Notas iniciais
Tcharam! A wild Megan appears! -N Sei que ficou meio comprido, mas como disse no capítulo anterior, iria compensar. Não tenho certeza se apressei muito os acontecimentos, porém vocês vão entender no final o por quê da pressa. Enfim, espero que gostem.

4 meses depois

“Hoje, nos Estados Unidos, recebemos mais um alerta vermelho, desta vez na cidade de Lima, Ohio. Ao que parece, o vírus vindo da Europa batizado pelos pesquisadores de “Ômega ZT” acabou se alastrando do continente europeu e chegando à América. Desde então, cerca de 8 pessoas vieram a óbito apenas na cidade de Lima, totalizando cerca de 90 mortes em todo o país. Na Europa, a situação deu-se fora de controle, e estudos apontam que a quarentena não é mais uma solução. Estimativas apontam que 6 em cada 10 habitantes estão infectados com o novo vírus e, consequentemente, vêm a óbito em poucas semanas. Cientistas ainda estão tentando descobrir a causa da epidemia, que está se espalhando pelo mundo todo. Alguns dos sintomas apontados são febres de temperaturas maiores de 39 Cº, dores abdominais, vômitos, desmaios e sensações de queimação nos membros superiores e inferiores. Em caso do surgimento de algum desses sintomas, deve-se ir imediatamente ao hospital mais próximo. Voltaremos em breve com mais notícias aqui dos Estados Unidos."

Desliguei a televisão. Não podia acreditar; já não bastava praticamente a Europa inteira passar por isso, agora a América? Não era mais uma situação lógica o que estava acontecendo. Bem, desde que acordei no meio de um ginásio, 4 meses atrás, sem nenhuma ideia de aonde eu estava ou o que acontecera, as coisas não tinham mais sentido nenhum. Tudo o que eu me lembro é de borrões negros, gritos, e então a escuridão absoluta. Desde então, eu apenas sei meu nome, e que não estou segura em nenhum lugar. Ninguém que é igual a mim está.
Pelo que eu entendi, estou entre os 20% da população europeia que acabou não morrendo em função do vírus, e em vez disso, eu acabei desenvolvendo poderes. Poderes reais. Sei que parece fantasia, mas não é.

— Ei, Megg, nós temos que ir. Já ficamos tempo demais nesse lugar, eles vão nos achar aqui. — Uma voz masculina acabou me tirando do transe. Respirei fundo e olhei para trás. Zack estava com o mesmo sorriso fraco estampado no rosto bronzeado, como sempre. Não pude deixar de sorrir de volta.

— Eu sei, só estava vendo o noticiário. — Mordi o lábio. — Agora os Estados Unidos foi atacado, o que quer dizer que mais milhões de pessoas vão morrer por causa do vírus...

— E mais algumas centenas vão acabar se tornando aberrações como nós. — Ele murmurou. Revirei os olhos. Odiava quando Zack nos chamava assim, mas ele tinha um pouco de razão. Não éramos mortais, não éramos monstros, não sabíamos o que éramos.

Abaixei os olhos para a cauda pontiaguda de Zack; ele nunca quis me contar sobre isso, mas pelo que eu entendi, ele é uma espécie de demônio. Sei que parece assustador, mas ele é uma boa pessoa. Ele salvou minha vida no dia em que o conheci, cerca de três meses atrás.

Eu estava sendo atacada por um monstro, na fazenda abandonada em que estava vivendo. Até aquele momento, eu não tinha a mínima ideia de tudo o que eu era capaz. A única coisa que eu sabia era que podia me camuflar, então corri para trás de umas prateleiras e tentei ficar da cor da parede, porém a criatura conseguiu me achar. Lembro de que ela estava praticamente em cima de mim quando ouvi um barulho alto, e um vulto vermelho pulou sobre o animal, cravando algo que eu achei que fossem adagas suas costas, enquanto o enforcava com uma espécie de corda vermelha ao redor de seu pescoço. A figura estranha começou a descer pelas costas do monstro, rasgando sua pele e o que estivesse no caminho, matando-o em poucos segundos. Eu estava tão paralisada em função do que havia acabado de acontecer que não tinha ouvido o que ele falou.

“Ei, você está me ouvindo? Está bem?” Balancei a cabeça, saindo do transe. Ele estendeu a mão, e eu o analisei melhor: a pele bronzeada, quase vermelha, as asas enormes e assustadoras, os dentes afiados, as unhas enormes e cheias de sangue, as quais eu julguei serem o que ele tinha cravado no corpo da criatura, os olhos vermelhos, cabelos negros e a enorme cauda vermelha e pontiaguda que balançava, que também julguei ser a “corda” que ele havia usado anteriormente. Ele parecia o diabo. “Olha, eu não sou um monstro." Ele disse, como se tivesse lido minha mente. "Quero dizer, sou quase um monstro, mas eu tenho um nome. Pode me chamar de Zack. E acho que… você está meio marrom.” Lembro da gargalhada dele, que me fez rir. Meu corpo realmente estava marrom, em razão da cor das paredes.

