Apocalipse - A Era Dos Mortos

83 Capitulo 83 - Santuário para todos


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, aqui está o último capitulo, não sei muito o que dizer, amei dividir essa história com vocês, foi emocionante e me despedir é difícil, mas se continuar arrisco deixá-la cansativa, então encerro aqui, quero agradecer cada comentário, cada um que favoritou, recomendou, ou simplesmente leu silencioso, espero que tenham gostado.

Pov – Mary

Chegar com Judith foi não realmente uma surpresa para ninguém, Arthur deve ter contado a eles quando saímos, Beth vem ao encontro e toma Judy dos braços de Rick, beija a menina com olhos marejados, Judy a reconhece, sorri, toca seu rosto, balbucia palavras.

─Eu sei meu anjinho, também senti sua falta! Beth diz a ela, depois beija a menina mais algumas vezes e devolve a Rick.

Só então percebo pessoas reunidas, muitas, trinta, talvez mais, me lembro dos contêineres que Daryl falou no caminho de volta, de terem ouvido pedidos de socorro, isso explica as pessoas.

─O que aconteceu com você Beth, como veio parar aqui, e porque não estava presa como os outros? São muitas perguntas, ela sorri para Rick, nos sentamos a sua volta, ela segura a mão de Arthur e fico feliz por eles.

─Acho que Arthur contou até o momento que nos separamos – As pessoas assentem ela então continua – Eu fui sequestrada, Gareth, ele tinha saído daqui para espalhar mais placas, olhar por ai, pelo que entendi faziam isso às vezes.

─E te trouxe para cá? Carl pergunta.

─Sim, não estava sendo nada gentil, era mesmo um sequestro, mas então paramos na estrada para abastecer, ele tinha um galão no carro, foi quando zumbis surgiram, para eles não existe lado, fomos atacados e salvei a vida de Gareth, não devia, eu sei, mas essa sou eu, não gosto de perder para ao zumbis e sempre espero o melhor das pessoas.

─Por isso não ficou presa quando chegou?

─Sim, ele ficou grato, passou a confiar em mim, claro que dei corda, menti um pouco, iludi ele.

As pessoas sorriem, Beth sempre nos pareceu tão frágil e então do nada é a salvadora da pátria, fico orgulhosa.

─Ele me disse que nem sempre foi assim, que no começo queriam mesmo formar uma comunidade pacifica, mas então há algum tempo um grupo chegou, pareciam bons, mas não eram, se denominavam os justiceiros, saiam por ai condenando as pessoas a morte quando percebiam nelas alguma conduta que desaprovavam, cortavam cabeças, deixavam placas presas aos corpos, assassino, estuprador, todo tipo de coisas, Vaidoso, Traidor, ele me disse que aqui eles foram dominando o lugar, mudando as coisas e a comunidade ficou nas mãos deles, foi quando pelo que Gareth me disse uma grande chacina aconteceu, as velas, são uma homenagem a essas pessoas, foi uma guerra interna e quando acabou o grupo de Gareth, essas pessoas que prenderam todos, eles... Eles comeram... Canibalismo entendem.

Acho que ficamos todos mudos, apenas olhando para Beth, ela está agora tensa, nem imagino uma coisa assim acontecer, que tipo de coisas levam homens e mulheres a esse caminho.

─E eles então passaram a prender todo mundo?

─Sim, a princípio dois grupos, os fortes, eram levados para o A, onde estiveram, ela aponta para Rick, os outros para o B, esses eram mortos, viravam comida de zumbi, as vezes, eles mesmos comiam, e o A se conseguissem convencer entravam para o grupo, muita gente entrou assim.

─Salvaram todos nós! Um homem abraçado a um garoto pequeno, não mais que seis anos diz, sorrimos, apenas isso, perdemos tanto e na verdade não pensamos em nada que não fosse salvar a nós mesmos.

─Nos viu? Maggie pergunta a Beth.

