Apocalipse
32 Vingança Sádica
Notas iniciais
Ao abrir os olhos esmeraldas, esticou o corpo e bocejou. Ainda passou a mão no pescoço dolorido e marcado pelos dedos de David, até se dar conta de que estava perto do ápice de sua vingança. Olhou em volta, vendo sua mochila caída em um canto, e o pé-de-cabra em outro. Levantou, ainda tonta e pegou a arma de ferro.
– Por que não sorri agora? — a voz de Nick, vinda do outro cômodo, alcançou seus ouvidos.
Voltou o olhar para a porta, fazendo surgir um sorriso em seu rosto, a imagem de David amarrado, totalmente indefeso, não poderia ser melhor. Viu o homem provocar o rapaz, exibindo seu melhor sorriso. Com um impulso, correu na direção do outro cômodo, acertando o pé-de-cabra nos dentes do homem. O som de porcelana se partindo ecoou na sala e logo os dentes tocaram o chão, se espalhando.
Riu, como se Nick tivesse lhe contado uma piada, e depois parou sorrindo, tombando a cabeça e observando o homem ainda em choque. Suspirou e olhou para o rapaz, que tomava outro gole de vodka enquanto a fitava pelo canto dos olhos, e se aproximou.
– Ainda bem que acordou, — começou Nick. — seria uma pena se você continuasse dormindo, pois eu teria que aturar o sem-dentes tagarelando...
A ruiva riu outra vez e começou a mexer nos cabelos negros de Nick. Ele tomou outro gole de vodka e depois apontou para uma mesa de canto, na qual ele colocou todo o arsenal de armas.
– Um presente de aniversário pra você, divirta-se. — disse ele. — Se não se importa, eu gostaria de ficar quietinho aqui, bebendo.
Lizzie voltou o olhar para a mesa e se aproximou com pulinhos. Seus olhos brilharam ao ver a variedade de armas brancas que poderia usar.
– Huhuh... — começou a ruiva, enquanto analisava as lâminas reluzentes. — Tantas opções... Nem sei por onde começar... Me dá uma ideia!
– Hum... Por que você não decepa as mãos dele? Não é com elas que ele fazia todas as atrocidades? — disse o rapaz.
– Mas desse modo ele vai morrer de hemorragia... Eu quero que ele dure bastante! Assim eu posso usar todas as armas...
Nick balançou os ombros e voltou a beber. A garota mordeu o lábio inferior e o olhou de forma provocante, pegou duas das peixeiras que tinha sobre a mesa, se aproximou e pegou a garrafa, que ainda tinha um quarto de vodka, de sua mão. Fez um sinal para que o rapaz saísse da cadeira e arrastou-a para próximo do homem. Nick sentou em outro sofá, já lendo o rótulo de outra garrafa, pensando se tomava ou assitia ao espetáculo.
– Olá, David! — ela disse amigavelmente, enquanto segurava as facas em uma mão e a garrafa em outra. — Como se sente?
– Melhor impossível... — ele ironizou.
– Ah, que ótimo! — sorriu e colocou a garrafa atrás de seu pé, ficando apenas com as facas. — Diga "Aaaaaa...". — vendo que o homem se recusou, enfiou a peixeira em sua boca, fazendo-a passar pelo espaço das duas gengivas e rodou a lâmina, forçando-o a abrir a boca. — Mas olha só que estrago... Que tal brincarmos de dentista? — riu diabolicamante e começou a rasgar a gengiva inferior com a outra faca, tirando os pedaços de dente que restaram. David se esforçava pra não gritar e muito menos demonstrar dor, mas logo lágrimas começaram a escorrer.
Longos minutos depois, Lizzie já tinha tirado todos os pedaços de dentes, e agora o homem estava totalmente banguelo, com a boca cheia de sangue. Ela estreitou os olhos e exibiu um sorriso. "Que tal dentes de vidro?" ela sugeriu, fazendo o homem arregalar os olhos, suplicando para que não o fizesse. A ruiva pegou a garrafa e a quebrou na cabeça de David, pegou alguns cacos e começou a colocar no lugar dos dentes, afundando na gengiva, fazendo mais sangue escorrer. Satisfeita, e com as mãos encharcadas de sangue morno, desceu da cadeira, ainda com um pedaço inteiro da garrafa na mão.
