Apocalipse – Born In Hell
37 Ep37 – Feridas Abertas
Notas iniciais
Boa Leitura!
POV ANNA HANKINS
Procurei Ruby por todo o casarão, mas não a encontrei, voltei ao quarto trazendo uma garrafa de vinho. Mas Daryl não estava, fui até o quarto das meninas.
_Oi posso entrar. Falei abrindo a porta e vi Thais na frente do espelho fazendo caretas, ela parou e me olhou assustada.
_Ta tudo bem sou eu. Cadê a Emma?
_Saiu com o pai dela, eu fiquei aqui porque ouvi você dizer que era pra ficar no quarto. Disse ela com sorriso.
_Bom pelo menos alguém me escutou, aqueles dois devem estar explorando por ai, são muito ansiosos. Falei.
_Pode me ajudar a pentear o cabelo, tem uns nozinhos eu não consegui.
_Vem cá. Ela me alcançou a escova e eu comecei a desembaraçar os cabelos dela.
_Porque eu não posso ficar com você? Perguntou ela rapidamente.
_Bom não é que não pode, mas acho que ficaria melhor com outra pessoa, eu passei um bom tempo longe da Emma ainda estamos nos adaptando entende?
_E acha que eu vou atrapalhar?
_Não eu não disse isso, mas é que...
A porta se abriu rapidamente, e Daryl entrou e me puxou pelo braço com força.
_Para que ta fazendo? Gritei.
_A gente tem conversar! Gritou ele.
_Que foi, o que deu em você?
_O que deu em você? Abandonar um bebê no meio da floresta pra ser devorado? Você enlouqueceu? Ou ta tão fria a ponto de fazer uma crueldade dessas?
_Thais pode me esperar no outro quarto por favor, falei vendo o susto que a menina tomou e o nervosismo de Daryl caminhando de um lado pro outro.
Ela saiu caminhando lentamente e depois passando correndo por perto de Daryl com medo.
Senti meus olhos se encherem de lagrimas.
_Você foi atrás da Melissa? Prometeu, disse que não se meteria nisso!
_Eu não fui atrás dela, a encontrei por puro acaso com o menino, ele é meu, meu filho, eu sei disso, senti isso no momento que botei os olhos nele.
_E o que você fez? Ah? Tentou tirar o menino dela?
_O “menino” é seu filho Anna nosso filho!
_Não tem como ter certeza disso, nunca terá.
_Não me importa! Ele é meu filho e vai ficar comigo, vai resolver essa historia agora mesmo e pegar nosso filho de volta! Disse ele segurando o meu braço com força.
_Ta me machucando! Eu não vou fazer isso, eu cumpro com a minha palavra, não vou arrancar ele dos braços da mulher que tem cuidado e o amado desde que ele nasceu.
Ele soltou meu braço me empurrando.
_Você vai resolver isso hoje mesmo não quero o meu filho sendo criado por outra pessoa.
_Chega Daryl, eu já te expliquei porque ele ta com a Melissa achei que tivesse entendido!
_Eu posso digerir a historia de você ter dado o nosso bebê, mas ai tentar mata-lo Anna como pode?
_Você não sabe o que eu passei, você não quis me ouvir quando eu tentei te contar...
_Nada justifica o que você tentou fazer, se não quer o menino é um direito seu, mas eu quero e ninguém vai me impedir de criar o meu filho! Disse ele saindo irritado pela porta.
_Daryl, volta aqui! Daryl! Ele continuou andando pelo corredor sem olhar pra trás.
Sentei na beira da cama, sentindo um aperto dolorido no peito como no dia que Jimmy nasceu.
Flashback Anna Hankins
_Está se sentindo melhor? Perguntou Ruby .
_Estou sim, só um pouco cansada.
_Bom vai ter que alimentar o menino, ele já ta resmungando de fome. Disse ela me apontando a cesta em cima de uma cômoda.
Levantei e caminhei até a cestinha, vi o rosto do bebê enrolado em uma toalha branca ainda um pouco sujo de sangue.
_Ele não se parece em nada com Emma. Nada, muito menos com Daryl. Falei.
_O que? Ainda tinha esperança que ele fosse do seu homem?
_Nao sei, um pouco.
_Ele parece ser prematuro, é pequeno, fraco, mal chora, talvez tenha alguma doença vai saber o que aqueles desgraçados podem ter passado pra você e pra ele também.
_Eu não tenho nada, estou bem.
_Espero que sim, o que pretende fazer? Vai cria-lo? O filho de um estuprador maldito?
_Eu tenho escolha? Ele ta aqui não é, saiu de dentro de mim, é o carma que eu vou ter que carregar.
_Nao precisa, sabe disso, vai cria-lo pra que? Olha ai você nem consegue olhar direito pra ele, quem dirá ama-lo um dia. Quanto mais ele crescer mais ele vai te fazer lembrar, e quando ele te perguntar sobre o pai dele? O que vai dizer? Vai mentir? Ou vai contar a verdade e dizer que ele fruto de dias nas mãos de um bando de estupradores que abusavam de você todos os dias e que você não tem a menor ideia de qual dos desgraçados ele seja o pai dele. Vai dizer isso pra ele?
