Apocalipse - A Era Dos Mortos
68 Capítulo 68 - Correndo contra o tempo
Notas iniciais
Pov – Daryl
−Corram para a clareira bem ali! Eu grito, não posso me deixar vencer na primeira dificuldade, que se dane se são muitos, vou chegar naquela maldita faculdade – Vocês vão correr para a floresta e não vão parar por nada estão me ouvindo? Grito para deixar bem claro que não vou aceitar nada diferente disso.
O carro tem teto solar e é exatamente por ele que vou sair, assim posso dar cobertura a Michonne e os dois enquanto descem do carro.
−Agora! Ordeno quando levanto o teto e salto para fora, escorrego pelo capô e ainda acerto um zumbi que estava diante de mim, sinto os dedos podres e gelados tocarem minha pele tentando me conter, nada pode me conter nesse momento e simplesmente corro derrubando alguns e me desviando de outros.
Michonne está na minha frente tão focada quanto eu, Bob grita por Tyreese me viro e ainda acerto a cabeça de um deles quando Bob já se aproximava de nós e então paraliso uns segundos para assistir Ty completamente descontrolado cercado por zumbis macetando a cabeça de um por um com seu martelo, uma máquina assassina em ação, é um espetáculo, mas não posso ajuda-lo, nem mesmo posso esperar para assistir ao fim daquela disputa, Scott está a minha espera preciso correr.
−Vamos! Eu os chamo e temos que continuar.
−Venham me pegar! Ainda escuto a voz de Ty antes de nos enfiarmos na floresta, zumbis surgem de todos os lados e só podemos correr, desviar e pegar um ou outro pelo caminho, então ouço um movimento, preparo a besta quando paramos e de dentro de arbustos dois zumbis surgem aponto a besta e quando pretendia disparar um deles tem a cabeça espatifada pelo martelo de Tyreese, nem acredito no que vejo, pisco incrédulo, Michonne da cabo do outro que se precipitava em direção a ele, Ty está de joelhos completamente esgotado, ajudamos ele a se erguer e continuamos nossa corrida.
Corremos muito até nos vermos realmente livres daquela horda, então diminuímos o passo, é preciso respirar um pouco, organizar as ideias, já está começando a escurecer e precisamos de um carro, de outro modo não vamos chegar até nosso destino.
Continuamos caminhando todos silenciosos e atentos, meus pensamentos todos voltados para prisão, minha Mary com Scott nos braços atravessando aquela porta rumo ao inferno e eu tendo que assistir aquilo passivamente, penso se ele ainda estava firme, se ela estava bem, nem sei como seria para Mary se algo... Uma dor atravessa meu peito, eu não sei lidar com esse tipo de sentimento, simplesmente não sei.
Passei a vida toda empurrando esse tipo de coisa para longe de mim e agora simplesmente estou dominado por ele, impregnado com o amor que sinto por ela, nem sei como me deixei dominar, mas aconteceu e com Scott não é diferente.
Só de pensar que posso chegar lá e ele não estar mais, meu coração se contorce.
É um tipo de dor que desconhecia até deixá-los entrar na minha vida, mas agora eu sinto e preciso aprender a viver com isso, preciso buscar esperança e fé, nunca tive muito nenhuma das duas coisas, sempre me senti esquecido, renegado.
A noite cai e simplesmente continuamos a caminhar, sigo pela mata, mas sempre com a estrada a me guiar, assim que amanhecer vamos achar um carro e seguir em frente, não vou deixar me abater pelo atraso, ele já estava previsto, não achei que seria fácil, nunca foi desde que toda essa merda de fim do mundo começou, Deus não iria me facilitar justo agora que está se divertindo tanto.
Se ele existe deve me odiar, de tanto que o renego, mas foi ele que começou com isso quando eu era ainda uma criança, por isso que se Scott caiu em minhas mãos vou fazer diferente.
