Apocalipse - A Era Dos Mortos
3 Capítulo 3 - Descoberta
Notas iniciais
Pov – Daryl
Estávamos há três noites naquele acampamento, três noites que Mary acordava chorando e tendo pesadelos com Jack, no começo achei que era por conta da cena que presenciou, mas todos aqui vimos coisas estranhas, e ninguém chorava e sofria noite após noite.
Eu estava caminhando de volta para o acampamento, mais uma vez de mãos vazias, se quisesse caçar direito precisaria me desligar de Mary, mas o fato é que toda vez que entrava na mata só conseguia ficar pensando se ela estaria bem, não consigo imaginar Merle cuidando dela, principalmente por que ele deve ter trazido droga para uma década e estava passando todo tempo chapado.
Todos me olham quando me aproximo, não ligo que se danem esses otários, eu devia mesmo fazer o que Merle queria, roubar esse bando de hipócritas pegar Mary e partir, acontece que não sou ladrão e sei que quanto mais gente melhor para passarmos por isso, e ela começava a se entender com as pessoas, ao menos Amy e Dale, o velho tinha aquela mania de ser do bem, estava sempre querendo apaziguar as coisas.
Caminho para Merle que estava sentado olhando para lugar nenhum com cara de paisagem, Mary estava de longe sozinha e sei que me olhava, me sento de mau humor, detesto voltar de uma caçada sem trazer nada.
−Que merda! Merle me diz – Essa porra de fim do mundo está me enchendo o saco já! Ele me diz – E esse policial de merda dando ordens não está facilitando muito!
−Dá um tempo Merle, isso não deve demorar muito o governo deve estar fazendo alguma coisa! Eu digo sem a menor fé em minhas palavras, só não quero problemas e sei que Merle está prestes a surtar e me criar um caminhão deles.
Mary caminha em nossa direção, seus passos eram inseguros, tudo nela era insegurança, do tipo que dá vontade de cuidar, e detesto pensar sobre isso.
−Eu... vou com as moças lavar roupas, vocês tem alguma coisa? Ela não olha para nenhum dos dois, seus olhos estavam fixos no chão.
−Boneca se está interessada em lavar minhas cuecas pode apostar tenho muitas! Merle solta uma longa gargalhada – Vou pegar para você! Ele se levanta e ela fica imóvel, então me olha, eu pisco estava tão distraído observando-a que nem me dei ao trabalho de responder.
−Já peguei as suas, espero que não se importe! Ela me diz e depois desvia os olhos mais uma vez.
−Não é minha empregada! Eu respondo sem conseguir ser muito educado – Não precisa trabalhar para mim, posso me virar!
−Eu sei que pode, mas eu não posso me virar sozinha! Ela diz e então nos olhamos – Tem feito muitas coisas... eu... eu quero retribuir! Depois ela me dá as costas e encontra Merle que entrega a ela umas peças de roupas, ele não admite mas se sentiu muito contente com isso, sempre fomos sozinhos, eu mais do que ele, bem ou mal Merle sempre foi cercado de amigos, todos inúteis, mas ele ao menos tinha com quem falar, já eu podia ficar dias em silencio sem ninguém por perto quando ele sumia.
Fico matando tempo, assim como todos, Dale estava em cima do treler, com seus binóculos, olhando em volta, cuidando da vigia, com seu chapéu idiota e seu sorriso irritante, acho que ainda está de férias, As loiras andavam sempre em grupo, com as outras mulheres, os pequenos, quatro deles ficavam brincando, e o restante passa o tempo de um lado para outro sem ter o que fazer, o único que demonstrava alguma utilidade era o tal coreano que ao menos tinha ido a Atlanta e voltado com alguma comida e péssimas notícias.
As mulheres começam a voltar, conversavam distraídas e não vejo Mary entre elas.
−Onde está Mary? Eu pergunto, a tal Amy sorri despreocupada, outra que estava de férias.
−Ficou lá sozinha tomando banho, ela nunca quer tomar banho conosco, sobe logo! Ela volta sua atenção a irmã e continua a conversa eu me levanto irritado, era uma boa distância da pedreira onde ficava o lago até onde estávamos e se algo acontecesse com ela lá sozinha não poderíamos ajudar, sigo com a besta nas costas e a risada escandalosa de Merle.
Ele tinha certeza que eu estava dormindo com Mary e não havia nada que dissesse que mudaria seu pensamento.
Caminho apressado, garota estúpida, ela tinha visto Jack devorando a mulher e depois caminhando para fazer o mesmo com ela, tinha pesadelos toda noite e ficava sozinha por que tinha vergonha de tomar banho na frente das outras mulheres!
