Apocalipse - A Era Dos Mortos
10 Capítulo 10 - Livre
Notas iniciais
Esse capítulo é especial para Bloody Mari, que me fez uma recomendação linda e me deixou emocionada.
Muito obrigada, isso deixa a gente cheia de ânimo para continuar, adorei e espero comentários seus e de todos que acompanham.
Pov – Daryl
Esse grupo é mesmo um transtorno, isso sendo gentil, como deixam a menina correr para floresta? Como a mãe dela fica assistindo isso e esperando que Mary e Rick trouxessem ela de volta? Não entendo isso, e depois é toda essa encrenca.
Sozinho com certeza eu teria mais chance de encontrar Sophia, ninguém tem a menor ideia do que está fazendo, se os deixasse aqui, nunca mais chegariam a estrada, e está cheio de líderes, Andrea com seus ataques de garota mimada de cidade grande, Carol e essa necessidade de culpar alguém por sua falha, como deixa uma criança sozinha no meio daquele monte de carros, e se um zumbi a pegasse por uma janela, uma porta aberta, Lori que não sabe se fica com o xerife ou o melhor amigo dele, uma grande porcaria.
Não fosse Mary e a menina desaparecida já tinha me mandado, mas agora é uma questão de honra, não vou deixar uma criança perdida na floresta, eu sei como é isso, e se não por ela, por Mary, ela está tão preocupada, acho que se vê um pouco na menina.
−Mary, não ficou assustada sozinha na mata? O coreano pergunta tentando puxar assunto, esse babaca está de olho na Mary desde que botou os olhos nela, isso porque pensa que é minha garota, imagina se soubesse a verdade.
−No começo não, mas depois fiquei apavorada! Ela diz com aquela voz doce que ela tem, aquele jeitinho delicado que faz a gente querer proteger – Eu sabia que o Daryl podia me achar, ele é um grande caçador! Ela diz e nem olho, não quero que perceba que fiquei orgulhoso.
−Nem sei o que estamos procurando direito! Glenn comenta agora andando do lado dela – E eu reclamava de andar de um lado para outro entregando pizza, era feliz e não sabia.
−Era um bom trabalho, ao menos era livre! Ela diz.
−Do que reclamava antes que agora sente falta? Assunto indelicado imbecil, eu penso sabendo que Mary odeia se lembrar de como vivia antes, ela fica muda demora a responder, acho que se pudesse sairia dali sem dizer nada.
−Estou bem, não sinto falta de nada! Ela responde e Glenn olha espantado, eu o encaro, um aviso, não daria outro.
−Também sinto falta de pizza, estranho que eu não suportava mais comer aquilo!
−Quer fazer o favor de calar essa boca grande! Eu reclamo – Não está vendo que precisamos ficar em silencio para ouvir a floresta, seu idiota! Ele me olha espantado, se cala e se afasta, adoro quando se afastam, ficamos eu e Mary mais na frente e então ouvimos um tiro, um único tiro, distante demais para nos oferecer perigo, continuo andando.
−Foi um tiro! Lori que era mulher e amante de policial conhecia o som – Daryl! Ela me chama quando percebe que nem ao menos parei.
−Vamos embora foi a quilômetros! Digo de má vontade e eles continuam a caminhar comigo.
Então depois de quase uma hora paramos, sou obrigado a parar, aquele bando de mulheres estão cansadas e resmungando, Mary era a única que parecia aceitar e continuar a caminhar, silenciosa e esperançosa, vejo Carol e Andrea conversando, aquela baboseira de esperança e fé, só quero ver Deus descer do seu pedestal para vir aqui achar a pequena.
−Vou dizer do que adianta ter fé! Eu me aproximo delas irritado, sou eu que estou a horas caminhando, não Deus, ou qualquer santo que elas conheçam – De nada, essa porcaria não adianta nada, o que adianta é procurarmos e vou dizer uma coisa, nós vamos encontrar sua filha e ela vai estar bem! Essa gente fica o tempo todo com pena de si mesmos, derrotados e pessimistas, isso me irrita – Será que sou o único zen aqui? Eu me viro e meu olhar encontra o de Mary que pela segunda vez sorria, um sorriso tranquilo, como se fosse sempre assim.
−Zen? Ela pergunta quando me aproximo dela, dou de ombros, pelo menos não estou tentando convencer a mãe da menina a desistir.
