Apocalipse

9 Lembranças Remotas


Notas iniciais
Heyy Yoo!! Leitoras, Leitores, Desculpem o atraso :v Como prometido, aqui está o capítulo de hoje. Esse foi o primeiro capítulo que eu escrevi de todos, foi a partir dele que surgiu toda a história. Ele se passa no passado, quando a Lizzie era mais nova, e conta o que aconteceu quando o mundo virou de cabeça para baixo e.e Tive alguns problemas, por isso só consegui postar agora - um deles foi por causa da lista de chamada da escola, eu fiquei numa sala diferente da minha melhor amiga e fiquei na bad por um tempo... — Boa Leitura! ~May ♥

O vento gelado e úmido de uma madrugada chuvosa entrava pela janela semiaberta do quarto escuro, apenas a luz da televisão permitia ver a garota cansada e com os olhos pesados, mas ainda se recusava a dormir. Sentada no chão, com o filhote de collie dormindo em seu colo. Estava jogando um jogo violento de tiros, com o volume no mínimo.

— Não acredito que você ainda está jogando esse jogo violento! — disse uma mulher na porta do quarto, em tom nervoso. — Eu já te proibi! E você nem guardou suas roupas ainda? Lizzie, já faz uma semana que elas estão ali!

Lizzie apenas assentiu negativamente com a cabeça, sem olhar para a mulher irritada.

— Lizzie! Eu estou falando com você! — a mulher vociferou. — E desligue esse vídeo-game, já são quatro da madrugada!

— O MEU PAI NÃO RECLAMAVA! — Lizzie cuspiu as palavras com raiva e tristeza, enquanto fitava a mulher. — Ele achava até bom eu jogar esses jogos!

A mulher a encara com um olhar hostil, puxa o vídeo-game da tomada e continua:

— O seu pai está na cadeia, em Quebec!! Aquele marginal...!

A ruiva abaixou a cabeça e balançou-a negativamente.

— Olha... — a mulher continuou. — Eu sei que você está chateada, mas ele quis seguir esse caminho... Tente dormir um pouco, você tem escola de manhã. Quando você chegar nós vamos comprar aquele tênis que você quer. Pode ser?

A garota sentiu o remorso em sua voz, ela não iria aceitar isso como um pedido de desculpas, não depois de ser obrigada a ouvir e não poder fazer nada sobre as críticas feitas de seu pai... Ela sabia seus motivos e não tiraria a razão dele, nunca. Para ela, seu pai era um herói, que nunca deixou de cuidar dela.

— Não...! Você está tentando me comprar! — ela levantou a cabeça e encarou a tia com raiva e indignação. — Eu não acredito em você! Tudo o que você faz é criticar o meu pai, mas nem sequer tenta entender os motivos dele... Apenas me deixe sozinha...

A mulher lançou-lhe um último olhar de raiva e indignação e bateu a porta com força.

Lizzie suspirou e sentou-se na cama, com a collie no colo, puxou a mochila e tirou de dentro seu isqueiro e seu diário.

13 de Outubro.

Já faz três meses que estou com a tia Olívia, e não está sendo nada divertido (como ela havia dito)... Todos os dias sou obrigada a ouvir e engolir todas as críticas que fazem do meu pai, mas o que me deixa mais puta é o fato de que ela se recusa a entender o lado dele... Para ela, o mundo só tem uma face, e geralmente é aquela que ela quer ver. Isso é realmente irritante...

Além disso, o tio Andrew chega bêbado em casa todas as madrugadas, discute e bate na minha tia...

Não sei por quanto tempo eu vou conseguir suportar isso... Minha ideia de fugir ainda está de pé. Eu só quero voltar pra Quebec...

Ela guardou seu diário de volta na mochila. A chuva lá fora começou a ficar mais forte, com relâmpagos e trovões. De repente, a porta da sala do apartamento bate. O pesadelo se iniciava novamente.

— ONDE VOCÊ ESTAVA? — era a voz de Olívia. — EU ESTAVA TE PREOCUPADA!