─Sim, assisti escondida sua chegada, e do Rick mais tarde, mas não podia deixar que me vissem, eu precisava dar um jeito de salva-los, estava pensando em algo, talvez esperar a noite cair, juntar armas, confundir a segurança, qualquer tolice e apenas acabaria morta ou presa com vocês.

─No fim deu tudo certo! Glenn diz por fim – Acho que agora precisamos enterrar nossos mortos, e então decidir o que fazer.

Recolhemos os corpos espalhados pelo lugar, os dos nossos inimigos foram queimados a uma boa distância, nossa família foi enterrada.

Enterrar Sasha e Bob foi dolorido, triste, mas Carol foi ainda pior, não sabia como me sentia sobre ela, sobre nós, era apenas uma mulher amarga e triste por suas perdas, depois virou uma guerreira forte e decidida, alguém que fazia o que era preciso, que não tinha medo e no fim senti orgulho dela, muito, queria ter tido tempo de dizer a ela.

─Esse lugar é assustador, viram as carcaças? Maggie pergunta no fim do dia, quando finalmente retiramos todos os corpos.

─Sim, de dar muito medo! Eu respondo – Não sei como conviviam com isso, acho que ficaram todos meio malucos.

Vamos nos reunindo mais uma vez do lado de fora, perto da entrada, olhar os girassóis na entrada da um pouco de calma, acho que todos precisamos disso.

─Eugene, acha que pode encontrar uma cura, ou algo do tipo, ele meio que entende como tudo começou, esteve em contato com gente de Washington durante um tempo! Glenn nos conta, estamos todos reunidos, é hora de uma decisão.

─Precisamos leva-lo a DC, essa é nossa missão, quanto mais gente estiver conosco melhor, assim ele chega em segurança, é a chance de salvarmos o que restou do mundo, Eugene é a esperança! Rosita diz muito convicta.

─Todos que quiserem vir serão bem vindos, mais que isso, estão todos requisitados, é a oportunidade de um recomeço para a humanidade! Abraham está de pé, me lembra um político em campanha, é um bom homem, cheio de bons sentimentos, mas não quero isso.

─Ir para DC significa atravessar o pais! Michonne declara.

─Sim, por isso todos são bem vindos – Abraham continua – Eugene tem que ser nossa prioridade, é claro.

Olho meu filho sentado no chão distraído com seu brinquedinho, nas coisas que enfrentou para chegar aqui, nas coisas que ainda teria que enfrentar numa viagem como essa, não, eu não quero mais isso, olho para Daryl, somos uma família agora, nosso filho é a prioridade, não um cientista e seus sonhos de consertar o mundo.

─Não quero ir! Todos me olham, é estranho ser o centro de tudo, mas não me amedronta mais, não sou mais a Mary que não pode ser tocada – Desculpe Eugene! Ele meneia a cabeça – Daryl, nós podemos ficar aqui, eu sei, é ruim agora, parece macabro, assustador, mas pode ser diferente, sabemos disso, começamos algo uma vez, estávamos indo bem, teria dado certo, pode dar agora, mesmo se ficarmos apenas nós dois e nosso filho, ainda pode dar certo, as portas elas podem continuar abertas, e esse lugar pode mesmo ser um santuário, um lugar para todos, podemos deixar as placas, continuar com os avisos, olhe em volta, podemos fazer!

─Eu sei Bruxa! Ele me segura a mão – Podemos e vamos fazer!

─Vamos ficar! Rick diz decidido – Não vou colocar minha filha que acabo de reencontrar numa viagem como essa, Mary está certa, podemos fazer algo aqui, deixar as portas abertas para as pessoas.

─Tem muita gente ruim lá fora! Maggie diz apreensiva.

─Como nós? Rick questiona – Tudo que fizemos hoje, e antes de hoje, quantos matamos, não estou falando dos zumbis, eles são um problema que podemos contornar, estou falando dos vivos, como nos classifica, bons? Ele pergunta – Maus? Maggie olha para ele indecisa – Monstros, não, apenas sobreviventes, é isso que somos, que venham, serão recebidos, se quiserem guerra então é isso que encontrarão, não seria a primeira vez e nem diferente do que seria se estivéssemos lá fora.