Continuamos nosso caminho, é preciso que todos fiquem juntos, mas aquela loira pé no saco se afasta resmungando que está cansada e então quando me dou conta está distante de nós gritando feito uma maluca, para que pegou uma faca se prefere se encolher e gritar, corremos, mas antes que possa fazer algo uma mulher num cavalo acerta o zumbi e salva Andrea.
−Lori Grimes? Ela pergunta – Carl está ferido, Rick me mandou! Eu não sei se é boa ideia confiar assim na mulher, Lori a atende logo de cara.
−Calma ai nem sabe quem ela é! Eu tento segurar Lori, mas ela quer ir então que se dane, elas somem em direção a uma fazenda depois de deixar o endereço, dou de ombros e continuamos a caminhar depois de uns minutos olho para Mary ela chorava.
−Que foi Mary?
−Esse mundo não serve mais para crianças, como isso é possível, nossas duas crianças, uma atrás da outra? Ela soluça, estávamos quase chegando e como não sei o que dizer, já que não tenho a menor ideia do que aconteceu com Carl, fico quieto.
Todos silenciosos, não sei como vai ser agora, uma das crianças desaparecidas, outra ferida e nós na porra de lugar nenhum, uma grande merda, manter Mary viva estava me parecendo cada vez mais difícil, mas não tirei ela daquele lugar para desistir, não sou esse tipo de gente que se entrega, se tivesse que fazer isso tinha feito a muito tempo.
Enfim depois de muito caminhar chegamos a estrada, estou esgotado e de péssimo humor e aquele velho ridículo quer informações, fica chocado quando descobre que Carl foi baleado.
−Como? Pergunta tenso, Glenn explica tudo que sabíamos, ou seja, porra nenhuma.
−E deixaram ela ir? Quanta indignação, mas é fácil quando se está sentado assistindo os outros fazerem tudo.
−Não enche o saco, ela sabia o nome da Lori e do Carl! Me afasto porque não quero mais encrenca, um dia todo perdido, nem sinal da menina, e agora temos que esperar mais uma noite, nunca vamos sair dessa maldita estrada de merda.
Felizmente tínhamos aqueles galões de água, estou sedento e esgotado, nem sei quando foi a última vez que dormi de verdade, acho que foi no CCD, mas estava bêbado, que estupidez, me sento para descansar longe de todos.
Me lembro do bêbado no balcão do bar do Tim, é o apocalipse, merda de apocalipse, merda de fim de mundo, não tinha um negócio de fogo, não era assim que essa porra iria acabar, quem decidiu que os mortos de pé era mais divertido?
Mary se senta ao meu lado, silenciosa, me entrega um pote com algumas frutas secas, eu podia ter caçado uns esquilos no caminho, mas com aquele bando de fofoqueiras falando sem parar nem acredito que chegamos vivos, mastigo aquela porcaria sem muita vontade, ela também comia, olhando para estrada.
−Não tem cura! Me diz do nada – Essa coisa vai pegar todos nós, de um jeito ou de outro.
−Por que acha isso?
−Olhe em volta, toda essa destruição, todos os lugares por onde passamos, e estamos na Geórgia, onde todos andam armados, como deve ter sido nos grandes centros, não, acho que acabou tudo.
−Ainda estamos aqui, viu aquela mulher na floresta, com o cavalo, uma fazendeira, tem gente lutando então é o que vamos fazer, lutar.
−Carl, como será que ele está? Não acho que está me questionando, é só uma pergunta retórica, uma expressão de sua preocupação, ficamos calados, apenas esperando, não sou o tipo que espera, detesto me sentar e assistir o tempo passar, mas no momento é só o que me resta.
−Devia entrar no treiler e descansar um pouco, quem sabe dormir, logo seus reflexos ficarão afetados.
−Reflexos, não sei se os tenho! Ela diz abatida.
−Matou dois zumbis, acho que está se subestimando! Tento animá-la, mas eu realmente acredito nisso.
−Foi só instinto, nenhuma das duas vezes estava pensando em mim, dá primeira quis defender você, da segunda pensei só naquelas crianças.
−Gosta de crianças! Eu comento, ela estava sempre pensando neles.
−Tenho pena, é horrível ser criança! Ela diz e mais uma vez imagens grotescas de sua infância se formam na minha mente, eu as afasto, não quero pensar nisso, ela pisca e uma lágrima escorre – Fazia muito tempo que não chorava, depois que comecei não paro mais! Me diz como se estivesse se desculpando, depois se levanta – Vou ver se posso ajudar em alguma coisa.
