Notas iniciais
Como descrevi nas notas da história, não sei se continuarei com a fanfic. Mas, por enquanto, fiquem com o primeiro capítulo. Parabéns, vacoso. Eu te amo. ♥

Dor. Era tudo o que eu sentia naquela hora. Bem, isso e o medo. Afinal, quem não estaria com medo se acordasse no meio de escombros, após um ataque mutante na própria escola?

Calma, eu vou explicar. Primeiramente, sou Matthew Brunner. Moro em Brighton, Inglaterra. Basicamente, eu era um garoto qualquer, vivendo sua vida normal em uma cidade normal.

Até hoje.


*

— Matthew, vem logo, ou vamos nos atrasar! — Gritou Megan, do primeiro andar da casa. Suspirei, balançando a cabeça. Ela andava muito apressada ultimamente.

Megan é minha irmã gêmea. Se quer saber, somos praticamente um a versão masculina e feminina do outro. Temos o mesmo sorriso, o mesmo olho, a mesma pele bronzeada, os mesmos cabelos…

E o mesmo interesse em mulheres.

Se quer saber como é ter uma irmã lésbica, vou dar uma dica: é incrivelmente foda.

— Espera um segundo! Eu... só... preciso... — Tentei falar enquanto lutava para fechar meu armário lotado. Sabe, quando se é irmão da Megan, você cria uma tendência a não arrumar nada em seu quarto.

— AHA! — Exclamei ao conseguir fechar o armário após algum tempo, triunfante. — Estou descendo!

Lembro de correr pelo corredor do segundo andar, e sentar sobre o corrimão da escada. Tenho o costume de descer as escadas pelo corrimão, pelo simples fato de ser mais rápido. Bem mais rápido. E mal eu sabia que essa seria a última vez que faria isso. Dei de cara com Megan na sala, mexendo no celular. Ela estava com o cabelo para trás, num rabo-de-cavalo, vestindo um moletom escrito 'Some chicks marry chicks. Get over it'. Sinceramente, é o meu moletom favorito dela.

A única coisa estranha era que estávamos no início do verão, e não estava frio o suficiente para alguém colocar um moletom. Decidi apenas dar de ombros.

— Bom dia, Meggs! — Exclamei; Megan apenas me retribuiu com um aceno, não desgrudando os olhos do celular. Suspirei, frustrado. Desde que ela tinha terminado com a antiga namorada, Taylor, há duas semanas, Megan tem andado estranha... O término das duas foi estranho. Megan havia saído com ela uma noite, e voltou apenas de manhã, cedo. Disse que ficou na casa da namorada, e dormiu lá, como sempre fazia de vez em quando. Até ai, julguei que estava tudo bem.

No dia seguinte, as duas haviam terminado, sem nenhum motivo aparente.

— Ei, você vai no jogo hoje? Soube que a Rose vai estar lá. — Dei um sorriso malicioso, tentando descontrair o clima. Sabia que Megan achava Rose bonita, só nunca teve a coragem de ir até ela.

— Soube que a Dianna também vai estar lá. — Ela moldou o mesmo sorriso, só que mais fraco. Dianna é a melhor amiga de Megan, e minha crush nem-tão-secreta. Megan sabe que eu não consigo tirar os olhos dela desde que entramos no ensino médio. Mas... ultimamente, as duas andam meio separadas. Novamente, desde que Megan terminou com a namorada.

— Então isso é um sim? — Soltei uma risada, olhando para a garota. Ela suspirou, finalmente tirando os olhos do celular.

— Tenho até o almoço para decidir. Vamos logo, daqui a pouco o ônibus vai passar. — Senti algo estranho no tom de voz dela. Ela me lançou um breve olhar, e percebi que havia grossas olheiras debaixo de seus olhos, inutilmente cobertas pelo corretivo facial.
Algo estava errado, e eu ia descobrir o por quê.


*

Ouvi o sinal tocar. Era hora do almoço, o que significava que finalmente teria a chance de falar com Megan sobre a maneira que ela agiu de manhã. Desci as escadarias da escola, seguindo até a cantina. Estranhamente, ela estava mais vazia do que o normal. Hoje era quarta-feira, dia em que serviam lasanha. E, geralmente, hoje é o dia em que a cantina vira o inferno. Dei de ombros, novamente. Como a final do campeonato de basquete já estava para começar, achei que todos já estavam no ginásio, pegando seus lugares.

