Apocalipse em Forma de Poesia
41 Como eu queria ser cega...
Todos os dias
Eu rezo para que meus olhos estejam errados
Eu peço para que minha razão esteja falhando
Eu imploro pra alguém destruir esse laço
Se eu olho para os famintos
eu vejo dor e sofrimento
dá vontade de arrancar meu coração
e oferecer tudo o que eu tenho
Se eu olho para o parque
eu vejo a falta de crianças
pois todas devem estar ocupadas
perdendo o bem mais precioso, que se chama infância
Se eu olho para um casal
eu vejo mentiras e o tudo em vão
as vezes eu vejo amor
mas a ganância me obriga a olhar a traição
Então eu olho pro chão
e vejo sangue
vestígios de brigas,de guerras
policiais e gangues
Eu juro que tento não ver
e como eu queria ser cega nesses momentos
mas é impossível
tudo que eu olho é sofrimento
Se eu olho pro lago
eu vejo a cor da poluição
eu vejo afogamentos e doenças
eu vejo o fim da fé,o fim da crença
E quando eu finalmente fecho os olhos
eu choro por tudo o que vi
por estar presa neste mundo miserável
sem poder fazer nada
sem poder fugir
Pois viver cercada por pessoas assim
um dia me transformará em alguém egoísta
E quero eu nunca ser assim
Alguém que só olha pelo próprio ponto de vista
Por mais que eu tente me esconder
eu sei que sempre vou me lembrar
de que o meu mundo sempre será miserável
enquanto o planeta Terra girar
E toda vez que eu acordo
eu tenho esperança de ser feliz
O mundo nunca vai mudar
é alguém que me diz
Então eu volto a enxergar
o que eu realmente não queria ver
observar o que os outros não enxergam
Alguém que eu nunca deixarei de ser.
Enquanto eu respirar
e me deparar com mais pistas
lembrarei o quanto o meu mundo é miserável
E que dois terços do mundo nunca mudarão
Serão sempre egoístas...
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