Eu não pretendia ver nada, nem sabia direito onde ela estava quando me aproximei, mas do nada eu e vi se vestindo, ela era linda, tinha belas curvas, mas não é isso que me chama a atenção, o que me assusta são os braços e as costas cheios de manchas roxas, obra de Jack era óbvio, por isso ela se escondia, sinto algo em mim que não consigo explicar, nunca senti isso, uma tristeza diferente, pena, mas não daquelas que diminuem as pessoas, algo mais próximo de... não vou pensar nisso, eu me afasto, paro a alguns metros, não quero que saiba que a vi e fico a sua espera.
Mary caminha de cabeça baixa, como sempre a vi caminhando, ela não me nota até eu estar a alguns metros então ela ergue o olhar e fica pálida de susto, depois pisca se recompondo.
−Eu não o vi! Ela me diz com a mão no peito e a blusa de mangas compridas que agora eu entendia a razão.
−Você tem problema mental! Grito com ela, estou irritado e confuso – Ficar sozinha aqui, e se um zumbi aparece? Ela começa a tremer e continua imóvel apenas me olhando – O que foi, vai voltar a ficar muda? Parece que sim.
Eu dou as costas a ela e começo a voltar mas paro mais uma vez quando percebo que não estou sendo seguido.
−Vim te buscar! Grito – Vai me obrigar a ficar aqui para sempre ou vamos voltar para o acampamento! Ela não merece meu ataque, ele é mais direcionada a mim do que a ela, são as coisas que eu sinto quando estou perto dela que me incomodam, não as atitudes dela.
Não que eu entenda seu comportamento, ela é a pessoa mais delicada que já vi, e parece o tempo todo fora do lugar e com medo, mais medo que os outros, certo ela tomou uma surra do marido da mãe, ou mais do que uma pode ser, mas isso não era assim o fim do mundo, o que mais ela guardava que a tornava assim.
Me irrita querer saber, me irrita me preocupar, não quero problemas, não quero gente dependendo de mim, quero esperar essa merda acabar e voltar para minha vida.
Chegamos lá em cima e ela segue com as roupas lavadas e se junta com as outras para pendurar e ouvir as conversas, eu me sento de novo perto de Merle.
Fico observando suas atitudes de longe, Merle estava calado e eu começo a limpar minhas flechas, vez por outra meus olhos procuram por ela, Mary acaba o que estava fazendo e olha em volta sem saber bem o que fazer, as pessoas se juntavam em uma roda para conversar, ela olha para eles, depois para mim, desvio o olhar é instintivo, um tipo de proteção, então eu a procuro de novo e vejo Shane se aproximar ele toca seu braço e ela recua muito rápido, se encolhe, Shane abre as mãos em sinal de rendição como se quisesse dizer que não pretendia nada.
Era a segunda vez que eu a via ter essa atitude repulsiva, olho para Merle do meu lado.
−Você o Jack eram amigos de muito tempo, desde antes de nos mudarmos para perto dele.
−O que quer saber? Ele pergunta só para me perturbar, era evidente o que queria saber, queria saber sobre Mary, tentar entender por que ela era assim.
−Mary, ela é estranha, vi marcas nela, manchas roxas!
−Está dormindo com a garota a três noites, é casamento isso já pergunta para ela! Ele ria.
Mas só de dizer dormindo ao invés de comendo eu já noto que estava mudando sua opinião sobre ela.
−Irmão! Falo sério.
−Você é uma bichinha delicada e inocente mesmo né! Ele reclama – Jack foi morar com a mãe dela por uma única razão, ele adorava menininhas! Ele diz aquilo com certo nojo eu podia notar – Brincou de casinha com Mary desde que ela tinha dez anos.
Eu fico perplexo, sinto nojo, mal consigo olhar para Merle, ele sabia disso e não fez nada.
−Você sabia?
−No começo não, ficamos muito tempo sem nos ver, depois quando mudamos lá para perto ele me contou, mas nem precisava, fui umas vezes na casa dele e dava para ver o medo que ela tinha dele, eu não gosto disso, sabe muito bem, mulher tem que me querer, mas também não me intrometo na vida dos outros, ela já estava bem grandinha na época!
−Aquele desgraçado! Eu sinto pena de não ter sabido disso antes, me lembro da flechada na testa e queria muito ter chance de enfiar outra – Ela podia ter ido embora! Eu digo confuso querendo achar uma explicação.