— Não é da sua conta... — a voz de Andrew estava embargada.

Era como se Lizzie pudesse sentir o cheiro forte de álcool no hálito de seu tio, e ela jurou, talvez pela centésima vez, que nunca iria ingerir bebida alcoólica.

Os dois começaram a discutir. Lizzie tapou os ouvidos e começou a repetir baixinho: "Vai ficar tudo bem... Já vai passar...". Esse era seu de acalmar sua mente perturbada, mesmo que às vezes não funcionasse... Ela ficou um tempo assim até ouvir o som de vidro se estilhaçando no chão.

— Chega...! — ela disse enquanto procurava seu canivete na mochila. — Eu não aguento mais...!

Ela se levantou se saiu do quarto. Do corredor ela pôde ver Olívia aos prantos, sendo estrangulada pelo marido; viu também o braço direito de Andrew sangrando e cacos de vidro no chão. Ao chegar na sala. Lizzie segurou com firmeza o canivete em sua mão esquerda e com a direta, pegou uma garrafa de cerveja vazia, que estava sobre a mesa.

— Solte-a! — ela disse em tom alto e confiante. -

Andrew soltou Olívia, que caiu no chão, sem forças.

— Não me dê ordens, sua vadiazinha! Você vai acabar como o lixo do seu pai, aquele desgraçado.

O corpo de Lizzie começou a tremer e seu sangue ferveu, ela odiava ouvir críticas sobre seu pai, àquele era seu único ponto fraco.

— CALA BOCA!! VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE FALAR DO MEU PAI!! PELO MENOS ELE NÃO FICAVA ENCHENDO O RABO DE CERVEJA!! — ela cuspiu as palavras com todo o seu ódio e amargura, enquanto fitava-o com nojo. — VOCÊ NÃO PASSA DE UM FILHO DE UMA PUTA MAL COMIDA!!

Andrew foi para cima da sobrinha, cambaleando um pouco, buscando seu pescoço, para que pudesse torcê-lo. Porém, Lizzie, com seu instinto de defesa, golpeou o tio na cabeça, com a garrafa, esta que se dividiu em inúmeros pedaços pelo cômodo. Andrew caiu no chão, com um corte na cabeça. Lizzie passou a empunhar o canivete com a mão direita.

— VOCÊ NÃO PASSA DE UM COVARDE!! — ela continuou gritando, irritada, enquanto o rodeava. — A TIA OLÍVIA É QUEM TE SUSTENTA E AINDA É AGREDIDA!! VOCÊ NÃO PASSA DE UM FARDO!!

O homem levantou e passou a mão no corte, depois se virou enfurecido para Lizzie:

— AGORA EU TE MATO, SUA PUTINHA!! — e investiu outra vez, para cima de Lizzie.

A ruiva já estava fora de si, estava colocando para fora todo o sofrimento e angústia que sentia desde que Steven foi embora. Ela estava enlouquecendo aos poucos desde que seu pai foi preso, ela precisava de ajuda, mas tudo o que conseguia era piorar sua situação.

Ela agilmente enfia o canivete todo no braço do tio e puxa para si, rasgando a carne, os nervos e os músculos de Andrew, impossibilitando que ele movesse seu braço outra vez. O grito de dor de seu tio causou uma enorme satisfação em Lizzie, ela estava descontando tudo o que passou desde passou a morar com os tios. A ruiva retira o canivete e, com um sorriso maligno, comenta:

— Não é bom fazer as pessoas sentirem dor? Como se sente?

— DESGRAÇADA!! VAI SE ARREPENDER DISSO!!

Ele avança outra vez, só com um braço, entretanto, Lizzie era mais ligeira e, rapidamente, esfaqueou o tio perto da caixa torácica e puxa para baixo com toda sua força, abrindo todo o seu abdômen. Antes que ele pudesse cair no chão, ela retirou o canivete. O sangue rapidamente se espalhou pelo assoalho, ela ficou observando, mas na verdade estava encarando o nada, sua mente estava vazia, em paz. Depois que o sangue alcançou o corredor e a cozinha, ela voltou para si e percebeu que tinha cometido um assassinato, o seu primeiro, ela ficou apavorada e olhou para sua tia, que estava igualmente horrorizada:

— Sua... ASSASSINA! EU VOU LIGAR PARA A POLÍCIA!

