Apocalipse - A Era Dos Mortos
31 Capítulo 31 - Resgate
Notas iniciais
Pov – Daryl
Durante o caminho de carro ficamos todos em silencio, não sei como fui cair na conversa da Mary, não acredito que ela está indo comigo numa busca como essa, estou mais preocupado que nunca.
Mas Mary adora Maggie e sei que se sentiria muito culpada se não fizesse nada por ela, então só me resta cuidar para que volte em segurança, o carro para a uma boa distância, a última samurai avisa que eles tem homens cuidando do perímetro, me lembro de ela dizendo que eram metidos a paramilitares, como Mary veio parar aqui? Temos que continuar caminhando pela floresta.
−Fica perto de mim! Digo a Mary que concorda com um movimento de cabeça, estou sempre dizendo isso a ela, Rick está do meu lado e Oscar e a mulher caminham mais à frente, Axel ficou para proteger a prisão, não consigo vê-lo protegendo ninguém, mas Carl também estava lá e o garoto não hesitaria em proteger a irmã e os outros.
−Desculpe! Mary me diz do nada – Não queria te preocupar, mas tinha que vir! Ela está triste, aperto sua mão e faço que sim, ficamos de novo em silêncio atentos para tudo a nossa volta.
−O que fez por mim, pela minha família! Rick me diz do nada, fico calado, acho estranho ser considerado importante, não ser mais o encrenqueiro que precisa ser controlado – Eu tinha umas coisas para fazer, obrigado!
−É o que fazemos! Eu respondo, desde o começo estamos juntos nessa e sem querer viramos mais do que um grupo, somos como uma família, eu nunca tive uma família assim de gente que se preocupa e gosto de ter agora, por isso estou indo buscar aquele coreano imbecil e a namorada.
Estamos caminhando apressados quando zumbis começam a surgir, vem de todos os lados e a espada da mulher corta algumas cabeças me deixando impressionado, eu e Rick pegamos alguns, mas é tolice ficar e lutar então nos desviamos um pouco, estamos ficando cercados, corremos e só consigo pensar que sou um imbecil por ter trazido Mary, uma cabana nos abriga, entramos todos e fechamos a porta.
−Sem barulho! Rick pede e coloco Mary para traz, pode ter um zumbi ou qualquer coisa, nesses dias de crise tudo é possível.
O lugar fedia feito o inferno, começamos a vasculhar, felizmente tínhamos uma lanterna.
−O que é isso? Oscar pergunta vemos um animal morto no tapete, um cachorro.
−Parece que a Lessie, foi para casa! Eu comento e ouvimos um barulho, zumbis estavam na porta desesperados tentando entrar, se todos aqueles que vimos estivessem a caminho derrubariam a porta muito em breve, precisamos ser rápidos.
A cama chama atenção de Rick me junto a ele e quando ergue o cobertor um homem armado salta, o velho estava maluco e ameaçava chamar a polícia e lá vai o velho Rick tentar negociar e convencer o homem, mas aquilo não daria em nada Rick o desarma e quase levo um tiro nessa merda de brincadeira, o cara corre para a porta e a mulher enfia a espada nele antes que ele a abrisse.
A cada segundo o número de zumbis aumentava, inferno, merda de apocalipse, Mary estava com sua faca na mão atenta, olho pelas frestas, somos um número pequeno contra aquele exército que se formava lá fora.
−Lembra do Álamo? Eu pergunto, não sei se gostam da comparação, mas é o que parece, meia dúzia de soldados tentando resistir a um exército.
Pegamos o homem no chão é nossa única chance, Mary me olha e não diz nada Oscar não gosta da ideia.
−Ele já está morto! Rick avisa, Mary se prepara para abrir a porta e sempre me impressiono como pode ficar tão calma entre os mortos e tão apavorada entre os vivos?
Jogamos o homem para fora e corremos pela outra porta enquanto os zumbis se distraiam com sua carne.
Seguimos em direção a essa tal de Woodbury, setenta e cinco pessoas era um bom número, mas pelo que entendi só os soldados andam armados, e não queremos mesmo uma briga, é só encontrar Glenn e Maggie e fugir.
O coreano tinha o dom de ser sequestrado, nunca vou entender como consegue, é a segunda vez que isso acontece e fico pensando quais as chances?
Quando chegamos é noite, vejo os portões principais, três homens armados até os dentes, não aquilo não era para zumbis, um deles usava um arco, podíamos derruba-los e entrar, mas a mulher nos leva por uma passagem lateral que nos deixa dentro do que parecia uma casa.
−Disse que sabia onde estavam!
−Foi aqui que fui interrogada! Ela avisa, eu sempre achei que falava pouco, mas aquela mulher era um túmulo, só respondia quando perguntada e sempre de má vontade, olho pela janela pessoas passeavam pelas ruas.