−Ninguém foge de Jack, ele a ameaçava, e a mãe dela também aquela bêbada a fazia de boba, ela acreditava naquele teatro de mãe sofredora, e uma faca no pescoço deixa a pessoa bem esperta! Merle me olha procurando alguma coisa eu desvio meu olhar, me sinto arrependido do modo como a vinha tratando – Não sabia mesmo? Ele balança a cabeça – Todo mundo sabia, ele contava isso no Tim todo dia, contava vantagem das ameaças, do que fazia com ela, dava até detalhes quando ficava chapado e ele sempre ficava chapado.
−Chega Merle! Eu não quero mais ouvir – Esse assunto é nojento e ninguém aqui precisa saber!
−Você que perguntou, a mulher é sua o problema é seu! Ele se afasta de mim e vai para longe em direção a pedreira, fico parado a conversa com Merle sendo digerida lentamente, ela não era imbecil, nem tinha problemas mentais ela era só uma garota cheia de traumas, eu tinha os meus, preferia não pensar neles mas tinha, mas ela, aquilo era pior que zumbis.
Era por isso os pesadelos, não tinha nada a ver com os mortos, passo a mão pelo cabelo, ela morre de medo de mim, de todos os homens, ela acha que eu... ela me obedece por que tem medo de mim, na primeira noite quando eu a mandei entrar na barraca, o modo assustado com que me olhou, ela achava que eu a... mesmo assim obedeceu, aquilo mexe comigo de um jeito assustador, olho para o céu, se não estivesse anoitecendo me enfiaria na floresta, precisava pensar.
A noite cai sem que me dê conta, as pessoas reunidas em volta da fogueira, Merle caminha de volta, Mary se aproxima dele e entrega suas roupas lavadas e passadas, ele pega tudo um pouco confuso, não agradece, mas eu sabia que estava grato depois passa por mim com as roupas e um prato de comida que Carol a mulher de cabelo curto e mãe da menininha lhe entrega, vai direto para dentro da própria barraca sem dizer nada, Amy me traz comida faço um gesto displicente de agradecimento, acho que não preciso já que fui eu que cacei a maldita comida.
Mary estava longe de todos, com seu prato na mão, sinto vontade de chamar ela, mas me seguro, então começo a mastigar automaticamente, nem sinto o gosto da comida, não consigo parar de pensar no que Jack fez a ela, nele contando vantagem para aquele bando de desocupados no bar do Tim, nos homens que riam dela.
Ela termina de comer e leva o prato para onde deixávamos a louça suja que depois seria lavada no lago, faço o mesmo só para me aproximar dela, tinha tratado Mary feito um cachorro, na verdade pior, gosto de bichos e não trataria um cachorro como eu a tratei mais cedo.
−Amanhã vou sair cedo para caçar, fique aqui, não ande sozinha! Eu falo tentando ser educado, ela pisca devia me achar bipolar, tinha tido um ataque com ela e agora estava agindo como se fosse seu pai.
−Não pensei no perigo me desculpe, não vai mais se repetir! Ela me diz e enfio as mãos nos bolsos para me impedir de tocar nela.
Primeiro por que ela não gosta, tem medo, segundo por que não quero me envolver, nunca me envolvo, não sou o tipo que namora, eu conheço uma mulher, normalmente em algum lugar barra pesada, levo pra cama, nunca a minha e depois, bom depois é cada um na sua, não engano ninguém, mas também nunca sou enganado.
−Acho melhor dormirmos! Eu a chamo, depois do que fiz ela devia achar que não quero mais que fique na minha barraca.
Seguimos um do lado do outro, todos nos olhando, mas se até meu irmão achava que ela era minha garota que dirá aquele monte de estranhos, entramos e eu me deito, noto minhas roupas arrumadas na minha mochila, ela mesmo com medo cuidava das minhas coisas, cuidava de mim e ninguém cuida dos irmãos Dixons, não até Mary aparecer.
Mary se deita e se encolhe fecha os olhos em silêncio, faço o mesmo era melhor dormir já que logo ela me acordaria gritando e o resto do grupo correria para frente da nossa barraca.
Mas não é fácil pegar no sono, não depois do que descobri, preciso tomar uma decisão, estamos perto demais e não gosto disso, agora menos ainda, se continuar assim não sei se depois eu consigo me afastar e ela, ela só sente medo de mim, nada mais, acabo adormecendo.
−Não, não por favor, me deixa ir, não... – Ela grita.
Eu me sento já chacoalhando Mary, agora que sei com o que ela sonha quero que acorde rápido, não quero que passe por isso mais tempo.
−Mary! Eu chamo alto, ela se senta num susto, me olha e desata a chorar, copiosamente.
−Desculpe! Ela pede – Sinto muito, eu sinto muito, não consigo...