E assim fez: pegou o telefone e discou o número, ainda trêmula. Lizzie estava cansada demais para fazer algo ou pensar no que fazer após ser levada para a cadeia ou para um manicômio, ela estava cansada de vagar pelos Estados, fugindo, e também ela não poderia, estava sozinha... Lizzie saiu da sala para lavar o canivete e trocar de roupa, pois estava cheia de manchas de sangue.

Depois de outras duas tentativas, Olívia passa a mão no rosto.

— Ninguém atende... — ela diz preocupada. — Isso não é normal...!

A mulher liga a televisão. Lizzie retorna à sala. No noticiário, que estava ao vivo, a jornalista na rua, mesmo com chuva, mostrava o cenário de caos atrás de si: viaturas por todos os lados, pessoas arrancando pedaços de carne (e ingerindo) de outras, pessoas sendo baleadas... A jornalista explicou que tudo aquilo fora causado por um soro que curava a AIDS, que a infecção havia começado nos hospitais e que não se sabia ao certo como era transmitida a doença, quando foi atacada por um infectado. O câmera correu, mas logo foi surpreendido por outro infectado.

Perderam o sinal.

O apresentador, com uma expressão de choque misturada com horror, precisou de um tempo para continuar:

— Voltaremos brevemente com mais notícias.

— Não podemos ficar aqui! — disse Lizzie, com um misto de espanto e desespero.

— Você viu como está lá fora, não podemos sair! — disse Olívia, inquieta.

— Porra tia! Por que você não me ouve pelo menos uma vez na vida?! — Lizzie diz irritada. — Eu tenho pelo menos 50% de conhecimento sobre isso através de filmes e jogos, e sei que é extremamente perigoso, mas também sei que se ficarmos aqui não vamos durar mais que duas semanas!! Quanto tempo você acha que a sua dispensa vai durar?! E a água?! E quando tivermos que sair para procurar?! O prédio já estará infectado! Me escute pelo menos uma vez! — Lizzie já estava ofegante.

— Tá. Saímos. E pra onde vamos? Ficamos vagando por aí até morrermos?

— EU NÃO SEI! MAS EU NÃO VOU FICAR AQUI ESPERANDO ALGUÉM VIR NOS AJUDAR!

Ela saiu apressada e foi para o quarto, jogou tudo o que tinha em sua mochila no chão e começou a pegar o essencial. Por fim, colocou Aika com cuidado na mochila e fechou, deixando um espaço para que entrasse ar. Ela vestiu uma calça jeans, calçou uma bota, vestiu um moletom e colocou no bolso o canivete. Pôs a mochila nas costas e pegou sua capa de chuva. Voltou para a sala, largou as coisas no sofá e começou a mexer na cozinha, pegando comida e coisas que pudesse usar como arma. Pôs tudo na mochila.

Ela jogou a mochila sobre os ombros e vestiu a capa de chuva. Sem hesitar, ela saiu da casa, deixando Olívia sozinha. Ela iria descer pela escada, não iria se arriscar pelo elevador, estava prestes a descer quando foi chamada.

— LIZZIE! — era a voz de um homem. — Lizzie, por favor, me ajuda!

Era Vincent, seu vizinho, um jovem policial. Vincent carregava sua esposa em seus braços, desmaiada. O homem parecia desesperado. Lizzie voltou.

— Graças a Deus você está aqui! — ele parecia aliviado. — A Agnes desmaiou, e como você sabe, ela está grávida. Preciso de ajuda para leva-la ao hospital. Nem vou questionar o que está fazendo aqui tão cedo...

— Você está louco? Não viu o noticiário?

— Eu vi sim, e é por isso que preciso de sua ajuda. Venha.

Vincent correu para as escadas, deixando a casa toda aberta. Era a chance de Lizzie, ela iria fugir.