– Sorria! — disse a ruiva, sorrindo. Nick não pôde segurar o riso, vendo a situação.
– Você é hilária, Lizzie... — ele comentou. — Posso brincar também?
– Claro! Fique à vontade!
Nick largou a garrafa de vodka no sofá e pegou um caco de vidro no chão, subindo na cadeira em seguida. Ele olhou no fundo dos olhos de David e riu outra vez. Com o caco, ele começou a rasgar a pele do homem, desenhando uma forca.
– Vamos, uma letra! — disse ele animado.
– Hum... "L"! — ela respondeu.
– Não tem "L", tenta outra... — rebateu, enquanto começava a desenhar um boneco de palito, e a escrever as letras erradas. Ficaram nesse jogo até que todas as letras estivessem em seus devidos lugares. Obviamente a ruiva falava letras aleatórias, apenas para ver David se contorcer de dor, tentando se soltar das cordas que repuxavam seus membros. O homem ali preso mal podia mover o maxilar, suas gengivas doíam e sangravam.
O rapaz desceu da cadeira e tomou uma distância, vendo o desenho que tinha feito no peitoral de David.
– Uma bela tatuagem, não? — ele comentou.
– Certamente... — ela respondeu, procurando uma arma para usar em seguida. Pegou enfim um alicate e voltou a subir na cadeira. — Você pratica canibalismo, não é? Que tal provar do próprio veneno?
O sorriso largo deixava seu semblante assustador, os olhos tinham um brilho banal e um tanto de entusiasmo. Lentamente, ela levou o alicate até as mãos amarradas do homem, este que já tinha um olhar de pavor, com os olhos cheios de lágrimas, suplicando misericórdia, tudo que queria naquele momento era que a ruiva metesse uma bala no meio de sua testa. Com muita calma, a garota posicionou a ponta do alicate em um dos dedos de David e decepou a ponta do dedo mindinho, emitindo um "Shhhhh...! Você resmunga demais." ao ouvir os gritos de dor do homem. Repetiu o processo nos outros dedos, deixando apenas os polegares, e depois forçou o homem a abrir a boca, colocando a ponta dos dedos na mesma.
– Gostaria de registrar o momento? — Nick indagou. Com um sorriso, a garota voltou o olhar para o rapaz e assentiu que sim. Ele trouxe a mochila da garota para o cômodo que estavam e pegou a câmera instantânea, se posicionando e tirando algumas fotos, enquanto a ela obrigava o refém a mastigar os dedos decepados.
Após notar que ele já não conseguia mais mexer o maxilar, por causa da dor, Lizzie desceu da cadeira e voltou à mesa. É claro que David não conseguiu engolir os pedaços de carne "mastigadas", com os ossos e as unhas, então teve de ficar com os mesmos na boca. A ruiva colocou o alicate ensanguentado de volta da mesa e pegou um machado, passando o indicador na lâmina, enquanto se virava lentamente.
– Diga, Nick, o David costumava estuprar garotas de 8 e 9 anos, certo? — ela o observou assentir enquanto fitava as fotos que tirara, separando as que guardaria para ele. A ruiva virou para o homem, com um sorriso de canto. — Não seria uma pena se eu tirasse o seu "brinquedo", David?
O homem arregalou os olhos e tentou se soltar, outra vez em vão, balançava a cabeça freneticamente em sinal negativo e seus olhos voltaram a lacrimejar, permitindo que as lágrimas escorressem pelo seu rosto inchado, misturando-se com o sangue de suas feridas. Sem pestanejar, a ruiva levantou o machado e o trouxe para baixo com certa velocidade, cortando fora o membro do homem, que emitiu uma interjeição de dor audível em todo o prédio, engasgando-se com os próprios dedos em seguida. Ela riu de seu feito e voltou o olhar para Nick, que levou as mãos para entre suas pernas e a fitou com certa inquietação.
– Eu senti em mim! — disse ele.