−Está tudo bem! Eu digo sem saber o que fazer e Andrea enfia a cabeça na abertura da barraca.
−Garota você é um pé no saco! Ela diz – Vê se tenta gritar baixo, assusta todo mundo!
−Sai daqui loira estúpida, vá cuidar da sua irmãzinha idiota! Eu me irrito – Se enfiar essa porra dessa sua cabeça grande e vazia de novo na minha barraca corto ela fora! Ela me olha com desdém e nos deixa, Mary continuava chorando.
−Eu não sei o que fazer, desculpe criar problemas, é só dormir que...
−Não cria problemas, tente dormir! Eu digo sem saber bem o que fazer.
−Acho que vou lá para fora até amanhecer, assim não acordo mais ninguém! Ela soluça.
−Não! Eu digo quando ela pretendia se levantar e ela se senta de novo, detesto isso, não quero ser obedecido – Se gritar eu te acordo, apenas tente voltar a dormir, vi uma vez nesses canais culturais que dá para controlar os pesadelos, achar um mecanismo, para acordar, sabe que é um pesadelo não sabe?
−Quase sempre! Ela conta entre seus soluços.
−Arruma uma palavra chave para te despertar, pensa em alguma coisa que gosta! Eu digo voltando a me deitar enquanto ela fica me olhando – Vai deita ai e dorme, esses babacas nos seguiram até aqui por que quiseram, eu achei o lugar, eu caço para todos, se não estiverem contentes que deem as mãos e caminham para o inferno!
Me viro de costas para ela, quero que fique tranquila que saiba que eu não vou machucar ela.
Acabo dormindo de novo e ela não tem mais pesadelos, quando acordo ela ainda dormia e fico observando seu rosto, ela era delicada, tinha uma boca bem feita, do tipo que dá vontade de beijar, o nariz era delicado, os cabelos cor de mel eram lisos, mas não escorridos e sem graça, não entendo disso, mas vejo que eram naturais e bonitos, ela era toda bonita.
Me sento decidido a sair dali logo quando ela abre os olhos e me olha pisca e também se senta.
−Bom dia! Ela diz num fio de voz.
Não tinha nada de bom em acordar no meio de um apocalipse, eu penso, mas estava arrependido do modo como vinha tratando Mary e decido tentar ao menos não ser um cavalo.
−Bom dia! Respondo antes de deixar a barraca.
Pego uma xicara de café instantâneo que fervia num fogo baixo, tomo uns goles já com a besta nas costas e depois me enfio na mata, precisava pensar e caminhar na mata sempre me ajudou.
Passo horas caminhando seguindo o rastro de um cervo, acho estranho que estivesse sozinho, mas continuo seguindo, não chego a nenhuma conclusão sobre Mary, era evidente que ficar perto dela seria problema, por outro lado a garota era sozinha, mais sozinha que qualquer um ali, eu tinha Merle, o resto estava ou em família como eu ou entre amigos e estavam bem próximos, se a deixasse ela ficaria ainda mais perdida, além disso parecia que eu não conseguia ficar nem uma hora inteira sem pensar nela, e agora que sabia sobre seu passado as coisas estavam ainda piores.
Agora mesmo só pensava em voltar e saber como ela estava, depois meu irmão cabeça dura não admitia mas gostava dela, e as pessoas pensavam que era minha garota e isso afastava um pouco os homens, era um jeito de protege-la dos abutres.
Eu via como ela arrancava olhares de todos, nenhum homem era capaz de ignorar sua beleza delicada, Mary era inocente, mesmo com sua história de violência, ela era inocente tinha um jeito doce e assustado, fico pensando como seria quando sorria, nunca vi Mary sorrir, eu também não sorria muito, às vezes ria de uma piada ou com desdém mas sorrir, isso assim como ela eu não fazia muito.
Desisto do cervo e me concentro em esquilos, era o jeito, aqueles mortos de fome não sabiam fazer nada de útil, pego quase uma dúzia e marco o rastro do cervo para voltar depois, estava muito longe, quase na estrada, e não era boa ideia ficar por ali, começo a voltar e um zumbi surge caminhando por entre as árvores.
Como essa porra de infecção tinha se espalhado tão rápido? Eu me pergunto, aquelas coisas mal conseguiam andar, não sabiam abrir uma porta e mesmo assim mordiam um idiota atrás do outro, o mundo estava cheio de gente estúpida mesmo, qualquer um que tivesse um par de pernas era mais rápido que eles.