Sigo caminhando, no meio da madrugada paramos uns minutos na beira do rio, todos precisamos de água e algum descanso, esgotamento só pode piorar as coisas caso mais zumbis surjam no nosso caminho.
Tenho que manter minha mente sã para salvar meu pequeno.
Amanhece finalmente e paramos na beira do rio, Tyreese é um posso de magoa e evito falar com ele com medo de mais um acesso de fúria num momento como esse, paramos sobre uma pequena ponte, ele está lá em baixo lavando sua blusa repleta de sangue de zumbi.
−Parece que estamos em Turner Creek, Barnesville deve estar a alguns quilômetros, é nossa melhor chance de encontrarmos um carro.
−Michonne está certa, vamos! Eu os chamo, Bob fica para trás convencendo Tyreese e seu completo pessimismo, não paro para ouvir que ele acredita que estão todos mortos, não posso pensar sobre isso, apenas vou seguir em frente e ter esperanças.
No meio da estrada vejo de longe uma pedra, me abaixo para pegar limpo a pedra, ela me faz pensar em Mary.
−É Jaspe? Mich me pergunta faço que sim – É bonita, destaca seus olhos! Ela brinca e ganha uma careta.
−Vou levar comigo, me lembra Mary, me faz pensar em quando entrou no isolamento, nas pessoas que estão lá.
−Conhece todos lá?
−Se ficasse mais que umas horas em um lugar ficaria surpresa com o que descobre.
Eu continuo meu caminho depois de guardar meu presente.
Depois de caminharmos mais um tempo encontramos um tipo de mecânica na beira da estrada, parece apenas um galpão, galhos de árvores escondem algo, paramos para olhar, é uma chance afinal.
−Consegue ver algo? Bob pergunta, olho por entre os galhos.
−Não sei talvez!
Limpamos um pouco e achamos um carro, reprimo um sorriso esperançoso, ainda não é hora para isso penso quando retirando mais uns galhos.
Entro pelo lado do passageiro e descasco os fios para fazer uma ligação direta, isso é fácil para mim, mas eu sabia que era cedo para sorrir, está sem bateria, claro que está, tem sempre uma merda de uma complicação.
−Precisamos achar uma nova bateria.
Aviso assim que saio do carro, vejo o olhar de desgosto de todos, não posso me deixar abater e não vou.
Me aproximo de uma janela, um zumbi bate no vidro.
−Temos uns amigos lá dentro.
Temos que entrar na mecânica para isso precisamos abrir caminho por entre os galhos de árvores, é perigoso por que não sabemos o que escondem.
−Vamos remover com cuidado! Eu peço preocupado e começamos o trabalho.
Tyreese procura desesperadamente uma forma de extravasar e vai cortando os galhos cheio de fúria, olho para ele preocupado, enquanto distraído vou afastando os galhos a minha volta.
−Vai com calma! Peço mais uma vez – Nós não sabemos com o que estamos lidando.
Ty não me ouve e no meio de minha distração uma mão me agarra, dou um passo para traz e a espada de Michonne precisa como sempre corta o braço fora, eu enfio minha faca na cabeça oca do infeliz enquanto outro avança sobre Bob, mais uma vez é Michonne quem vem em seu socorro, enquanto isso Tyreese luta com algo, um zumbi que ele tenta de todas as formas puxar para fora completamente fora de si.
−Larga! Pedimos – Ty, solta isso! Não tem como libertá-lo e então ele faz um último esforço e o zumbi cai sobre ele, eu puxo o cadáver de merda e Bob acerta um tiro em sua cabeça, ajudo Ty a ficar de pé.
−Porque diabos não soltou? Michonne reclama, mas eu não paro para acalmar os ânimos tenho um trabalho a fazer, Bob entra comigo na loja, está escura e silenciosa. Seguimos caminhando atentos ao movimento.
Então vejo no chão uma garrafa de anti-congelante e sinais de vômito.
