Apocalipse Zumbi (interativa)
13 Violação
Notas iniciais
Damien acabou de comer e foi dormir. Maryanne fez o mesmo, sendo que ela dividia a barraca com o garoto. Todos do acampamento fizeram o mesmo. Gaspar, porém, ficou acordado para manter guarda. Do alto das arvores, Lucie também ficou. Houveram reclamações de passos a noite e alguns cochichos que incomodaram os sobreviventes. Estes, adotaram esta medida de segurança.
A noite estava calma. Quatro dias sem nenhuma aparição de errantes era bom, porém suspeito. Os dois não trocaram uma palavra durante horas, enquanto escutavam o barulho da natureza ao redor dos dois. Lucie havia prendido seus cabelos negros e encaracolados em um rabo-de-cavalo apertado e rasgou as mangas da camisa, que estavam muito rasgadas. O barulho chamou a atenção de Gaspar, que levantou os olhos para ver o que a outra líder estava fazendo.
Lucie jogou os pedaços de pano ao vento e agarrou um outro rasgo da blusa que estava um pouco acima do umbigo. Rasgou aquele pedaço e sentou-se, brincando de desmanchar o pano com sua faca. Gaspar riu.
– Por que não tira aquele pedaço da calça também? — perguntou o major, se referindo a um curte um pouco abaixo dos joelhos.
Lucie sorriu e se virou para Gaspar.
– Eu acho estiloso.
Gaspar riu mais um pouco, assim como Lucie. O major se aproximou da arvore onde a outra líder estava. Os dois começaram a conversar bastante. Ainda atentos, porém não tanto quanto estavam antes. Os dois se davam bem, melhor do que os dois achavam que seria. Gaspar entendeu por que Lucie não queria rasgar a calça (tinha muitos rasgos e ainda podia rasgar mais e evitar que sua pele fosse rasgada). Conversaram sobre o passado. Sobre a banda que estava estampada na blusa de Lucie, sobre seus pensamentos, tudo. A noite passou rápido e logo estava de madrugada. Ouviram alguns gemidos vindos da barraca de Triz e Kaio.
– Esses dois podiam ser mais discretos — disse Lucie.
Gaspar riu. Lucie era engraçada para ele.
– Realmente... — e continuaram conversando.
Tudo estava tranquilo, aparentemente.
Aparentemente.
Até que os dois líderes ouviram um grito de fúria... E passos de pessoas correndo do acampamento.
~#~#~
Todos dormiam tranquila e profundamente em suas barracas. Clear havia se voluntariado para passar aquela noite com Harry, que dormiria sem o pai. Triz e Kaio dormiam juntos, assim como Cristina e Jason. Maryanne e Damien achavam que as coisas estavam muito quietas. Era comum dois ou três errantes encontrarem o cominho para o acampamento, mas nessa noite não havia nenhum. Katrina dormia sozinha. Preferia assim. Não gostava de pessoas a chutando, como acontecera no primeiro dia. O outro grupo dormia nas árvores, amarrados por cordas.
Silêncio...
Silêncio...
Silêncio...
Então, dentro de uma das barracas um feixe de luz se abriu. Cuidadosamente, os invasores abriram a lona da barraca de Beatriz Holsken e de seu parceiro. Entraram com cautela, usando roupas escuras e mascaras.
A barraca era espaçosa, permitindo a livre movimentação dos inquilinos. Estes, rapidamente amarraram as mãos dos mais novos reféns e começaram o trabalho. Amarraram um pedaço de pano bem grosso na boca de Triz que acordou com os obres azuis bem arregalados.
– Olha só! — disse um dos invasores, sorrindo — Ela tem olhos azuis.
Ele tentou acariciar o rosto da loira, mas ela fez um movimento brusco com a cabeça, acertando a mão do intruso.
– Nossa — disse o outro invasor — Essa daí tem espirito. Pode amarra-la na suspensão de cima.