Miro com muita atenção e disparo minha flecha, não quero que aquele imbecil chegue ao nosso acampamento, não que achasse que seriam capazes de ir tão longe, volto para pegar minha flecha e depois de retirar daquele cérebro podre e fedido caminho de volta.
Nem me dou conta que o dia já estava chegando ao fim quando alcanço o acampamento, Mary olha para mim e sinto que ela relaxa, quase percebo um certo alivio.
−Alguém aqui já comeu esquilo, por que é bom se acostumarem! Eu aviso fazendo questão de entregar nas mãos da loira idiota que me olha cheia de nojo – Matei um daqueles zumbis lá em baixo! Aviso — Já estão perambulando pela floresta.
Todos se olham preocupados, Merle se aproxima de mim rindo dos esquilos, um idiota, ele já comeu muito esquilo na floresta.
−O nosso grande caçador! Ele ri me dando um soco leve no braço, não estava chapado e eu estranho, a porra da droga devia estar acabando e isso seria um problema maior do que vê-lo chapado – Então voltamos aos esquilos, não como isso desde que você era só um bebezinho aprendendo a caçar! Ele ria – Olhe Mary, seu namoradinho trouxe esquilos para o jantar.
−Não é ruim! Ela diz tímida – Já comi!
Claro que já, qualquer um que vivia onde vivíamos já tinha comido esquilos.
−Tudo bem por aqui? Pergunto a ela que faz que sim com a cabeça.
−Guardei seu almoço, não sabia que demoraria tanto, se quiser posso pegar para você, os esquilos vão demorar.
Fico surpreso com suas palavras e apenas concordo ela se afasta enquanto lavo minhas mãos com agua de um tonel. Me sento logo depois na frente da nossa barraca, da minha barraca, não tem nada nosso, me corrijo mentalmente.
−Irmão, eu não sei essa porra de apocalipse vai dominar o mundo, eu não pretendo ficar aqui para sempre vivendo como uma família feliz, vá pensando sobre isso, tenho um plano e pretendo colocar em prática com sua ajuda.
−Vamos dar mais um tempo Merle! Eu digo querendo enrolar ele um pouco, não estou nada interessado em me mandar e ficar de um lado para outro com uma garota e um irmão chapado.
Mary traz minha comida, Merle pisca para ela que fica sem graça.
−Senta aqui boneca! Ele diz e ela se senta sem nos olhar muito – Passou o dia olhando para ver se o namoradinho chegava aproveita que ele chegou e mata a saudade.
Nenhum de nós corrige Merle, ele nunca pararia de nos perturbar com isso, Merle se levanta e vai conversar com Shane e Glenn, esse eram seus nomes, Mary fica do meu lado não me olha, mas gosto que fique ali, ela tem um perfume suave e me deixa calmo. Quando termino ela faz menção de pegar meu prato, não permito.
−Posso fazer isso! Aviso mais grosseiro do que pretendia, levo o prato e volto para perto dela, estava tão confuso quanto antes, uma bela porcaria essa minha saída, não encontrei nada que prestasse e não tomei nenhuma decisão sobre coisa alguma.
Mais uma semana se passa, nada parece realmente mudar, as coisas se encaixam um pouco, aprendemos a viver e dividir tarefas, Merle estava cada dia mais intratável, implicava com T-dog, e sei o quanto ele e aqueles amigos babacas tinham de preconceito com negros e sei lá mais que raças, Glenn andava por Atlanta, ia e vinha rápido e trazia uma coisa ou outra e as pessoas estavam querendo formar um grupo maior para poder trazer mais coisas, mas o coreano estava relutante, Shane estava cada dia mais senhor do acampamento, todo mundo sabia que estava de caso com a mulher do amigo morto e querendo dar uma de pai do garotinho, Carl era um menino tranquilo, as mulheres se organizaram e tinham suas tarefas que não tenho muita ideia de quais eram, eu caçava, Mary ajudava as mulheres e cuidava das minhas coisas e das de Merle, continuava quieta e assustada e tinha pesadelos todas as noites, eu já estava ficando bom nessa coisa de acordá-la, ela mal se mexia e eu já chamava ela tentando evitar que gritasse e arrumasse confusão, embora Andrea tenha se desculpado pela grosseria com ela depois que Dale ficou bravo e deu uma bronca nela.
Eu continuava caçando e pensando em Mary, gostava de ficar perto dela, mas ela ainda me temia, e não acho que isso um dia vá passar por que de vez em quando eu não resisto a um ataque de grosseria que a assustava.
Acho que os irmãos Dixons assustavam a todos e se pudessem já teriam se livrado dos dois, mas não podiam e assim a vida estava seguindo.
Notas finais
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