Notas iniciais
Heya! Leitoras, Leitores... Atrasada outra vez... Tô sabendo :v Tive um leve bloqueio mental esses últimos dias, além de eu ter escrito duas versões para esse capítulo... E descartado todas as ideias de uma das versões (acho eu) —Boa Leitura! ~May

— Acha que vai ficar legal? — indagou o homem de cabelo preto e olhos esmeralda, enquanto jogava uma corda sobre um dos grossos galhos da árvore que havia no quintal dos fundos da casa.

A ruiva, que estava sentada na grama com as pernas esticadas, observou Oliver verificar se o balanço estava torto e depois voltou a atenção para a pelúcia em suas mãos, um belo exemplar de um personagem de seu jogo favorito, porém, estava com um dos braços rasgados, graças a Aika, que fez o favor de rasgá-lo. Enquanto costurava o braço, sentia os dentes da border collie em seu pé, mastigando o sapato desgastado que usava.

— Claro, pai, com certeza... — disse, em um leve tom de sarcasmo.

— Tô falando sério! — ele rebateu, dando uma leve risada. — Vou terminar de por esse balanço pra você, assim você larga da minha cadeira de balanço... Entendeu?

Lizzie observou o pai fingir uma expressão mais séria e deu uma risadinha.

— Bom... Se você acha... Quem sou eu pra dizer alguma coisa... — ela replicou, tentando reprimir o riso.

Oliver riu e balançou a cabeça.

— Assim tá bom? Ou você quer que eu coloque mais alto? — ele indagou outra vez.

— Só um pouco mais alto.

O homem fez os ajustes e depois subiu na árvore, amarrando com firmeza as duas pontas soltas da corda.

— Trouxe uns filmes interessantes... — Oliver começou. — Depois que eu comprei aquele jogo antigo que tinha te falado, passei numa loja que vende DVDs e vi uns filmes de terror e uns sobre a Segunda Guerra Mundial, aí eu pensei: "Eu sei quem iria gostar disso". Quer assistir mais tarde?

— Claro. — ela sorriu.

— Beleza, está posto. — o homem comentou, saltando do galho e checando se estava tudo firme. — Quer testar?

Lizzie levantou o olhar, fitando o balanço e depois o pai.

— Hum... Não.

— Medrosa! Ele não vai cair. — Oliver replicou aos risos, sentando no balanço. — Viu?

— Bom, se o galho não quebrou com o seu peso, eu provavelmente não vou cair... — a ruiva rebateu, exibindo um largo sorriso.

— Tá me chamando de gordo?! — o homem fingiu um tom indignado, enquanto balançava.

— Que isso pai, imagina... — Lizzie comentou e partiu a linha que usava para remendar o braço do boneco, havia terminado o serviço. Guardou as coisas de volta na caixa de costura, e levantou, vendo a collie jogar-se em seu sapato, mordendo o cadarço.

— Ok, eu vou entrar e tomar um banho, depois eu vou testar o jogo que eu comprei. — Oliver comentou, esticando o corpo para trás, até perder o equilíbrio e cair de costas nas raízes expostas da árvore.

A garota desatou a rir, enquanto Oliver tentava levantar, visto que um de seus pés ficou preso no balanço.

— Eu disse que não era uma boa ideia... — ela comentou, limpando as lágrimas no canto dos olhos.

— Ah, cala boca! — o pai rebateu, rindo da própria desgraça.

* * *

Alguns dias se passaram. A monotonia rondava o carro em que viajavam, como se os dias se repetissem em um ciclo vicioso. Já tinham cruzado a fronteira que dividia os Estados Unidos e o Canadá, agora se encontravam em Quebec, procurando a casa de Lizzie.

O sol já estava começando a cair. O clima agitado contagiava a atmosfera dentro do carro, todos preocupados pela fato de Lizzie se recusar a deixar o volante, sendo que já estavam há horas rodando, como se andassem em círculos. A ruiva ainda insistia em continuar em frente, sabia que estavam próximos, apenas não conseguia lembrar-se de como chegar.

— Vamos, Li, chega disso! Amanhã a gente procura mais! — sugeriu Íris, levemente irritada.

Lizzie parou o carro, fechando os olhos enquanto recordava de sua antiga vida, das vezes que Steven a levava para dar um passeio de carro, ou ia ao mercado com seu pai, entretanto, era difícil distinguir as ruas cobertas de neve. Após algum tempo, deu partida no carro outra vez, vendo que a gasolina se esvaía.

