Já era tarde da noite. Helena, após sair do hospital começou a caminhar com passos largos e pesados, enquanto isso pensava sobre o que havia ocorrido no terraço do hospital. “ Seria possível ele ter algo assim...? não, não, isso é improvável demais para alguém que está morrendo. ”

Ela parou de caminhar assim que chegou em frente a uma fonte. Era um grande chafariz de aparência antiga e elegante que existia no centro da cidade. Ela então pegou uma reluzente moeda dentro de sua bolsa que carregava na cintura, em seguida, arremessou a moeda dentro das águas cristalinas da fonte.

A água começou a vibrar e se mover como se uma forte chuva de granizo estivesse caindo sobre ela. Um estranho som começou a ecoar da fonte, e um denso vapor branco se formou ao redor da praça. Depois de alguns segundos a água se tornou um material líquido que refletia com perfeição o céu que à contrastava.

Após observar o reflexo do céu espelhado, Helena seguramente subiu no pequeno parapeito que a separava do estranho líquido. Ela então deu um passo em direção ao material que em seguida a sugou como se fosse um profundo oceano.

Helena estava em uma grande sala. Ela estava no centro de uma grande espiral formada por água em cavidades no chão. Em torno dessa espiral existiam inúmeros símbolos que não faziam sentido aos olhos normais. Era uma sala pouco ilumina, a única fonte de luz, tirando a lamparina presa ao lado de uma grande porta, eram os olhos atentos de um idoso sentado em um velho banco de bar.

— Voltou cedo Hele, Problemas? —

— Dos grandes Edgar... —

Helena continuou seguindo por um longo corredor após atravessar a porta. Ao adentrar no que parecia ser um grande salão, seus olhos se focaram em um homem de meia idade se servindo em uma grande mesa de jantar.

— Você não deveria estar aqui. Então seja direta, e saia. — Comentou o homem de boca cheia que ao se virar mostrou uma feição fraca e pálida com grandes olheiras.

— Meu senhor, os olhos de um mundano foram capazes de contemplar Calamidade... — Disse Helena que agora perdera sua calma e ganhara uma face de tensão.

O rosto do homem agora perdera a forma inexpressiva e ganhara uma única sobrancelha levantada. Engolindo em seco a comida, o homem falou com certa tensão em sua voz.

— Você sabe qual a única forma de um mundano contemplar Calamidade. Então por que está aqui?... —

— Foi o primeiro senhor... —

O homem arremessa o cálice em sua mãe aos pés de Helena. E então começa a falar em voz alta enquanto caminha em direção à Helena.

— Calamidade é a forma mais pura e genuína de plura que existe. De acordo com os ensinamentos, plura é a manifestação física da alma. Porém, apenas indivíduos com um grande potencial espiritual, como nós, são capazes de manifestar e modelar essa energia. Logo, apenas seres que conseguem manifestar plura são capazes de vê-la. A única forma de um ser inferior conseguir contempla-la, é com a transferência artificial de plura a partir de um usuário habilidoso. —

Com muito receio Helena questionou:

— Mas senhor, ambos os lados podem se beneficiar na situação atual! —

Agora o homem estava cara a cara com ela, sua presença era capaz de fazer Helena ficar imóvel.

— Nosso povo sofre por conta de uma doença. A resposta para a cura está escondida no interior do frágil corpo humano, e você em um ato de egoísmo quer gastar nossos recursos com um enfermo nojento. —

— Talvez, se conseguíssemos salva-lo, poderíamos encontrar algo que ajude no corpo dele! —

— Transfusores são difíceis de produzir, e você os desperdiça com o mundano mais inútil daquele lugar! — Após isso, uma terceira pessoa adentrou no salão.

Era um jovem por volta de seus vinte e poucos anos, de estatura baixo, possui um topete bem cuidado e ostentava um estranho óculos de sol redondo. Os olhos de Helena se reviraram nas orbitas quase que instantaneamente após ouvir a voz do garoto.

— Meu pai não deveria deixar mãos faveladas cuidarem desse tipo de missão. Eu posso cuidar disso melhor que uma rata da cidade baixa. — Helena apenas observou calada. Após essas palavras, o homem consentiu com a cabeça e disse:

— Você e meu filho estarão responsáveis por monitorar os mundanos daquele hospital. Se vocês não retirarem o transfusor daquele enfermo, eu o colocarei em vocês. — Ambos os jovens balançaram as cabeças em sinal de confirmação.

— Agora, Amon, tire essa merda de óculos do seu rosto. E nunca mais me interrompa enquanto eu estiver falando com alguém. — Com uma expressão de desdém, o garoto tirou os óculos enquanto caminhava em direção à saída. —

— E você Helena. Sabe muito bem o único motivo pelo qual seus pés tem permissão de tocar meu templo. Saia, realize sua missão, e quando voltar, talvez eu faça bons comentários seus no conselho branco. —

— Obrigado, Meu senhor! —

— Eu sei que por mais miserável que os mundanos sejam, eles não merecem o que estamos fazendo com seu povo, mas são eles ou nós. Esse é o meu trabalho como rei. —

Nenhuma única palavra saiu de Helena, ela apenas seguiu até retornar aquela grande sala escura, porém agora acompanhada de uma pessoa não muito agradável.

— Até que você é bonitinha pra uma favelada Halina. — Por mais que essas palavras não fossem das mais agradáveis, Helena era realmente muito bela. Ela tinha um corpo pequeno, por volta de 1,45 de altura, olhos verdes como grama na primavera, cabelos negros e lisos que iam até seu pescoço. E sua personalidade era igualmente bela... ao menos com algumas pessoas.

— O que? Desculpa, não prestei atenção no que você disse, estava tentando desvendar o quão idiota alguém precisa ser pra usar óculos de sol dentro de uma sala escura. —

— Cuidado garota, você pode acabar se queimando durante a missão... —

— Se você calar a boca depois disso eu não me importo... —

E assim ambos desapareceram no meio da poça de água.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.