Apocalípse
7 Capitulo VII- "Nem tudo é o que parece ser"
Notas iniciais
"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
Fernando Pessoa
Capitulo VIII- "Nem tudo é o que parece ser"
Depois daquilo eu já nem sabia o que fazer, eu e a Ana estávamos parados no meio do monte, a olharmos para os lados, a tentarmos perceber onde estávamos e o que tinha acabado de acontecer, isto tudo era muito estranho, quando eu pensava que já me tinha habituado a isto tudo e que as coisas poderiam mudar para melhor o contrário acontece, pequenas crianças psicopatas, bem, pensando melhor, será que podemos continuar a dizer que a culpa é delas e que são crianças quando de facto elas "não estão em si".
Eu e a Ana decidimos continuar a andar, em direção ao que ela dizia ser " A nossa escapatória, lá têm o mar por perto, e uma cidade tão lindo com edificios altos." Sinceramente, eu não poderia reclamar, nem dizer que era estúpido, pois ela tinha um sorriso enorme na cara que faz com que o coração de uma pessoa caia ao chão, simplesmente maravilhosa, então eu simplesmente abanei a cabeça a dar sinal de "aprovação" e seguimos caminho.
—Duas horas mais tarde-
—Eu...- Tentava eu falar sem folego, eu estava exausto- eu preciso de descansar.
—Ok, eu também, vamos parar aqui, e está a ficar escuro por isso.
Deitei-me na erva sozinho, aí a Ana chegou ao pé de mim, e perguntou se podiamos dormir juntos, eu claro disse que sim, pûs o meu casaco em cima dela e dormimos, com o som do rio a escorrer ao nosso lado, tão magnifico e pacífico, mais uma vez, eu estava a ter um daqueles momentos, de simplesmente pura paz, eu e ela.
Eu não conseguia dormir, a Ana estava com a cabeça colocada no meu peito, tão linda, eu simplesmente olhava para o céu enquanto a acariciava, e de repente ela olhou para cima e perguntou-me se eu não estava a conseguir dormir.
Eu fiquei parado por um tempo, a pensar, não numa resposta, mas no quanto linda era ela, e questionei-me, se eu precisava algo no mundo a não ser ela.
—Está tudo bem ?- dizia ela enquanto sorria a olhar para a minha cara.
—Enquanto tu estiveres comigo tudo estará bem.
Passado um bocado deixei-me dormir, tal como ela.
—No dia seguinte-
Apesar de ter dormido eu ainda me sentia cansado, o ar parecia mais pesado, notei logo que iria ser um daqueles dias, em que nada me parece bem, em que tudo está mal para mim, só de desta vez estaria certo se pensar bem.
Estávamos a andar de mãos dadas, simplesmente sem falar, a andar com esperança de que tudo ficasse melhor, mas de repente começámos a ouvir o que parecia ser alguém a gritar, mas não estávamos bem seguros, porque o som ainda estava um pouco abafado, e nem sabiamos se vinha na nossa direção, foi então aí enquanto olhávamos para trás que aparece um rapaz que parecia ser da nossa idade a correr até nós enquanto gritava por ajuda, mas eu juro que já ouvi aquela voz em algum lado.
Foi então que notei que era o Pedro, ele vinha a correr desenfriado, todo vermelho.
—AJUDEM, NÃO FIQUEM AÍ PARADOS.
Ele aí aproximou-se de nós, e tudo o que saiu da minha boca foi:
—Pedro és tu ?
—Oh não ? Tu ! Sobreviveste ? Não consigo acreditar.
—Sim, mas isso não interessa, o que se passa ?
—Um velho maluco anda atrás de mim com uma panela porque eu comi umas laranjas da sua quinta.
Eu não consigo acreditar, no meio disto tudo o único perigo que o Pedro corria era de um velho qualquer lhe bater com uma panela.
—VOLTA AQUI CRIANÇA, VAIS LEVAR COM A PANELA, NINGUÉM ROUBA AS MINHAS LARANJAS.
Ai Pedro, quantas saudades tive.
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