Apocalipse – Born In Hell
18 Ep18- Sepultadas sobre o manto
Notas iniciais
POV RUBY QUISSIN SALIB
Viajamos por quase dez dias trocando poucas palavras, eu sabia o que aquilo significava. Ela estava fraquejando, a raiva que ela sentira quando começamos as caçadas se acalentara e agora ela continuava apenas pelo dever que foi nos incumbido pelo destino. Eu sabia que isso aconteceria, ela não era como eu não tinha aquela chama destruidora que queimava no meu peito e que me fazia sentir-me tao bem ao ver um desgraçado como o Jonas morrer pelas minhas mãos. Mas logo aconteceria algo que traria o furor dela de volta, sempre acontecia.
Narrador
Ruby nasceu no Afeganistão, sob o duro regime talibã que mantinha as mulheres prisioneiras, privadas de qualquer direito básico. Elas não podiam sair as ruas desacompanhadas, estudar, trabalhar ou ao menos serem vistas sem o uso da Burca, um manto longo e pesado que cobria totalmente seus corpos e dificultava a visão. Logo em seus primeiros anos de vida a pequena Ruby notara as diferenças que eram impostas a ela, seus irmãos tinham total liberdade de sair e entrar em casa para brincar, ir a escola ou usar roupas curtas pra enfrentar o calor escaldante do verão do oriente, enquanto ela era obrigada a passar os dias presa dentro de casa apreendendo os afazeres domésticos com sua mãe com roupas escuras que cobriam-lhe todo o corpo. Seu pai era um militante do talibã, um homem duro de regras rígidas, mas muito carinhoso com os filhos.
Quando ela completou oito anos de idade seu pai foi morto em um combate com soldados americanos, e ela e os irmãos enviados pra viver com seu tio Omar. Sua mãe foi rejeitada pelo cunhado e obrigada a viver nas ruas dependendo da caridade de estranhos pra se alimentar, esse geralmente era o destino das viúvas no país. Eram abandonadas pela família por serem consideradas amaldiçoadas pela morte dos maridos, a mãe de Ruby se considerava sortuda pelo fato de Omar ter abrigado suas crianças e não vê-las passando fome e dormindo ao relento como ela.
Se em sua casa as restrições já eram muitas, na casa de Omar Ruby tornou-se uma escrava de sua esposa e de seus filhos, ela passava o dia limpando e cozinhando para família. Seus irmãos entraram pro talibã assim que completaram doze anos e trocaram a casa do tio pelo campo de treinamento do grupo paramilitar. Ruby passava as poucas horas vagas do dia ouvindo o tio ler o alcorão ou rezando. Quando suas primeiras formas de moça começaram a aparecer, Caleb o filho mais velho de Omar passou a olha-la de forma diferente e a cerca-la sempre que estava sozinha. Por mais que a jovem usasse longas túnicas que não mostravam nem mesmo seus tornozelos ou pulsos o jovem rapaz continuava a importuna-la com olhares e palavras sedutoras. No dia anterior ao seu décimo terceiro aniversario, seu tio Omar lhe disse que havia lhe arranjado um casamento com um dos chefes do regime Muramed, Ruby o conhecia ele vira jantar diversas vezes na casa de Omar, já tivera diversas esposas e todas acabavam mortas em pouco tempo. Nesta mesma noite Caleb lhe propôs uma fuga ela aceitou, mas os planos dos jovens foram interrompidos pela fúria de Omar, que condenou Ruby a 150 chibatadas. Dias depois o casamento foi realisado, e ela violentada covardemente pelo marido na noite de núpcias. A vida de esposa era muito pior do que a de órfã, Muramed a submetia a torturas e humilhações diárias, que chegaram ao ponto de Ruby tentar o suicídio como forma de escapar daquela realidade. Um ano depois ela estava grávida de quase sete meses, ao sentir uma dor ela saiu de casa sem usar a burca, e foi açoitada pela guarda Talibã , a violência a fez perder a criança que carregava e enfrentar o ódio de Muramed que a arrastou até a praça pra ser apedrejada em publico como uma adultera.