Não a impeço, quero mesmo ficar sozinho um pouco e pensar, mas ultimamente pensar significa Mary, é só nela que penso, queria poder achar um lugar seguro para ela e depois me mandar, ela precisa de alguém que possa ajudá-la a superar esses traumas todos, não sou essa pessoa, não sou um cara gentil ou atencioso, não sei me controlar e nem entendo porque ela ainda fica perto de mim.
No fundo eu sei que mesmo que encontre um lugar seguro, mesmo que possa deixar Mary e partir não vou fazer isso, tem algo que me empurra para ela, aqueles olhos dourados e perdidos, o andar delicado de quem nunca se sente em casa, ela é doce, inocente e se por um lado não me sinto capaz de ajuda-la por outro acho que ninguém merece realmente Mary, que ninguém vai saber dar a ela seu devido valor.
Estava prestes a escurecer, tínhamos de decidir que caminho seguir, todos queriam saber sobre Carl, e também tinha Sophia, um grande impasse.
−Ela pode voltar! Carol diz e de fato podia – Pode acontecer.
−O grupo está separado, ficamos fracos assim! Dale argumenta.
−Fico de vigia está noite e preparamos uma maneira de deixar a ela um sinal e suprimentos, fico no treiler! Eu aviso, e Mary se aproxima de mim deixando claro sua preferência, obvio que não diria, e que me obedeceria se mandasse seguir com os outros, mas acontece que detesto ser obedecido por ela.
−Se meu treiler fica eu também fico! Dale anuncia e logo todos queriam ficar – Você tem que ir Glenn, saber notícias encontrar onde eles estão e levar o T-Dog, ele está muito mal, isso é fundamental, se não achar antibióticos ele vai morrer.
Olho o cara e vejo que está morrendo, me lembro das coisas de Merle na moto, um grande estoque é o que ele tinha, vou buscar e trago junto os paninhos de Dale, aquela coisa de velho e suas toalhinhas, que faço questão de atirar em sua cara, a moto do Merle não era nenhum depósito de velharias.
−Porque não avisou antes! Reclamo colocando o estoque de remédios do Merle no capo de um carro – Ecstasy, não, isso não serve, analgésicos! Atiro para Glenn e jogo para Dale antibióticos para T-dog ele sorri grato.
Dale ajuda T-dog enquanto Glenn se prepara para partir, leva os remédios, talvez Carl precisasse, Glenn estava pronto e T-Dog entra no carro.
−Vamos Mary! Glenn chama, ela foi a única que não se pronunciou sobre ficar ou partir e obvio ele acreditou, por que era melhor para ele, que ela iria junto.
Mary fica imóvel, sem saber o que dizer, eu sei que devia deixar ela fazer o que quisesse, mas não vou deixar ela com aqueles dois idiotas caçando uma fazenda no meio da noite com essa merda de apocalipse.
−Mary fica! Aviso de péssimo humor, Dale me olha, aquela cara de quem acha que ela tem que decidir, Andrea balança a cabeça, essa loira é uma babaca feminista de merda.
−Então até mais! Glenn nos deixa e nos olhamos sem muito o que fazer, pego minha besta, e me sento no capo de um carro, Dale sobe em seu treiler, espero que preste mais atenção dessa vez por que se estivesse atento teríamos visto aquele monte de mortos antes, e talvez estivéssemos em algum outro lugar que não uma porcaria de estrada. Mais uma longa noite pela frente eu me dou conta.
−Daryl! Mary se aproxima de mim com os olhos preocupados – Eu posso ficar com você de guarda, tenho medo de dormir, se começar a gritar até me acordarem vou chamar zumbis de todo condado! Ela torcia os dedos – Não quero colocar ninguém em risco.
−Você não teve mais pesadelos! Eu a lembro e mesmo no escuro percebo que fica corada – O que foi?
−Eu não tive pesadelos porque estava... – Ela desvia o olhar – Perto de você, me senti segura.
Bom ela estava perto de mim todas as noites e isso não a impediu de acordar gritando, fico pensando uns segundos e entendo o porquê da timidez ela quis dizer realmente perto, quando esteve em meus braços.
Duas noites em meus braços, duas noites sem pesadelos, posso me acostumar com isso, realmente é algo que posso fazer, estou mudo olhando para ela, não sei realmente quanto tempo passou, pisco e sorriu meio sem graça, é difícil lidar com isso, seria num mundo normal, num apocalipse é uma grande confusão.
