Eu estava no meio do primeiro ano letivo dos cinco anos de faculdade de medicina. Tinha na época dezoito anos e uma cicatriz no peito.

Meus "pais" eram muito "cuidadosos" com meu ser, mas não puderam evitar que a verdade fosse a tona. Eu era adotada. Descobri com quatorze anos, em uma aula de ciências na escola, fazendo uma experiência com sangue meu e dos meus familiares. Estudávamos o DNA. Rebelei-me quando descobri. Mas com o tempo fui aprendendo a conviver com essa incerteza e dúvida de quem eu realmente era por isso decidi fazer uma viagem até o orfanato onde meus pais me adotaram. Talvez lá eu soubesse da minha vida.

Meu nome até onde sei é Amy Parker. Moro com meus pais em uma minúscula cidadezinha de interior. Não sou muito bem humorada, nem gentil, muito menos doce e meiga, tinha objetivos até então, agora meu único objetivo é sobreviver. Estatura mediana, pele branca, olhos verdes claros, cabelo castanho claro quase louro, liso, comprido até a cintura com as pontas onduladas, nem tão magra nem gorda, minha boca e minha bochecha tinham um leve tom rosado, que dava um ar de delicadeza, coisa que com certeza eu não era. Pois bem, arrumei minhas malas e parti de trailer rumo a Savannah, na Geórgia, com um amigo do meu pai como motorista.

A viagem seria de aproximadamente cento e quarenta quilometros, já que a residência de meus pais ficava bem no interior do país, em Knoxville, Tenesse. Seria a viagem mais esperada da minha vida. Fizera planos, e estava ansiosa. Tudo teria ocorrido na maior tranquilidade se não fosse por um probleminha... Melhor dizendo, um PROBLEMÃO! O radialista avisara. Alguns jornais na televisão também, mas como tudo parecia controlado e era isso que o governo passava para a população — "fiquem tranquilos, já estamos controlando a situação!" — as pessoas pareciam levar como apenas mais um vírus ou doença que logo teria tratamento contra, como a AIDS, gripe, câncer e coisas do tipo. O que não esperavam era que o surto ia se agravar da noite para o dia, em menos de horas metade da população do país estava contaminada, e cara, nem se o presidente ressuscitasse Einstein daria conta de controlar esses andarilhos mortos vivos comedores de gente!

Começou nas grandes cidades como Washington, Los Angeles, Orlando, e logo foi se arrastando para as cidades do interior, cada vez mais para o interior! Até que a lei se tornou "ou mata ou morre". A lei da sobrevivência.

Tudo ocorria bem até chegarmos cerca de dois quilometros de Atlanta. A rodovia que saia da cidade completamente transitada, parada sem nenhum sinal de vida. Paramos no acostamento. De lá era possível avistar a vazio, literalmente a cidade estava morta. O motorista e eu paralisamos diante do cenário. Tenso. Amedrontador. Vazio. Podre.
Fiquei durante alguns minutos parada, olhando fixamente pra os prédios. Fumaça em todo lugar. Só desviei minha atenção quando olhei para baixo da janela e vi uma coisa se arrastando. Fedia. Como fedia. Mesmo assim não hesitei em olhar e nem em sair do trailer e chegar perto daquela coisa pra ter certeza mesmo do eu via. Aproximei-me devagar. Observei por algum tempo. E então tive a total certeza, era um zumbi! Entrei novamente no trailer. E fiquei pensando um pouco. Melhor dizendo comecei a lembrar de quando eu ficava enfurnada no meu quarto vendo series e filmes. Meus preferidos eram de terror. Incluindo os de zumbis. Então de certa forma não estava tão por fora assim do assunto. Tinha conhecimento só não tinha pratica. Dei mais uma espiada para fora da janela e vi um bando se aproximando, acho que foi a primeira vez na minha vida que me deu certo desespero. Respirei fundo e fechei todas as janelas e a porta do trailer. Tentei manter absoluto silencio até que o grupo passasse. Teria sido possível se o besta do motorista, Steve o nome dele, não tivesse dado um ataque de histeria quando os três últimos zumbis estavam passando. Tampei a boca dele o mais rápido que pude com as mãos. Mas a merda já tava feita. Eles deram meia volta indo em direção ao trailer e ficaram rodeando. Ficamos nessa situação por uns vinte minutos até que resolveram seguir adiante.
Era complicado se ver sozinha, sem família, sem saber sua origem, assustada e com um idiota do seu lado atraindo zumbis!

Expliquei ao Steve tudo o que estava acontecendo e ele pareceu nem um pouco surpreso, pois já vira na televisão algo sobre tudo isso. Melhor assim. A questão agora era o que fazer? Pra onde ir? Suprimentos, onde achar? Armas!? Droga!
Por um momento não sabia o que fazer. Então vi que o melhor a fazer era passar a noite por ali mesmo, no outro dia pensaríamos no que fazer, afinal tinha comida pra cerca de cinco dias. Mas ficamos ali um pouco mais do que previsto, durante uma semana e meia.