Alguns soldados da embaixada americana que embora fossem instruídos a não intromete-se em assuntos de natureza religiosa ou política do país, ficaram compadecidos e impediram o assassinato da jovem. Ruby crescera ouvindo horrores sobre aqueles soldados, ela fora ensinada que aqueles homens eram a personificação do diabo na terra, mas naquele momento eles foram seus heróis. O embaixador ao saber que a menina era esposa de um dos chefes do talibã pediu o asilo político americano a jovem. Ela viajou e conheceu uma vida totalmente diferente, na America as mulheres andavam livremente pelas ruas exibindo roupas coloridas e curtas, escreviam livros, trabalhavam, iam a escola e tinham direitos e deveres como os homens . Em pouco tempo Ruby aprendera o inglês, a ler a escrever e vivia provisoriamente com um General do exercito e sua gentil esposa. O general Willis vendo o potencial da jovem, a ensinou a lutar, a usar armas de fogo e facas e ela absorvia conhecimentos de uma maneira impressionante. Quando tinha dezessete anos foi obrigada devido a questões diplomáticas a voltar ao Afeganistão ela temia aquela viagem sabia que assim que voltasse seria torturada e impelida a voltar as tradições, seria sepultada novamente sobre o manto preto como todas as mulheres talibãs, mas antes que a viagem se concretizasse houve o grande surto epidêmico que arrasou o mundo em questão de dias. Desde então ela colocou os conhecimentos passados pelo general em pratica e sobrevivendo sozinha pelas estradas até se deparar com uma cena de abuso que ela conhecia muito bem. No meio da floresta um homem abusava do corpo já quase sem vida de uma menina que não devia ter mais que nove anos. Ele fora a primeira pessoa viva que ela matara, e sentiu um prazer imenso ao ver o corpo daquele homem caído aos seus pés. Ela tentou em vão salvar a vida da criança mas a mesma não resistiu morrendo na mesma madrugada. Naquele instante vendo o corpo machucado e parcialmente multilado da menina Ruby percebeu o motivo pelo qual sobrevivera a tantas provações, Deus tinha lhe dado uma missão e ela devia cumpri-la livrando o mundo de toda a podridão dos homens.
[...]
As duas viajantes pararam próximo ao curso de um rio para que os animais pudessem matar a sede e se alimentar com a gramínea que crescia anunciando a primavera.
_Porque esta tão quieta nos últimos dias? Perguntou Ruby
_Estou com uma sensação estranha. Acho que Emma precisa de mim mais do que nunca e eu não tenho menor ideia de onde ela está... Droga temos companhia. Disse ela apontando para um grupo de nove errantes caminhavam na direção da dupla atraídos pela fogueira.
_Esses não estão podres, devem ser do mesmo grupo. Disse Ruby cortando a cabeça de um com um facão.
A loira se aproximou do grupo derrubando um dos errantes com uma rasteira e depois enterrando um punhal em sua cabeça. Rubi já derrubara mais dois ceifando-os com a lamina afiada e letal, o quarto ela matou atravessando uma faca pontiaguda no seu olho esquerdo. Ficou observando enquanto sua parceira terminava de matar os outros, movendo-se rapidamente entre eles com golpes rápidos e precisos dos punhais de prata.
“Eu não posso deixar ela ir, faria muita falta para a colônia” pensou a bela morena.
_Não pensa em fazer a loucura de sair viajando atras deles ? Podem até já estar mortos.
_ Eles estão vivos, eu sei disso e você sabe que eu não posso ir, não posso deixar a colônia ainda não to pronta pra isso.
_Bom você me disse diversas vezes que o pai dela é incrível não é? Se estiverem vivos ele deve estar cuidando dela, devem estar bem.
_ É o que eu espero.
_ Vamos voltar pra estrada ainda temos mais um dia de cavalgada pela frente. E com certeza muitos errantes pra matar Anna.
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