−Se prefere! Eu respondo sem olhar muito para ela, não quero tratar desse assunto, talvez em outro momento, se um dia tivermos de novo algumas horas de tranquilidade ou talvez nem mesmo assim – Mas pegue sua faca ao menos, onde deixou?
Eu pergunto quando noto que está desarmada, ela toca a cintura e pisca pensativa.
−Deixei no treiler! Ela me avisa e sai em busca da faca, quando volta tinha os olhos marejados, mais lágrimas, sim eu estava protegendo um chafariz – Desculpe! Ela me diz abatida – Mas ver Carol chorando me deixa muito mal, eu sei que não quer, mas não consigo não sentir culpa.
−Quer mesmo achar um culpado, porque tenho uma lista deles e você não faz parte dela! Eu respondo de má vontade – Pare de chorar, ao menos por isso, chore pela garotinha, pela merda que esse mundo virou, mas não porque se sente culpada! Pronto fui um cavalo de novo, se tiver um prêmio para o imbecil do século Daryl Dixon é o vencedor por decisão unanime.
−Está cansado não é, de me ajudar, eu estrago tudo! Ela soluça e quando me dou conta eu a estava abraçando, ela se aperta a mim, acho que só o que precisa é um pouco de carinho – Desculpe!
−Não estou cansado de te ajudar, é bem fácil fazer isso, mas não quero que se sinta culpada, acho que ainda vamos ter muito peso para carregar então não procure por mais um.
−Obrigada mesmo assim, eu sei que quando foi ajudar o Jack, não esperava ter que me salvar e ficar cuidando de mim, mas mesmo assim obrigada.
Ela achava que tinha ido até lá salvar aquele infeliz, mal caráter, Mary não tinha entendido ainda que fui até lá por ela, que tive que aguentar as piadinhas do Merle por conta disso.
−É o que acha? Pergunto – Que fui pelo Jack?
−Não? Ela me pergunta se afastando um pouco dos meus braços – Porque então?
−Estava preocupado com você, quis ter certeza que estaria bem.
Ela me olha perplexa, como se tivesse dito algum absurdo, fica muda de boca aberta.
−Comigo, eu... sabia que eu existia? Que pergunta estranha.
−Mary, somos vizinhos a quatro anos, passava todos os dias na minha porta, meu irmão era amigo do Jack, claro que sabia que existia.
−E se importava! Ela me diz, sorri mais uma vez e gosto tanto disso, de como seu rosto fica iluminado, como ela podia ser assim tão encantadora?
−Eu.... – Não quero me comprometer, dizer que sim, que me importava e que me importava a muito tempo – Por que toda vez que passava pela minha porta levantava o olhar? Viro o jogo, sempre quis saber isso.
−Eu sabia quem você era! Ela me diz agora estávamos de frente um para o outro, mas estávamos afastados, embora eu ainda segurasse sua mão, agora isso tinha virado um habito, minha mão seguia em direção a dela e nem me dava conta – O melhor caçador de todo condado! Ela diz e desvia o olhar – O irmão do Merle, o cara que some na floresta por dias, que só faz o que quer, eu tinha inveja, sempre olhava para sua casa porque estava sempre sonhando em como seria ser você, é livre.
Sei o que ela queria dizer, me lembro das palavras de Merle, ninguém foge de Jack... Uma faca no pescoço deixa qualquer um esperto.
−Agora é livre! Eu a lembro e ela me olha, não sei o que aquele olhar quer dizer, não sei se está aliviada ou apenas assustada com o que ser livre significa, por que agora ela precisa fazer escolhas, e talvez não se sinta pronta.
−Parece que sim! Ela responde e ficamos calados, olho para Dale e o infeliz estava absolutamente nos espionando com aquele binoculo, mostro o dedo para ele que desvia imediatamente, belo vigia, não entendo porque eu e Mary chamamos tanto a atenção do grupo, mas o fato é que tem sempre alguém nos olhando.
Eu sei que ela é a coisa mais doce e delicada que existe e eu um poço de estupidez, mas eles não tem nada com isso, nenhum deles tem. Talvez eles não estivessem sempre de olho, talvez isso não passasse dessa minha mania de perseguição, talvez fosse apenas o meu próprio olhar crítico, sou eu que estranho estar naquela situação, e talvez eu sinta olhares onde não existe, não sei e não vou pensar a respeito, não hoje, nem depois, vou seguir em frente e pegar o que a vida me oferecer, sou um Dixon afinal, a vida não vai me oferecer muita coisa.
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