“Megan. E sim, estou marrom. Mas isso é um segredo.” Ele riu novamente, e agora suas asas haviam diminuído de tamanho, os dentes não eram tão afiados, e suas unhas estavam em um tamanho normal. Algo nele me deixava segura, de certo modo, apenas não sabia por quê. “Então...” Ele pigarreou. “Você também tem perambulado pelos lugares assim como eu?” Eu apenas concordei. “Vai por mim, as coisas nessa região podem ser bem sombrias. Você mesma acabou de presenciar uma delas.” Ele deu de ombros e continuou. “Se quiser, eu estou procurando uma companhia para tentar achar um lugar seguro. E você parece ter uns bons poderes na manga. O que me diz, Megan?” O observei estender a mão, com um sorriso fraco no rosto. “Aceitaria ter um parceiro ao seu lado?” Lembro de sorrir de volta, e apertar sua mão.

E, desde então, viramos inseparáveis.

*

— Megan? O que deu em você? Estava sonhando acordada? — Ele balançou a mão na minha frente, sorrindo.

— Ah... É. Desculpa. — Senti as bochechas corarem levemente, mas consegui diminuir a sensação de calor e, consequentemente, o vermelho da pele. Apenas mais uma das vantagens em controlar as cores. — Então... — Pigarreei, olhando para os lados. — Vamos antes que mais uma das criaturas nos ache.

— Teve mais uma de suas visões? — Ele me olhou preocupado. Balancei a cabeça negativamente, sorrindo.

— Não, só... Lembrei do dia que nos conhecemos. Como você me salvou. — Zack abriu um sorriso, corando. Ele deu uma leve risada.

— Se não tivesse sido por mim, você teria virado jantar de um monstro.

— E se não tivesse sido por mim, você não estaria sorrindo agora. — Dei uma piscadela para ele. — Vamos logo, temos que sair dessa fazenda antes que seja tarde demais.

Ele concordou com a cabeça. Àquela hora, já tínhamos vasculhado todos os cantos da casa à procura de tudo o que poderíamos utilizar. Coloquei minha mochila nas costas, e saí da casa atrás de Zack.

— Sabe, até que eu gostei daquele lugar... — Murmurei enquanto entrávamos na floresta ao lado.

— É, eu também. — Ele deu de ombros. — Então, vamos para o Norte ou para o Oeste?

— Quais as opções? — Murmurei enquanto tocava nas madeixas do cabelo. Por alguma explicação, no momento em que acordei naquele dia, ele havia ficado azul. Me pareceu loucura no início, mas acabei gostando. Sei que posso mudar sua cor, mas eu gosto dele assim.

— Eu andei voando por aqui durante essa semana que ficamos na fazenda, e ao norte me parece que tem outra fazenda, só não sei se está abandonada, e ao oeste ao que me parece tem uma área de camping abandonada. Pelo menos é o que eu acho que vi.

— Vamos para a fazenda, — Respondi, ajustando a mochila nas costas — acho que lá vamos encontrar comida, pelo menos. Enjoei de comer aquelas barrinhas nutritivas que pegamos do mercado. E, outra, se encontrarmos alguém, podemos oferecer ajuda. Temos comida, água e coisas que eles provavelmente precisariam.

— É, tem razão. Então, o que você acha de procurarmos algum vilarejo abandonado depois de acharmos a tal fazenda? Quero dizer, não temos muitas condições de sairmos dessa região.

— Seria uma boa, Zack. Mas e os monstros? Eles podem nos achar mesmo a quilômetros de distância. Sei que o último que matamos foi bem longe daqui, mas eles podem estar em qualquer lugar a qualquer momento. Por isso não podemos abaixar a guarda. — Suspirei, frustrada. No fundo, ter poderes era bem legal, mas gostaria de ter minha vida de volta. Uma vida normal, sem preocupações. Se bem que não me lembro direito como era ter uma vida normal. Se eu pudesse apenas lembrar o que aconteceu antes de acordar...

Foi quando um arrepio percorreu meu corpo inteiro, e cenas vívidas começaram a surgir em minha cabeça, e eu paralisei. Foi como se uma onde de eletricidade tivesse ativado meu cérebro; visualizei um garoto e uma garota, ambos loiros, falando sobre algo que eu não conseguia ouvir. Suas falas eram praticamente sussurros.

As cenas mudaram. Agora a mesma garota loira estava correndo, e havia um dos monstros que geralmente enfrentamos perto dela. Franzi a testa ao observar a garota melhor. Ela era praticamente igual...