– Que pena, hein? — rebateu a ruiva, rindo alto outra vez. Voltou para a mesa e colocou a arma sobre a mesa, pegando um bisturi dessa vez, indo para a cadeira, fitando David nos olhos. — Sabe o que eu tenho vontade de fazer? — ela indagou, enquanto passava o instrumento em seu rosto, fazendo longos e fundos cortes. — Arrancar esses seus olhos coloridos e guardar de recordação, para quando eu encontrar o meu pai mostrar pra ele e perguntar: "Você lembra que tinha um olho azul e outro cor-de-mel, pai?"
Fez mas alguns cortes, como se dessenhasse no rosto do homem, e depois saltou da cadeira.
– Eu lembro de ter feito uma promessa pra mim mesma... — disse ela, voltando o olhar para David. — Eu disse que abriria o seu abdômen, e é isso que vou fazer. Mas antes, me diga, quão divertido foi jogar conosco? Aposto que não foi tão divertido quanto está sendo agora... — exibiu outro sorriso, os olhos nublados pela insanidade que lhe parecia tão saudável.
Ainda com o bisturi em mãos, enfiou a lâmina até o fundo, na base da barriga, e, com movimentos de serra, foi subindo lentamente, fazendo um rasgo contínuo, enquanto o homem gritava e se contorcia de dor. Parou apenas quando sentiu os ossos da caixa torácica, as mãos já estavam manchadas de vermelho, e o sangue do homem escorria em grande quantidade, já formando uma grande poça, manchando o carpete do cômodo. Largou o bisturi ali, ainda fincado em David, que ja começava a perder a consciência. Pegou algumas facas e um martelo na mesa e virou-se para o rapaz, que já tinha aberto outra garrafa de vodka e fitava o nada, enquanto tomava a bebida.
– Hey Nick, ainda está sóbrio?
– Talvez... — ele respondeu, voltando o olhar para ela. A ruiva lhe deu o martelo e sorriu.
– Vamos brincar um pouco... — a garota o puxou do sofá e o arrastou para perto do homem preso. — É assim, eu vejo onde quero esfaquear o David, aí eu posiciono a faca e você martela. Mas se você martelar minha mão dou um tiro no seu joelho.
– Parece divertido! — ele sorriu.
Iniciaram a brincadeira. Logo, o homem já tinha facas fincadas nos braços e em uma das pernas. Assim que as facas acabaram, a ruiva pegou sua pistola e parou ao lado do rapaz.
– Quer ouvir uma história? De como eu aprendi a atirar? — ela olhou para Nick com um sorriso e se apoiou em seu ombro, por mais que o rapaz fosse mais alto que ela. Nick assentiu e esperou ela continuar. — A gente já tinha se estabilizado em Quebec, eu tinha 11 anos, o Steven ainda estava comigo e com meu pai, era tudo bem tranquilo. Mas teve uma noite que tentaram entrar em casa, eu chamei o meu pai e o Steven e eles foram lá, armados e tals, mas não conseguiram encontrar ninguém. Naquela época eu costumava madrugar, vendo séries e filmes, e como meu pai tinha o sono muito pesado ele veio até mim e disse: "Vou te ensinar a atirar, mas não pra você sair por aí disparando pra tudo que é lado."
A ruiva fez uma pausa e deu alguns passos à frente, apontando a arma para o homem de olhos divergentes.
– "Você puxa essa alavanca pra cima pra travar a arma"... — ela demonstrou, como se brincasse com a arma prateada. — "Se ela estiver no meio você pode puxar o gatilho, mas só se essa parte estiver elevada, que assim você sabe que tem munição"... — outra pausa. — "Mas você deve tomar cuidado quando essa parte de trás estiver desse jeito, que assim o ciclo vai estar quase completo e você pode atirar acidentalmente. Então você puxa a alavanca para baixo." Aí ele me explicou como recarregar e como tirar as balas, e então ele me deu a arma. Foi bem legal, só que eu fiquei tremendo o resto do dia, acho que era ansiedade, mas poderia ser medo também, eu não queria disparar acidentalmente. "Você entendeu, Lizzie?" Eu disse que sim e depois ele sorriu, pegou a arma de volta e guardou em uma caixa preta, me dando em minhas mãos, para que eu guardasse.
