Apocalipse Zumbi (interativa)
22 Tudo vai bem... Bem mal
Notas iniciais
Triz se agachou e, pela décima vez naquele mês, vomitou o pouco de refeição que havia sido ingerida. Todos do grupo a observavam com cautela havia algumas semanas, porém ninguém ousou direcionar uma única palavra sobre isso com a loira até então.
Triz limpou a boca com as costas da mão direita, respirou por alguns segundos e se levantou. "Devo estar muito estressada", pensou Triz. Sendo médica, a loira sabia que era muito possível que o estresse fizesse uma pessoa se sentir tonta e querer vomitar e, de fato, Triz andava muito estressada ultimamente. Desde que matara Troy daquele jeito cruel e perdera Kaio ela se sentia um monstro. Acabava se oferecendo para fazer qualquer coisa que fosse e voltar a ficar com a mente ocupada.
Triz chorava todas as noites desde então.
Andou de volta a fogueira. O acampamento era rodeado por arvores e as cabanas se encontravam numa formação em circulo ao redor da fogueira. Triz pegou alguns pedaços de madeira e ajudou os garotos a levarem para cima das arvores, aonde o grupo de Lucie pretendia fazer uma casa da arvore temporária ou coisa do gênero.
Andou com as toras nos ombros até Gaspar, que agradeceu e levou as toras para cima.
– Tudo bem, Gaspar. Eu posso leva-las sozinha — disse Triz.
Gaspar se sentiu um tanto quanto incomodado, porém apenas respondeu:
– Não, pode deixar. Eu e os meninos assumimos daqui pra frente. Você precisa descansar.
– Não, é sério! Eu posso...
– Vá, Triz.
A loira suspirou e deu meia volta. Estava a caminho de sua barraca, mesmo contra a sua vontade. Então pensou que se não fosse isso seria a) conversar com as outras meninas ou b) encostar numa arvore e chorar por lá. A loira quase sentiu náuseas uma segunda vez só de pensar em chorar na frente de alguém naquele momento, e ela simplesmente não estava afim de conversar.
Continuou seu caminho, até que foi interrompida por três figuras femininas a sua frente. Kath, Clear e Cristina se colocaram no caminho da loira e cruzaram os braços. Triz parou por um momento, atordoada.
– Sim? — ela perguntou.
– Precisamos falar com você — respondeu Cristina.
– Precisamos, e é sério — continuou Kath.
A loira suspirou e abaixou a cabeça.
– Olhem, eu simplesmente não estou no modo de conversar hoje, está bem? Outro dia a gente tem essa conversa tão tão importante, mas hoje não dá e...
– Beatriz! — interrompeu Clear, com um tom subitamente superior — Precisamos conversar. Agora! É importante.
Triz estava com os obres azuis arregalados pela surpresa. Ela apenas assentiu e indicou a barraca com calma. As quatro entraram, uma após a outra, na barraca de Triz. Na lona ainda havia gotas do sangue de Kaio. Katherine entendeu o por que de Triz não conseguir parar de chorar a noite. Sempre havia alguma coisa pra lembrar dele e Triz não conseguia deixar pra lá. As quatro se sentaram.
– Tudo bem — começou Triz — O que houve? Qual é a urgência?
Cristina respirou fundo e Kath abraçou seu ursinho com força. Havia algo que ela segurava no peito, junto ao ursinho, mas Triz deixou pra lá.
– Você tem... Se sentido bem ultimamente? — perguntou Cristina. Clear deu um tapa na própria testa — Não! Quer dizer... Morfologicamente... Ahn... Fisicamente! Não... Droga Clear, esqueci a palavra.
– Enfim! — exclamou Clear — Respire fundo e vá direto ao ponto.
– Tá, tá! Triz, nós notamos que você não está exatamente esbanjando saúde. Alguma idéia do que seja?
– Sim — disse Triz — Estou muito estressada ultimamente, então acabo vomitando muito, ficando enjoada e tento, sem vontade de comer muito e...