Ignorar seus companheiros não era a tarefa mais fácil, as vozes se sobressaíam e pareciam martelar sua cabeça, sendo um obstáculo a mais para conseguir recordar com clareza a estrada em que passava. Estavam bastante afastados do centro de Quebec, seguindo por uma trilha de terra, coberta de neve, ladeada de árvores nuas com muitos galhos, que se chocavam uns com os outros com o mínimo movimento do vento.

Parou o carro outra vez. Notando que nenhum deles havia notado que finalmente chegaram ao destino, Lizzie simplesmente desceu do carro, indo na direção da entrada do grande sobrado. As chaves, que sempre trouxe consigo, estavam no bolso da frente da mochila, solitárias. Adentrou, jogando a mochila num canto, fazendo barulho no assoalho de madeira clara. Observou por um tempo a casa, vendo que tudo estava no devido lugar, como se ninguém entrasse ali há anos. As posições eram tão precisas que lhe causavam arrepios, era como reviver o pesadelo da noite em que seu pai foi preso, junto com o mar de lembranças felizes que recordava com carinho.

Foi até o espaço da sala, arrastando a mesinha de centro e deitando-se no tapete coberto de poeira, relaxando o corpo. Passos começaram a ecoar no local, o resto do grupo finalmente tinha deixado o carro, jogando as coisas próximo da mochila de Lizzie.

— Uau! É bem espaçoso aqui... — Íris comentou, observando o local.

— É uma casa bonita... — Nick acrescentou.

— E o que fazemos agora? — indagou Nathan.

— Bom, a casa é da Lizzie, ela que decide... — disse Nick.

A ruiva suspirou depois se sentou. Observou os olhares voltados para ela, aguardando alguma orientação.

— A casa tem um sistema independente de água e luz, por motivos óbvios... Se vocês notarem, não tenho vizinhos, não há postes e essas paradas... Nos fundos tem uma máquina movida à gasolina, se vocês encherem o tanque e ligarem acontece uma mágica: a casa vai estar energizada... — disse ela em tom tedioso, depois se levantou. — Sintam-se à vontade para explorar a casa, mas não mexam demais. Eu vou pro meu quarto.

Com passos lentos, tomou rumo às escadas, subindo sem a mínima pressa. Atravessou o pequeno corredor, deixando pegadas na poeira, e depois adentrou em uma das portas. A nostalgia em se encontrar novamente no tão familiar quarto era mais forte que a melancolia que sentia naquele momento, a vontade de chorar, por um motivo aparentemente desconhecido, fazia sua garganta doer. Preferiu não ficar observando os quadros nas estantes, ou a escrivaninha que se encontrava o computador e a maioria de seus livros, além de evitar olhar para o guarda-roupas que cobria uma parede inteira, para sua infelicidade ele continuava do mesmo jeito: as portas abertas e as roupas reviradas, algumas ainda caídas no chão e outras coisas espalhadas no cômodo. Deitou-se na cama, acomodando a cabeça no travesseiro macio, ignorando toda a poeira contida ali. A cama continuava macia.

Era bom ficar sozinha, apenas ela e o doce silêncio de sua mente perturbada. Estava cansada demais para ficar recordando tempos que nunca mais voltariam. Ouviu o som suave dos passos de Aika e sentiu a collie se acomodar ao seu lado. A ruiva estava de costas para a porta, mas não precisaria virar-se para saber que era a sua companheira. A luz de seu quarto se acendeu.

— Dormindo? Mas e as visitas? — Nick indagou, escorando no batente da porta.

— Foda-se as "visitas", eles sabem se virar. — a ruiva respondeu.

Os olhos do rapaz percorreram cada parte do cômodo, cada quadro coberto de poeira, cada livro espalhado no chão, cada bicho de pelúcia nas estantes, cada jogo perfeitamente alinhado... Nick aproximou-se da escrivaninha, passando a ponta do indicador sobre o monitor do computador, deixando um rastro na poeira, depois agachou para ler os títulos dos livros organizados na parte de baixo da mesa. A ruiva permanecia quieta, observando-o tirar os livros e depois colocar de volta.

— Veja só o que tem aqui... — comentou ele, abrindo um sorriso de canto, depois puxou alguns mangás. — Não sabia que você tinha tantos mangás...

Lizzie deu uma risadinha, depois trocou de posição, levando o travesseiro para os pés da cama e deitar-se de bruços sobre o mesmo, para que pudesse observar o rapaz, que estava a uma curta distância da cama.

