Apocalipse B
1 I - Acordo depois de um bom tempo
I
Essa historia que eu vou contar aconteceu há um bom tempo, pelo menos é oque eu acho não me lembro bem. Por que depois do que aconteceu eu parei de contar os dias...
Era véspera de ano novo, todos estavam felizes com seus amigos e familiares. E ali estava eu, Sam um garoto de apenas 16 anos, feliz, na verdade nem tanto, reuniões de família costumam ser um saco, indo para a casa dos avós, como costume daquela data. A casa era simples, azul e com partes inacabadas, tinhas dois andares e era dividida por uma família de dez pessoas. Todos estavam alegres bebendo e comendo. Faltava apenas uma hora para o começo de um novo ano...
Meus tios corriam desesperados a procura de foguetes. Primos brincavam com lanternas e algumas de minhas tias preparavam um belo jantar, enquanto outras ainda decoravam a casa. Estava tudo correndo perfeitamente, ate que o telefone tocou. Uma de minhas tias havia perdido o ônibus. Alguém teria de ir até lá busca-la. Do contrario, ela não viria.
- Eu vou busca-la!
Disse meu pai.
- Posso ir com você?
Perguntei.
- Claro, mas traga um casaco! Está frio lá fora.
Apanhei meu casaco e fui atrás de meu pai. Entramos no carro, um Corsa modelo 2006 prata. Lindo e novo. Seguimos viagem, Uma intensa nevoa caia sobre a estrada, e mesmo com os faróis altos, não se conseguia enxergar quase nada a frente. Poucos carros ainda estavam nas ruas, provavelmente indo para suas casas ou outros lugares para comemorar o ano novo. Olhei para meu relógio, um bem famoso entre meus amigos, tão famoso que eu nem sabia o nome. Havia ganhado ele neste natal, ele marcava as horas e a data. 23:40 ! Faltavam apenas 20 minutos para o ano que vinha! Faltava muito para a casa de minha tia, tínhamos pouco tempo até chegarmos lá. Meu pai começou a aumentar a velocidade, não me importei, pois com aquela nevoa seria pouco possível de haver outro carro por ali. Olhei novamente para meu relógio, faltavam apenas poucos segundos. Foi quando derrepente surgiu na contramão uma caminhonete, não havia como sair de seu caminho. Meu pai e eu nos entreolhamos e no primeiro foguete que marcava meia noite meu pai bateu de frente com a caminhonete.
Acordei desorientado em minha cama no meu quarto. Eu estava atordoado, mas sabia que aquilo não era apenas um sonho. Olhei para meu relógio: 1 de fevereiro , 12:51. Eu estava super atrasado para o primeiro dia de aula. Teria de correr e muito, ou não chegaria a tempo ate minha escola. Vesti meu uniforme, ele era branco com algumas listras azuis e minha calça completamente azul. Apanhei minha mochila, desci correndo as escadas comi rapidamente alguns biscoitos, que por sinal estavam murchos e vencidos. E corri em direção da escola. As ruas e as casas estavam completamente vazias. Não havia absolutamente ninguém por perto. Cheguei a escola rapidamente, pois não havia nenhum carro muito menos pessoas nas ruas. A escola estava completamente vazia, não havia ninguém, a não ser por uma estranha figura. Um homem de aparentemente 19 anos, alto, forte, cabelos negros como as sombras. Eu não fazia a menor ideia de quem poderia ser aquele homem, mas por um momento eu tive a breve sensação que eu o conhecera.
- Daniel?
Perguntei
- Cara! Onde você estava? Como chegou ate aqui ileso?
Disse meu melhor amigo.
- Estava dormindo em casa. E como assim ileso?
- Dormindo? Cara desde 2012 que eu não te vejo! Tem três anos que eu não te vejo! E nenhuma das criaturas o atacou?
Não estava entendendo nada! Eu teria dormido ou possivelmente entrado em coma por 3 anos ? E o suposto acidente que sofri? E de que criaturas Daniel estava falando?
- Cara, que criaturas? Do que você está falando?
Perguntei assustado.
- Você não assiste mais televisão? Não olha mais ao seu redor?
Ele me respondeu.
Ele falou com o tom de voz alto, parecia estar nervoso. Mais quando reparei melhor, vi pequenas lagrimas em seus olhos. Ele falava com dor...
- Você a perdeu não foi?
Perguntei.
Daniel era ótimo em quase tudo. Era inteligente e legal. Mas sempre se dava mal com seus amores. Recentemente, ou pelo oque eu me lembro, ele estava apaixonado por Mary. Uma garota linda inteligente porem baixinha ele a amava mesmo assim. Daniel era da mesma altura de Mary. Ele estava pensando em pedi-la em namoro. Mas não sei se ele havia pedido.
- Nunca tive sorte no amor! E quando finalmente Mary aceitou meu pedido, isso acontece!? Ela esta morta!
Disse ele com lagrimas nos olhos.
Morta? Como assim? Eu não tinha entendido nada, como Mary havia morrido de um dia para o outro, ela estava mesmo morta Daniel estaria falando a verdade? Daniel estava diferente, estava maduro, menos irônico e maior.