−Aqueles idiotas nas parreiras, decidiram sair juntos, estilo kumbaya, como um bando de escoteiros! Eu estou aqui lutando e se tem uma coisa que simplesmente não entendo é como alguém decide cair fora, como simplesmente pessoas se dão as mãos e caminham para a morte como se estivessem se reunindo para canções em volta de uma fogueira.
−Só porque decidiram sair juntos assim como viveram isso os torna idiotas? Bob me pergunta.
−Sim se nem isso eles conseguiram.
Eu respondo continuando minha busca ao que realmente importa lutar pelos que decidiram viver, entre eles meu Scott.
−Acho que só o que queriam era não assistirem ao que iria acontecer.
Bob me rebate, como nunca vou entender isso apenas dou de ombros encerrando a discussão.
Ainda encontramos um zumbi, está preso a mobília que deve ter caído sobre ele, passo direto e ouço Bob terminar com aquilo, já não me importo mais, acho o que procuro, só precisa umedecer um pouco e a bateria vai servir fico feliz e saímos, vamos para o carro, Bob comigo e Ty e Mich sentados mais distantes esperando eu terminar.
Enquanto consertava o carro me lembro do tempo em que ficava na porta de casa esperando Mary passar, mexendo no carro como uma desculpa para estar ali, ela é tão linda, os olhos dourados de Mary, houve um tempo que eram só tristeza e medo, depois se encheram de alegria e esperança e a última coisa que vi antes de lhe dar as costas foram os olhos dourados mais uma vez tristes como no tempo que ela não podia sorrir.
Vou voltar e vou caçar meu sorriso de volta, me decido.
−Nunca falou sobre o grupo que estava antes? Pergunto a Bob querendo afastar um pouco Mary da minha mente com medo de perder o controle se me deixar levar.
−Qual? Ele me pergunta – Quando me encontrei com você e Mary na estrada, quase continuei andando.
−Por que?
−Porque cansei de ser uma testemunha, duas vezes, dois grupos diferentes, fui o único que restou. Parece um tipo de maldição. Mas quando é apenas você lá fora, é apenas o silêncio... costumava encher a cara para pegar no sono.
Paro um instante para ouvi-lo falar, ele me conta sobre sua culpa pela morte de Zack, foi ele quem derrubou a prateleira, sinto pena, temos uma boa relação, sei que assim como eu ele tem os seus tormentos.
−Isso é besteira.
Chega de carregarmos tantas culpas. Peço que tente ligar o carro ensino como se faz, e ele vai, é meu jeito de dizer que está tudo bem, não sou um cara de palavras leves, a menos que seja minha garota, então posso ser suave, ela é dona de toda minha leveza, agora vai ter que dividir um pouco com meu sorvetinho, mas é isso, para os outros não resta muito.
O carro liga e bato palmas exultante, eles não podem entender isso, o quanto estou me segurando para não ficar maluco, assobio para MIchonne e Tyreese e continuamos, nem acredito que estamos de novo na estrada, nem quero pensar no tempo que perdemos.
Finalmente chegamos no endereço, entramos e são muitos prédios, felizmente Hershel nos fez um mapa, e achar o prédio não é difícil.
−Você não vai mais ficar sozinho.
Aviso a Bob, ele vai ter que aprender que tem mais que um grupo agora, se eu aprendi, se Mary e todo seu medo de se envolver conseguiu ele também pode.
Entramos no prédio e chegamos sem muita dificuldade a sala de medicamentos que Hershel nos indicou, começamos a recolher tudo, estou cheio de pressa e esperança, dá para sentir que não estamos sozinhos e quero ser rápido.
−Pronto pegamos tudo! Michonne me avisa, ela e Bob estão juntos enquanto eu e Ty fazemos nossa parte.
−Vamos, de uma vez então, não temos tempo a perder.