─Mas se quiserem paz – Eu continuo – Então serão recebidos do mesmo modo e podemos construir, temos o mundo todo, o que precisarmos, tudo que quisermos, é só pegar, mas não vamos mais nos fechar em grades e perguntas, as pessoas podem apenas chegar e ajudar.

─Se é isso que querem então nossa família fica! Daryl comunica, todos concordamos.

─E todos vocês que quiserem ficar! Rick diz se erguendo – Mas se quiserem seguir com o Abraham sempre terão para onde voltar.

Algumas pessoas se manifestam, uns decidem seguir com ele, mas a maioria quer ficar, será uma luta ardo-a e nem mesmo sabemos se será possível, mas podemos fazer, olho para Scott, podemos fazer por ele.

─Eu vou com o doutor Eugene! Tyresse nos avisa, ficamos olhando para ele, é triste vê-lo assim – Acho que é o que Sasha faria, não tenho nada mais que me prenda a lugar algum, então quero fazer algo importante com o que me resta de tempo, se tiver que morrer que seja tentando salvar as pessoas.

─Ty... – Rick começa.

─Eu sei Rick, não se preocupe, teriam salvo Sasha se pudessem, não está em dívida comigo, cuidar de Judy me salvou, se não fosse a responsabilidade de mantê-la viva eu teria desistido, quero ir por que preciso de uma missão, algo para me manter de pé.

─De qualquer modo, obrigado! Eles apertam as mãos.

─Esse lugar pode ser um ponto de encontro, quando tivermos algo, depois que as coisas começarem a acontecer em Washington, vocês serão os primeiros a saber!

Acho bonito toda aquela convicção de Abraham, mas nem imagino que tipo de coisas teriam de enfrentar no caminho para chegar até eles.

Governadores, justiceiros, todo tipo de lunáticos, todo tipo de absurdo e ainda assim, mesmo que cheguem lá pode simplesmente não haver mais nada, ser como todo resto, só escombro e cemitério.

A noite chega, ninguém deixa o pátio, acho que estamos todos com medo, e precisando estar perto uns dos outros, passamos por momentos inacreditáveis e estarmos todos aqui é como um milagre.

Amanhã vamos limpar o lugar, encontrar comida, organizar e dividir tarefas, mas está noite vamos todos dormir assim, próximos, cuidando uns dos outros, Scott está sobre uma pequena manta, dorme tranquilo ao nosso lado, eu e Daryl estamos sentados, encostados em uma parede, abraçados e olhando para ele.

─Virou nosso passa tempo! Eu digo sorrindo.

─O que? Ele me pergunta.

─Assisti-lo viver! Ele concorda, beija meus cabelos, sorri de leve e volta a olhar para ele.

─Desculpe bruxa, não pude evitar que passasse por todas essas coisas, quando te tirei das mãos do Jack, eu não...

─Me salvou! Eu digo – Não dessa maneira prática, me salvou mesmo, minha vida começou ali, quando aquela flecha atravessou a cabeça de Jack, eu não era nada até aquele segundo.

─Eu também não! Ele me diz me beija de leve, suspiro.

─Estava limpando sua mão ferida, você tinha achado que eu havia deixado você, então me disse pela primeira vez, eu amo você, se lembra?

─Todos os dias!

─O céu se abriu naquele dia, desde então... A primeira vez que eu e você, quando fizemos amor e descobri como era pertencer a alguém, não o corpo, mas a alma.

─Foi o mesmo para mim!

─Os abraços de Hershel, depois da Maggie e Beth, as pessoas se aproximando de mim, eu descobrindo que podia ser tocada, que nem sempre doía, que não era invisível, os segredos do Glenn, Merle, sinto falta do Merle me chamando de cunhada e me mandando lutar pelo que queria, eu só queria você.

─E sempre me teve, mesmo antes do mundo acabar, os olhos dourados da minha Mary já me pertenciam.

