Apocalipse Zumbi (interativa)
23 Ainda existe esperança?
Notas iniciais
Gaspar espiou por entre as folhas com o seu olho bom. Em silêncio, gesticulou para o grupo atrás dele o número 14. Eram 14 errantes. O major esperou a hora certa e, quando todos os errantes se viraram para o lado oposto ao que estava, rolou para uma moita próxima. Jason, Damien, Harry e Derick (os dois ultimos, agora com 16 e 17 anos) seguiram o lider. Rolaram por mais algumas moitas até se posicionarem atrás da ameaça.
Harry sinalizou com a cabeça para Cristina, dando-lhe permição para seguir com a estratégia. A garota rolou para o lado oposto ao dos meninos e se escondeu em outra moita. Lucie veio logo atrás, a única mão boa segurando um facão de peixeiro. As duas se entreolharam e Lucie fez que sim com a cabeça. Cristina respirou fundo e balaçoua moita com força, chamando a atenção de todos os errantes ali presentes. Lucie soltou um gemido alto, pra chamar ainda mais a atenção.
Assim que os errantes se aproximaram da moita das garotas, começou o massacre. Os homens enfiavam facas e facões repetidamente na cabeça dos errantes e as meninas davam rasteiras incrivelmente precisas e derrubavam os errantes, pisando na cabeça deles, ou ficando sobre eles e enfiando as facas em suas cabeças.
Assim que todos os errantes foram abatidos, o resto do grupo saiu das moitas.
– Bom trabalho — disse Andrew — Esse foi o mais rapido de todos os abates.
Atrás de Andrew, Katrina. O casal, agora com 19 anos de idade, possuia uma respeitavel coleção de cicatrizes leves pelo corpo e nenhuma no rosto. Katrina sorriu de leve para o resto do grupo. Clear, que agora usa leggins e uma bota de trilha, possui alguns hematomas e uma cicatriz bem visivel na bochecha. Continua com os óculos de armação e um novo moletom preto. Ela, na linguagem de pais e tios chatos, desabrochou.
Sem falar na Katherine. O cabelo preto e liso, uma vez curto, agora lhe caia sobre as costas em uma cascata lisa e negra. A franja não mais cobria o olho esquerdo. Este era coberto por um tapa olho enquanto todo o seu cabelo estava preso. Acabou escondendo seu Urso na mochila, mas dormia com ele todas as noites. Era uma das beldades do grupo.
– Valeu Andrew — disse Damien, andando até Cristina e dando um abraço em sua namorada — Bom trabalho princesa.
Cristina revirou os olhos murmurando "Não me chama de princesa". Gaspar foi até Lucie e deu-lhe um beijo caloroso nos lábios. O resto do grupo os chamava de "O casal cotoco", por questões óbvias. Harry, com uma coleção ainda mais respeitável de cicatrizes profundas pelo corpo, andou até Clear. Harry era extremamente bonito agora.
– Bom trabalho, loirinho — disse Clear, com as mãos nos bolsos — Pegou quantos? Cinco de quatorze?
Harry soltou uma risada que, anos atrás, seria considerada extremamente sensual por garotas da sua idade.
– Seis, pra falar a verdade — dizendo isso, puxou a pequena (sim, ela continua pequena) para um abraço que tirou os pés de Clear do chão.
Derick andou até Kath. Esta, não mais ficava envergonhada por sua presença. Os dois se olharam e sorriram um para o outro. Derick puxou Katherine para um beijo carinhoso nos lábios.
– Bom trabalho Derick — disse Kath — Foi impressionante.
– Harry ainda pegou mais deles do que eu — respondeu Darick, com cara de indignação.
– Ei, ei — chamou Kath, pegando o rosto de Derick com as mãos e fazendo-o olhar nos seus olhos — Você ainda é o melhor pra mim, tudo bem?
Derick sorriu e os dois se beijaram mais uma vez.
– Jason! Jason, me ajude aqui! — gritou Triz ainda atrás da moita — Eu e Maryanne precisamos de ajuda aqui!
O grupo inteiro se virou na direção da voz, apreensivo. Jason se virou e correu para ajudar as duas.
– Rápido, seu inútil! Estamos morrendo aqui sozinhas! — berrou a ruiva. Então ela soltou um berro e caiu para trás — Ugh… Desisto! Anda logo!
– Tudo bem, tudo bem, estou indo, relaxa! — respondeu Jason, com uma expressão de divertimento.
Ele se ajoelhou atrás da moita. O grupo não tirou os olhos de lá até que Triz se levantou e ajudou Jason a se levantar também. Nos ombros de Jason, havia um garotinho loiro e risonho.
– Jason! Tio Jason! — dizia o garotinho, se debatendo no ombros do ex-tenente — Mamãe não… Ahn… Mamãe não "que" "qui" eu saia "agola"!
– Calma garoto — disse Jason sorrindo — Mamãe deixa agora, né mamãe?
O grupo soltou risadas por causa do tom de voz que Jason usava pra falar com Triz. A loira revirou os olhos e sorriu.
– É, meu amor, mamãe deixa — ela estendeu os braços para o garoto — Vem Kevin, vem com a mamãe.
O garoto obedeceu, pulando para o colo de Triz. Tinha os olhos e os cabelos da mãe. O garotinho olhou para o chão e viu os errantes esmagados.
– Mais "monstus" mamãe? — perguntou o pequeno Kevin.
– É, mais "monstus" meu amor — ela respondeu — Está cheio de "monstus" hoje, mas a gente vai te proteger, você sabe, né?
Kevin ficou com uma cara pensativa por um momento e sorriu, fazendo que sim com a cabeça. O grupo sorriu e Triz abraçou seu filho com carinho.
– Agora temos que fazer silencio, Kev — disse Triz — Senão os monstros vão nos escutar e vir até nós.
– "Sempe" em "siencio" — disse o pequeno.
– Isso — disse Jason para Kevin — Senão o bicho papão vem pegar.
Kevin abraçou a mãe e os sobreviventes começaram a andar. Andaram bastante até que enfim encontraram o que procuravam. Encontraram a Interestadual.
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