Triz tentou emitir algum som de desprezo, porém o pano entrava cada vez mais em sua garganta quando tentava puxar o ar pela boca. Ela olhou para o lado enquanto os dois inquilinos a levantavam e prendiam seus braços no pedaço de pau que suspendia a barraca, obrigando-a a ficar suspensa, porém Triz não queria ficar de pé.
Ela olhou para Kaio que ainda dormia e amaldiçoou seu sono pesado. Mas nem mesmo o sono pesado resiste a uma pisada acidental no estomago.
– Oof! — ele exclamou, soltando o ar. Abriu os olhos e focou na cena. Puxou o ar para gritar, ou fazer qualquer barulho.
Antes que ele pudesse fazer aquilo, um dos invasores se posicionou a suas costas, segurou seu pescoço e apontou uma faca para sua garganta. Triz arregalou ainda mais os olhos enquanto o inquilino cortava a garganta de Kaio profundamente e seu melhor amigo caia no chão estrebuchando até a morte.
Triz se mexeu e remexeu. As pernas dobradas como se estivesse de joelhos, porém com a ponta dos joelhos suspensas. Apenas metade das pernas e seus pés tocavam o chão. Ela tentou gritar mas acabou engasgando com o pano.
O sangue de Kaio formava uma poça que aumentava cada vez mais até chegar aos pés de Triz.
– Para, para, para! — disse um dos inquilinos com tom autoritário — Se você fizer escândalo é a próxima, entendeu?
Triz havia parado de se mexer, a cabeça abaixada e os braços virados para cima, presos. Sua respiração era falha. Uma coisa era certa para ela: junto a Kaio, alguma coisa de sua própria pessoa havia morrido.
– Muito bem — disse o inquilino — Vamos começar e dar o fora daqui.
O segundo inquilina rapidamente desabotoou as calças de Triz. Mas Triz não sentia mais medo. O outro inquilino abaixou as próprias calças e, antes que ele pudesse fazer o que ele queria fazer, Triz levantou a cabeça. Em seus olhos azuis não havia mais o medo que os dois inquilinos encontraram no começo. Havia apenas o ódio. Um ódio profundo que assustou os dois intrusos.
– Ahn... Tudo bem. Vamos começar.
~#~#~
– Estou acabado! — disse um deles.
– Eu também, essa daí tem energia — disse o outro e os dois riram.
Triz estava pendurada, ainda sem as calças, suando e respirando rapidamente. Foi então que ela percebeu que toda aquela movimentação havia afrouxado o pano em sua boca. Ele escorregou até o pescoço. Triz sorriu.
– E então loirinha — disse um deles, enquanto abotoava as calças — A gente volta, entendeu?
– Depois dessa, com certeza — disse o outro.
Triz levantou os olhos para os dois com o mesmo olhar de ódio da primeira vez e levantou a cabeça, mostrando a boca descoberta. Os dois gelaram. Triz sorriu.
– E eu vou estar esperando ansiosamente para rasgar abrir os dois como se fossem peixes.
Triz tomou folego e berrou. Não um grito de medo. Um grito de quem começa uma guerra, de quem está cheio de ódio. Os dois homens se assustaram e correram para a floresta o mais rápido que conseguiram. Triz não parou de gritar, queria que aquilo fosse um aviso. Queria que, quem quer que estivesse por trás disso, soubesse. Soubesse que seria morto se chegasse perto dela ou de qualquer membro novamente.
A porta de sua barraca se abriu, revelando Gaspar e Lucie do lado de fora. Os dois ficaram horrorizados com a cena que encontraram. Kaio morto no chão, Triz presa e sem a parte debaixo das roupas praticamente desmaiada. Todos acordaram e foram ver o que havia acontecido.
Então eles conheceram o verdadeiro inimigo.
Então eles perceberam que, tanto quanto Triz, eles foram violados.
O verdadeiro inimigo.
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