Apocalipse Brasil
2 Capítulo um – Contágio
Notas iniciais
“Meu nome é Aline, sobrenomes não são importantes a essa altura do campeonato. Eu sou apenas uma garota do interior que teve o azar de viver no Brasil, um país de fronteiras abertas, onde qualquer pessoa e qualquer coisa pode entrar.
“E foi assim que tudo começou, uma pessoa que entrou em meu país, essa pessoa era um ladrão, e trazia consigo um material genético desenvolvido em laboratório. Uma nova droga que aumentaria a capacidade cerebral e corporal, que nunca fora testada em humanos.
“Esse ladrão chegou em época de Carnaval, beijou e transou com muita gente. Poderíamos confundi-lo facilmente com meu amigo Maiadson...”
— RAPARIGA! — Berrou o moreno do banco de trás e se contorceu de dor. — Isso aí não aconteceu, conte as coisas direito!
— A gente edita essa parte.
Falou a cacheada não conseguindo conter o riso.
“Esse ladrão foi contratado e pago pelo nosso governo para roubar essa droga e lança-la em nosso país como se fosse nossa. Mas quando iniciaram os testes em humanos, perceberam que não estava funcionando, na verdade estava deixando as pessoas doentes. Tinha alguma coisa a ver com o nosso organismo ser diferente do dos americanos, não estava atualizada para as nossas condições climáticas nem mesmo sociais... Bom, eu particularmente não entendi muito bem, sou de Humanas...
“Então, descobriram que a doença era altamente contagiosa, médicos que atenderam pacientes que serviram de cobaias logo adoeceram também, foi declarado estado de calamidade. O nosso governo teve que recorrer aos próprios americanos por ajuda. Mas a própria doença já havia evoluído, e evoluía mais a cada novo hospedeiro, como uma nova versão da anterior, mais forte e mais contagiosa...
“Não demorou muito tempo até o pior acontecer, em questão de semanas os doentes simplesmente começaram a morrer. E então a droga começou a fazer o efeito que era buscado desde o início, porém agora da maneira que menos se queria...”
Um forte baque na janela gradeada do carro assustou as garotas, que berraram. Uma mulher de rosto completamente necrosado rosnava e batia os dentes, empurrando o rosto contra a grade. Aline continuou falando após o susto.
“Bom, já dá pra ter uma ideia do que aconteceu...”
Falou apontando para a janela, então Fabielle pausou a gravação, depois de um close na mulher morta-viva.
— Vamos embora daqui.
Falou, ligando o carro. A camionete prateada deu ré naquele estacionamento, que até o momento estava vazio e partiu, deixando a zumbi necrosada para trás.
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