Nick ouvia-a atentamente, e observava ela brincar com a arma. A garota parou e virou-se para o rapaz, sorrindo.
– Depois que o nervoso passou, eu sentei na varanda com ele e perguntei: "Pai, o que acontece se eu atirar no joelho da pessoa?", desse jeito... — ela mirou no joelho de David e puxou o gatilho, depois voltou a olhar para o rapaz. — Ele me olhou nos olhos e não respondeu... Eu fiquei bem nervosa. Então eu perguntei: "Então eu posso atirar no joelho?" Ele suspirou e depois bagunçou meus cabelos, e disse em seguida: "Desde que você não atire na cabeça..." Fiquei bastante intrigada e perguntei o por quê, e ele me respondeu: "Porque é mais difícil de você acertar o alvo, por isso que geralmente miram no peito. Mas se você quiser matar a pessoa, atira na barriga dela. Pode demorar horas, mas cedo ou tarde a pessoa vai morrer." Eu já ia perguntar o porquê, mas ele levantou e entrou. O Steven não estava em casa pra eu perguntar pra ele, então eu fiquei o resto do dia pensando nisso... Foi bem triste.
O rapaz riu. Ele parecia se divertir quando a ruiva contava sobre sua antiga vida. A garota foi até uma das janelas e a abriu, respirou fundo e voltou a falar:
– Já está escurecendo... Melhor acabarmos logo com isso e voltarmos... Mas antes, eu vou levar os olhos dele como recordação!
Sorriu diabolicamante e foi até a mochila, tirando um frasco de vidro da mesma e indo até a cadeira. Ela colocou o frasco no bolso do moletom, destampado, e arregalou as pálpebras do olho azul, puxando o glóbulo com a outra mão, firme e ao mesmo tempo delicada. David já não conseguia mais se mover por causa da dor, e também não ousava gritar, correndo o risco de se engasgar com o próprio sangue, ou com os pedaços de dedos, apenas aceitou, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto, lavando o sangue do mesmo. Aos poucos ela foi tirando cautelosamente, até que o glóbulo saísse por completo. Seu semblante passou a ter um ar de admiração, ela observou o olho e depois colocou-o no frasco.
Arrastou a cadeira para o outro lado e tirou o olho cor-de-mel da mesma forma, colocando-o junto do azul. David desejou com todas as forças estar morto mais do que antes, queria que aquela sessão de tortura acabasse logo, mas era como se não houvesse fim.
– E a flecha, Li? — o rapaz indagou, lembrando-se da flecha com sangue seco presa na lateral da mochila da ruiva.
– Bem lembrado! — ela rebateu e piscou para o rapaz. — Vamos ver se ele sobrevive a uma queda de 20 andares, caso ele sobreviva nós usamos a flecha.
Ela sorriu, pegou a mochila e estava prestes a guardar o frasco na mesma, quando Nick o puxou para si, observando os olhos. Lizzie o olhou, arqueando uma sobrancelha.
– Não acha melhor colocar colírio aí dentro? Pra não secar, sabe? — sugeriu o rapaz.
– Eu não tenho colírio...
– Mas eu tenho. — ele sorriu. — Não muito, mas deve ter mais na minha casa. — o rapaz foi até sua mochila e tirou um pequeno frasco de coliro da mesma, despejando o líquido no frasco de vidro, tampando-o e devolvendo para a ruiva em seguida.
– Obrigada. Agora vamos indo.
Antes de terminar com a sessão, Lizzie tirou mais algumas fotos, e depois a dupla desamarrou o homem, que já não tinha nem forças para reclamar de dor, e o jogaram pela janela, o observando cair rapidamente e pousar na alta camada de neve. Se arrumaram e tomaram rumo para fora. O rapaz carregava Alice nos braços, enquanto Lizzie estava entretida com o arco, tentando encaixar a flecha ensanguentada no mesmo.