– Espera! — interrompeu Clear — Você não está comendo muito... Por acaso você se pega chorando sem motivo nenhum?
– Claro que sim! — exclamou Triz — Quer dizer, por Cristo, meu melhor amigo foi assassinado na minha frente e eu matei o assassino dele! Eu diria que tenho muita sorte de não estar em depressão ou qualquer coisa do gênero por que... Por que... — Triz começou a chorar. O clima ficou um tanto quanto desconfortável quando a loira começou a falar de novo, entre soluços — Eu só queria que as coisas fossem como antes! Queria minha irmã, Mey, comigo. Minha mãe, minha casa, meu trabalho e... E... E esse urso de pelúcia está sorrindo pra mim! Por que você está sorrindo pra mim?
A loira caiu num choro sem fim, como se o mundo ao redor dela estivesse em colapso, quando, na verdade, o fato de um ursinho de pelúcia (que sempre sorri) estava sorrindo pra ela fez com que o choro evoluísse de um choro propriamente dito para um maremoto. Kath se encolheu e Clear tremeu em desgosto. Cristina estendeu a mão e tocou o ombro da amiga. Os olhos verdes numa estranha mistura de divertimento e compaixão.
– Viu? É disso que a gente tá falando. Bem, o que viemos perguntar pra você é... Bom...
Clear revirou os olhos em tom de impaciencia.
– Viemos perguntar como é que vão as regras. Tá tudo nos conformes? Nada atrasado no seu sistema? — Clear perguntou, fazendo um "joinha" com as duas mãos. Kath e Cristina começaram a rir e Triz ainda parecia confusa. Uma criança de cinco anos bem confusa — Quer dizer, o "Grande Mar Vermelho" já deu o ar de sua graça nesse mês?
Um estalo ecoou na cabeça de Triz.
– Espera... Vocês não acham que é realmente possivel que eu esteja...
– Por que não? — perguntou Kath — Já faz quase dois meses desde que esse tal de Troy... Bom, você sabe.
Kath puxou a caixinha escondida no seu peito e estendeu-a para a loira.
– Não custa tentar — disse Cristina.
– O + é quando você está na incrivel condição de amendoim humano e o — é quando você ainda está oca — disse Clear — Mal não faz.
E as três deixaram a barraca. Deixaram também a enorme dúvida na cabeça de Triz. "É verdade ou não? Será mesmo possível?"
– Bom — disse Triz abrindo a caixinha com o título "Teste para Gravidez" — Mal não vai fazer...
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– CRISTINA! CRISTINAAAA! — gritou Triz da barraca.
A jovem apareceu o mais rápido que pode, na condição de ainda um pouco debilitada por causa da perna.
– O que? O que houve?
– Entra! Rápido!
Cristina obedeceu e se sentou na frente da loira. Havia um teste de gravidez nas mãos de Triz. Cristina sorriu amarelo.
– E então? — perguntou ela.
– Eu... Eu ainda não olhei... Quero que olhe pra mim. Estou com medo. E se eu realmente estiver grávida? E se eu não gostar do meu filho? E se ele atrapalhar tudo por causa do choro? E se ele passar fome? E se tiver complicações no parto? Eu nem mesmo sei se eu não quero esse bebe... e se eu quiser? E se...
– Se tudo isso acontecer — interrompeu Cristina — Estamos aqui por você. Vamos fazer o possível para te ajudar com o bebe ou com a perda dele, se for o caso, está bem?
Triz respirou fundo e fez que sim com a cabeça. Cristina pegou o teste de gravidez e a loira tampou a respiração. Cristina deu uma boa olhada nele com uma "Poker Face" de dar inveja.
– E... E então? — perguntou Triz.
– O que você acha? — perguntou Cristina.
– Ora! Como assim o que eu acho? Eu não acho nada! Não tenho a menor ideia do que pode estar aí e estou completamente angustiada e você me pergunta isso?! Eu não sei, simplesmente não...
– Você acha que é menino ou menina?
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