Decidi procurar Megan. Olhei pela cantina inteira, e não havia nenhum sinal da minha irmã. Perguntei à , a moça da cantina, e ela havia dito que viu Megan passar, mas não sabia aonde estava indo. Disse que ela parecia apressada.

Suspirei, frustrado. Não fazia ideia aonde ela se metera. Comecei a percorrer o colégio. Procurei em todos os lugares que achava que Megan estaria, mas nada. Como última opção, pensei em seguir até o ginásio. Ela deveria ter ido lá com Dianna, que é capitã das líderes de torcida. Analisando melhor, fui burro em não ter pensado nisso antes.

Ao chegar lá, me deparo com uma multidão. Se fosse observar com calma, diria que mais da metade de New Easter High estava lá. Mas eu não estava com calma; corri até o local aonde as líderes de torcida estavam se aquecendo, e avistei Megan, sentada no banco das líderes, sem Dianna ao seu lado. Ela parecia preocupada.

— Ei, Megan! — Gritei, acenando para a garota, aliviado. Ela apenas me olhou, e se levantou. Mas seu olhar estava diferente; na verdade, a cor de seus olhos estava diferente: agora eles não eram os mesmos verdes vívidos de sempre. Eles eram violeta e laranja. Isso mesmo, um deles era violeta, e o outro laranja. Lembro de parar, assustado. Ela correu em minha direção, e revirou os olhos ao perceber minha reação.

— Olha, eu sei que você está confuso, e agora tão apavorado quanto eu. Mas... precisamos sair daqui. — Seu tom era de puro pânico. — Você viu a Dianna? Precisamos sair com a Dianna.

— Megg, eu... o que está acontecendo? Por que os seus olhos estão assim? — Naquele ponto, eu já não estava entendendo absolutamente nada.

— Eles vão... eles estão vindo e... — Ela agarrou meu braço com uma força sobrenatural. Senti o sangue começar a parar de circular, mas tentei ignorar a dor e me concentrar em Megan. — Ela me avisou, mas eu não dei ouvidos... — Ela sussurrou, como se estivesse tentando falar consigo mesma.

— Megan, o que diabos você está tentando falar? O que aconteceu?

TUM.

Senti um tremor atingir meu corpo. Olhei para os lados, e percebi que todos haviam ficado em silêncio após algum tempo, curiosos.

TUM.

Outro tremor. Senti minhas pernas balançarem com o impacto, apenas ouvindo os batimentos acelerados de meu coração. As pessoas começaram a se apavorar. Arrisquei olhar para Megan, e vi que seu pescoço estava ficando cinza. CINZA. Como se...

TUM!

Percebi que uma das paredes havia sido destruída, em questão de segundos. As pessoas estavam gritando, em pânico, correndo para a saída. Lembro de ver um vulto enorme, negro. Um animal, talvez? Não sabia dizer. A única coisa que via eram pessoas correndo pelos lados, apavoradas. Ouvi gritos de terror. Tentei correr, mas estava paralisado. Olhei para cima, a única coisa que me pareceu certo a se fazer, e finalmente vi a criatura: parecia um cachorro, mas havia duas cabeças em vez de uma. Seu corpo era enorme, e seus dentes afiados, seu pelo preto como breu.

TUUUM!

E então... outro tremor. Dessa vez tão forte que caí no chão. Ainda me sentia paralisado, sem saber o que fazer. Foi quando eu vi a segunda criatura: parecia um urso negro, só que sem o focinho e 2x maior. Percebi que ele estava procurando algo; olhei para o lado, e vi Megan subir as arquibancadas, e a tal criatura disparar em sua direção. Então me toquei: a criatura queria Megan, por alguma razão. Lembro de, subitamente, ganhar uma força que não pertencia a mim. Como se... tivesse que salvar Megan a todo o custo.

Lembro de seguir para as arquibancadas, e esquecer do terror que estava acontecendo ao redor de mim. Lembro de olhar para trás, e avistar a criatura vindo até Megan. Lembro de empurrar Megan para o lado, e um vulto negro preencher minha visão. De sentir algo pressionando meu peito, me lançando para trás. Lembro de sentir dor.

E tudo ficou escuro.