Eu me emociono com as memórias, ele também, mas é bom nos lembrarmos como chegamos aqui, porque chegamos aqui.

─O frízer, abrir aquele frízer e vê-lo lá! Daryl diz fazendo um carinho nos cabelos de Scott, depois tira seu dedo da boca, ele volta a colocá-lo imediatamente, rimos, uma lágrima escorre e eu a seco.

─Quando foi busca-lo para mim, eu o queria e foi busca-lo na outra cela, e então ele era meu, nosso!

─Quando ele disse mamãe! Daryl me diz sorrindo, aproveita para secar uma lágrimas minha, mais uma.

─Quando ele disse papai! Ele sorri orgulhoso, pego a jaspe no bolso, mostro a ele – Quando me deu isso e eu me tornei sua para sempre.

─Minha mulher! Ele me diz e me aconchego em seus braços, ele pega a pedra, gira na mão, sorri enquanto eu choro – Ainda a tem, depois de tudo que passamos, ainda guarda.

─Sempre! Eu respondo – Amo você, não como eu te amava quando tudo começou, lá na fazenda do Hershel, o que sinto se modificou por que eu me modifiquei, sou uma mulher agora Daryl e você fez isso por mim, o modo como te amo agora é maior, é inteiro, se lembra quando eu te disse que não era inteira?

─Lembro e respondi que também não era.

─Mas agora eu sou, e você também é, nosso sorvetinho colou as rachaduras, consertou as coisas.

─Eu te amo, é minha, minha Mary de olhos dourados, minha bruxa!

─Sabe que eu nem vou me importar se de vez em quando me chamar de linda!

─Uma linda Bruxa! Rimos e me recosto nele, sonhando com um momento nosso, um cantinho para construirmos nossa nova história.

Ficamos em silencio, olho em volta, Rick está com Judy nos braços, acho que não cansa de olhar para ela, Michonne está do seu lado, com Carl encostado nela olhando para a irmã.

Maggie está de braços dados com Glenn de frente para Beth e Arthur, os quatro conversam, riem baixinho, o bom humor de Maggie.

Tyresse está deitado sozinho, processando o que aconteceu, as pessoas estão juntas, conversando tentando dormir, montando guarda.

A partida de Tyresse é triste, eles deixam Terminus na manhã seguinte ao ataque, um grupo de dez pessoas parte rumo a DC, cheios de esperanças, levam tudo de útil que encontram, além de carros, descobrimos um número razoável de carros guardados em uma garagem.

Fico olhando até que sumam pela estrada, desejando boa viagem, depois volto para dentro e começamos o trabalho, demora uma semana para deixamos tudo limpo, e começarmos a organizar nossas tarefas, entre os sobreviventes que conhecemos tem todo tipo de gente, com todo tipo de talentos, unidos podemos fazer coisas grandes, e vamos.

Estou na minha nova função, uma das, são muitas coisas que fazemos, Scott está sentado no chão brincando à espera do pai que está junto com Rick organizando novos espaços para as pessoas que virão.

Olho para Scott, ele acena sorridente, volta sua atenção ao brinquedo, aperto o botão do microfone, e continuo a chama-los, eles virão, eu sei que virão.

─Santuário para todos, comunidade para todos, aqueles que chegarem sobrevivem – Repito mais uma vez, então Daryl entra acenando para mim.

Deixo o trabalho para abraça-lo, ele me beija de leve, depois pega Scott no colo.

─Você me achou! Nosso sorvetinho diz ao pai.

─Sim, eu achei, eu sempre vou achar!

Estamos felizes, hoje estamos, não conhecemos o futuro, não sabemos até quando, mas não importa, hoje estamos felizes e isso é tudo.

FIM

Notas finais
Espero que tenham gostado, escrever últimos capítulos é sempre difícil, parece que fica faltando algo, mas acho que é so mesmo saudade!rsrsrs Queria pedir que se possível, mesmo aqueles que não costumam comentar se for possível deixem um recadinho, quero muito agradecer a cada um que leu e esse é um bom jeito. OBRIGADA!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!