Deixamos a sala às pressas, está escuro e uso uma lanterna, no meio do caminho zumbis surgem e começamos a nos apressar, entramos numa sala e ficamos sem saída a porta não tem trava e eles começam a entrar, a outra porta está presa com correntes.
−Podemos dar conta deles! Tyreese avisa.
−Não! Bob o impede – Estão com a mesma doença, se entrarmos em contato com o sangue podemos ficar doentes e não viemos até aqui para isso.
Não e eu não vou parar agora, que se dane, vamos abrir a porta mesmo sem saber quantos tem do outro lado, melhor arriscar é só o que fazemos afinal.
Arrebento a corrente e eles avançam como monstros famintos, derrubamos alguns e corremos, uns segundos antes dos outros nos alcançarem subimos uma escada, agora zumbis vem de todos os lados esses malditos comedores de carne.
Tyreese arrebenta um vidro para sairmos por uma janela, às vezes me dá um cansaço, não é fácil correr o tempo todo.
Pulamos todos, seguramos as sacolas com tudo cuidado, como se carregássemos a cura para essa merda de apocalipse, no meu caso é um pouco isso, a mochila de Bob escorrega, ele luta com os zumbis por ela.
−Deixa isso Bob! MIchonne pede, mas ele não desiste está quase caindo para um bando de zumbis famintos no andar de baixo, mas não abre mão, eu o seguro e ele por fim consegue puxar a mochila que cai no chão ao meu lado.
A primeira coisa que me chama atenção é o barulho de vidro, e então me aproximo, tudo que ele carrega, o motivo por ter lutado tão bravamente é apenas uma garrafa de bebida, uma maldita garrafa, fico fora de mim, num misto de raiva e decepção.
−Não tem remédio nenhum em sua mala, só isso. Você deveria ter continuado andando aquele dia.
Como posso lutar tanto enquanto aquele palhaço brinca com aminha vida a vida de todos que se arriscaram pelos doentes, confiei nele e foi por isso que veio, por uma porra de uma garrafa, faço menção de jogar longe e para meu espanto ele segura o coldre, me ameaça com a merda de um revólver.
−Não.
Aquilo é mais do que posso aguentar, sigo até ele, pego sua arma e seguro Bob pelo colarinho, não vou bater nele, não vou atira-lo para os zumbis como deveria, quero apenas dizer e mostrar o quanto ele é estúpido.
−Deixa ele Daryl ele já fez sua escolha e não tem nada que possamos fazer sobre isso.
Tyreese me traz de volta a razão, realmente não temos nada a fazer sobre isso.
−Era apenas para quando as coisas se acalmassem.
Em meio a minha fúria sinto pena de como aquele homem se humilha e mais raiva ainda por me sentir assim.
−Dê um gole quando aqueles remédios chegarem para nosso grupo e eu vou te encher de porrada.
Eu entrego a garrafa a ele e seguimos para o carro.
Me sento no banco do passageiro pego a pedrinha que decidi levar para minha Mary e fico olhando para ela, sinto falta de seus olhos, seu sorriso, estou cansado de perder pessoas, de correr, Michonne e Tyreese conversam, temos ao menos sete horas de viajem e ainda precisamos parar para abastecer e não é como se houvessem postos de gasolina na estrada ansiosos por mais clientes como nos velhos tempo.
Michonne entra no carro dessa vez é ela quem vai dirigir, estou abatido demais para isso.
−Você estava certo sobre o que disse antes, eu não preciso sair mais.
Ela me diz e isso é muito bom, para ela e para todos nós, Michonne faz parte da família.
−Bom.
É tudo que posso dizer, nesse momento quero apenas chegar a tempo, preciso desesperadamente estar com eles, abraça-los e dizer que vamos ficar bem, que conseguimos, aperto a pedra em minha mão, olho para estrada e sem alternativa peço a Deus alguma chance.
Estamos como sempre numa corrida contra o tempo.
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