Apocalipse Zumbi (interativa)
14 Medidas de emergência
Notas iniciais
– Gaspar, a gente tem que fazer alguma coisa!
– Não podemos deixar isso acontecer novamente, eles já sabem onde estamos. Podem voltar a qualquer momento!
– Exato! Gaspar, temos que sair daqui. Temos duas crianças conosco e outras pessoas também! E todos estamos com medo!
– Não vejo outra opção viável...
– Nem eu! Comecem a fazer as malas. Vamos dar o fora daqui.
Gaspar abaixou a cabeça, como se estivesse derrotado. Lucie, que estava ao seu lado, desviou o olhar dos outros sobreviventes. Os dois se sentiam extremamente culpados pelo episódio do estupro de Triz. Mesmo assim, não deixavam de ser os líderes e ainda tinham que tomar as decisões.
– E então? — perguntou Lucie ao líder mais velho — O que você acha? Eu... Eu acho que eles estão certos.
Gaspar hesitou por um momento. Eles estavam certos, mas não podiam simplesmente abandonar aquela posição estratégica. Não haviam passado fome nem sede graças àquele lago. Mas, infelizmente, a segurança era mais importante do que isso. O líder mais velho suspirou.
– Eu também acredito que estejam certos... — disse ele.
– E então? — perguntou Cristina.
– Estamos esperando algum convite formal, por um acaso? Vamos dar o fora daqui! — disse Damiem, que havia finalmente concordado em sair da cabana.
O grupo de Lucie, cochichava baixinho em um canto da reunião. Próximos aos líderes, os mais velhos. Os pequenos estavam sentados próximos ao lago.
– Será que devemos mesmo ir? — perguntou Clear arrumando seus óculos de armação em um movimento nervoso.
– Não sei... Tem o risco daqueles dois panacas estarem com um grupo bem maior que o nosso. Mesmo que a nossa posição seja muito boa, não podemos arriscar — disse o loiro.
– Eu entendo seu ponto de vista, mas... — murmurou a pequena — Eu não acho que seja o caso. Acho que eles querem nossa posição e passaram aqui para nos assustar e nos mandar embora sem conflito armado. Posso até afirmar que os sons de passos que ouvíamos antes eram eles.
Harry ficou pensativo por um tempo e pois-se a jogar uma pedra no lago, pedra esta que deu três quiques na água. Clear repousou sua cabeça sobre o ombro de Harry e os pequenos lá ficaram, admirando o nascer do Sol.
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O grupo estava chegando a uma decisão unanime. Todos concordavam em sair do local. Todos menos a integrante não presente: a própria Beatriz. Alegou cansaço e foi para sua barraca. Porém, todos sabiam que ela foi enterrar o amigo, portanto não estava no local.
– Bom — começou Gaspar — Assumindo que Triz não esteja em condições para votar, por unanimidade, vamos sair do lago hoje até o meio dia — houveram suspiros de alivio. Até mesmo Maryanne se deixou levar por um repentino alivio — Arrumem suas coisas e me encontrem no...
– NÃO!
Todos se viraram até a origem da voz. Triz estava lá, com suas calças jeans e blusa branca regata sujas de terra. O cabelo loiro ensebado, devido ao tempo sem um bom banho, solto e preso ao rosto e pescoço devido ao suor. Havia uma determinação quase cega em seu olhar e uma furia reprimida em seu estômago. As mãos sujas de terra e sangue. Nenhum sinal de choro.
– Eu não aceito essa decisão, me desculpem — ela disse, andando até Gaspar e Lucie — Não podemos simplesmente sair daqui! Uma posição estratégica! Um lugar sem muitos errantes. Um lugar seguro! Desculpe, mas se vocês querem ir embora só por que fui estuprada, podem desistir. No que depender de mim, ficamos.
Terminado o seu discurso, Triz deu meia volta, ignorando os olhares surpresos e se dirigiu a sua barraca.
– Triz! — gritou Jason — Não ache que é só por sua causa. É por todos nós!
Triz virou, com uma cara de quem não acredita.
– Falamos sério! — apoiou Cristina — Aconteceu com você e pode acontecer com qualquer um, sem contar que pode acontecer com você novamente!
E então várias vozes se levantaram. Até mesmo os tímidos do grupo de Lucie se levantaram para falar. Era um conjunto de vozes que era impossível de se entender.
– CHEGA! — gritou Lucie, com sua natural cara de superioridade — Já conhecemos a opinião de todos vocês, porém Triz não se manifestou ainda — virou-se para a loira, que a encarava com os obres azuis com gratidão — Então, o que sugere que façamos Triz?
A loira soltou um sorriso maldoso, quase cruel que assustou a todos, principalmente a Katrina, que tinha criado muita afeição para com a loira. Então Triz falou, alto e claro.
– Nós lutamos.
Silêncio...
E então, foi o Maldonado quem falou.
– Não temos munição o suficiente, nem mesmo sabemos quantas pessoas estão naquele grupo.
– Nem temos comida o suficiente para uma viagem — retrucou Triz — Em todos os casos, só temos uma solução: Atlanta. Se formos para Atlanta, conseguiremos armamento, comida e outros objetos necessários. Eu proponho que fiquemos e proponho que encontremos munição o suficiente para nos defendermos. Não vai ser dificil porque, na minha opinião, se fosse um grupo grande, viriam mais de três e vieram apenas dois. Essa é a minha proposta. Defendemos o que é nosso.
O silêncio tomou conta do acampamento. Até mesmo os pequenos, que não haviam mudado de posição, escutavam com total atenção.
– Aceite pai... Aceite... — murmurava Harry, enquanto Clear cruzava os dedos.
O silencio continuou enquanto uns refletiam e outros trocavam olhares cúmplices, pedindo orientação. Então Maryanne levantou o braço.
– Eu mudei de ideia.
Dizendo isso, a ruiva vai para o lado de loira. Ali, começa uma relação de amizade interessante.
– Eu também — disse Damien, andando até Beatriz.
– Por que você...? — sussurrou Triz.
– Não começa, loirinha — sussurrou o Maldonado de volta — Nós sabemos como é perder alguém diante de seus olhos. Sei que faz isso por ter raiva dos que o mataram. Além do mais, eu gosto daqui.
– Eu também — disse Maryanne.
Pouco a pouco, todos foram mudando de lado. Até mesmo os dois líderes concordaram que era uma excelente ideia conseguir mais munição e comida. Assim que a decisão foi tomada, Harry ergueu os braços ao alto, alegre com a decisão. Clear soltou um "YES!" agudo demais e alegre demias para a sua pessoa, abraçou Harry e tascou-lhe um beijo na bochecha. O loiro tentou não demonstrar a vergonha, mas acabou ficando corado. Clear soltou uma risadinha.
– Então está decidido enfim! — disse Gaspar sorridente.
– Quando você sugere que seja a ida a Atlanta, Triz? — perguntou Lucie.
– Hoje mesmo — respondeu de prontidão — Grupo pequeno, bem armado... Não podemos perder tempo.
Todos concordaram.
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