Então, ouvi gritos. Chacoalhei a cabeça, voltando à realidade; eu estava no mesmo local de antes, parada.

— MEGAN! MEGAN! SAI DAÍ! — Uma voz gritou. Olhei para os lados, e vi Zack perto de um monstro. Ele estava em sua forma demoníaca, chicoteando o monstro com sua cauda e tentando o perfurar com suas unhas enormes. Arregalei os olhos ao analisar a criatura: era maior do que qualquer uma que havíamos lutado durante esse tempo. Observei Zack tentar atacar a criatura, porém ela conseguiu lançá-lo para o lado, fazendo-o atingir o tronco de uma árvore com força suficiente para desnorteá-lo.

Então ouvi um rugido vindo atrás de mim, e me virei. Havia outro monstro, porém menor, se aproximando de mim. Arregalei os olhos e senti o pânico tomar conta. Recuei alguns passos, o suficiente para tocar a árvore mais próxima. Respirei fundo, fazendo a coloração marrom da árvore desaparecer com o tempo, sendo absorvida por mim; não sabia que poderia controlar totalmente o poder, porém tinha que tentar. Também não sabia se Zack estava bem ou não, mas a criatura estava muito próxima de mim para eu pensar nisso.

Recuei mais alguns passos, movendo os dedos rapidamente. Em segundos, a massa indefinida que eu havia extraído da árvore havia se tornado várias adagas afiadas. Sinceramente, não sabia como havia feito isso.

Observei o monstro avançar contra mim, as garras e dentes afiados à mostra. Observei-o tomar velocidade, preparando-se para pular em mim. Foi quando lancei todas as adagas em um único movimento, atingindo seu pescoço, rosto, abdômen. Corri para o lado, observando-o urrar em dor. Novamente, apoiei a mão em outra árvore, repetindo o mesmo gesto de antes. Agora, havia moldado uma maça com pontas afiadas, lançando no crânio da criatura, matando-a.

Lancei-me no chão ao ver o animal caído. Minha respiração estava acelerada, e todos os músculos de meu corpo doíam. Então me lembrei...

— Zack. ZACK! — Corri até o local aonde tinha o visto pela última vez. Por alguma razão, o monstro não estava mais lá.

Mas o corpo dele estava.

Tentei ignorar as fortes dores em meu corpo. Observei seu rosto, sem expressão, seus olhos vermelhos completamente sem vida. Senti um nó na garganta se formar, e lágrimas brotaram de meus olhos. Ajoelhei-me ao seu lado, e só então percebi que havia uma poça de sangue em suas costas. Respirei fundo, tentando conter o choro, sem sucesso. Segurei seu pescoço, pondo-o sobre minhas coxas. Passei os dedos sobre seus olhos, fechando-os lentamente. Não poderia ser, simplesmente não poderia. Ele não podia morrer, ele...

— NÃO! Não, não, não, não, NÃO! — As lágrimas corriam soltas pelo meu rosto, enquanto eu soluçava descontroladamente. — Zack, acorda, por favor! ZACK! — Naquele momento, eu sabia que gritar era inútil. Mas não sabia o que fazer a não ser entrar em pânico.

Após algum tempo, decidi deixá-lo atrás de uma árvore. Apanhei sua mochila, e olhei-o uma última vez. Ele parecia apenas adormecido; isso me fez chorar ainda mais.

Ergui a cabeça e segui na direção em que estávamos indo, ao norte. Estava cansada, porém não podia parar. Queria apenas deitar no chão e apodrecer, mas algo dentro de mim estava gritando para seguir em frente. Depois de alguns minutos caminhando, avistei uma luz ao fundo. Um leve sorriso apareceu em meu rosto. Segui até o fim da floresta, e dei de cara com a fazenda abandonada que Zack havia mencionado antes. Respirei fundo, e segui em direção à cabana, quando uma figura me parou: era um garoto com mais ou menos 16 anos, alto, loiro, vindo até mim. Seus punhos estavam cerrados, e ele parecia determinado a me dar uma surra.

E então... outro choque percorreu meu corpo, e eu paralisei. Estranhamente, ele fez o mesmo, e ficou boquiaberto. Sentia como se eu o conhecesse de algum lugar, como se eu já tinha visto aquele rosto. Ele se aproximou de mim, analisando-me. Senti meu corpo automaticamente tentar tomar a cor de uma árvore que estava próxima, tentando me camuflar. Ele estendeu a mão, como se quisesse me alcançar.

— Não... — Ele murmurou. Algo em sua voz era estranhamente familiar. — Não pode ser...

Franzi a testa, tentando me acalmar. Foi quando ele falou novamente:

— Megan?

Notas finais
Por favor, se gostaram, comentem! Não mordo, juro. Críticas construtivas são bem vindas.