_Me deixa em paz Ruby eu so quero ficar sozinha, tudo bem? Me deixa sozinha. Falei sentindo meus olhos queimarem, eu tentava controlar as lagrimas mas era impossível.
_Tudo bem, mas vê se não deixa o filhotinho do satanás berrar e chamar a atenção, aquele grupo grande de errantes deve estar por perto. E só mais uma coisa, a fruta não cai longe do pé, esse garoto se viver não vai ser melhor do que o pai dele pode ter certeza. Disse ela saindo pela porta, o bebê continuou resmungando virando a cabecinha pros lados procurando alimento. Fiquei o observando por algum tempo, quanto mais olhava pro rosto dele mais eu lembrava de toda a dor e agonia que passei até Ruby me encontrar. Respirei fundo, e peguei o menino nos braços, não senti absolutamente nada, nada apenas repulsa, ódio, raiva.
“Para Anna é só um bebê ele não tem culpa, é tao ou mais vitima quanto você, ele seu filho saiu de dentro de você igualzinho a Emma, independente do modo que ele foi concebido, ele é seu filho” eu tentava colocar isso na minha cabeça, fiz um esforço enorme e deixei que ele sugasse meu peito por alguns minutos, mas as vozes, risos, dor, toques e caricias repulsivas vieram na minha mente e eu o tirei do peito e o coloquei com força de volta na cesta. O bebê começou a chorar desesperado.
_Para! Para! Cala a boca! Cala a boca! Gritei sacudindo a cesta. Comecei a andar de um lado pro outro no quarto, temendo, com a cabeça perturbada cheia de pensamentos e lembranças assustadoras.
_Você não é meu filho, não é. Ruby ta certa eu nunca vou conseguir olhar pra você e não lembrar, nunca. Você tem sangue ruim correndo nas veias, não merece viver. Falei.
Sai pela janela pra não ser vista pelo resto do grupo, ainda me sentia fraca, tinha perdido muito sangue durante o parto, foram horas sentindo dores estava exausta, mas mesmo assim continuei caminhando, de pés descalços adentrando a floresta, ouvindo o choro inconsolável da criança na cesta.
_Não é meu filho não é. Ia dizendo pra mim mesma. Caminhei durante uma meia hora até cair embaixo de uma árvore folhosa. Coloquei a cesta sob a arvore, vi dois errantes a uma certa distancia caminhando na nossa direção. Recuei e sai correndo deixando a cesta com o recém-nascido. Corri por alguns metros, ainda ouvia o choro, parei.
_O que eu to fazendo?
Voltei correndo até a arvore, um dos errantes já enfiava a cabeça dentro da cesta eu o puxei o jogando no chão, o outro investiu contra a cesta e eu fiz o mesmo, estava desarmada e fraca, só conseguia empurra-los quando chegavam muito perto. Os dois investiram juntos contra mim, empurrei um deles e levei uma mordida no braço do outro.
soquei sua cara o derrubei no chão e esmaguei seu crânio podre com uma pedra, o outro já estava novamente se arrastando em direção da cesta, eu bati com a pedra esmagando seu cérebro. Cai de joelhos cansada e fui até a cesta, o bebê estava bem sem nenhum aranhão, o peguei nos braços.
_Me perdoe, me perdoe, eu vou te proteger e tentar fazer o melhor pra você eu prometo. Me perdoe. Sei que você não tem culpa, mas eu queria tanto que você não existisse, seria tão mais fácil, me perdoe filho, mas não posso ser sua mãe, eu acabaria te fazendo sofrer, te culpando mesmo sem querer, me perdoe.
_Anna! Anna! Ouvi os gritos de Ruby e Melissa.
_Graças a Deus você está ai, ta doida?
_Eu ia mata-lo, ia matar o meu bebê. Falei perturbada embalando o pequeno que finalmente se acalmara e parou de chorar.
Ruby o pegou dos meus braços.
_Você não está bem, precisa descansar.
_Se não o quer eu o quero, eu posso cuidar dele, perdi meu bebê a poucos dias eu posso até amamenta-lo, por favor se não o quer de ele pra mim, prometo que vou cuidar dele como se fosse meu, mas não o mate é só um bebê inocente. Disse Melissa desesperada.
_Cala a boca Melissa, não vê que ela está em estado de choque, ela quem pariu ela decide se ele vive ou morre. Disse Ruby.
_Nao vou mata-lo ele é so um bebê e ele não vai se tornar um desgraçado como aqueles caras, se pode cuidar dele e ama-lo quero que fique com ele, que dê amor, faça ele ser uma criança feliz, que se sinta amado, cuidado e respeitado e ele vai ser um bom homem um dia. Não vou deixar que nada falte a ele, vou dar tudo que precisarem. Falei olhando nos olhos de Melissa que se aproximou e pegou o bebê dos braços de Ruby.
