi não parava de rir de como ele ficara na fotografia.
–Hahaha, você tá ridículo! Hahahaha.-ela segurava a câmera.-Olha, veja você mesmo!
Ela entregou-lhe a máquina e ele pôde contemplar a "queimação" que ela tirara dele. Ela ficou super sorridente na foto, muito linda. Já ele ficou olhando para ela com uma careta de susto.
–Isso é sujeira.-lamentou ele.
–Eu sei! Hahahaha.
(...)
Depois de alguma horas nas ruas, eles já haviam contemplado várias coisas. Tinham visto alguns roqueiros compondo numa praça próxima de onde estavam, viram apresentações de dança de rua numa área pública, tomaram sorvete...
E agora, estavam num restaurante japonês, onde Jeremy comia yakisoba e Lexi, sushi. Ela relembrava do passeio inteiro e os dois riam bastante.
–Nossa...-disse ela, um pouco desanimada de repente.
–Que foi?
–Fiquei com saudade do pessoal lá em Las Vegas.
–Ah é, nem Marcos sabe onde estamos, não contei á ninguém aonde iríamos.
–Hum, ele iria adorar Miami. Parece a cidade ideal para ele, não acha?
–Sim, aqui é bem a cara dele. Ainda não acredito que deixou isto aqui para morar em Vegas.
–Hein? Como assim?
–Hã? Nunca te contei? Bom, eu fazia faculdade aqui em Miami, e foi aqui que conheci Marcos. Esta é a cidade natal dele.
–Não brinca.
–É sério. Mas então, eu fui pra Vegas e um mês depois o encontrei como barman num bar de lá.
–E foi assim que ele virou barman?
–Exato. E perguntei por que ele foi para lá, mas ele apenas disse que sempre quis ser barman. Quem seria eu para discordar?
–Tem razão. Acho que o Marcos é idiota de nascença mesmo.-os dois riram.
–O que você acha que eles estão fazendo agora?
–Não faço ideia. Provavelmente devem estar bagunçando a minha casa ou atacando o seu estoque de bebidas.
–Tenho pena dele se for a segunda opção.
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–Aí eu disse: "ei, por que essa cara de jegue?"!-dizia Marcos, terminando de contar uma piada.
Todos riram. Ele, Leyla e Jeferson estavam reunidos na casa de Jeremy, atacando seu estoque de bebidas. Todos estavam bêbados e riam até do vento como se fossem idiotas.
–Vai, meu amor, conta aquela da curiosidade!-pedia Leyla.
–Lá vai essa: uma amiga chegou para a outra e disse: "sabia que toda pessoa curiosa é burra?" e a outra disse:"por que?"
Todos riram de novo. De repente o telefone tocou, e tudo ficou tenso. Todos olharam para o celular de Marcos com olhares arregalados, prevendo a enrascada em que se meteram.
Marcos engoliu em seco, pegou o telefone e atendeu:
–Alô?-tentou fazer a voz mais sóbria possível.
–Marcos, e aí? Como vão as coisas?!–perguntou Jeremy, do outro lado da linha.
–Jeremy, amigão! Parceiro do peito! Como vai a vida? Tudo bem aí com a Lexi?
–Ah, tudo ótimo! Eu só estava aqui pensando e conversando com ela, quando de repente me deu uma saudade de tu, cara!
–Poxa, cara. Assim cê me deixa com vergonha!
–Pois é, aí eu comecei á pensar: o que será que o Marcos está fazendo agora?
Marcos ficou branco. Estava nervoso e Leyla e Jeferson só precisaram ver seu rosto para saber que se ferraram.
–B-Boa pergunta! N-Nós estamos...-foi cortado.
–"Nós"? Quer dizer que está com alguém! É a Leyla? O Jeferson?
–N-Na verdade são os dois! Estamos juntos em casa para não nos sentirmos sozinhos sem vocês!
–Serei direto: em que casa vocês estão, na verdade?
Marcos tirou o telefone do ouvido, olhou para os amigos ali presentes e cochichou:
–Fudeu!-colocou o telefone no ouvido de novo e confessou:-Na sua, para falar a verdade, hehe!
–Oh, na minha... certo. E o que fazem exatamente na minha casa?
Marcos ficava cada vez mais sem cor de tanto medo que a voz de Jeremy transmitia pelo celular.
–Quer a verdade?
–Sim.
–Toda a sinceridade possível?
–Exato.
–Bom... roubamos umas duas ou três garrafas do seu estoque.
–Hum...
–Não está zangado?
–Quer a verdade?
–Adoraria.
–Toda a sinceridade possível?
–Por favor.
–EU ESTOU MAIS DO QUE ZANGADO!
Marcos quase deixou seu celular cair de tanto susto que levou. Agora era oficial: ele estava fudido.
–Você vai limpar a bagunça que fez, junto com aqueles dois idiotas também e depois vai sair da minha casa e não vai chegar á mais de 3 metros dela, ENTENDEU?
–V-Você manda, parceiro!
–Ótimo, boa sorte com sua bagunça!-e desligou.
Marcos se virou para toda a bagunça que havia feito na casa de seu amigo e suspirou pensando no trabalhão que levaria para limpar tudo.
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