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1 Capítulo Único


Notas iniciais
Fiz essa oneshot para uma linda do Social Spirit e decidi postar aqui também.

Boa Leitura!

Tateei o espaço ao meu lado na cama. Só havia um montinho de cobertores embolados. Suspirei me levantando num salto, calcei meus chinelos e fui fazer minha higiene matinal.

De frente para o espelho, observei as linhas vermelhas onde ela arranhara, os caminhos que fizera com seus lábios pelo meu pescoço e meus fios amassados onde ela havia passado à noite fazendo cafuné até eu adormecer.

Para sair logo depois sem deixar o menor vestígio além de lençóis e cobertas desarrumados, mas que poderia dar a impressão de que fora eu mesmo a embolá-los enquanto rolava na cama.

Vesti um paletó qualquer sobre uma camisa social branca e lembrei-me de suas mãos desabotoando a mesma camisa na noite anterior, do paletó escorregando pelos meus ombros até serem jogados em algum canto do quarto.

“Concentre-se, Sasuke. Vai acabar se atrasando.”

Balancei a cabeça para dispersar os pensamentos e calcei um par de sapatos sociais, peguei minha maleta e corri para a cozinha quase de frente para meu quarto, morar em apartamento tinha lá suas vantagens.

Abri um armário em cima da bancada e catei um pacote de torradas e um vidro de requeijão da geladeira, coloquei tudo sobre a bancada e passei o requeijão em algumas. Eu despejava o café preparado na cafeteira e não pude deixar de deslizar as mãos pelo local onde ela se sentara no dia anterior e puxara-me pelo colarinho da blusa.

Voltei à realidade assim que senti o café quente sobre minhas mãos, xinguei baixinho enquanto limpava a sujeira que eu fizera. Olhei de relance para o relógio de parede e corri mastigando uma torrada percebendo que eu acabaria me atrasando se eu não corresse, nem ao menos esperei o elevador e desci do quarto andar onde eu morava até o térreo do prédio, dando muito mal um bom dia para o porteiro e entrei já ligando meu carro na ignição.

Eu tinha exatos dez minutos para chegar no horário. Ultrapassei a velocidade por várias vezes, mas era impossível tirar a garota de cabelos rosa de minha mente e de sua voz chamando meu nome.

-Sasuke...

-Sasuke...

-SASUKE!

Pisquei os olhos e freie o carro bruscamente, quase batendo na traseira de outro que havia parado no sinal vermelho.

-Sasuke, seu teme! Você pode fazer o favor de me responder? Só falta você para a reunião começar. Onde diabos você...

Peguei meu celular em cima do banco do carona, onde Naruto, meu melhor amigo, falava sem parar sobre eu estar atrasado e reclamar mais do que o normal, mas eu não o culpava, a reunião era muito importante para sua carreira.

-Já estou chegando, Dobe. Aquiesça os ânimos.

Ele continuou a resmungar até após a ligação se encerrar. Poucos minuto depois, parei em frente ao prédio comercial onde trabalho.

A reunião não durou tanto tempo como eu esperava. Naruto tentava não tremer como alguém prestes a fazer as provas finais para passar em um concurso e que esquecera toda a matéria.

Após o término da mesma, decidi sair mais cedo, eu não estava com cabeça para trabalhar.

-Sr. Uchiha – chamou minha secretária, Ino — Chegou uma mensagem hoje de manhã para você.

Ela me passou a mensagem imprimida e esperei chegar ao carro para ler.

“Encontre-me na praça às 14 horas”

-Sakura

Dei minha volta com o carro e segui para lá.

- O que você quer Sakura? – fui direto ao ponto.

Ela desencostou de uma Sakura, árvore que havia servido de inspiração para o seu nome, e aproximou-se com as mãos escondidas no bolso do casaco, os cabelos róseos baixos por causa da umidade e de ambos os lados de uma mecha caída em seu rosto, seus olhos esverdeados me fitavam. Não pude deixar de lembrá-la sem todas aquelas vestimentas, mas agora eu precisava me focar.

-Quero pedir desculpas. – ela hesitou um pouco antes de continuar.

-Pelo que? Não, me deixa adivinhar, voltou para o Itachi? – levantei a sobrancelha, sugestivo,com um toque de ironia na voz.

Doía-me falar daquela forma com ela, mas a indecisão dela estava me matando. Nos últimos meses eu era um refúgio para ela sempre que ela e meu irmão se desentendiam.

No início eu realmente acreditei que ela iria largá-lo, afinal uma vez quase havia se matado jogando-se na frente do meu carro, aos prantos, dizendo que precisava de mim. E eu a acolhi e acabei apaixonando-me por ela, até chegar ao ponto de amá-la e de não querer ela com mais ninguém.

-Você brinca com meus sentimentos, Sakura. Ontem à noite você foi embora para ficar com ele e...

Seu dedo indicador pressionou meus lábios, calando-me.

-Você acha que se eu ainda estivesse com ele estaria aqui agora? Eu voltei para você, Sasuke.

Seus olhos marejaram. Soltei um longo suspiro e percebi que alguns flocos de neve caíam a nossa volta.

-É tarde demais para se desculpar, sinto muito.

Virei-me e não olhei para ela enquanto me afastava, não queria que ela visse a lágrima que rolou por meu rosto. Eu precisava de um tempo para pensar, apenas isso. Porém acho que ela não veria isso implícito no que eu havia dito.

5 meses depois

O dobe havia ganhado uma promoção e eu junto com o pessoal do escritório decidimos comemorar com uma festa. Sua esposa, Hinata, arrumou um pequeno salão e confesso que era de muito bom gosto.

Eu nunca mais vira Sakura depois daquele dia, apesar de por muitas vezes eu ter acordado no meio da noite procurando por ela em minha cama.

Peguei uma bebida que me ofereceram e depois de trocar algumas palavras com meus amigos e parabenizar Naruto, fui para o pequeno jardim que havia do lado de fora para pegar um ar.

Havia uma mulher parada perto da fonte, onde um peixe de pedra esguichava água. Reconheci-a de longe, mesmo eu nunca tendo visto-a vestida de forma tão sofisticada.

-Sakura?

Ela virou-se ao ouvir seu nome, algo passou em seus olhos, mas rapidamente sumiu. Passou por mim de volta para o salão, mas segurei seu pulso impedindo-a.

-Ino me convidou para acompanhá-la e pediu para espera-la aqui, mas acho que ela caiu dentro do vaso ou algo do tipo, melhor eu ir ver. – disse quase atropelando as palavras, como se não estivesse confortável com minha presença.

Puxou seu braço, entretanto segurei-a firme.

-Eu quero me arriscar de novo, Sakura.

Ela paralisou estática.

-Mas você disse...

-Esquece o que eu disse, eu te amo. – puxei-a para mim em um beijo.

A noite que eu tentara esquecer, enterrando-a em minha mente, voltou em flashes intermináveis. Há tanto tempo eu queria dizer para ela em todas as letras que a amava e era idiota dizer que eu nunca iria perdoá-la. Eu a perdoaria quantas vezes fosse necessário.

-Nunca é tarde para perdoar. – falei quando nos afastamos pela falta de ar. – Eu te perdoo, Sakura

-Eu te perdoo, Sasuke. – imitou-me com o seu sorriso mais lindo.

Notas finais
Espero que tenham gostado!

Kissus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!