−Não disse que tinha toque de recolher? Pergunto irritado.
−Devem estar só passando! Ela responde de péssimo humor, não melhor do que o meu, afinal eu é que tive a ideia estúpida de deixar minha namorada seguir nessa busca, nos afastamos para conversar, Oscar tem medo de ser uma armadilha.
−Se der errado ela consegue sair! Rick nos lembra olho para Mary.
−Acho que é só um cego guiando outros cegos, melhor nos dividirmos!
Mas é a merda do apocalipse e claro que nunca está de bom tamanho, um homem entra e nos escondemos. O homem nos confunde com moradores da cidade.
−Eu os vi entrando, sabem que não podem entrar aqui! Rick o rende.
−Cala boca e fica de joelhos! O homem obedece, com uma arma na cabeça fica fácil convencê-lo, prendemos o homem e eu o apago com uma pancada na cabeça quando percebemos que ele não sabe de coisa alguma, caminhamos para a porta decididos a sair e procurar quando ouvimos tiros, espero que os dois estejam vivos, posso sentir o desespero de Mary.
Seguimos na direção dos tiros, a cidade está vazia e isso nos ajuda a chegar sem problemas, Mary está sempre atrás de mim, sua arma em punho, tenho que tira-la logo dessa maldita cidade dos infernos.
Achamos o lugar, ouvimos vozes e soldados caminhando, nos escondemos e pelo tom da conversa eles seriam executados.
−Maldição! Pegamos as bombas de fumaça e atiramos, uma confusão se forma, entramos e retiramos os dois, corremos enquanto os soldados do tal governador tentavam se localizar e entender o que se passava, levamos os dois para o que parecia ser um restaurante, Glenn estava muito ferido.
−A mulher sumiu! Mary avisa e decidimos que o problema era dela, não dava para sair pelos fundos, as pessoas da cidade agora estavam por todos os lados.
−Daryl isso foi o Merle! Fico confuso, ele disse o Merle?
−Meu irmão está aqui, ele é esse tal de governador? Olho para Mary sem saber o que pensar, Merle, meu irmão estava vivo.
−Não, ele é tipo o tenente dele! Droga, eu penso envergonhado, como ele pode fazer isso com o Glenn, mas me lembro do ódio que devia sentir por ter sido deixado no telhado.
−Ele sabe que estou com vocês? Pergunto me enchendo de esperança, desejando que não soubesse, não quero imaginar que fez isso com pessoas que ele sabia estavam comigo.
−Sabe, desculpe, mas tivemos que contar sobre a prisão! Glenn diz abatido, Mary e Maggie o ajudavam a se recompor.
−Consegue caminhar, temos que sair daqui! Rick avisa, estou tenso, ando de um lado para outro confuso, meu irmão, Merle está aqui.
−Não temos que encontrar o Merle antes? Mary pergunta, acho que me entende mais do que qualquer um.
−Se meu irmão está aqui tenho que encontrar ele!
−Agora não! Rick me pede – Estamos em território hostil!
−É o meu irmão! Eu o lembro – Eu não vou...
−Olha o que ele fez? Maldição, como posso conviver com isso, deixar mais uma vez meu irmão para trás, mas aquelas pessoas, Glenn, Maggie e Mary está comigo – Escuta temos que sair daqui!
−Eu posso falar com ele, tentar resolver as coisas!
−Não, viu o que fizeram, precisamos tirar eles daqui, e se tiver zumbis no caminho, Glenn mal pode andar! Ele me diz – Preciso de você, está comigo? Sim, eu já precisei dele e ele esteve comigo, e tenho Mary e não posso colocar ela mais em risco do que já coloquei, fui um idiota em trazer Mary e agora preciso leva-la para a prisão, Merle vai ter que esperar.
−Estou! Respondo e nos preparamos para sair.
Jogo duas bombas de fumaça, e saímos atirando, Mary atira bem e derruba um homem de cima dos muros, sua visão é mesmo impressionante, seguimos cobrindo uns aos outros em direção aos muros da cidade, ficamos encurralados.
−Quantos são? Rick pergunta.
−Não importa, mais deles virão, temos que continuar! Maggie e Mary atiravam enquanto dividíamos mais uma vez as armas e nos preparávamos para o ataque – Vocês vão na frente eu dou cobertura.
−Não, vamos ficar juntos! Mary diz assustada.
−É muita gente, eu alcanço vocês! Aviso sem olhar para ela, eu a trouxe e tenho que tirá-la daqui viva, nada é mais importante que isso.
−Eu não quero ir! Ela me diz e então a encaro sério.
−Vou estar logo atrás, precisa ajudar a nos proteger! É uma boa estratégia, fazê-la se sentir útil, ela concorda com os olhos assustados e por um segundo sinto falta dos olhos doces de Mary, olhos dourados, dois potes de mel que agora estavam cheios de medo.