_ Eu prometo que farei isso, que ele vai ser a criança mais amada do mundo, mas eu serei a mãe dele, não quero que ele saiba que é seu filho tudo bem, se aceitar eu serei a mae dele pra sempre. Disse ela.
Olhei o rostinho da criança, já sonolenta.
_Tudo bem, vai ser melhor mãe do que eu, não tenho condições de cuidar dele, cedo ou tarde esse ódio que eu sinto vai falar mais alto e vou acabar fazendo besteira ou o fazendo sofrer, o melhor que eu posso fazer por ele é entrega-lo a alguém que possa o amar.
_Anna isso não vai dar certo, pertencemos ao mesmo grupo você vai vê-lo crescer do mesmo jeito, vai sofrer da mesma forma é melhor acabar com isso de vez, tentou fazer isso durante a gravidez qual a diferença? Disse Ruby.
_Eu vou aguentar. Dei um beijo na cabeça do bebê.
_Ele é seu Melissa. Falei sentindo um aperto no peito.
_Como quer que ele se chame?
_Jeremy Merle, Jimmy.
_Tudo bem assim vai ser o nome dele. Disse ela.
_Vem a Anna deixa eu te ajudar a levantar, meu deus você foi mordida? Anna? Disse ruby assustada.
_Ta tudo bem isso não vai me matar, por alguma ironia do destino sou imune eu vou ficar bem.
Vi Melissa se afastar de volta ao grupo carregando o meu bebê em seus braços, senti meu peito doer e meu coração acelerar, mas era o melhor que eu podia por ele naquele momento, dar-lhe uma chance de ter uma boa mãe, que o amasse sem receios, sem feridas abertas.
Voltei a realidade sentindo um leve toque na mão.
_Você está bem anjo? Disse a Sr Dumont segurando a minha mão.
_Sr Dumont o que faz aqui?
_Dinna não foi me ver hoje, ela foi fazer outro anjinho, mas ele não tem cabelos da cor do sol como os seus.
_Do que está falando?
_Não chore, anjos não podem chorar.
_Eu não sou um anjo Sra Dumont.
_Você é, me deu comida, um banho me trouxe pro paraíso é um anjo, um anjo de longos cabelos louros.
_Desculpa Sra Dumont mais eu preciso ir, to com um problemão.
_Eu vi, você tem que correr tem que correr Anna! É a vez dele tem que correr!
_O que do que está falando?
_Anjos, por todos os lados eles voam pro céu, porque eles merecem o céu... Cantarolou ela.
_Senhora Dumont, procurei-a por todo o casarão. Oi Anna vi você chegar, mas resolvi deixa-la descansar é verdade o que andam comentando, que achou sua família?
_Sim, Dinna desculpa eu to com a cabeça cheia, ainda nem consegui ver o Jimmy... Eu vou tentar me organizar depois a gente conversa tudo bem?
_Claro querida. Vamos Sra Dumont?
_Vamos Dinna, já pegou o anjinho?
_Não tem anjos já disse são só borboletas Sr Dumont.
_A coitadinha ta ficando mais senil a cada dia. Disse Dinna auxiliando a velha a sair.
POV GLENN RHEE
_Finalmente achei que tivesse se bandeado pro lado da Colônia. Falei vendo Marcos se aproximar.
_Não sabe como é difícil sair daquele lugar sem ser visto, a líder de lá consegue ser mais bem paranoica que você, é completamente louca, tive que matar o imbecil do Antony na frente dela pra ser aceito, devíamos ter contado a verdade pra aquele idiota ele quase botou tudo a perder!
_Se contássemos ele ia dar com a língua nos dentes pra sua esposa, e melhor que eles continuem pensando que estão recomeçando pra manter o disfarce.
_Olha Glenn se alguma coisa acontecer a minha mulher ou aos meus filhos, eu não sei o que eu faço...
_Hey Marcos relaxa, está fazendo isso por eles esqueceu? Precisamos daquele lugar. E ai que me conta.
_Eles não tem muita gente capacitada a lutar, a maioria é mulher e crianças, Ruby manda em tudo e tem uma loura que faz o serviço de capataz pra ela, as duas são osso duro pelo que eu ouvi, eles tem regras e leis isso foi a revolta maior que levou o Antony surtar, as mulheres mandam, a palavra delas vale mais do que a dos homens, na verdade os poucos que tem la não passam de empregados e reprodutores, tipo uma colmeia de abelhas sabe? Eles tem armas, mas não muita munição já vi vários reclamando. Tem um maluco la dentro matando crianças, estão tentando pega-lo.
_Perfeito, não podemos tentar tomar e expulsar as pessoas de lá elas sabem como as coisas funcionam, como plantar, colher, e precisamos disso pra nos manter, o que temos que fazer e derrubar a liderança deles e tomar o lugar e isso que faremos.
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