— Cuidado pra não mexer demais... Vai acabar ficando traumatizado... — ela comentou, levantando uma sobrancelha.

— Ah, é? — ele a fitou pelo canto dos olhos e sentou-se no chão. — O que tem aqui de tão interessante?

— Uns shounen-ai... Uns mangás yaoi...

— Que pervertida! — exclamou ele, rindo depois. — Bom, eu não posso falar nada, tinha uma caixa cheia de mangás hentai lá em casa...

— Eu sei. Eu tava mexendo no seu quarto uma vez e encontrei a caixa...

Nick riu e colocou os mangás no lugar.

— Parece um lugar legal... — Nick comentou, referindo-se à casa. — Acho que dá pra viver de boa aqui no verão...

— Se a gente limpar a casa dá pra passar o resto do inverno aqui... — ela bocejou e depois esfregou os olhos. — Só vamos precisar de comida.

O rapaz assentiu depois se levantou.

— Então deveríamos começar logo... — disse ele.

* * *

23 de Dezembro de 04 P.A.

Finalmente em casa! Não via a hora...! Só tenho que parar de ser irônica agora...

Não sei como eu me sinto, exatamente... É uma sensação estranha, parte de mim queria vir e ficou feliz, enquanto a outra parte ainda questiona se foi a coisa certa... O mesmo acontece quando penso na ideia de procurar meu pai, parte de mim não quer sair e se aventurar outra vez, mas eu já venho pensando em revê-lo há anos...

A boa notícia é que tudo estava em seu devido lugar, exatamente no mesmo lugar, para minha infelicidade... Foi como ver a cena de um crime abandonada há anos, mas foi legal. Tudo ainda está funcionando, aquele gerador de energia movido a gasolina, o poço e os encantamentos. Facilitou muito o trabalho do grupo, já que passamos praticamente o resto do dia limpando os cômodos que usaríamos, como a sala e a cozinha, os quartos de hóspedes, omeu quarto...

A ruiva fechou o diário e o colocou em um canto, passando a acariciar os pelos de Aika, que estava deitada em seu colo, observando a lareira acesa. Já havia escurecido há um bom tempo, por sorte, havia um "estoque" de lenha nos fundos, junto com o gerador de energia. Tudo que se ouvia do lado de fora era o som do vento e dos galhos das árvores chocando-se uns com os outros, além das corujas.

— Você lembra, Aika? Nós fazíamos exatamente a mesma coisa... Ficar sentada em frente à lareira, observando o fogo... — comentou a ruiva, enquanto brincava com os pelos bicolores da border collie.

Aika ganiu e abanou a cauda em resposta. O som suave de passadas na escada fez a collie levantar a cabeça, chamando também a atenção da ruiva. Ellie descia as escadas lentamente, como se não tivesse certeza do que queria, e se aproximou, parando ao lado de Lizzie.

— Eu não consigo dormir... — disse a menina.

— Eu também não. — a ruiva respondeu, sorrindo gentilmente. — Quer ficar aqui comigo?

A menina assentiu e sentou-se ao lado da ruiva, observando o fogo corroer a lenha.

— Sabe, você me lembra a minha irmã... Tinha vezes que ela não conseguia dormir também, então ela me acordava. Eu ficava muito brava com ela, mas sempre fazia companhia. — Lizzie comentou, esboçando um leve sorriso ao recordar as diversas vezes que teve o sono perturbado. — Não morávamos aqui ainda, morávamos em Vancouver, do outro lado do país, praticamente. Depois que meus pais se separaram ela "foi" com a minha mãe, e nós nos mudamos. Por isso não tem coisas dela aqui, se é o que você quer saber...

A loira deu uma risadinha, se aconchegando na maior em seguida, abraçando sua cintura. A maior a abraçou de volta.

— Eu tinha uma irmã também. — Ellie comentou, sorrindo para Lizzie. — Ela era tão legal quanto você. Quando nevava, a gente acordava bem cedo pra ver a neve cair enquanto tomávamos chocolate quente, depois a gente fazia bonecos de neve no quintal.

— Nós podemos fazer bonecos de neve pela manhã... — disse a ruiva, sorrindo de volta.

Ellie balançou a cabeça animada.

Notas finais
O pai da Lizzie é tão legal :v Eu também quero um balanço... ;-; Tô com umas ideias interessantes rodando a mil na cabeça... Já nem sei mais em qual fanfic me concentrar hueahueahueah -q Mas sério, depois que eu terminar Apocalipse vou ter umas quinhentas fanfics pra serem postadas -q ~May