Não dou tempo de ninguém pensar muito, vou tirá-los daqui, devo isso a Glenn e Maggie, pelo que meu irmão fez, e preciso proteger Mary, é só um dia como outro qualquer, sou só o irmãozinho mais novo limpando a sujeira de Merle mais uma vez e se tiver que morrer fazendo isso, que seja, desde que Mary saia daqui posso aceitar.
−Vão! Atiro as bombas e começamos a correr para os muros me abaixo dando proteção enquanto eles corriam, atirava nos soldados e penso por um segundo que talvez Merle fosse um deles.
−Daryl! Rick me chama quando já chegavam no muro, e pulavam por um ônibus que servia de reforço.
−Vão! Vejo Oscar ser atingido, Maggie atirar nele é isso que fazemos pelos nossos, impedimos que se transformem em zumbis, vejo Rick arrastar Mary que se debatia sem querem me deixar para trás.
Nunca fui homem de relaxar, de baixar a guarda, mas quando me dei conta que Mary finalmente estava lá fora e que tinha uma chance me distraí e fui rendido, muitas coisas passam por minha cabeça quando tomo um soco e minha arma cai no chão, agora poderia encontrar Merle e talvez nunca mais visse minha doce Mary, tenho medo de como vai ser para ela, por isso aceito e me rendo, posso tentar conversar, se Merle é o tenente do homem talvez eu tenha uma chance, posso fazer isso por ela, é melhor do que me rebelar e acabar com um tiro na cabeça.
Me levam para o mesmo lugar que Glenn e Maggie estiveram, Merle não está com os caras, tomo alguns socos, não me deixo abater, não digo uma palavra, minha Mary estava segura e não vou entregar ninguém, eles me colocam um capuz, me amarram e não sei mais qual é o plano, se vou ser executado, se Merle vai me encontrar, penso apenas que Mary a garota mais linda e doce que conheço está segura, rezo para Rick convencê-la a seguir de volta para a prisão.
Fico sozinho um tempo, então era assim que seria, depois que a porcaria do fim do mundo começou achei que acabaria como todo mundo na boca de um daqueles zumbis estúpidos, mas morrer assim ou de outra forma não importava.
Me arrependo um pouco de não ter dado um último beijo em minha garota, comemoro por ter tido coragem de dizer a ela que a amava, e já que vou morrer me dou ao luxo de apenas pensar em nossos momentos juntos, no fim juntando tudo, minha infância de merda e essa porra toda de fim de mundo eu acabei sendo mais feliz do que triste, os dias com ela compensaram todos os outros.
O cantinho das coisas boas que acontecem com Mary explodiu e se tivesse me dado ao direito de ter um lugar como esse ele também teria explodido.
Sou arrastado por alguns homens, eles falavam entre si algo sobre me levar para uma arena, então seria uma morte lenta e em público, que se dane, Mary vai comigo, fixo minha mente no rosto sorridente dela, enquanto caminho para morte.
As vozes e a confusão vão aumentando a medida que caminhamos, gritos e então uma voz se sobrepõe a todas as outras, era um discurso, um discurso inflamado e aquele só podia ser o ditador do lugar, em qualquer lugar e em qualquer época eles são todos iguais, incitam o povo, ludibriam com discursos mentirosos, não seria diferente agora.
−Terroristas que querem o que temos, que querem nos destruir! Eu o escuto dizer, nós éramos os terroristas, maluco mentiroso – E o pior um desses terroristas é um dos nossos! Tudo fica de novo uma confusão, estamos parados em algum lugar esperando sabe lá que merda acontecer, ouço o nome do meu irmão algo sobre traição, não consigo entender e então voltamos a caminhar – E esse um dos terroristas, ele é irmão do Merle! O capuz é tirado da minha cabeça e meu olhar encontra com o do meu irmão, ainda era o mesmo cara de antes, tinha um tipo de ferro no lugar da mão, estava diante de mim, na mesma arena e estava tão desarmado quanto eu, meus olhos passeiam pelo lugar e vejo para minha surpresa Andrea, sim era a reunião dos mortos, talvez eu já estivesse no inferno e nem tinha me dado conta.
As pessoa gritavam palavras de ordem, traidor, monstro, não me importo, meu olhar volta mais uma vez para Merle, e me lembro das esperanças de Mary, de sua certeza de que ele estava vivo.
−O que devemos fazer com ele então? O governador gritava enquanto as pessoas respondiam em meio a uma alucinação coletiva – o que vocês querem? O caolho de merda gritava enquanto caminhava pela arena se sentindo um deus – Você queria o seu irmão aí está ele! O canalha diz a Merle, começo a ficar atento.
