Apocalipse Zumbi (interativa)
29 Nômades
Chris e Maryanne pulavam de galho em galho com uma velocidade e agilidade normalmente associadas com os ninjas no Velho Mundo. Velho mundo, deve-se saber, era o mundo antes dos errantes, antes do caos e da destruição. Pisavam em galhos pouco confiaveis, abusando de sua sorte a tal ponto, que Felina estremeceu na mochila de Chris.
Após alguns minutos, os dois retornaram ao lugar onde o resto dos sobreviventes estavam instalados. Com os errantes distraidos com sucesso, Chris pensou que o grupo pudesse esboçar felicidade, alívio ou, até mesmo, gratidão. Mas eles apenas continuaram lá, estáticos, frios e imóveis como pedras. "Quão profundo é o dano desse grupo?", pensou Chris com seus botões.
– Despistamos os errantes — disse a ruiva — Precisamos partir. Imediatamente.
Gaspar e Lucie assentiram e ajudaram Katherine a mover o corpo inerte de Derick de volta ao chão. Derick tinha a respiração falha e estava, apesar de sua pele amendoada, pálido. Gaspar e Lucie se movimentavam sem pensar, como se estivessem no modo automático de um avião. A situação se repetia com Harry e Clear, bem como com Jason. Triz não podia se dar a esse luxo, pois tinha que dar 100% de si a seu filho, Kevin. Cristina e Damien pareciam sóbrios, na medida do possível.
O grupo se organizou e preparou sua partida. A ruiva desceu da árvore, assim como o resto do grupo, deixando Chris e Felina sozinhos. Fez isso com pesar. Não queria abandona-lo, pois sua companhia não era de todo desagradável, mas Maryanne conhecia as regras, e Gaspar não estava interessado em novos participantes.
Chegou ao chão com graça e agressividade, como sempre e andou em direção ao seu grupo.
– Espere! — disse Chris, botando a mão em seu ombro.
Maryanne levou um susto e deu um pulo. "Como esse cara chegou aqui embaixo tão rápido? , ela se perguntou. Arrumou os cabelos ruivos, que agora eram longos, e encarou os olhos escuros e profundos do homem a sua frente, como se não estivesse surpresa com a sua presença.
– O que você quer? — ela perguntou.
– Vocês... Vocês não podem ir por aí — ele disse, de forma direta.
A ruiva se decepcionou, pensando que ele iria implorar para ficar no grupo e que ela iniciaria e terminaria um pequeno drama. Ela sentia falta disso do Velho Mundo. Do drama. Fazia bem sentir qualquer coisa que fosse. Ela suspirou e perguntou.
– Por que não?
– Tem uma horda de errantes vindo dali também — ele respondeu, sem hesitar — Eles vão se encontrar em cerca de três dias, se mantiverem o ritmo e fazer uma horda maior ainda. Vocês devem ir ou para o Norte, ou para o Sul.
Maryanne demorou um tempo para absorver a informação.
– Como... Como você sabe disso?
– Eu vim de la. Estou tentando fugir deles faz algum tempo, já. Não achei que encontraria gente viva nessa região dos Estados unidos e...
– ANTIGO Estados Unidos — corrigiu Maryanne — O governo caiu já tem alguns anos. Somos só o planeta Terra agora.
– Certo... — murmurou Chris — Enfim, não sigam por esse caminho. Nem o caminho contrário. Tentem sair dessa região o mais rápido o possível, está bem?
Maryanne assentiu e virou de costas, mas antes de voltar a andar, se voltou novamente para Chris.
– Não pense que só por isso te aceitaremos no nosso grupo. Precisamos de muito mais para...
– Eu entendo! — interrompeu Chris — Me desculpe, não pretendia passar essa impressão, eu só estava...
– Maryanne — Chamou Gaspar — Vamos.
A ruiva fechou os olhos, pensando se deveria seguir o conselho do estranho. Ele poderia estar tentando matá-los para conseguir seus equipamentos ou coisa pior. Suspirou e abriu os olhos, encarando Chris.
Deduziu que não tinha porque temer um homem de quase dois metros que acaricia um gato e o chama de "Fofuchinho"com uma voz melosa.
– Senhor — disse ela — Tem algo que precisamos considerar.
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Chris contou a história toda novamente, curto e grosso. Sua expressão não se mostrava hesitante ou intimidada por Gaspar. Ele apenas continuou falando e respondendo as perguntas do líder e, de alguma forma, ganhou a confiança dele.
– Esta bem — disse Gaspar — Seria pedir demais que nos guiasse por um lugar que você considera seguro?
Chris sorriu de canto, de uma forma que fez as pernas de Maryanne tremerem. Por um minuto, se repreendeu por aquilo, mas depois pensou "Ora essa! Esse sorriso derreteria até mesmo o coração de uma versão gay do ex-major, ou a neve que está se formando. não tenho culpa de nada".
– Sim senhor. Seria uma honra — respondeu ele — Não é mesmo, fofuchinha?
Dizendo isso, saiu e se encostou numa arvore.
– Senhor — disse a ruiva — Se importa em responder o por que confiou nesse cara tão rápido?
Gaspar sorriu de canto.
– Não tem como temer um cara que chama um gato de "Fofuchinha" na frente de outras pessoas.
Maryanne soltou uma risada que foi interrompida por um gemido de dor, que logo se transformou em um grito.
– DERICK! ACORDA, POR FAVOR!!
Katherine sacudia os ombros do marido, mas ele não voltou a respirar por isso. Katherine iniciou um choro de dor, que contagiou todos os presentes, e se deitou no peito de Derick. Chacoalhava a cada soluço que dava.
Então, finalmente, Cristina e Damien puxaram Kath do corpo morto do marido e a seguraram até que ela dormisse de tanto chorar.
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