Ao sair do prédio, a ruiva foi checar David, que estava caído de mal jeito na neve. As facas, que antes estavam fincadas até a metade da lâmina, agora atravessavam os membros do homem e o sangue se espalhou rapidamente pela neve. Ela agachou ao seu lado e viu se ainda tinha batimentos cardíacos.
– Ele não é tão resistente como eu pensava... — ela sorriu e virou-se para o rapaz. — Mas de qualquer modo, posso brincar com o arco?
– À vontade... — ele respondeu.
Nick explicou como manusear o arco e, mesmo com certa dificuldade, a ruiva conseguiu encaixar a flecha, puxando a corda com firmeza. Chutou o corpo do homem desfalecido para o lado, de modo que ela pudesse ver seu rosto, e disparou a flecha em sua boca, fazendo atravessar, saindo pela nuca.
Os dois seguiram por um caminho diferente do que fizeram para chegar ao prédio, em silêncio. Passaram-se longos minutos, até o rapaz parar em uma área sem prédios, apenas uma área vazia com algumas árvores e o que parecia ser bancos soterrados na neve, colocando a loira na neve e começando a afastar a neve com as mãos.
– Eu costumava vir aqui com a minha irmã as vezes... — ele disse. — Acho justo enterrá-la aqui...
A ruiva permaneceu em silêncio, olhando em volta, avistando o que parecia ser uma casinha de madeira, não muito distante. Foi até lá e adentrou, tendo um pouco de dificuldade para abrir a porta, pois estava emperrada. Dentro parecia ser uma espécie de armazém, tendo algumas ferramentas. Pegou algumas folhas de papel que estavam ali, uma pá e algumas madeiras, voltou para perto do rapaz e jogou a pá próximo dele, sentando na neve, um pouco afastada.
Ele a fitou por alguns segundos e pegou a pá, começando a cavar uma cova para Alice.
– O que era aqui? — ela indagou, enquanto fazia uma cruz com as madeiras, amarrando-as com trapos.
– Um parque...
O silêncio reinou outra vez, até que ele terminasse, colocando a garota no buraco e cobrindo com a terra e a neve. Após terminar, olhou para Lizzie, que tinha algumas flores de origami nas mãos, além da cruz feita com as madeiras ao seu lado. Ele sorriu e fincou a madeira na terra, enquanto a garota colocava as flores na terra, de modo que não saíssem voando.
Voltaram para o apartamento. A collie os cumprimentou calorosamente, pulando e abanando a cauda.
A ruiva foi até o banheiro e completou o frasco de vidro que continha os olhos com alguns frascos de colírio. Voltou para a sala e encontrou o rapaz sentado no sofá, cabisbaixo, com uma taça de vinho nas mãos. Ela sentou ao seu lado e tirou a taça de suas mãos.
– Beber não vai mudar o passado... — ela disse calmamente, enquanto acariciava seus cabelos.
Ele levantou o olhar, estava visivelmente abatido.
– Você não bebe, então alguém tem que beber... — ele respondeu, tentando pegar a taça de volta, mas ela não deixou.
– Depois que a minha irmã foi sequestrada pela minha mãe, e eu e meu pai soubemos pela tia Olívia que elas foram para a Austrália, eu também fiquei muito mal... Só que o meu pai ficou muito pior, vendo que eu estava sofrendo. Beber foi a única alternativa, no ponto de vista dele, mas as coisas só pioraram, e o resto você já sabe. Eu não quero que você fique assim também... — com certo receio, ela chacoalhou o vinho que tinha até a metade da taça e tomou tudo de uma vez, apertando os olhos e chacoalhando a cabeça em seguida. O gosto amargo do álcool ainda ficou em sua garganta, fazendo-a tossir.
O rapaz até riria da reação da garota, mas só esboçou um leve sorriso, pensou em lembrá-la de sua promessa, porém suspirou e a olhou nos olhos.
– Eu quero um abraço... — ele disse.
A ruiva colocou a taça sobre a mesa de centro e o abraçou. Nick a puxou para si e deitou a cabeça em seu ombro.
– Não vou te soltar nunca mais... — Nick comentou.
– Por mim, tudo bem... — ela respondeu e acariciou seus cabelos. — O pior já passou... Não temos mais que nos preocupar com o David...
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