- Você cresceu hein!?
Tentei alegra-lo.
- Um dia isto teria de acontecer não?
Ele me respondeu com um tom de mau humor.
Ainda estava cedo, e estava claro, e eu não via nada de errado. Foi quando derrepente os céus ficaram vermelhos e o vento se tornou frio. Eu estava congelando.
- Chega de conversa! Temos que ir antes que eles nos vejam. Venha comigo.
Eu o segui ate a sala da diretoria. Era uma sala velha, tinha as janelas quebradas algumas cadeiras, uma mesa pequena, uma geladeira, com poucos alimentos como: Um litro de leite estragado, presunto velho, água e alguns pães um pouco mofados. A sala também tinha um sofá e uma televisão. A direita estava um enorme armário, daqueles que você só vê em quarteis generais. Daniel abriu a geladeira e se serviu de leite e alguns pães. Ele chegou a me oferecer, mas eu estava tão confuso que resolvi não aceitar, além do fato do leite estar estragado e os pães mofados, aquilo poderia me fazer mal. Ele abriu uma pequena gaveta no armário, e lá haviam vários dvd’s . Tinha de todos os tipos, musica, filmes, documentários, alguns vídeos educativos etc. Ele pegou um dvd de capa preta escrito na capa “ O apocalipse “ . Ele o colocou para podermos assistir, enquanto devora seu sanduiche improvisado. Daniel então pareceu aflito, ele havia se esquecido de algo... Ele começou a trancar tudo rapidamente , como se quisesse se esconder de algo , por sua expressão, ele queria se esconder de algo terrível!
O vídeo em fim começou! Ele mostrava a minha escola, alguns de seus prédios eram da cor azul, embora outros fossem da cor cinza. Ela tinha muitas salas, algumas rampas para deficientes. E duas enormes quadras, uma destampada com a luminosidade do sol, e outra tampada, que era usada para eventos e festas. Parecia ser o recreio, todos os meus amigos e ate mesmo alguns primos que estudavam em minha escola e estavam na festa de ano novo que eu havia ido ou sonhado não sabia ao certo, estavam se divertindo. Não parecia haver nada de estranho. Foi quando Daniel deu um grito de trás de mim que me assustou. Ele pulou e caiu no sofá, com um enorme desespero ele pegou o controle e pausou o vídeo. Então com a boca cheia de sanduiche ele disse:
- Você viu?
- Não! Oque eu deveria ver?
Eu disse.
Ele voltou o vídeo um pouco, e colocou em câmera lenta. A vista me chocou! Uma de minhas professoras estava descendo a rampa principal, ela era elegante. Vestia um vestido vermelho sangue, com um colar de prata, e tamancos. Ela estava com uma bolsa rosa , que não combinava com absolutamente nada . Apesar de elegante e de ter bom gosto, não sabia combinar as cores das coisas e era bem chata, vivia pegando no meu pé, literalmente! Foi quando apareceu, um vulto, passou rapidamente por trás dela e lhe decepou a cabeça. Eu fiquei chocado com aquilo.
Aquilo só podia ser uma montagem, apesar de não gostar de minha professora de ciências, não a queria morta, só a queria fora do país sem sustento.
Aquela vista me chocou, se aquilo fosse mesmo verdade, aquela criatura poderia estar por ai. Ele deu play no vídeo e eu vi a pior visão de minha vida! Varias criaturas de mais ou menos um metro e oitenta e cinco centímetros, começaram a invadir a minha escola. As criaturas que preferi chama-las de bestas eram horríveis. Meio deformadas de uma cor escura da qual eu não consegui distinguir. As bestas começaram a matar todos os meus amigos, rasgavam seus pescoços, devoravam suas cabeças. Meus amigos e ate alguns de meus primos passavam por mortes horrendas eu estava assistindo, imagine se eu estivesse lá . Eu fiquei extremamente apavorado. Ate que derrepente quando reparei melhor, viu um garoto baixinho com a camisa rasgada fugindo. Ele conseguiu se trancar em uma sala e ficar a salvo. Foi quando uma das bestas arrancou o braço de uma garota e jogou contra a câmera, que explodiu em milhões de pedaços.
- Viu oque aconteceu enquanto você dormia? Eu tive que ficar preso em uma sala por uma semana!
Disse Daniel.
Eu não consegui responder, estava extremamente apavorado pelo oque eu acabara de ver.
- Vamos, se vista, temos de fazer nossa ronda.
Disse ele novamente.
Ele foi em direção do imenso e abriu uma gaveta gigantesca. Dentro da gaveta havia armas, centenas delas de todos os tipos e calibres. Ele me deu duas pistolas, duas granadas, muita munição e uma jaqueta de couro, que por sinal era muito resistente, porem eu não sabia usar nada daquilo.
Eu peguei as pistolas, coloquei as granadas e a munição no bolso, e vesti minha jaqueta, que levando em conta, era bem legal.
- E então vamos!
Eu disse.
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