−Deixa ele ir! Andrea surge em minha defesa – Ele é meu amigo! Ela pede mas eles a seguram.
−Não sou mais eu que decido! O cara grita – O povo decidiu! Olho para Merle, não sei o que seu olhar quer dizer.
As pessoas estavam alucinadas, eu estava cansado e então me desamarram e não sei o que quer dizer mas fico de pé, sempre vou ficar.
−Eu te perguntei onde estava sua lealdade e você disse aqui! Ele se dirige a Merle – Então prove, uma luta, irmão contra irmão, quem vencer sai livre! Merle me olha, ele não vai me trair, não posso acreditar que Merle faria isso, ele é meu irmão, eu fui procura-lo, eu tentei, subi naquele maldito telhado.
−Eu vou fazer... – Merle me acerta um soco, não esperava, e caio, ele continua me acertando enquanto jurava fidelidade para aquele bando de lunáticos, me sinto traído e confuso, demoro a reagir e só quando zumbis são trazidos me dou conta do que está acontecendo e acerto Merle, ele voa sobre mim e agarro seu pescoço.
−Acha que ele vai deixar alguém sair daqui vivo? Pergunto.
−Apenas siga minha deixa maninho, vamos sair daqui, agora!
Então estávamos de pé, de costas um para o outro, nos protegendo como dois irmãos deviam fazer, e trocando socos com zumbis, cercados por mortos e por vivos, sob os gritos da população ensandecida, não podemos vencê-los eu sei disso, mas fico grato por poder morrer lutando, e então uma flecha derruba um zumbi a centímetros de mim e um tiro ecoa e não acredito que tinham voltado, que Mary estava lá, ninguém além dela podia ter acertado aquela flecha e é hora de lutar de verdade e de salvar Mary e voltar para casa.
As bombas de fumaça os tiros de todos os lugares a escuridão depois que os holofotes foram destruídos, tudo facilita nossa saída e ainda consigo de volta minha besta que um idiota achou que podia tirar de mim, os zumbis que agora estavam soltos apavoram demais as pessoas da cidade, mais do que qualquer um do nosso grupo, como se aquelas pessoas nunca os tivessem visto, são muito indefesos.
A confusão chama os zumbis, quando chego lá fora Merle macetava a cabeça de um deles, Mary atira em outro e a puxo pela mão, quero beijar Mary, nem acredito que posso fazer isso de novo, mas não agora, agora precisamos sair dali.
−Vamos! Eu chamo e corremos para longe dos portões de Woodbury. Mais uma noite sem fim eu penso quando começamos a caminhar em direção ao carro os perigos estão longe de acabar, até lá tínhamos uma floresta cheia de zumbis e caminhamos juntos e em silencio.
Mary me solta e corre até Merle, sorri para ele que corresponde, acho que ela não tem muita consciência do que Merle fez e dos problemas que teríamos.
−Então ainda está viva boneca! Ele diz rindo – Meu irmãozinho fez um bom trabalho!
−Eu sabia que não estava morto! Ela diz e ele ri escandaloso.
−Uma pena! Maggie reclama e o sorriso de Mary se desfaz, acho que só então se dá conta.
−Ainda é minha cunhadinha ou meu irmão já fez merda e ferrou tudo?
Eu puxo Mary para ficar de novo perto de mim, Rick e Maggie caminhando mais a nossa frente e nem quero saber como vai ser quando encontrarmos Glenn.
−Pelo visto ainda estão de namorico, garota você é corajosa! Ele continua dizendo – Anda matando zumbis para salvar a mocinha do meu irmão, como fez na floresta ou só atirando tão bem quanto ele? Ele debocha – Que boa flechada foi aquela.
−Cala boca e anda Merle! Eu reclamo e Mary se junta a mim, me olha preocupada.
−Não podíamos deixar você lá, desculpe por ter voltado, mas era o jeito, eu nem queria ter ido, vi eles te pegarem, Rick me obrigou!
Passo meu braço sobre seu ombro, era uma noite quente, estávamos caminhando apressados.
−Eu não estou bravo, mas se tivesse te acontecido alguma coisa... – Eu me calo, nem gosto de pensar que ela podia ter morrido tentando me salvar.
−Eu não me importo, não quero passar por isso sem você! Ela diz muito baixo, sabe que dizer essas coisas diante de Merle é pedir por um deboche.
−Eu me importo, antes de querer você comigo, quero você viva! Aviso e depois disso seguimos o resto do caminho em silencio, derrubamos dois zumbis na floresta um eu e outro ela, armas de fogo tinham de ficar guardadas e ninguém mais tinha forças para usar as facas, começa a clarear, aquele lugar não é o de Mary ela devia ter ficado segura na prisão, nunca mais posso deixar que se arrisque desse jeito, ela precisa viver.
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