Apocalipse
2 Você me deve

Nathan:
Eu acordei, me sentindo meio zonzo. O lugar em que estava era escuro e úmido, podia ouvir passos vindo de longe, tentei me levantar mas senti uma dor imensa ao tentar e constatei que havia quebrado a perna.
Os passos vinham se aproximando, poderia ser ajuda ou...não. A única coisa que eu estava me lembrando era de meu nome. Pequenos fleches apareciam em minha mente, porém, nada se encaixava.
Uma luz fraca que iluminava o lugar se acendeu e pude ver quem estava se aproximando. Eram pessoas com a pele que parecia estar podre, seus olhos estavam totalmente brancos e alguns tinham uma das pernas até viradas. A multidão vinha até mim gritando a palavra matar, engoli em seco e tentei me afastar mas já estava encostado na parede. Eles foram se aproximando e o medo crescia dentro de mim. O que eu ia fazer? Quem eram eles? O que estava acontecendo?
Eles já estavam todos em volta de mim e, o que parecia ser o líder, disse: “atacar humano”.Eles foram chegando cada vez mais perto, fechei os olhos e coloquei os braços na frente do rosto. De repente o “líder” caiu em cima de mim e em sua cabeça havia uma flecha, um tipo de sangue de coloração roxa se derramou por toda minha roupa. Eu e aqueles outros “monstros” nos viramos para olhar para frente e viram uma garota de cabelos ruivos com arco e flecha nas mãos olhando seria para eles.
Ela, ao me ver, apenas revirou os olhos e acertou um chute em 5 deles e o resto usou as flechas para os derrotar. O ultimo conseguiu me dar uma pancada forte o suficiente para que desmaiasse...
Quinze:
Quando acabei olhei para o garoto, completamente sujo de sangue “roxo”, que estava caído no chão. Cheguei perto dele e constatei que ainda respirava. Sua testa sangrava e sua perna com certeza havia sido quebrada suspirei e o peguei no colo.
“Cada vez eles se multiplicam mais.” Pensei comigo mesma “ Esse é o primeiro que consigo salvar... Será que existem outros?”
Andei até chegar há um prédio totalmente abandonado, assim que entrei, tranquei a porta e coloquei um sofá e duas mesas pesadas para que dificultasse a entrada deles. Aquele era um lugar perfeito para se esconder, eles não tinham inteligência nem força o suficiente para tentar destruir as portas ou as janelas. E mesmo se conseguissem entrar, não conseguiriam subir as escadas até o ultimo andar do edifício, onde eu ficava. Espantei o pensamento e voltei a olhar para o garoto. Aquele era um simples machucado, mas talvez o garoto estivesse sido infectado ou algo assim, então o quanto antes curá-lo melhor seria para ambos.
Subi as escadas o carregando até o ultimo andar, o coloquei no chão e, apenas por precaução, revistei o apartamento todo. Como estava tudo normal, levei o loiro para dentro e cuidei da ferida. E depois de muito procurar achei uma bandagem para cuidar da perna. Sem sombra de duvida aquele garoto me parecia ser um inútil e fraco. Não seria útil para mim. Nesse mundo só sobrevivem os fortes, ele nem tentou se defender apenas aceitou a morte.
Me irritei com o pensamento e fui logo para o terraço. Respirei fundo e olhei para baixo só para me certificar que estava realmente tudo bem. Estava ficando paranóica. Não que temesse a morte. Só quero descobrir o que esta acontecendo,como aconteceu e porque está acontecendo.
A ultima coisa que me lembro era de uma garota de cabelos loiros na minha frente andando e perguntando meu nome e o de outro garoto...
–Oito -Disse em voz alta -Quem é você?-Suspirei e me joguei na cadeira da mesinha que ficava lá no terraço.- O que diabos está acontecendo?
–Então...você também não sabe?-O garoto loiro havia acordado e estava me olhando parecendo meio perdido
Dei um sorriso:
–Então você acordou?-Soltei enquanto me levantava
Ele ficou me encarando:
–Quem é você, pirralho?
Ele estreitou os olhos e pareceu aborrecido:
–Meu nome é Nathan.-Ele disse mancando pra chegar mais perto de mim
Eu o olhei:
–Seu idiota! Quanto mais fizer isso mais prejuízo causara a sua perna. –Bufei e o fuzilei com o olhar fazendo sinal para que parasse
Nathan apenas ignorou meu aviso e me perguntou:
–E o seu nome, garota?
–Quinze -Disse a ele que me olhou de maneira estranha- O que foi, pirralho?
–Nome estranho não?
Apenas o ignorei e puxei uma cadeira para mais perto dele:
–Senta- Disse sem paciência
Ele apenas se sentou e eu tirei o curativo de sua testa, analisando o corte que havia sido feito. Será que ele havia sido infectado?
–Está sentindo mal estar?-Perguntei passando os dedos sobre o machucado
–Não-Ele disse desviando o rosto para que não pudesse tocar nele
–Escuta aqui,pirralho. Ou você me deixa ver se você foi infectado ou não, ou te deixo lá para ser devorado por aqueles monstros. A escolha é sua.
–Por que me chama de pirralho,garota?
Apenas bufei. Cara que garoto irritante! Não ia agüentar esse mimado de merda por muito tempo.
–Olha aqui, eu fiz um enorme favor te salvando daquelas criaturas então cala a sua boca e me deixa terminar.
Ele me olhou como se estivesse ofendido,mas, fingi que nem vi e continuei a analisar o pequeno ferimento.
–Não sente nada estranho?
Ele não respondeu apenas olhou para frente
–Ei, eu estou falando com você!
Nathan ignorou novamente.
Dei um soco fraco em seu rosto.
–Idiota, me responda!
–Você me mandou calar a boca- Ele disse sorrindo debochado
Eu ia retrucar, porém ele se levantou, quase caiu, e olhou em direção a porta que ligava o nosso apartamento ao terraço.
–Ouviu isso?-Ele sussurrou
–Ouvir o que?
No mesmo instante ouvi passos e barulho de coisas sendo derrubadas no chão...
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