No estacionamento, Vincent abriu o carro e colocou a esposa no banco de trás, e pediu que Lizzie ficasse com ela. O homem começou a dirigir rapidamente, saíram do estacionamento do prédio e se depararam na rua, o mesmo cenário de caos da televisão, mas parecia ter piorado.

Vincent pisou fundo no acelerador, com sua habilidade dirigindo viatura, foi fácil para ele desviar das pessoas pelo caminho. Lizzie não estava acostumada com aquilo, ela precisou se segurar, e segurar Agnes, para que não fossem jogadas de um lado para o outro. Não demorou a chegarem ao hospital.

Ele desceu do carro e abriu a porta:

— Você sabe usar uma arma? — ele indagou.

— Claro que não! — ela mentiu, era obvio que sabia, seu pai havia lhe ensinado.

— É claro que não sabe... Só tem 13 anos... — ele tirou uma arma prata de seu cinto. — Preste atenção: você faz assim para destravar e assim quando for atirar, depois é só puxar o gatilho. E assim para recarregar. — ele entregou a pistola para a garota e um cartucho com munição.

Ele tirou Agnes do carro e se apressou em entrar. Lizzie fechou o carro e se apressou em segui-lo, ainda segurando a arma.

— Pra que isso? — ela indagou, travando a arma e colocando no bolso do moletom.

— Quero que você tome conta da Agnes. Atire em qualquer suspeito que esteja com sintomas da doença, sem hesitar. Te dou mais detalhes lá dentro.

Eles passaram por uma barreira e Lizzie abriu a porta da frente para que Vincent pudesse entrar. No hospital tinham algumas pessoas, estavam com uma aparência horrível e algumas pareciam estar quase morrendo. Logo Vincent chamou sua atenção.

— Venha, consegui um quarto.

Vincent correu para as escadas. "Nem parece que ele está segurando a Agnes, eu mal consigo acompanhá-lo!" Ela se apressou e correu. Pararam quando entraram em um quarto.

O homem pediu para ela sentar-se e sentou ao seu lado.

— Essa infecção começou com um soro. Muitos países, inclusive o Canadá, estavam trabalhando juntos para que fosse finalizado. Esse soro tinha a finalidade de curar a AIDS, o vírus do HIV, porém, foi misturado acidentalmente com uma substância radioativa. Foram feitos vários testes, mas aparentemente não teve nenhum efeito inesperado, até usarem em pessoas... Esse soro acelerava o processo de morte do portador do vírus e após dois dias morriam, mas eles voltaram à vida...

— Entendi... Então eles são como zumbis... E se minha hipótese estiver certa, isso pode ser transmitido através da mordida.

Vincent a encara por alguns instantes, era assustador ver como sua hipótese estava certa.

— Sim, e o único jeito de matá-los de vez é-

— Com um golpe na cabeça. — ela terminou a frase.

— Como sabe? — ele questionou.

— Muitos jogos e filmes...

— Parece que vai ser bom ter você por perto...

— Mas por que me pediu ajuda? Justamente para mim.

— Talvez porque você já não tem mais nada a perder, ou talvez porque você estivesse no lugar certo e na hora certa.

Ela sorriu.

Um médico entrou e começou a examinar Agnes. Lizzie não estava entendendo mais nada, o sono deixava tudo mais confuso, Vincent estava afoito, andava de um lado para o outro no quarto. Após uma série de exames, o médico virou-se e disse que estava tudo bem com o bebê e também com Agnes. O jovem policial ficou aliviado.

— Pode ficar com essa arma, você vai precisar, agora, vamos sair daqui assim que Agnes acordar.

— Para onde vamos?

— Para a delegacia.

Notas finais
Então, vocês lembram do pensamento que a Lizzie teve no capítulo 3 (Inverno)? Então, era sobre esse dia e.e Legal, né? huashuashuash -q Eu particularmente gosto muito desse capítulo :3 Já vou agendar o capítulo de amanhã, pra não ter atraso... Sério gente, não me matem ;-;